quarta-feira, 24 de janeiro de 2024
Derrota justa
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
Este Benfica (ainda) é uma incógnita
O Benfica venceu até agora todos os clássicos em que esteve envolvido. Isso deixa-nos obviamente satisfeitos mas nada importará no fim da época se não se refletir em (mais) títulos (uma da vitórias já deu a Supertaça), nomeadamente o Campeonato.
Este Benfica é ainda uma incógnita porque, temos de admitir, essas vitórias foram felizes (contra o Sporting e Porto contámos com mais um jogador durante muito tempo dos jogos), mas também porque a Liga dos Campeões foi o que foi e mesmo em vários jogos internos temos tido imensas dificuldades.
O jogo com o Rio Ave foi quase incrível: o Benfica foi praticamente sempre dominado enquanto as equipas estiveram 11 para 11. Depois veio a expulsão com um amarelo indiscutível (o primeiro poderia ou não ter sido, mas isso acontece em todos os jogos) e então aí o Benfica assumiu o jogo e partiu para a vitória. É quase inexplicável como nos deixámos dominar em casa contra uma equipa que apesar de ter jogadores razoáveis está quase na zona de descida de divisão.
Esta época o Benfica tem sido inconstante. É verdade que vem melhorando mas nota-se que ainda não é aquela equipa consistente que nos dá segurança.
Sabemos desde o início da época que há muita qualidade no plantel do Benfica. A começar na defesa (com três centrais de grande nível) e a acabar em Rafa e Di Maria, temos uma equipa como a meu ver não tínhamos desde 2009. Um meio campo para o qual temos Florentino, João Neves, Koksu, Aursnes e João Mário é sem dúvida qualidade acima da média para o futebol português - e, a meu ver, acima dos rivais.
A questão é que só jogam 11, ou seja daqueles 4 que seriam normalmente titulares (Florentino, João Neves, Kokçu e Aurnes), no miolo só jogarão dois (o que deixa em princípio Florentino de fora), ao passo que Aursnes jogará provavelmente noutra posição. Sucede que Florentino é o nosso melhor médio defensivo e que não temos outro jogador com as suas características de recuperação de bola e capacidade de dar equilíbrio à equipa.
Isto para dizer que apesar de termos melhor plantel do que no ano passado, o nosso 11 infelizmente é pior. Isso é agora relativamente claro. Grimaldo, com quem uma parte dos adeptos embirrava, está no Leverkussen a provar que é um jogador de topo (entretanto já internacional espanhol) e infelizmente nenhuma das opções alternativas o fez esquecer (contratámos agora o terceiro lateral esquerdo da época).
Acima de tudo, a questão é o equilíbrio. É isso que no ano passado existia e que este ano está ausente. Kokçu é um jogador mais ofensivo do que Enzo e João Neves (neste momento o melhor médio do Benfica e do campeonato) é menos posicional do que Florentino. Isto traduz-se numa vocação mais ofensiva da equipa, a qual se acentua ainda mais com Di Maria. O ano passado jogámos muitas vezes com dois "extremos" que eram João Mário e Aursnes (jogadores de equilíbrio e de apoios). Este ano jogamos com Di Maria e, até à lesão, muitas vezes com Neres (jogadores de desequilíbrio e de vertigem). São assim vários jogadores a defender menos, a correr menos para trás, a pressionar menos para a recuperação da bola. Di Maria é um talento extraordinário, quase sem paralelo em Portugal, mas claro que não defende (o jogo com o Boavista, só para me contrariar, até foi um pouco a excepção...).
Schmidt procura um equilíbio na equipa que desde a saída de Enzo tem tardado e com as saídas de Ramos (o nosso "primeiro defesa" e primeiro a pressionar) e Grimaldo (a construir jogo desde trás e a fazer todo o flanco), assim como as entradas de Kokçu e Di Maria (mais ofensivos face aos que jogavam naquelas posições), se agravou. Schmidt tentou uma defesa a três e agora tem utilizado Morato na esquerda.
As adaptações de centrais a laterais não são incomuns. Os resultados podem ser positivos ou negativos. Por exemplo em 1991, num jogo decisivo contra o Porto (uma autêntica "final do campeonato"), Sven-Goran Eriksson colocou Paulo Madeira à direita, a fim de fechar o flanco. Quando o Benfica defendia Vitor Paneira recuava para lateral e Paulo Madeira jogava quase como terceiro central pela direita. Correu bem e o Benfica venceu por 2-0 nas Antas com os célebres golos de César Brito.
