quarta-feira, 12 de junho de 2013

Saídas no Benfica

Para além de Cardozo, deverão deixar o Benfica Garay (praticamente já transferido), possivelmente Gaitan e... poderemos ter ainda uma semi-surpresa desagradável. Matic disse querer continuar pelo menos mais um ano e o seu irmão foi contratado mas... 

A época de Matic deu muito nas vistas. Convém não esquecer que o Benfica chegou a uma final europeia. Matic foi constantemente o melhor do Benfica. Pelos valores certos (e a cláusula de rescisão penso que rondará os 50 milhões), Matic sairá certamente.

A confirmarem-se estas saídas, para além naturalmente das dispensas e de um ou outro jogador menos influente, será certo que o Benfica adoptará um novo tipo de jogo.

Para jogar como o fez na primeira época, o Benfica precisou de um super-Javi Garcia, autêntico guarda-costas dos centrais e pronto-socorro nas perdas de bola. Era um jogador que imediatamente caia em cima do opositor quando o Benfica perdia a bola. Daí dificilmente as equipas adversárias conseguirem ter bola e sair a jogar contra o Benfica nessa época. Mas havia também Ramirez que era um ala muito especial, recuperava a bola e conduzia-a e fazia muito bem a ligação entre sectores. Havia também, claro está, um Aimar em grande forma.

Depois da saída de Ramirez, foi o descalabro: a equipa ficou partida e o campeonato irremediavelmente perdido na 1ª volta, com derrotas amargas contra o Porto e Braga a ditarem a saída das taças nas meias-finais.

No terceiro ano chegou Witsel e a equipa voltou a equilibrar-se. O Benfica perdeu o campeonato devido às arbitragens.

No ano passado, com as saídas de Javi, autêntico esteio da equipa desde a chegada de Jorge Jesus e da adopção do modelo super-atacante do Benfica, e de Witsel, o chamado médio box-to-box, com tremenda qualidade técnica e cultura táctica, temeu-se o pior. Jorge Jesus lançou então Matic, que foi um autêntico monstro. Matic parecia estar em todo o lado, desde o meio às faixas laterais, desde a rectaguarda do nosso ataque à frente da nossa defesa. Graças à sua extraordinária época e à óptima prestação também de Enzo Peres, que secundou Matic muito bem, sendo sempre um jogador extremamente combativo e com capacidade para sair com a bola, a substituição do miolo da equipa do ano anterior não se notou. 

Caso Matic saia, Jorge Jesus terá que inventar outro meio-campo. Será a quarta vez que o faz em 5 anos. Apenas no segundo ano se manteve (embora apenas na aparência) o desenho táctico. Na realidade a saída de Ramirez deveria ter sido colmatada com outro desenho táctico (o que surgiu no terceiro ano) para compensar o vazio deixado no meio campo.

Voltando ao próximo ano, a contratação de Djuricic e a saída de Cardozo, ponta de lança fixo, já deixavam antever que o Benfica viria a jogar de forma diferente. Imagino que possa voltar ao modelo de um médio defensivo mais clássico, ao estilo de Javi, mas teremos que esperar para ver.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Reforçar a competência e a qualidade (II)

Independentemente dos erros, que existiram e de, entre outros, referi no anterior post sobre o assunto, Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus têm os seguintes méritos que não podem ser negados: o presidente reforçou - e muito - a qualidade do plantel ao longo dos anos, ao passo que o treinador colocou a equipa a competir num patamar completamente diferente do que sucedia nos anos que o precederam.

O Benfica tem tido nos últimos anos plantéis de grande qualidade que estão a passar ao lado do sucesso que merecem por diferentes factores, uns imputáveis ao Benfica, outros completamente estranhos não apenas ao Benfica mas à própria essência do futebol. Nos últimos dois anos (pelo menos) o Benfica teria sido o campeão se estes factores estranhos não tivessem desempenhado um papel decisivo.

Em termos de erros próprios, deixando agora de lado as questões de combate ao sistema e de comunicação do clube, o Benfica não pode repetir erros do passado como sejam as apostas insistentes em jogadores claramente sem perfil para o Benfica ou começar épocas com carências em posições fundamentais.

