segunda-feira, 4 de março de 2024

Incompetência

 Roger Schmidt não tem condições para continuar no Benfica. A única questão é se sai nos próximos dias/semanas ou no final da época. E não tem condições porque não tem competência.

É verdade que Schmidt é campeão pelo Benfica e fez uma muito boa Champions na época passada.

Mas desde então - aliás já desde a renovação - as decisões têm sido mais do que questionáveis e o futebol do Benfica tem-se vindo a degradar, culminando na débacle de ontem, de alguma forma anunciada. 

Schmidt é incompetente porque não prepara os jogos e não estuda os adversários devidamente. A este nível isso não é possível. 

Ontem parecia um jogo de homens contra rapazes ou de profissionais contra amadores. Sendo que o Benfica tem atletas com mais qualidade e até experiência do que o Porto, a diferença esteve toda nos treinadores. É um facto que o Benfica venceu o Porto 3 vezes na era Schmidt. Mas em duas delas esteve em vantagem numérica desde a primeira parte, tendo acabado por vencer com dificuldade e pela margem mínima. Ontem com a expulsão de Otamendi (segunda exibição seguida para esquecer) o jogo acabou e a questão ficou apenas de saber quantos sofreríamos. Aliás desde o primeiro minuto de jogo que se percebeu que a defesa do Benfica era um passador e o ataque inexistente.

As conferências de imprensa de Schmidt também sugerem que ele não percebe muito do assunto. As explicações são demasiado simplistas e o discurso pouco ou nada mobilizador. Fazem-me lembrar Graham Souness quando disse que o futebol são 11 duelos individuais. Se a coisa funciona assim não se percebe para que é necessário um treinador. 

Ontem Schmidt veio dizer que o Porto esteve melhor a todos os níveis e que estava mais fresco. Sim, é verdade. Mas quem é que há dias tinha dito que o calendário não o preocupava? Que acreditava na forma da equipa? Quem é que deu a titularidade a João Mário para o combate a meio campo que se adivinhava? Quem é que tem esgotado João Neves, que parece um bombeiro a apagar fogos, deixando-o quase sozinho no meio, com parceiros como Mário ou Kokçu, quando tem Florentino no banco? Quem deixa Rafa em campo até aos 90 minutos em jogos em casa contra equipas pequenas e a golear?

Quem é o responsável por o Porto ter sido melhor "física, mental e tacticamente"? Quando se diz "melhor" estamos a falar de 5 golos de diferença melhor (e podiam ter sido mais). 

O que aconteceu ontem já tinha acontecido várias vezes esta época. Começou na Champions mas também aconteceu recentemente contra Sporting e Toulouse. A diferença foi que ontem as bolas começaram a entrar cedo.

Uma humilhação destas não pode passar incólume. Não basta dizer que é futebol e que estas coisas acontecem. Eu já antes do jogo com o Sporting para a primeira volta tinha previsto o pior. Uma vitória à 25ª hora com dois golos nos descontos mascarou muita coisa. Mas ontem tudo ficou completamente destapado. O Benfica foi completamente anulado porque o treinador adversário estudou os nossos pontos fortes e foi ferido e abatido porque o treinador adversário estudou os nossos pontos fracos. Shmidt não fez uma coisa nem outra. Já contra o Sporting se viu que a equipa não tinha guião. Ontem isso foi ainda mais gritante. 

Ontem os jogadores do Benfica entraram para dentro de campo a ver o que é que o jogo dava. Não tinham qualquer plano minimamente estudado. Pareciam desconhecer o adversário que iam enfrentar. Fez lembrar os combates em que amadores vão para dentro do ringue porque até sabem umas coisas e lá na rua são durões. Depois chocam com a realidade, ou seja duas mãos (e por vezes pés, cotovelos, joelhos) a bater-lhes na cara e só querem é sair dali o mais rápido possível. 

Tenham vergonha! Isto é o Benfica! 

Uma última nota sobre o plantel. O Benfica tem 3 pontas de lança para jogar com um (no caso de ontem o pior dos 3) ou nenhum de início. Foi buscar Rollheiser, não se sabe bem para quê. Mas não tem um defesa esquerdo em situação de jogar (Bernat é o que se sabe, Carreras é uma nulidade) após dispensar dois no início da época e não tem um substituto para Bah (para além de Aursnes, o pau para toda a obra). Uma equipa que quer jogar um futebol ofensivo e não tem laterais é algo de inacreditável. Schmidt é seguramente um dos mas não o único responsável por isto.

domingo, 3 de março de 2024

Exigem-se responsabilidades.