Já a adaptação de David Luiz à mesma posição, também num jogo contra o Porto teve efeitos desastrosos.
Morato tem feito o lugar com grande dedicação e concentração mas notam-se as limitações a atacar. Por outro lado é um jogador importante a defender, nomeadamente nas bolas paradas. Dá um pouco do tal equilíbrio a que me referi. Veremos o que significa a contratação do jovem espanhol.
Uma nota também para Musa que acho o jogador mais injustiçado deste plantel. Vemos algumas melhoras em Cabral, esforço e talvez uma capacidade técnica superior ao croata mas sinceramente acho Musa muito mais perigoso para as equipas adversárias: é mais rápido e mais acutilante em relação à baliza. Considero inexplicável que praticamente não jogue. Por exemplo, a seguir ao seu espectacular golo contra o Arouca que até internacionalmente teve destaque jogou... 3 minutos. É injusto e não me agrada nada. Pior, o seu espaço fica agora ainda mais reduzido com a chegada de Marcos Leonardo (que parece muito bom jogador). Considerando que há ainda Tengstedt e que jogamos apenas com um ponta de lança, há avançados a mais.
Voltando ao início e para concluir a minha ideia, estes jogos da Taça da Liga (Schmidt teve um lapso ao dizer "os jogos" no plural, dando como certa a vitória sobre o Estoril - e realmente será difícil admitir outro resultado que não a vitória face a uma equipa que levou duas goleadas de Porto e Sporting numa semana e vai em 4 derrotas seguidas, mas no futebol tudo é possível), estes jogos, dizia serão importantes, principalmente se jogarmos contra o Sporting, para termos uma melhor ideia do nível de solidez da equipa.
PS - em relação ao futsal não há palavras para descrever o comportamento do jogador do Sporting. Isto parece que se está a jogar na escola e mesmo assim não num torneio "oficial". Incrível também como aparentemente isso dá apenas um cartão amarelo. Vale a pena. Não era uma oportunidade de golo flagrante mas mesmo assim é um comportamento anti-desportivo vergonhoso.
segunda-feira, 13 de novembro de 2023
Noite mágica: (h)à Benfica!
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| Impossible? Parecia, mas houve Benfica. |
O futebol é imprevisível e essa é uma das razões pelas quais o adoramos. Outra é o Benfica em si, porque quem ama o futebol, ama o Benfica.
Foi uma noite mágica na qual o Benfica ganha na raça, encarnada em João Neves.
O resultado é surpreendente e a forma como a ele se chegou inacreditável, mas já lá irei.
Excelente arbitragem de Soares Dias que eu já aqui critiquei duramente várias vezes.
Depois do amasso que sofremos em San Sebastián, onde o resultado poderia ter sido muito mais embaraçoso, naquela que foi a 5a derrota da época, ninguém sabia como iria reagir a equipa.
Eu escrevi aqui há dias que Roger Schmidt andava desorientado e podia ter já perdido o balneário. Também escrevi que se o Benfica tinha renovado no ano passado, ainda antes da conquista do título, então era porque estava seguro de que ele era o homem certo para liderar o nosso futebol no futuro próximo. Nesse sentido não se percebia porque não lhe tinha sido dado outro tipo de apoio quando se começou a ver que ele estava a ter dificuldades.
Pois bem, houve duas coisas desde o jogo com a Real Sociedad que Schmidt fez bem. A primeira foi assumir a responsabilidade total pela péssima exibição (Di Maria também esteve bem ao dizer que a culpa era dos jogadores, pois isso, apesar de não ser verdade porque a táctica e a estratégia foram erradas, deu o sinal de solidariedade interna). A segunda foi, na conferência de antevisão do derby, assumir a má fase da equipa e dizer o que eu aqui disse uns dias antes: se o Benfica tinha um contrato longo consigo era porque confiava nele. Depois acrescentou uma coisa em sentido contrário ao que eu disse, mas na realidade é ele que tem razão: disse que essa confiança não pode ser posta em causa por uma má fase.