Na época que se iniciará dentro de dois meses, o Benfica terá que ter no seu plantel um lateral esquerdo com capacidade e competências indiscutíveis, assim como uma alternativa (se possível ainda de maior qualidade) a Maxi Pereira. Terá igualmente que acautelar a questão dos centrais: se Garay sair é necessário pelo menos um substituto de grande qualidade, até porque Luisão não durará sempre. Steven Vitória parece-me uma solução óbvia que oferece garantias. Depois há ainda a questão do meio campo. Aimar já saiu e Carlos Martins deverá seguir o mesmo caminho. Jorge Jesus deveria a meu ver dar uma oportunidade a Miguel Rosa (mas não vai dar, pois o jogador será emprestado ao Belenenses, o que pelo menos lhe dará espaço para se mostrar) e apostar mais em André Gomes. Há ainda André Almeida e Uros Matic. A questão é se estes jogadores contam ou não para JJ. Se não contam e não se contratar ninguém podemos esperar novamente o meio campo do Benfica a acabar a época em grandes dificuldades.

Finalmente temos a questão Cardozo. Melhor goleador do Benfica dos últimos anos, o paraguaio era pouco utilizado antes de JJ chegar à Luz. Foi com Jesus que Cardozo cresceu e se tornou no goleador que é hoje. A sua atitude irreflectida (mas grave) deverá levar mesmo à sua saída do Benfica.

A confirmar-se, isto exige alguma reflexão e o encontrar de soluções. Markovic parece-me um grande jogador mas pelo menos neste momento não tem o perfil de Cardozo como finalizador e homem de área. Aliás não há muitos jogadores como Cardozo. A sua presença e poder físico, aliados à capacidade concretizadora tornam-no num jogador raro e valioso. Que ainda para mais se encaixa muito bem no tipo de jogo do Benfica.

Será portanto preciso JJ ver se quer substituir Cardozo por um jogador semelhante ou se pelo contrário aproveitará esta oportunidade para mudar um pouco o modelo do Benfica, ou jogando com dois avançados mais móveis ou jogando num futebol mais apoiado, fazendo uso das qualidades de Djuricic.

Em termos de qualidade, estou plenamente convencido de que Djuricic, Markovic e Sulejmani acrescentam qualidade ao Benfica. Importa portanto agora acautelar as saídas e encontrar soluções para as posições onde há carências já de longa data (na esquerda, desde Álvaro e Veloso só me lembro de Léo e Fábio, como jogadores com capacidade indiscutível para envergar a camisola do Benfica). 

Depois há que continuar a reforçar a competência: a abordagem aos jogos decisivos, a capacidade de comunicar e gerir a informação, as condições de treino, a organização do futebol. Tenho visto pela blogosfera várias críticas a Carraça, sobre as quais não me pronuncio pois não conheço o seu trabalho e o dia a dia do Benfica. A questão de Carraça é igual à de Lourenço Coelho, que está igualmente envolvido com o balneário e de quem também não é possível identificar méritos. No entanto, mais do que pessoalizar, importa é corrigir erros, ser mais competente, ter mais atenção aos detalhes (não se admite o que se passou no final da Taça) e encontrar equilíbrios na gestão das emoções que permitam retirar o melhor de cada um. 

O caminho do Benfica tem que ser este: de ano para ano ser cada vez mais competitivo, mais capaz, mais profissional e manter ou se possível reforçar a qualidade da equipa. Se assim for, os títulos certamente que começarão a aparecer com regularidade. 

A "estrutura"

A tal "estrutura" que todos não se cansam de elogiar viu-se livre de Vitor Pereira como quem cospe uma pastilha elástica da boca.

Aqui neste blog critiquei muitas vezes e de forma muito dura Vitor Pereira, pois ele usou todos os métodos para atacar o Benfica e pressionar as arbitragens, assumindo-se como peão de brega do clube do Porto. Foi um treinador que os próprios adeptos portistas, nomeadamente os que têm páginas inteiras n' "A Bola", criticaram sistematicamente. Defendeu sempre o seu grupo e deu sempre a cara. Em dois anos perdeu um jogo para o campeonato. Venceu duas supertaças. 

E o que lhe fez a "estrutura"? Andou a tentar contratar Jorge Jesus ainda com o campeonato a decorrer. "Plantou" notícias que falavam de alegados (e inventados) interesses do Everton, justamente para passar a Pereira a mensagem de que devia começar a pensar em encontrar clube. Inventou uma rábula de que tinha sido feita uma proposta a Pereira e que este estaria a pensar se aceitava ou não...

Agora, não satisfeita com a desconsideração que fez a um treinador que talvez não seja tão incompetente como o pintam (em 4 jogos com JJ para o campeonato não perdeu um), a "estrutura", através do "papa", queixa-se de que Vitor Pereira ainda não se desvinculou do Porto, pelo que (subentende-se) não deveria ter assinado pelos árabes. Isto no mesmo dia em que apresentou Paulo Fonseca!!!! 

