Num jogo em que ambos precisavam de ganhar e as equipas têm uma valia semelhante, o empate era o resultado mais provável. E foi o que aconteceu.
É certo que o Benfica poderia ter vencido, sobretudo pelo que fez nos últimos minutos, mas uma análise fria mostra que o Porto foi superior enquanto esteve em desvantagem no marcador (mais de 50 minutos) e que nesse período rematou muito e teve algumas oportunidades.
O Benfica não teve sorte em dois lances em que foras-de-jogo de alguns centímetros nos retiraram um golo e um penalti e no remate de Taarabt que espirrou para a barra depois de defesa incompleta de Marchesin.
Uma coisa que nos devemos recordar é que este Porto foi eliminado da Champions nos quartos de final por uma das equipas que chegou à final. E foi eliminado por pouco, não tendo sido inferior ao seu adversário no global dos 180 minutos.
A verdade é que para além da rivalidade e sem nunca desculpar ou esquecer comportamentos vergonhosos por parte de atletas, técnicos e dirigentes, não deixa de ser verdade que o Porto é um adversário forte, muito difícil de bater.
Em relação à arbitragem, é evidente que Pepe teria que ter sido expulso. Mas para além disso não me parece que Soares Dias tenha sido nesta ocasião particularmente tendencioso. Aliás assinalou dois penaltis, que acabaram por ser revertidos, é verdade, mas que a meu ver indicam que o árbitro não estava condicionado para prejudicar o Benfica. O fora-de-jogo é uma questão objectiva (não entro pelo caminho de questionar as linhas) e no lance de Diogo Gonçalves é de facto o nosso jogador que vai ao encontro do defesa e acaba por o pisar.
Vamos acabar o campeonato em 3°, restando a Taça de Portugal que agora é ainda mais imperativo ganhar. Mas aconteça o que acontecer nesse jogo, é uma época perdida em que foram falhados TODOS os objectivos.
Terá que ser feita uma reflexão muito profunda sobre o que correu mal.
Foi, claro está, uma época atípica, não apenas em Portugal. Juventus não foi campeã, em Espanha também é provável que seja um outsider a conquistar o título, em Inglaterra o Liverpool esteve como se viu e mesmo em França o PSG arrisca-se a não ser campeão.
Mas com o mal dos outros podemos nós bem. Bayern, City e Inter são exemplos de clubes que não permitiram "pandomias" para usar um neologismo de JJ que se aplica bem à situação e não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Não facilitaram. E, já agora, há que dar mérito ao Sporting que foi muito competente e nos momentos mais difíceis fez das fraquezas forças, arregaçou as mangas e não teve problemas em assumir as suas limitações e defender resultados.
Ao contrário do Benfica que foi muitas vezes sobranceiro e pensou que os jogos eram favas contadas, acabando por ser surpreendido.
Volto a dizer: há muito a ponderar. O Benfica não tem um plantel inferior a Sporting e Porto, muito pelo contrário. Por isso há que identificar causas e responsabilidades para tamanho fracasso.
ADENDA: não tinha visto bem o lance do segundo golo de Cebolinha. NÃO HÁ QUALQUER RAZÃO PARA O ÁRBITRO O TER ANULADO. Isto muda a minha percepção sobre a arbitragem que efectiva e objectivamente prejudicou o Benfica e teve influência no resultado. Pelo facto peço desculpa aos leitores.