Eu concordo (claro que se tivéssemos perdido com o Sporting a disposição de todos era outra) mas a minha maior preocupação nem eram os resultados. Eram os problemas disciplinares mas também a questão da mudança de sistema. Não se muda de sistema a meio da época, isso não dá resultado, nem se joga uma partida decisiva a nível europeu com uma táctica colada com cuspo.
Mas Roger fez uma terceira coisa bem feita que foi regressar à linha de 4 defesas e fazer João Neves regressar ao centro do terreno.
O jogo foi muito bem disputado e bastante equilibrado na primeira parte. Após uns minutos de ascendente do Benfica, o Sporting até estava a começar a controlar o jogo, mas as principais oportunidades foram inicialmente nossas, duas por Rafa mais a bola de João Mário a que Florentino não conseguiu chegar, perante a baliza vazia. Depois o Sporting tem duas bolas que eram golos quase certos e que Trubin tira. Um cabeceamento de Diomandé e uma bola de Gonçalves na cara do golo. Nesta última é um facto que o jogador do Sporting remata quase à figura mas a verdade é que Trubin cresceu na baliza (e ele já é bem grande).
E quando se pensava que o intervalo chegaria sem golos, um mau passe para João Mário fez este perder a bola dando azo a um contra ataque letal do Sporting. Foi um grande golo - apesar da bola entrar entre Trubin e o poste ela levava fogo.
Foi uma machadada dura, para uma equipa que vinha de um péssimo jogo e da previsível mas sempre dolorosa eliminação da Champions.
Na segunda parte o Sporting entrou a querer dominar mas logo muito cedo surge a expulsão de Gonçalo Inácio. Percebeu-se que as coisas mudariam.
No entanto, apesar de curtos períodos em que o Benfica conseguiu jogar no meio campo do Sporting e recuperar rapidamente a bola fazendo uma sequência de ataques, estes acabavam quase sempre em centros que não davam em nada. A verdade é que o Benfica quase não conseguia rematar à baliza. Uma das excepções foi um tiro de Di Maria aos 76 minutos que Adam desviou para a barra.
Schmidt mexera já na equipa mas as substituições não pareceram melhorar a equipa. Talvez se possa dizer que Cabral terá eventualmente mais poder de choque na área, mas a verdade é que parece chegar sempre atrasado. Talvez seja azar, mas o brasileiro parece mesmo desfazado em relação à equipa.
A remar contra a maré esteve sempre, desde o início, Neves que ora recuperava bolas atrás, ora levava a equipa para a frente. É um esgravulha com imenso talento, um pequeno enorme jogador. Rafa e Di Maria também tentavam de todas as formas.
Ainda sobre as substituições também não se percebia por que razão, precisando de marcar, Schmidt não tirou Morato para colocar Jurasek ou porque esperou até aos 85 minutos para lançar Guedes.
Mas o futebol é sortilégio e no final o que conta são os resultados. Quem poderia adivinhar que, a perder aos 93, noventa e três (!!!) minutos, o que o colocaria a 6 pontos do Sporting, o Benfica acabaria o jogo na liderança??
Há dias eu escrevi que apesar do mau momento, essa era uma possibilidade, mas nunca poderia imaginar um jogo destes. Os últimos minutos foram mágicos!
A chave desta vitória não esteve sobretudo no talento (embora sem grande qualidade individual ela não pudesse ter acontecido) mas sim na raça, na crença, no querer benfiquista. O empate surge com Trubin já na área do Sporting! Desde o livre que antecedeu o canto!!!
Neves personalizou-o como ninguém (repetindo um golo fundamental ao Sporting, à semelhança da época passada), mas Aurnes (assistência para o segundo) foi também um batalhador incansável que tentou sempre, dando tudo. Mas todos os jogadores fizeram o que estava ao seu alcance, nunca baixando os braços e acreditando literalmente até ao último minuto. Foi incrível, ainda para mais com o suspense da avaliação da posição de Rafa pelo VAR.
Foi uma vitória não sei se justa, porque é difícil dizer que o Sporting mereceu perder, mas que os jogadores do Benfica conquistaram com todo o mérito. Schmidt teve nova frase lapidar: "mais bonito do que isto é impossível".
A festa foi espectacular, só lamento um (não sei se houve algum outro) adepto que entrou em campo e fez gestos obscenos para os jogadores do Sporting. Totalmente injustificado e lamentável. O que diríamos se nos fizessem isso a nós em Alvalade? As pessoas têm de parar com este tipo de comportamentos. A festa tem de ser por nós e de forma positiva, não a insultar ou atacar os outros. Picardias, claro, rivalidade sempre, mas dentro do espírito de desportivismo e decência.