Inacreditável! É uma escumalha sem qualificação, que até os que os serviram de forma tão dedicada trata desta forma. 

Escumalha que não acaba na estrutura. Ao ouvir Miguel Guedes anteontem, dei por mim com vontade de lhe dar dois pares de estalos. Não porque ele estivesse a dizer verdades incómodas para o Benfica mas porque este indivíduo é um manipulador, um fuinha, uma criaturinha insolente e irritante, arrogante até à ponta dos cabelos e por todos os poros da sua pele, absolutamente insuportável. 

Dizia a criaturinha que Jorge Jesus tinha "problemas de personalidade" e menos de 5 minutos depois critica Gobern por atacar "a pessoa" de Jesualdo, algo que ele, Guedes (o santo) nunca fazia. Como se não bastasse ainda se permitiu fazer "avisos" ao Sporting a propósito do corte de relações, como quem diz "tu tem cuidado...".

O clube do Porto é isto. Em todos os seus representantes e na maioria esmagadora dos seus adeptos. A "estrutura" é isso: uma mentalidade de que vale tudo para ganhar, não se olhando a meios, atropelando quem se atravessar no caminho, usando e deitando no lixo as pessoas quando já não servem. Uma mentalidade (e pessoas dispostas a ser seus instrumentos) de que vale a pena violentar, agredir, fazer batota, adulterar e falsificar a realidade para ter títulos no currículo. 

Ao contrário do Benfica ou do Sporting, o Porto não vive da paixão clubística. Vive do ódio e das vitórias. Sem ódio não haveria "sentimento clubístico" do portismo, sem vitórias não haveria adeptos. No dia em que o Porto começar a perder, toda aquela gente, agora tão valente, ferrenha e aguerrida, dispersar-se-á, desaparecerá. O Estádio ficará às moscas e as peixeiras já não gritarão Porto. Os super-macacos acabarão e a "estrutura" dissolver-se-á como um castelo de cartas.

domingo, 9 de junho de 2013

O triângulo de Chão de Porcos

É mundialmente famoso o triângulo das Bermudas, também conhecido por triângulo do diabo, onde aviões e embarcações desaparecem misteriosamente, fruto de, alegam alguns, actividade paranormal e/ou de extra-terrestres.

Portugal não gosta de ficar atrás de ninguém seja no que for e daí a ter, desde há cerca de um mês, o seu próprio triângulo: o triângulo de Chão de Porcos.



Se o triângulo das Bermudas fica entre Miami, Bermuda e San Juan (Porto Rico), já o nosso fica entre o Porto, Braga e Paços de Ferreira. No meio do "nosso" triângulo fica a localidade que lhe dá nome: Chão de Porcos, que se situa ao lado de Costa do Pinto.

Tal como no triângulo das Bermudas desapareceram de forma misteriosa um avião e diversas embarcações, também no triângulo de Chão de Porcos desapareceram misteriosamente: 1) a verdade desportiva; 2) dois treinadores de futebol; 3) alguns jogadores. Provavelmente terão sido sugados por um vórtex semelhante ao que se diz existir nas Bermudas.

Há ainda outra semelhança notável, que faz com que Portugal esteja, como sempre, na vanguarda do que é estranho: tal como no triângulo das Bermudas alguns objectos desaparecem para sempre, ao passo que outros reaparecem noutros locais, o mesmo acontece em Chão de Porcos. De facto a verdade desportiva desapareceu sem deixar rasto mas os treinadores e os jogadores já reapareceram noutras paragens. Mais uma vez, as palavras de Pinto da Costa, certamente ligado por laços misteriosos a Chão de Porcos, ou não fosse a localidade vizinha Costa do Pinto, foram proféticas, pois ele disse (na altura incompreendido por nós, meros leigos): "já tenho treinador, vocês sabem onde ele está".

Estava, evidentemente, no triângulo de Chão de Porcos e agora tudo bate certo. 

Até aqui, Portugal tinha o seu quinhão de actividade paranormal, por força do Entrocamento e seus fenómenos (tudo ali cresce em proporções fantásticas) e também do Canal Caveira, onde ao invés de desaparecimentos havia, diz-se, encontros misteriosos.

Mas isso não chegava. Agora sim podemos-nos orgulhar de ter o nosso próprio um triângulo, tal como as Bermudas.