Eu ainda quis acreditar mas aconteceu exatamente o que mais temia. Um Roger Schmidt emaranhado nos seus próprios equívocos e labírintos, preso a opções mais do que questionáveis, sem rasgo nem noção da importância dos momentos. Este era um jogo para entrar com tudo, para mostrar quem é (era) o campeão, para dominar desde o início.

Mas com a opção por Morato percebi mesmo antes do jogo que íamos voltar aos maus, péssimos, hábitos das adaptações e das contenções. Já em Alvalade achei que a substituição de Bah por Morato tinha sido má. Se as coisas foram um pouco menos desastrosas na segunda parte do que na primeira, isso nada teve a ver com essa substituição. Teve a ver com o normal abrandamento de quem está a ganhar e a reacção de quem está a perder (reacção que esta noite nem conseguimos ter). 

Este jogo foi vergonhoso, uma exibição (?) escandalosa do Benfica e a culpa é única e exclusivamente de Roger Schmidt. O Benfica foi completamente vulgarizado por um Porto mediano porque Sérgio Conceição com menos recursos consegue fazer muito mais do que Schmidt. Há muito, mas muito tempo que não via um banho de bola tão grande, tão humilhante como este. Desde o primeiro minuto que foi assim e até ao último não percebi qual a estratégia e o que queria Schmidt deste jogo. Defendemos mal e fomos completamente inofensivos. Foi uma réplica, para pior, do que aconteceu em Alvalade. Não há nada, mas mesmo nada de positivo a retirar deste jogo que nos afasta provavelmente definitivamente do título. 

Foi uma época de enorme investimento. Uma época em que jogaram 6 atletas na posição de lateral esquerdo. Em que chegamos à fase final sem ter um 11 base, sem ter sequer um sistema definido, sem que, excepção feita aos centrais, a Di Maria e João Neves, nenhum jogador tem posição definida no 11. (Mesmo João Mário e Aursnes que são sempre titulares já jogaram em diferentes posições ao longo da época).

Só mesmo Schmidt achava que João Mário, Tengstedt, Morato e Kokçu na ala seriam soluções num jogo desta natureza. São erros, equívocos e decisões inexplicáveis a mais. Cabe a Rui Costa tirar ilações do que hoje ficou por demais evidente.

Decisivo

 O jogo com o Porto é decisivo. Ou o Benfica vence e arranca para a vitória no campeonato ou abre caminho para o Sporting assumir a liderança à entrada na recta da meta, ficando depois dependente de uma vitória improvável (pois o Sporting jogará de cadeirinha, no seu estádio, bastando-lhe um empate) e já quase desesperada no dérbi. 

Para vencer teremos de jogar como uma verdadeira equipa - e com muita cabecinha! Só assim e só depois disso os grandes nomes poderão aparecer.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Assim não vamos lá

A ter de perder que seja num jogo que permite ainda a recuperação. Mas a margem de erro vai-se reduzindo e os sinais não me parecem nada positivos.

O Benfica ontem até podia ter ganho o jogo se o VAR não tivesse intervido, ou se Veríssimo tivesse tido a coragem de manter a decisão correta do fiscal de linha. E não me venham cá com explicações técnicas porque ainda recentemente vi um golo muito parecido em Inglaterra ser validado. Mas vamos passar à frente, porque os factores externos não podemos controlar, e olhar para dentro.

O treinador do Benfica deve refletir sobre as razões da completa incapacidade e inoperância da equipa durante a primeira parte. Por que razão o Sporting entrava na nossa área com tanta facilidade, Gyokeres recebia constantemente a bola e atacava a nossa baliza sempre com perigo e o Benfica pura e simplesmente não conseguia criar nada, não conseguia sair com perigo para o ataque apesar de ter jogadores rápidos e de existir muito espaço no meio campo do Sporting que podia e devia ter sido explorado.

É verdade que (mais uma vez) o Sporting marca praticamente no primeiro ataque perigoso que fez. Já na Luz foi assim. Mas depois disso (e também há que explicar porque acontece isso - duvido que a sorte seja a única explicação) fomos totalmente manietados. 

Depois vem a substituição de Bah por Morato. A não ser que ela se deva a factores físicos, é inexplicável para mim. A equipa não melhorou; pelo contrário, tornou-se mais previsível.

O Benfica defendeu mal e atacou bem apenas durante alguns minutos entre o primeiro e o segundo golo. 