Mas voltando ao jogo, o mais incrível e improvável é que os dois golos resultam de cruzamentos (que muitas vezes se diz que não resultam - e antes disso não estavam realmente a resultar); o primeiro, num canto, é Morato, que possivelmente deveria ter cedido o seu lugar a Jurasek, a fazer a assistência; o segundo é marcado por Tengstedt, um herói improvável, por quem a maioria não dá muito...
Agora note-se ainda o seguinte: Amorim, que tem feito quase milagres no Sporting e tem sido um excelente treinador, com fama de ler bem o jogo e fazer bem as substituições, substituiu Morita por Paulinho aos 85 minutos; Schmidt, que estava sob enorme pressão (e via-se na sua expressão facial) e não tem acertado muito nas substituições, lançou Tengstedt que viria a decidir o jogo e manteve Morato que iniciou a reviravolta com a sua assistência (para um golo espectacular de João Neves, diga-se).
Será esta vitória o "clique" que se sentia que estava a faltar desde o início da época?
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| O momento em que João Neves arma o remate; uma excelente execução técnica. |
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| António Silva e Otamendi apressam os companheiros para o centro do terreno: ainda acreditavam na vitória. |
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| Tengstedt vai fazer golo aos 96':21" |
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| Imagem curiosa: havia três jogadores em frente à baliza para finalizar. |
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| António Silva e Trubin à espera da decisão do VAR. |
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| Aursnes saúda Tengstedt após a confirmação do golo |
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
Vergonha. Só falta perder com o Sporting
Uma exibição vergonhosa, a fazer lembrar Vigo. Curiosamente o treinador do Benfica na altura era também alemão.
Schmidt está perdido e é duvidoso que se volte a reencontrar. A sua saída parece uma questão de tempo.
E pode acontecer já no Domingo. Uma derrota em casa com o Sporting, com tudo o que de humilhante isso teria (terá?), poderá ser o gatilho para esse acontecimento.
E pelo que vemos da forma como jogam as duas equipas, a derrota será o desfecho previsível. Realisticamente, o Sporting tem uma equipa que, com as suas limitações, tem uma ideia de jogo clara e intérpretes adequados ao sistema. Já o Benfica não tem nem um 11 base nem um modelo de jogo claro. Os jogadores estão desligados uns dos outros e os equívocos são mais que muitos.
Artur Cabral é uma nulidade, não há alternativa a Bah, João Mário não adianta nem atrasa, Tensteg não é jogador para o Benfica e a troca de Vlachodimos por Trubin foi, até ver, uma péssima ideia. A importância de Grimaldo é agora bem evidente, provando o quão errados estavam alguns adeptos.
Por falar em adeptos, o comportamento de alguns deles foi também, mais uma vez, deplorável. Infelizmente, como clube muito grande que é, existe no interior do Benfica muita gente que não presta. Já o sabíamos mas mostrar isso ao Mundo é envergonhar todos e a história centenária deste clube. Há que identificar estas pessoas, bani-los para sempre e entregá-los às autoridades. Aliás, o Benfica tem de pensar muito bem em acabar com esta claque. Uma claque com um histórico de crimes graves.
Hoje é um dia triste para o Benfica, em que passámos uma dupla humilhação. Uma em campo, em que o resultado de 3-1 acaba por ser o melhor o jogo, pois podíamos facilmente ter perdido por 5 ou 6 e outra nas bancadas nas quais aqueles adeptos se voltaram a comportar como selvagens. Uma imagem triste do Benfica e também de Portugal.
Voltando ao lado puramente futebolístico, infelizmente o que está a acontecer não é surpreendente. Há muito que alerto para a necessidade da estrutura aparecer e apoiar o treinador - praticamente não tenho escrito sobre outra coisa. Se o ano passado quiseram renovar com tanta pressa é porque estavam plenamente convencidos da competência do treinador alemão. Por isso teriam tido que o apoiar quando surgiram os primeiros problemas e sinais de que Schmidt estava algo perdido. Digo "teriam tido" porque agora já me parece tarde.
O que aconteceu na primeira parte deste jogo é sinal de total desorientação. A linguagem corporal de treinador e jogadores após a partida é ilustrativa de desânimo e resignação.