O primeiro fenómeno no triângulo de Chão de Porcos, deu-se a 11 de Maio. O Nacional da Madeira foi ganhar a Braga por 3-1, depois de ter perdido pelo mesmo resultado e com uma exibição descolorida uma semana antes contra o Porto. Com esse resultado, garantiu ao Paços de Ferreira o 3º lugar no campeonato, perdido precisamente pelo Braga. Foi um resultado anormal, especialmente se tivermos em conta que o Braga estava obrigado a ganhar se quisesse manter esperanças de ir à Liga dos Campeões no próximo ano. De facto ainda mais estranho se considerarmos a quantidade de água que a equipa nacionalista meteu na semana anterior, na sua própria casa, quando hipotecou definitivamente as possibilidades de alcançar a Liga Europa. Mas o futebol é assim, cheio de sortilégios e se fosse só por esse facto, nunca Chão de Porcos se teria celebrizado.

Os mais espectaculares fenómenos misteriosos começaram a dar-se a partir de 19 de Maio no vértice de Paços de Ferreira. A um já nos referimos: a verdade desportiva desapareceu  aos 20 minutos de jogo.

Os outros foram ainda mais extraordinários e aí sim, imortalizaram este triângulo: do vértice de Paços passaram para o vértice de Braga Luis Carlos, o jogador que, num atraso infeliz, isolou James para o "penalty" do título e Cássio, guarda-redes do Paços. 

Também do vértice de Paços, passou desta vez ao vértice do Porto Josué, que entretanto revelou que já antes disso era do Porto e que tinha a certeza que lá jogaria. 

Do Porto a Paços vai em sentido contrário um dragão, um Estádio, que abre as portas para que lá jogue a equipa do Paços (ou o que dela sobrar) para o ano. 

E finalmente de Paços para o Porto vai também o treinador (que se encontrava desaparecido há algum tempo), dando lugar a outro que por sua vez desapareceu para agora reaparecer (tal como aconteceu já também nas Bermudas) no meio de um deserto das arábias... Já a misteriosa proposta para a sua renovação, essa foi mesmo engolida pelo buraco negro do triângulo.  

Para compor e rematar este ramalhete, Pinto da Costa, numa entrevista à RTP logo a seguir à "conquista" do Campeonato, anunciou, provavelmente fazendo uso dos seus proverbiais dons de vaticínio (ou omnisciência), que este tinha sido "o ano da verdade desportiva", o que ilustrou anunciando ao País a transferência de Cássio para o Braga. Na altura ninguém sabia desta passagem de um vértice ao outro.

Confusos? Eu explico: a verdade desportiva que eu disse ter desaparecido em Paços está afinal no triângulo de Chão de Porcos. Pinto da Costa, com a sua ligação a Costa do Pinto, mesmo ao lado de Chão de Porcos, foi o único que a viu, provavelmente ao lado de Josué, Cássio, Luis Carlos e Paulo Fonseca.

Agora digam lá: a este rectângulo à beira mar plantado, o que estava a faltar? É óbvio: o triângulo de Chão de Porcos. Num país de gente quadrada, nada como uma grande lição de geometria para deixar bem redondas as cabeças dos maus alunos. 

sábado, 8 de junho de 2013

Será tudo nossa imaginação?

Ponto prévio: todas as suspeitas sobre o FC Porto, desde que fundamentadas, são legítimas. Porquê?

Porque o Porto é um dos únicos clubes condenado por corrupção em Portugal e, creio, o ÚNICO que NÃO RECORREU DA SENTENÇA. Nessa medida pode-se falar de um clube assumidamente corrupto. E como todos os dirigentes mais influentes por lá se mantiveram, a começar em PdC, não temos verdadeiramente razões para esperar deles outro comportamento que não o da trapaça e da deslealdade. Que aliás demonstram a todo o momento.

Vem isto a propósito do caso CASAGRANDE que (como aliás era de esperar) não teve praticamente repercussão na imprensa.

Naturalmente que não tenho certezas absolutas acerca do caso. Mas que é muito estranho e mereceria no mínimo alguma investigação, disso tenho a certeza.

Dei-me ao trabalho de ler o que escreveu um portista num blog.

Parecendo querer fazer uma análise séria ao caso, os seus principais argumentos para contrariar o testemunho de Casagrande são estes: a resposta de Domingos Gomes, médico do Porto na altura (pessoa que reputa de credível) e a incongruência entre a passagem (fugaz) de Casagrande pelo Porto e o alegado uso de substâncias dopantes.

Em relação a Domingos Gomes, sendo parte interessada no caso, não será talvez a fonte mais independente. Mas mesmo descontando esse facto, as declarações em si mesmas são algo estranhas.