ATUALIZAÇÃO: segundo as estatísticas do Goalpoint, o Sporting teve 42 ações na área adversária e o Benfica apenas 15. Consequentemente o Sporting fez 19 remates (5 enquadrados) e o Benfica apenas 4 (3 enquadrados). Sendo que de resto as estatísticas até são equilibradas, isto mostra uma muito maior objectividade e simplicidade de processos por parte do Sporting. Sabiam exactamente o que fazer e foram agressivos, ao passo que o Benfica foi macio e inconsequente. 

O mais preocupante para mim é que à entrada da fase final da época, continuemos sem um 11 base e agora sem sequer um sistema definido: jogamos com ponta de lança ou ataque móvel? No meio campo já jogou provavelmente uma dezena de duplas: Neves e Kokçu, Neves e Florentino, Neves e João Mário, Aurnes, etc, etc. É difícil estabilizar um modelo de jogo com tantas alterações.

Vem agora o jogo com o Porto. É necessária uma resposta muito forte da parte de todos. Uma vitória pode colocar as coisas no bom caminho, solidificando o percurso no campeonato e dando moral para os confrontos decisivos com o Sporting. Uma derrota colocaria tudo em causa e os títulos a começar a fugir-nos das mãos.

Nada está perdido e eu continuo a acreditar que temos qualidade suficiente para, a nível nacional, prevalecer sobre os nossos rivais. Mas para isso acontecer há que vencer ou pelo menos não perder no Porto. Caso contrário tudo se poderá desmoronar até ao fim da época. Este é o momento. Veremos se treinador e jogadores saberão estar à altura. 

sábado, 24 de fevereiro de 2024

6 defesas esquerdos numa época

 Isto parece mentira mas é a realidade. O Benfica já utilizou 6 (SEIS) jogadores na posição de defesa ou lateral esquerdo esta época: Ristic, Jurasek, Morato, Aursnes, Bernat e Carreras. Tão ou mais incrível do que isso é que (a avaliação é minha, obviamente) tem vindo (quase) sempre a piorar.

Sinceramente não percebi a dispensa de Ristic. Nunca o vi a comprometer. Foi um jogador dedicado e tinha um pontapé poderoso. Mas Jurasek também me pareceu razoável. Acima de tudo, poucas oportunidades tiveram de ganhar ritmo e rotina (algo importante na posição) e se adaptar aos colegas. A paciência / insistência que Schmidt tem para com outros jogadores contrasta sobremaneira com a forma como lidou com estes. 

Mas adiante, já não estão. O problema é que os que ficaram são "soluções" muito piores. Morato é esforçado, é um bom central mas qualquer pessoa vê que será sempre uma solução de recurso, uma adaptação e que a equipa fica coxa com ele. Carreras pelo que vi (confirmando a minha primeira impressão) não está minimamente preparado para jogar a este nível. E Bernat que em teoria possuiria os recursos técnicos necessários é a repetição do que já vimos com Draxler.

Na minha opinião e com os regressos de Bah e Neres, Aursnes é o jogador que mais garantias dá para a lateral esquerda e aquele que deveria assumir já o lugar, até para estabilizar mais o 11. Sobretudo na defesa as rotinas são importantes e estar a mudar a cada jogo não é recomendável. O Benfica precisa de estabilidade, não é possível andar em permanentes experiências quando se está a entrar na fase de decisões da época. 

Aursnes é um bom jogador tecnicamente, rotativo, com visão e inteligência. Na frente será difícil jogar face às opções existentes. No miolo não recupera bolas suficientes, é um pouco macio e não tira o lugar a João Neves nem a Florentino (que deveria ser o titular para o que resta da época). Sendo um jogador de muita entrega e espírito de equipa que "pensa como um médio", numa equipa ofensiva e que se quer pressionante como o Benfica, Aursnes deve assumir o lugar de lateral esquerdo que neste momento é o calcanhar de Aquiles do 11 do Benfica. Quanto mais cedo Schmidt assumir essa opção melhor. 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

A importância da condição física (e mental)

 Uma coisa que tem faltado ao Benfica esta época é frescura. Isso reflete-se em duas coisas: incapacidade de pressionar (o que muitas vezes leva a equipa a "partir-se") e falta de alegria.

A pressão é muito importante para o futebol de Schmidt, ela tira o oxigénio ao adversário. Sem ela permitimos aos nossos oponentes pensar mais o jogo e marcar os seus ritmos.

Contra o Vizela o Benfica pressionou mais e teve o jogo mais tranquilo da época, marcando 6 golos e dominando totalmente. E isto mesmo tendo abrandado muito na segunda parte.