Veremos o que acontece Domingo. No futebol há muitas surpresas. Vencendo o derbi, o Benfica assumiria a liderança do campeonato. No entanto não sei se isso seria suficiente para reverter o mau momento e o ciclo negativo em que Schmidt entrou. Perdendo acho que se acaba o crédito do alemão. Ser eliminado da Europa e praticamente perder o campeonato em novembro é (ou deveria ser) impensável no Benfica, especialmente com um orçamento destes. Custa a perceber como Schmidt mudou tanto em menos de um ano.
domingo, 29 de outubro de 2023
Um Benfica triste e incaracterístico
O Benfica continua a somar maus resultados esta época e agora já nem jogos em casa contra equipas pequenas nos valem.
Tudo começa com demasiadas incertezas de Roger Schmidt. Ao passo que na época passada acertou um 11 logo na pré-época, este ano muda de equipa a cada jogo. Nenhum sector escapa: já tivemos 3 (três!!!) guarda redes titulares esta época, e na esquerda já jogaram também três jogadores; no meio campo não há maneira de acertar - o número de duplas já é quase incontável; no ataque também tem havido mudanças, com um Artur Cabral que não convence a obrigar o treinador a experimentar as várias soluções existentes no plantel.
Mas os intérpretes não são o único problema. Há vários problemas na equipa que não se explicam unicamente a partir do baixo rendimento dos jogadores. Quando uma equipa funciona bem, parece que todos os jogadores são bons; quando funciona mal parece que nenhum presta.
O Benfica defende mal, dá demasiado espaço, não pressiona como fazia na última época, passando por isso muito tempo a correr atrás da bola e não marca golos suficientes. Os sectores estão demasiados distantes, a equipa parece desconexa. Schmidt falou já este ano em equilíbrio e tem razão nesse diagnóstico, o problema é que não o consegue resolver. Aursnes é um bom jogador e tapa vários buracos mas não é solução para o meio campo. E Chiquinho penso que já terminou o seu ciclo no Benfica. Cada vez que tem entrado este ano não acrescenta rigorosamente nada.
Mas acima de tudo a equipa parece triste, lenta, sem rasgo e com pouca confiança.
Os diferentes casos (Neres, Vlachodimos, Di Maria e João Victor) claro que não contribuíram nada para o espírito de equipa. A liderança de Schmidt poderá estar em causa e se assim fôr vai ser muito difícil recuperar a autoridade.
Desde agosto que venho alertando para estes problemas de balneário. Quando as coisas não correm bem nesse capítulo, quando não há união, tudo se torna muito mais difícil e o sucesso fica distante.
E claro que não posso terminar sem dizer que Trubin poderia ter sido o herói da partida mas acaba por estar ligado a este desaire com um frango inaceitável. Já não é o primeiro. Na selecção ucraniana teve outro momento inexplicável recentemente ao sofrer um golo num remate a meio da baliza. Veremos se não arranjámos um problema complicado na baliza.
quinta-feira, 12 de outubro de 2023
Futebol internacional - Botafogo
O Botafogo voltou a vencer, após o despedimento de Bruno Lage. O treinador teve uma passagem infeliz pelo clube carioca.
Lage fez uma notável segunda metade de época no Benfica em 2019, após a saída de Rui Vitória. Recuperou uma desvantagem de 8 pontos e tornou o Benfica campeão. Mas na época seguinte, após um início novamente fantástico, viu o o título escapar-se-lhe entre as mãos, desperdiçando uma vantagem idêntica. Lage entrou em conflito com alguns jogadores e enredou-se em labirintos de teimosias e contradições em grande parte criados por si mesmo.
Agora no Fogão Lage teve uma nova oportunidade mas voltou a entrar por descaminhos, repetindo os erros do passado. A equipa já tinha entrado numa trajectória descendente e a tremenda vantagem pontual diminuiu substancialmente, a ponto da liderança começar a ficar em risco. Recorde-se que o Botafogo tem John Textor como principal acionista. O milionário norte-americano esteve interessado em investir no Benfica e será dessa ligação (que nunca se concretizou) que se lembou do nome de Lage. Além disso o treinador sucedia a outro treinador português, Luís Castro que, esse sim, fez um excelente trabalho. Mas a aposta em Lage falhou redondamente e os próprios jogadores já não acreditavam na sua liderança. Lage deu logo um enorme tiro no pé ao, após a primeira derrota e de forma não apenas surpreendente mas completamente inexplicável, colocar o seu lugar à disposição. Foi extemporâneo e deu logo a imagem de que não tinha capacidade para suportar a pressão. Ou dava rapidamente a volta à situação com vitórias categóricas nas semanas seguintes (o que não aconteceu) ou a sua liderança ficava irremediavelmente comprometida, como se verificou.