Porque à Renascença Domingos Gomes diz:

"essa prática nunca se efectuou no clube. As palavras de Casagrande também ofendem o FC Porto que se achar deve accionar judicialmente o antigo jogador. Condeno em absoluto essas declarações. São falsas e ofendem a dignidade do departamento médico e do FC Porto".

Mas depois a outros orgãos de informação diz o seguinte:

Comigo não aconteceu. Não tenho nada a negar. Já foi há muito tempo, nesta altura não consigo relacionar com nada. Se ele disse isso, não tenho nada a reagir. Já lá vai, não tenho nenhuma referência neste momento para falar do caso. Ele é que terá de dizer quem foi. Transcende-me. Não tenho que comentar”, disse Domingos Gomes em declarações ao jornal MaisFutebol.

Não tenho nada a dizer, se foi utilizado ou não. Já não faço parte desse mundo. Não tenho dados, e haverá pessoas mais habilitadas para comentar”, acrescentou o médico, que adiantou não ter grandes recordações de Casagrande: “Se é quem eu penso, é uma pessoa que foi muito bem tratada. Fraturou o tornozelo uns jogos antes da final”.

Será só a mim que estas declarações parecem um pouco incongruentes?

O outro argumento é o do rendimento (e jogos disputados) versus a "necessidade" do uso de doping.

Ora aqui o blog portista não percebeu ou não quis perceber o que Casagrande disse. O brasileiro disse que não havia cansaço e que "Se fosse preciso, dava para jogar três partidas seguidas”.
 
E comenta o portista:

"Três partidas seguidas? No FC Porto?
Lendo isto, quem não souber até pode pensar que Casagrande disputou muitos jogos no FC Porto e que, para aguentar o intenso esforço que lhe era exigido, tinha que se dopar (quatro vezes, diz ele). Vejamos, então, a realidade dos factos.
Casagrande participou em apenas seis jogos do campeonato português (perfazendo um total de 318 minutos) e na Taça dos Campeões Europeus 1986/87 teve uma utilização residual (cerca de 60 minutos e na final nem sequer saiu do banco de suplentes).
Quanto a ter disputado três jogos seguidos num curto período de tempo, bem, isso é algo que nunca aconteceu, nem nada que se pareça. O mais seguido que Casagrande teve no FC Porto foram dois jogos, com um intervalo de seis dias (!), em que esteve em campo uma “enormidade” de 90 minutos (63+27)."

Ora não é isto que está em causa. Casagrande não diz que jogou 3 partidas seguidas. O que ele disse é que se fosse preciso com o doping poderia jogar 3 partidas umas a seguir ás outras. Ou seja conseguia jogar 270 minutos sem parar...

Casagrande AFIRMA DUAS VEZES QUE FOI NO FUTEBOL CLUBE DO PORTO QUE TOMOU DOPING! SERÀ QUE FOI O BENFICA QUE LHE PEDIU PARA O DIZER? SERÁ QUE ALGUÉM PAGOU A CASAGRANDE, QUE TEVE A CORAGEM DE ASSUMIR UM PASSADO DE DROGAS E QUE AGORA SE QUER LIBERTAR DESSES DEMÓNIOS, PARA INVENTAR UMA COISA DESTAS? QUAL O INTERESSE DE CASAGRANDE?

Porque viria o jogar mentir sobre um caso desta gravidade tantos anos depois?

E SE O PORTO NADA TEM A TEMER OU ESCONDER PORQUÊ AS AMEAÇAS FEITAS AO JOGADOR BRASILEIRO?

Enfim é mais um caso estranho para os lados do Porto e mais uma sombra que fica sobre as suas conquistas do passado, mesmo aquelas que à partida menos contestaríamos: as europeias.

Seguidamente fica um registo de uma série de notícias e artigos sobre este e outros casos envolvendo doping e o Porto.

http://www.publico.pt/desporto/noticia/casagrande-admite-uso-de-doping-quando-jogava-no-fc-porto-1592230
http://www.maisfutebol.iol.pt/noticias/casagrande-doping-porto-casagrande-doping-casagrande-doping-porto-fc-porto-walter-casagrande/1442338-1192.html
http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/interior.aspx?content_id=817327
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=397300

http://desporto.sapo.pt/futebol/brasil/artigo/2013/04/30/deco_apanhado_num_exame_anti_dop.html
http://www.publico.pt/desporto/noticia/deco-constitui-defesa-contra-acusacao-de-doping-1593336
http://sol.sapo.pt/inicio/Desporto/Interior.aspx?content_id=74103

