sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A BenficaTV vale (mesmo) a pena

Habitei-me há muitos anos, por vicissitudes várias que para aqui não interessam, a assistir na TV a jogos da Liga Inglesa.

Depois da perda de qualidade da Liga Italiana, o calcio, as Ligas Espanhola e Inglesa tornaram-se as mais apelativas. O que se passou em Itália foi que as tácticas super-defensivas tornaram o futebol demasiado calculista e aborrecido. Em Inglaterra e em Espanha aconteceu o contrário: o futebol atacante começou-se a impor e os jogos tornaram-se cada vez mais entusiasmantes. O espectáculo começou a ganhar e estas ligas começaram a atrair mais receitas, conseguindo assim contratar os melhores jogadores que aos poucos de Itália se mudaram para Inglaterra e Espanha. Há uns 15/20 anos atrás o sonho de qualquer grande jogador era Itália. De facto, as principais estrelas do futebol mundial jogavam no calcio: os melhores holandeses, os melhores alemães, os melhores sul-americanos brilhavam nas equipas de topo, sobretudo o Inter, o Milan, a Juventus e o Nápoles. 

Hoje claro que não é assim. De Itália o domínio do futebol passou para Espanha, depois para Espanha e Inglaterra e neste momento, a meu ver para Inglaterra. Espanha tem duas das três melhores equipas mundiais (Barcelona e Real Madrid, à qual se juntam os bávaros do Bayern) mas a melhor Liga é a Inglesa. Isto porque em Espanha a disputa do campeonato (e da Liga dos Campeões) se limita àqueles dois, não tendo as outras equipas quaisquer hipóteses de competir ao mesmo nível, ao passo que em Inglaterra existem várias equipas de nível semelhante: Manchester United, Chelsea, Arsenal, Manchester City. 

Devido à espectacularidade do seu futebol, Inglaterra conseguiu atrair grandes receitas e com isso milionários que para lá levaram as principais estrelas.

Ronaldo não está mas esteve muitos anos, Messi nunca esteve e provavelmente nunca estará (os dois melhores do mundo em dois dos três melhores clubes mundiais), mas a "concentração" de estrelas na Premier League é enorme. United, City e Chelsea são obviamente os principais detentores destas vedetas, mas o próprio Arsenal, o Liverpool e até o Tottenham ou equipas menores como o Newcastle têm jogadores que, por exemplo, o Benfica, equipa média do futebol mundial, não poderia comportar em termos financeiros. 

Assim, Inglaterra acaba por ter a maioria dos clubes que compõem a élite do futebol mundial sendo o nível médio elevadíssimo. Acresce que em Inglaterra os estádios estão sempre cheios e o ambiente é frenético, o que confere uma enorme espectacularidade à Liga inglesa. 

Dito isto, a BenficaTV é um excelente negócio para quem a subscreve. Afirmo-o com toda a objectividade possível.

Para além dos jogos do Benfica em casa (que, confesso, não são o que mais me atrai neste momento) e da Liga Inglesa, a BenficaTV oferece aos subscritores o Brasileirão (que tem alguns bons jogos), a Liga grega (que, quando não há nada melhor para ver, também tem algum interesse), a MLS (EUA) e ainda as modalidades. Isto para além de outros programas, de debates e história do Benfica que são por vezes também interessantes. Acresce que a Liga Inglesa é transmitida em HD, o que eleva a qualidade da transmissão a um outro patamar, e que o nível da narração e dos comentários é bastante razoável. 

Por 10 euros, ter a melhor Liga do mundo e os outros produtos televisivos referidos é a meu ver um dos melhores negócios que o adepto de desporto e o benfiquista em particular pode alguma vez conseguir. Recomendo vivamente a quem ainda não tem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Benfica precisa de seriedade e serenidade

Duas coisas que há muito não existem no clube.

Mozer, um dos últimos verdadeiros campeões que passou pelo Benfica, esteve ontem na Bola TV e teceu algumas considerações extremamente certeiras.

Mozer foi um central de eleição: rápido, excelente no desarme e quase imbatível no jogo aéreo, o brasileiro era um central que oferecia uma enorme segurança à equipa. Para além disso, Mozer impunha respeito dentro do campo: com ele ninguém brincava.

Uma das coisas que Mozer disse ontem foi que o que sobra hoje no Benfica em verborreia (somos os melhores, somos os que jogamos mais), falta depois em: disciplina e rigor, segurança no jogo, resultados.