Agora, já sem Bruno Lage, o Botafogo voltou a vencer (e logo o Fluminense que era candidato ao título) e beneficiou ainda das derrotas do Palmeiras, Grémio e dos empates do Bragantino e do Flamengo. Uma jornada perfeita que lança definitivamente o Botafogo para a recta final da época. O título já não é uma miragem. Faltam 12 jornadas e o Fogão tem 9 pontos de vantagem para o Bragantino (de Pedro Caixinha) que não era sequer candidato e 11 sobre Grémio, Palmeiras e Flamengo.
Nota ainda para Gabriel que tem sido um esteio desta equipa. É um jogador do qual sempre gostei e que lamentei que tivesse saído do Benfica. Não temos no plantel nenhum jogador como ele. É técnico, atlético, duro e raçudo. Não será o mais veloz dos jogadores mas é um box to box, intratável nos duelos individuais, com bom jogo aéreo e capacidade de finalização. Contra o Fluminense fez mais uma enorme exibição.
Já em Inglaterra o Arsenal venceu o City em casa e assumiu a liderança a par do Tottenham (a surpresa de início de campeonato, tanto mais que este ano perdeu Kane). No que diz respeito à Premier League, foi a primeira vitória do Arsenal sobre o City desde 2015! Para encontrar um resultado que não fosse uma derrota do Arsenal era preciso recuar a 2017!
Foi por isso um feito importante para o discípulo de Guardiola. Embora o City continue a ser favorito para a revalidação do título, o Arsenal afirmou-se capaz de vencer os clubes de topo, a começar pelo tricampeão.
terça-feira, 3 de outubro de 2023
Porto e Inter. Em que patamar está este Benfica?
O Benfica venceu o Porto de forma justa e clara, mas apenas pela vantagem mínima.
Estando atrás, jogando em casa e estando o Porto fragilizado pela ausência dos dois centrais habitualmente titulares, o Benfica tinha a "obrigação" de ganhar.
Essa obrigação foi ainda mais acentuada quando o Porto ficou reduzido a 10.
No entanto sabemos como o Benfica tem tido dificuldades em vencer o Porto nos últimos anos. Nalguns casos por manifesta falta de sorte ou estrelinha, noutros por rendimento insuficiente e noutros ainda por decisões escandalosas das equipas de arbitragem (o golo de Maicon 1 metro fora de jogo, que deu um campeonato, é um caso emblemático). Nessa medida, uma vitória como esta nunca pode ser desvalorizada. No ano passado a vitória no Porto, à 10ª jornada, foi decisiva para a conquista do título.
Foi um jogo um pouco incaracterístico. Schmidt surpreendeu toda a gente ao apostar num 11 ultra-atacante, o mais ofensivo da época. Se virmos bem, o Benfica entrou em campo com 3 defesas de raíz (Aursnes é uma adaptação), dois jogadores no meio campo, um deles de características mais ofensivas, e 4 atacantes. Ou seja, num certo sentido, Schmidt jogou num 4-2-4 sendo que um dos elementos do "2" é também um jogador mais vocacionado para atacar... Penso que o 4-1-5 ainda não existe... Acresce que jogaram ao mesmo tempo Rafa, Neres e Di Maria, algo que alegamente não seria possível. E logo contra o Porto.
O sinal era portanto claro: para a frente, o jogo é para ganhar.
Isso é algo de bastante positivo. Noutros jogos com o Porto no passado o Benfica alterou a sua identidade e perdeu com isso. Desta vez manteve ou até reforçou a sua identidade e esperou que fosse o Porto a adaptar-se.
Claro que se pode colocar a questão sobre se este 11 tem o equilíbrio necessário. O Benfica entrou com vontade de mandar no jogo e atacar, mas aos poucos o Porto susteve esse ímpeto e estava a controlar mais o jogo. Depois houve o lance que tudo mudou. Atenção porque o lance faz parte do jogo, não é uma coisa de mero acaso ou que tenha caído do céu. Se Neres não estivesse em campo o lance não aconteceria (João Mário nunca teria velocidade para se antecipar naquela bola).