http://relvado.sapo.pt/internacional/carlos-alberto-ex-fc-porto-acusou-doping-451038
http://www.ojogo.pt/Internacional/interior.aspx?content_id=3169463
http://www.maisfutebol.iol.pt/noticias/doping-carlos-alberto-absolvido/1452641-1192.html

http://www.avanteplobenfica.com/2011/02/doping-no-fcporto-o-caso-semedo-e.html
http://mastergroove2010.blogspot.pt/2013/05/doping-fcporto-guilherme-aguiar-mentiu.html
http://mastergroove2010.blogspot.pt/2013/04/doping-no-fc-porto-desaparece-da.html

http://pulpuscorruptus.blogspot.pt/2013/05/o-adn-da-raca-corrupta-mafia-da-palermo.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Reforçar a competência e a qualidade

Que a decência não é apanágio do futebol português é uma evidência absoluta para todos, incluindo os adeptos do Porto. Quando no fim do jogo com o Paços, um jogo viciado desde o minuto 20, a "romaria" à Avenida dos Aliados tem como mote "limpinho" está tudo dito.

O Porto não é um clube que queira competir de uma forma leal e vencer com mérito - é um clube que quer ganhar por todos os meios e a todo o custo, não se importando absolutamente nada em atropelar todas as regras de decência e verdade desportiva. Já nem sabem o que isso é. Para eles tudo vale, desde que no fim vençam e possam insultar os seus adversários. Essa é a sua forma de estar que, embora contrária à essência do desporto, é congénita à sua natureza.

O Porto, dirigentes e adeptos, entrou já numa espiral de demência batoteira, na qual prosseguirá até ser apanhado em flagrante. O que, sendo Portugal um País de brandos costumes (sobretudo no que à punição da criminalidade diz respeito), pode até nunca acontecer. Como disse no anterior post, agora já tudo se faz praticamente às claras. Eles são os "espertos" e portanto riem-se dos outros, os "burros" os "cabeçudos", os enganados, que se deixam comer pelas suas tropelias constantes.

No Porto vale tudo, mas mesmo tudo. Vale agredir, vale roubar, vale até matar. Ainda ontem vi uma entrevista do famoso "macaco", o chefe dos superdragões a um canal local. Perguntava-lhe o apresentador sobre a violência e as mortes na noite do Porto. O "macaco" riu-se e disse que agora as coisas já estavam "mais calmas". É tudo assim, nas calmas... E em completa impunidade.

Deve ser um case study mundial.

Face a este cenário, muitos benfiquistas têm defendido a necessidade de adoptar outros métodos, menos inocentes, menos ingénuos, mais "musculados". Nessa medida tem sido defendido por alguns o regresso de José Veiga.

Em termos factuais, Veiga esteve envolvido no negócio mal explicado da ida de João Pinto para o Sporting e foi efectivamente apanhado em duas escutas, quando era accionista maioritário do Estoril. Nelas, Veiga pedia (1ª escuta) a Valentim Loureiro para interditar o estádio do Marco de Canavezes, na sequência das cenas caricatas de Avelino Ferreira Torres a ameaçar um árbitro e a pontapear placas. Veiga queria que a interdição coincidisse com a visita do Estoril ao Marco e conseguiu-o (2ª escuta). Embora seja diferente ser apanhado numa escuta a oferecer prostitutas a árbitros ou a exigir um castigo (justo) para um adversário, não deixa de ser verdade que a pressão junto de Valentim para que o castigo coincidisse com a visita da sua equipa àquele campo já não é legítima, como em geral esses "favores" não o são.

Nessa medida não me parece que um regresso de Veiga seja possível pelo que não vale a pena gastar energias nesse debate.

O combate à corrupção tem que ser feito não com meios idênticos mas com meios legítimos.

Neste aspecto, o caminho a fazer é o adoptado recentemente no hóquei.

Já há anos que o defendo: o Benfica deve EXIGIR condições de segurança MÍNIMAS aquando das visitas ao Porto e dar a máxima visibilidade a todos os incidentes que ali acontecem. Deve DENUNCIAR com todo o vigor as intimidações, as violências, as coações e os crimes que se passam no Porto, exigindo punições EXEMPLARES para os mesmos e, caso não sejam garantidas essas condições de segurança, PURA E SIMPLESMENTE, voltar com o autocarro para trás e NÃO COMPARECER. A ameaça tem que pairar no ar e a pressão sobre autoridades (desde PSP, Ministério da Administração Interna, Liga e Federação) tem que ser mantida.

Só assim conseguiremos ter condições MÍNIMAS para os nossos atletas se concentrarem e focarem unica e exclusivamente em jogar futebol. E nisso eles não são piores que os do Porto.