Olhemos objectivamente para os últimos anos do Benfica e reflitamos: esta equipa do Benfica dá-nos segurança? Para mim a resposta é óbvia.

O Benfica pode até ter entusiasmado (e entusiasmou de facto, com muitos golos e espectáculo) no último ano em que foi campeão (2010). Mas nunca demonstrou ser uma equipa verdadeiramente sólida, que oferecesse segurança. O Benfica jogava numa vertigem quase louca, que a velocidade de Di Maria e Coentrão, as tabelinhas de Aimar e Saviola, o fulgor e a presença de Javi Garcia, o pulmão de Ramirez e a efusividade de David Luiz permitiam. Mas era uma equipa que parecia sempre no fio da navalha, que não descansava os adeptos. Mesmo a ganhar por 2-0 temíamos sempre que o jogo se pudesse complicar. 

A melhor demonstração de que mesmo esse melhor Benfica de JJ era pouco confiável em termos de controle de jogo e capacidade defensiva veio nos jogos mais difíceis, nomeadamente em Anfield Road (em que perdemos 4-1), em Braga (onde perdemos 2-0) e nas antas, em que perdemos por 3-1 quando jogámos grande parte da segunda metade do jogo contra apenas 10. E, recorde-se, o treinador do Porto era Jesualdo que não se tornou famoso pela sua ousadia...

Mesmo então, o Benfica sofria golos desnecessários. Na primeira jornada foi uma aflição para empatar com em casa o Marítimo, como mais à frente no campeonato o foi para empatar em Olhão. Contra a Naval (para além do jogo em casa em que vencemos com um golo aos 90 minutos) no jogo da segunda volta aos 12 minutos o Benfica perdia por 0-2. Teve depois a enorme capacidade de dar a volta e vencer por 4-2. 

A qualidade existia, isso é indesmentível. Agora mesmo nessa altura o Benfica não demonstrava aquela segurança, aquela confiança das equipas campeãs, que ganham com regularidade e naturalidade.

E nos anos seguintes, com menos qualidade devido à saída de jogadores fundamentais, os problemas agravaram-se e a insegurança aumentou. Em 2010/11 iniciou-se a época a perder a supertaça para o Porto, o campeonato a perder em casa com a Académica e levou-se 5 no porto para acabar logo com as dúvidas sobre o campeão ainda na primeira volta. Mas, por incrível que pareça, o pior ainda estava para vir. Num prenúncio do que se passou esta época, em poucas semanas o Benfica: permitiu que o Porto vencesse e assim conquistasse o título no Estádio da Luz (com a agravante de ter assim permitido que o Porto fosse campeão invicto - feito que nos pertencia - nessa época); perdeu a possibilidade de estar na final da Liga Europa, sendo eliminado nas meias finais pelo Braga; perdeu a possibilidade de estar no Jamor, depois de ter vencido 2-0 nas antas, perdendo 3-1 em casa contra o Porto também nas meias-finais! Foi a época em que estivemos nas meias-finais...

Depois perderam-se mais dois campeonatos, desperdiçando avanços de 5 e 4 pontos de avanço a que acresce tudo o que de mais se passou no ano passado. 

A verdade porém é que este Benfica, mesmo quando parecia lançado para ganhar tudo, não inspirava muita confiança. Essa é a realidade. Nós apoiávamos, "acreditávamos" e tudo mais - mas estávamos sempre, como se costuma dizer, com o credo na boca. Temíamos que a qualquer momento a equipa vacilasse. Ainda por cima sabendo-se do papel das arbitragens em Portugal, que é o de "equilibrar" as coisas quando o Benfica está muito forte e prejudicar objectivamente a nossa equipa quando damos qualquer sinal de fragilidade. 

O Benfica de JJ tem sido mais forte do que o do passado imediatamente anterior (isso é indiscutível) mas não está ao nível do Benfica campeão que impunha respeito em todos os campos do País pela categoria e postura dos seus atletas e dirigentes. 

A este Benfica faltam várias coisas, nomeadamente disciplina, como Mozer referiu, rigor, seriedade e serenidade. Não duvido que se trabalhe e que se faça o melhor que se sabe, mas sem confiança (que não se pode confundir com arrogância, vaidade ou soberba), sem seriedade e sem serenidade, não se conseguem os resultados pretendidos. 