Isto para dizer que se alguns acham que aquele meio campo não dá para jogos deste grau de exigência e que essa aposta foi a razão porque o Porto estava a conseguir aos poucos impor o seu jogo, a verdade é que a aposta de risco de Schmidt deu frutos porque Neres conseguiu causar uma expulsão de um adversário. Outra coisa que não é dita é que a aposta de risco de Conceição (subir muito a defesa) não funcionou: uma expulsão, um amarelo alaranjado para David Carmo e um recuo na segunda parte para evitar males maiores.
Após a expulsão o Benfica jogou de forma lenta até ao final da primeira parte, certamente porque no subconsciente dos jogadores estava já a ideia de que venceriam necessariamente o jogo. Mas essa atitude foi muito arriscada porque o Porto aproveitou essa moleza para tentar a sua sorte no ataque e por duas vezes esteve perto do golo, com Trubin a fazer duas muito boas intervenções.
Na segunda parte tudo mudou e o jogo pareceu sinceramente um jogo típico de campeonato na Luz: o Benfica instalado no meio campo adversário, a ter ofensiva atrás de ofensiva e o Porto remetido totalmente à defesa, a esperar que o tempo corresse sem a bola entrar na sua baliza. Acabámos por marcar numa bola enrolada chutada por Di Maria após mais uma grande jogada de Neres pela esquerda. Foi um golo esperado e justo. Pensei que poderíamos marcar mais, mas o jogo mudou um pouco de dinâmica: o Porto quis vir mais para a frente, Schmidt mexeu no sentido de fechar mais o nosso meio campo e deixámos de ser perigosos. Nota negativa mais uma vez para Artur Cabral que nada mostrou apesar de ter entrado quando a defesa do Porto estava já muito desgastada.
A arbitragem foi normal, o que desagradou ao Porto. Anormal seria não expulsar um jogador que trava outro que vai isolado para a baliza com a bola à sua frente, ou marcar penalty num lance em que o guarda redes tira a bola do avançado antes do contacto normal entre os dois. Boa intervenção de Trubin, sublinho mais uma vez. E ainda sobre as "queixas" de Conceição (são mais desculpas do que outra coisa), recordar a expulsão de Eustáquio no ano passado é dar tiros nos pés. Eustáquio poderia ter sido expulso logo na primeira entrada e na segunda também poderia ter levado vermelho directo. Já esta época Eustáquio viu-lhe perdoada a expulsão por duas vezes no mesmo jogo, não tendo sequer visto o amarelo, num dos maiores escândalos até ao momento. Haja noção do ridículo.
Dito isto, o Porto não foi o adversário que costuma ser. Algum mérito nosso mas também alguma fragilidade deles. Contra 10 as coisas ficaram muito facilitadas porque este plantel do Porto não está ao nível do nosso. Para além de Diogo Costa, Pêpe e Taremi, a equipa não tem jogadores que façam a diferença. O central que entrou nunca tinha jogado...
Não podemos por isso tirar muitas conclusões desse jogo. E nesse sentido (e todos os outros) o jogo com o Inter esta noite será de enorme importância. Após a derrota disparatada com o Salzburgo em casa, o Benfica precisa de começar a pontuar. Um empate seria uma forma de reequilibrar as contas do grupo, uma vitória permitiria apagar o tropeção da 1ª jornada. Mas este será sem dúvida o primeiro grande teste a este Benfica 2023/24. Temos indiscutivelmente um plantel com muita qualidade e muitas soluções, provavelmente o melhor desde 2004/05. Mas até ao momento ainda não "carburámos" como deve ser. Veremos se o começamos a fazer esta noite ou se pelo contrário serão expostos alguns dos problemas que o início de época mostrou, sobretudo a nível defensivo. Certo é que encontraremos um adversário não apenas consistente mas com imensa qualidade, que foi finalista da Champions no ano passado e está em primeiro no campoenato (agora com os mesmos pontos que o Milan e mais 10 do que a Roma de Mourinho), tendo vencido por 4-0 fora no sábado. Será um teste a sério para este Benfica e um jogo muito importante para a definição do que nos sucederá em termos de competições europeias.