Não mais poderemos continuar a aceitar que aquando de agressões de adeptos do Porto aos nossos adeptos, a PSP se limite a "acalmar" ou afastar os prevaricadores, devolvendo-os às bancadas como quem lhes diz: "nós até percebemos a vossa raiva mas tenham lá calma que assim também é demais". NÃO! Essas  pessoas têm que presas, têm que ser identificadas, têm que ser banidas do desporto. Caso contrário continua a acontecer o que tem acontecido até aqui: a impunidade encoraja-os a continuar.

Como é possível que o Benfica não tenha tomado uma posição de força aquando da invasão de campo no último Porto-Benfica? Logo após o golo, vários adeptos entraram bem dentro do campo. Quais as consequências? O que aconteceu a esses adeptos? Foram castigados? Banidos de recintos desportivos? Não me parece.

O golo do Porto não foi aos 92 m como se tem dito mas sim aos 90+57 segundos. Nessa altura há pelo menos 4 adeptos que invadem o campo. Helton vai tentar "protegê-los" de polícia e stewards. Aos 90+ 3 minutos, o jogo ainda não se reatou. Proença apita para o fim do jogo aos 90+4 m e 57 segs quando Artur lança uma bola para o ataque. Dos 4 minutos dados de descontos, jogaram-se 1 e 30 segs. Teríamos conseguido empatar se fossem jogados mais 3 minutos de descontos (portanto até aos 90+6 minutos e uns segs.), como deveriam ter sido? Não sei.

Mas sei que numa liga tão falseada como a nossa, não se pode deixar passar NADA e os nossos dirigentes infelizmente deixam.

Em suma, o Benfica tem que assumir uma postura de tolerância zero para com a violência e a coação contra a sua equipa. Aimar e Sálvio poderiam ter ficado gravemente feridos (ou pior) aquando de viagens ao Norte. O mesmo se passou com LFV. O Benfica tem que fazer uma "marcação cerrada" a todas as autoridades e monitorizar muito bem o que se passa em termos de multas e castigos aplicados ao Porto aquando de actos de indisciplina ou violência. Volto a perguntar, quais as consequências da invasão de campo? Da tocha que nessa mesma altura foi atirada para a área de Artur?

Provavelmente nenhumas ou as mínimas previstas por lei (como se o clube não fosse reincidente nestas e noutra práticas que envolveram já até bolas de golfe e galinhas dentro de campo). Isso é (mais uma vez) não apenas um convite a continuar, é a cobertura e promoção dessas acções.

As medidas que proponho são fundamentais para que os nossos atletas se consigam concentrar apenas e só em jogar futebol. Eles não são contratados para arriscar a vida ou para se envolver em combates corpo a corpo.

Caso o Benfica não consiga acabar com isto então deve de facto começar a, selectivamente, responder na mesma moeda. Não atirando pedras em autoestradas ou cadeiras para o campo (outra variante, esta usada na final da Taça da Liga no Algarve quando o Benfica vencia 3-0) pois isso são actos criminosos, mas não conseguindo evitar, por exemplo, que os seus adeptos invadam o campo aquando dos seus golos. Depois, quando o castigo aparecesse, recorrer das decisões alegando a "jurisprudência" passada.

De igual forma, o Benfica deve conceder ao Porto, quando visita a Luz, condições idênticas (em matéria de disponibilização de bilhetes e convites, de permissões de circulação nos balneários e outras questões semelhantes) às que o Porto nos oferece no seu estádio.

A isto chama-se, na relação entre Estados, de aplicação do princípio da reciprocidade. É tão antigo como a diplomacia em si, pelo que deve ter alguma razão de ser.

De qualquer modo, o principal trabalho em que o Benfica tem que se continuar a empenhar é em reforçar a sua competência e qualidade.

(Continua).

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O "obo" de Colombo

Aqui há uns anos, o Porto foi condenado por corrupção desportiva. Condenado obviamente é uma forma de dizer, porque condenação teria sido o que foi feito ao Boavista: descida de divisão. No mínimo dos mínimos os dirigentes comprovadamente corruptos teriam que ter sido irradiados, banidos para sempre do futebol.

Mas isso era num País sério e não numa choldra.

Desde então, esses mesmos dirigentes, com Pinto da Costa à cabeça, resolveram aplicar o princípio do ovo de Colombo, ou obo de Colombo, como é conhecido naquelas bandas.

O ovo não se equilibra? Fácil, quebra-se um pouco uma das extremidades e já está.