Isto aconteceu por duas razões: (1) jogaram jogadores mais frescos que, além disso, (2) são mais eficazes a pressionar. Di Maria e Arthur Cabral têm pouca capacidade de pressão. Um pela idade, o outro pela morfologia, chegam normalmente tarde ao portador da bola. A pressão eficaz é aquela que impede o adversário de sair a jogar e força o seu erro. Aquela que "cai em cima" do adversário e o abafa. Para resultar toda a equipa tem de participar nela. Com dois jogadores da frente a não participarem ou participarem mal, só desgasta a equipa, porque faz correr atrás da bola, sem ganhos, dando até confiança ao adversário.

Não me interpretem mal: não estou a dizer que os referidos jogadores são os únicos culpados (a falta de frescura física - deles e de outros - é algo que cabe ao treinador identificar e remediar) ou que não devam ser titulares. Agora que o este factor deve ser pesado na altura de escalar o 11, sem dúvida. 

Nesse sentido, a rotação promovida por Schmidt foi uma excelente decisão. Mas atenção, foi um risco considerável: se as coisas não tivessem corrido bem, todos estariam hoje a criticar (e muitos a insultar) o treinador.

E a verdade é que nos primeiros minutos a equipa parecia desorganizada e não conseguiu fazer qualquer remate à baliza. Mas com a primeira perda de bola do Vizela em zona perigosa, o Benfica começou a ganhar confiança e a crescer, tendo em meia hora desmantelado por completo um Vizela muito limitado.

Neres, Tengstedt e Tiago Gouveia estiveram bastante activos. Sobre Neres, nenhuma surpresa: como já aqui escrevi várias vezes, é dos melhores jogadores do Benfica e do futebol português. Mesmo assim surpreendeu pelo rendimento que apresentou depois de lesão tão prolongada. Tengstedt, não sendo um predestinado, é um jogador bastante trabalhador e de equipa - e convém não esquecer que foi o autor do 2-1 frente ao Sporting. Gouveia marcou e esteve sempre disponível para a pressão, mostrando a tal frescura física que tem faltado noutros jogos.

Entrámos na fase decisiva da época. O "aparecimento" destes jogadores é muito importante para a enfrentar. 

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Quando não se ganha...

... é muito importante não perder. 

A frase é da velha raposa, Giovanni Trapattoni que sabia muito bem como se ganham campeonatos e como cada ponto pode ser decisivo.

Claro que no Benfica queremos ganhar todos os jogos e não ganhar tem quase sempre sabor a derrota. Mas também é importante sermos realistas. Nenhuma equipa vence todos os jogos numa época e é nesses momentos - e em jogos como este - que a máxima entra em jogo: é fundamental não os perder.

O Benfica vinha de várias vitórias seguidas e sabia-se que esta seria uma partida difícil. Com as condições meteorológicas e o estado do relvado as coisas tornaram-se ainda mais complicadas. E claro, estar em desvantagem não ajuda. Primeiro sofremos num penalti de azar: o jogador do Guimarães vem de trás de Kokçu que não o vê. E na segunda parte  até tínhamos entrado melhor, com vontade de dar a volta ao resultado. As incidências do jogo (com excepção da expulsão) não nos foram favoráveis. 

Mas acima de tudo temos de reconhecer que o Guimarães fez um grande jogo. 

Di Maria tem uma certa razão quando se refere ao tempo de descontos, nomeadamente em comparação com o que acontece nos jogos dos rivais. Mas contra isso pouco ou nada se pode fazer. O que podemos e temos obrigação de fazer é dar tudo até ao fim e aí não se pode apontar nada.

Falta muito campeonato e o Sporting vai perder pontos, eventualmente até connosco. Se for preciso ganhar esse jogo para os ultrapassar, acredito que o faremos. Agora claro que nada será fácil e não há garantias de coisa nenhuma. O futebol é mesmo assim. 

Também acho que Schmidt mexeu bem, não apenas hoje mas nos últimos jogos. Não tem sido dogmático e tem procurado mexer e fazer alterações que dêem mais rendimento. A opção de não começar com um ponta de lança é discutível mas não foi por aí que não ganhámos: o resultado nas duas partes foi igual (1-1). Depois disso mexeu bem a meu ver. A única questão é uma eventual entrada de Neres mais cedo. 

O ciclo de jogos que aí vem é exigente e este resultado não pode de forma nenhuma abalar a equipa. Pelo contrário é preciso dar continuidade às melhoras das últimas semanas. É isso que espero que aconteça.