Ora como foi este princípio aplicado ao futebol português? Muito simples: se a corrupção não se pode fazer às escondidas (pode haver escutas e o caso vai parar a tribunal o que é desagradável e pode exigir novas fugas para Espanha) faz-se às tudo claras. Aí ninguém os pode acusar de coisa nenhuma porque nada foi escondido (e as trafulhices por regra fazem-se ás escondidas).

Vamos então fazer uma recriação da forma como as coisas poderiam ter acontecido (por limitações de espaço e tempo reportar-nos-emos apenas à última jornada do campeonato).


No seu gabinete da "Torre das Ântas", onde dizem que houve um suicídio misterioso, Pinto recebe um Antero Henriques ofegante.

AH - Presideânte! Somos cámpeons carago! Aqueles feilhos da p*** daqueles lampiõaes! Esta já eu nem esperava!!

PdC -He he he. Aquele filho da p*** daquele Kelvin f****-** bem f******. Mas oh Doutor, depois do que já aconteceu com este ano, depois do empate com o Olhanense, é preciso ver que em Paços não falha nada. Não quero mais brincadeiras este ano. E desta vez não é o Jackson que marca o penalty!

AH - Nãon se preocoupe presideânte. Já falei com o Lucho, o coumandânte, é ele que bai marcar. E os mouros tãom tan f****** que nem bão abrir piu...

PdC - quem é que apita?

AH - É o Hugo, presideânte, o Hugo Miguéal! Assim cão jeitinho ainda lhe peço para dar tãobém um bermelho (bermelho, tá a ber presideânte...) logo a um jogador do Paços.

PdC - Está bem. E o Josué? Já lhe falaste?

AH - Já presideânte. Ele tá em cuntacto com o macaco.

PdC - olhe oh doutor, por falar nisso chame-me aí o Reinaldo.

(Antero Henriques liga a Reinaldo Teles que pouco depois entra no gabinete).

PdC - Reinaldo, já falaste com o macaco? Tá tudo controlado ou não?

RT - Presidente, está tudo. Os superdragãos seguem já amanhã para Paços. Bamos jogar em casa.

PdC - Ok Reinaldo. Mas olha que o Paços é boa equipa. Eu não admito que falhe seja o que for. Imagina que eles se põem para lá a jogar à bola e acontece o que às vezes acontece que é falharmos golos e depois arriscarmo-nos a sofrer um e a complicar tudo. São coisas que podem acontecer Reinaldo. Imagina o que isso seria...

RT - Presidente, o macaco já pôs a correr que ou o Porto ganha ou eles partem aquilo tudo. Ele até disse: arrebentamos com esses castores todos. Agora o Presidente podia dar um toque ao Presidente do Paços antes do jogo e garantir-lhe que tudo correrá bem, que não haverá problemas... que é tudo boatos... E depois talvez... falar das nossas relações. Como eles já estão classificados para a pré-iliminatuória da liga dos cámpeõees, até podíamos falar em que podem usar o nosso estádio... Tá a ver presidente?

PdC - boua ideia Reinaldo. Mas o macaco já falou de tudo ao Josué?

RT - já presidente. Ele está a meter medo lá no balneário e vai-nos dizer se algum jogador do Paços se armar mais em herói... Também já falei com o Salvador e ele concorda com o Cássio e ao Luis Carlos. Eles também já sabem, mas como se fosse um rumor... Mas tudo bem feito, presidente, não se preocupe. Quer que o Bitor dê uma palabrinha ao Fonseca, o treinador do Paços? Também é importante...

PdC - é melhor não! É melhor não! Isso... Isso eu depois trato doutra maneira.

AH - Presideânte e acha que os mouros bão tentar alguma coisa?

PdC - tentar, tentar, se calhar até vão. Oh Reinaldo, diz ao macaco para ver bem se anda algum mouro lá por Paços... Mas eles não se atrevem... Já sabem como é!

AH e RT - Ah ah ah ah.

PdC - Diz já aos super para prepararem um cânticoa gozar com os magrebinos. Tipo cabeçudos ou uma coisa assim. Eles estão tão humilhados que nem abrem a boca. E eu depois ainda vou mandar umas bocas para os gozar mais. Vou dar uma entrevista à Judite de Sousa e vou dizer que este é o campeonato da verdade desportiva!


AH e RT em uníssono - "Oh Presideânte, Bocê é um génio Carago!! AH AH AH (gargalhadas alarves, boçais)"



Nota: a ideia do "ovo de Colombo" não é originalmente minha. Retirei-a de um comentário ao post "Paulo Fonseca - a 1ª escolha" do blog "O antitripa".