O Benfica continua a não olhar para os seus erros e insuficiências, quanto mais a corrigir seja o que for. O Benfica de hoje não é é sério ao reconhecer as suas próprias limitações e corrigir o que está mal, preferindo fugas para a frente constantes, numa vertigem de contratações, de mudanças, de ziguezagues na sua postura e na sua estratégia, que não permitem a estabilidade que se diz pretender. As pessoas até se podem (no caso de Vieira e Jesus) manter há vários anos mas por diferentes razões está-se sempre a começar quase do zero.

Aquilo que hoje sobeja em promessas vãs e auto elogios, escasseia em resultados. E não vejo modo destes protagonistas alterarem o corrente estado de coisas. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Premier League, dia 7 - boa semana para Chelsea



O Chelsea venceu um jogo que esteve muito complicado e ganhou pontos ao Tottenham e ao Arsenal, tendo subido 3 posições na tabela. A equipa de Villas-Boas foi goleada (0-3) em casa pelo West Ham do experiente técnico Sam Allardyce (também conhecido como "Big Sam") e o Arsenal deixou-se empatar no terreno do WBA, assim quebrando um ciclo de 8 vitórias consecutivas em jogos fora. O Liverpool venceu com autoridade o Crystal Palace e os dois Manchesters também venceram, depois de terem estado a perder. O Tottenham acaba assim por ser o grande penalizado da jornada, tanto mais que jogava em casa e, em caso de vitória, estaria agora em 1º lugar, juntamente com Arsenal e Liverpool.

A equipa de Mourinho foi a grande beneficiada da jornada e está de novo com a liderança à vista. Num jogo em que entrou muito bem e podia ter resolvido ainda na primeira parte, contra um adversário relativamente fraco que faz da alma e do futebol simples, rápido e directo os seus principais argumentos, o Chelsea viu-se em apuros inesperados quando, já bem dentro da segunda parte, o Norwich empatou.

Chegou-se a temer o pior para a equipa londrina, tanto mais que a equipa da casa, fortemente apoiada pelo seu público, cresceu e se tornou cada vez mais ameaçadora. O Chelsea estava ademais "proibido" de perder pontos, face às vitórias de sábado de Liverpool, United e City. A estrela de Mourinho voltou porém a brilhar: sem desesperar, o manager do Chelsea tirou Demba Ba, que até fizera uma boa partida como único avançado fixo, para colocar em campo Etoo, lançando depois Hazard e o brasileiro William. Estes dois últimos viriam, num minuto, a fazer 2 golos. Primeiro foi Hazard, num mortal contra-ataque resultante de um canto favorável ao Norwich, a marcar, num autêntico frango do guarda-redes opositor. Bola ao centro e de imediato novo golo do Chelsea, desta vez num grande remate de William. Em momentos de dificuldade, o treinador português realmente não se desconjunta e as suas opções acabaram por resolver a partida. Esta vitória foi muitíssimo importante e certamente dará muita moral à equipa. Grande jogo de Ramirez e David Luiz. Este último, estar envolvido na jogada do golo do Norwich, deu imensa alma e força à sua equipa, ao passo que Ramirez deu a sua habitual força ao meio-campo londrino, a jogar no meio, atrás e à frente.

O Liverpool, jogando antes, resolveu rapidamente o seu jogo, através de excelentes combinações no ataque, com a qualidade de Suárez, Sturridge e Moses a sobressair. Com um interessante esquema de 3 defesas, a equipa dominou completamente o meio campo e os seus avançados fizeram o resto. Aos 17 minutos o resultado era já de 2-0 (Suárez e Sturridge) e aos 38 de 3-0 (Gerrard, de penalty). Depois disso a equipa desacelerou e o Palace acabaria por chegar ao golo de honra num cabeceamento resultante de uma bola parada. Vitória sem contestação e o melhor arranque de campeonato do Liverpool nos últimos anos. Caso a equipa consiga manter-se consistente e confiante poderá ser um caso sério.

Quanto aos Manchesters tiveram jogos diferentes, apesar de ambos terem começado a perder. A jogar em casa, o City sofreu um golo cedo do Everton, que iniciou a jornada na 4ª posição e sem derrotas, à frente do seu adversário na partida. No entanto o City dominou  a partida e chegou à vitória (3-1) sem surpresa, depois de ter dado a volta ao marcador ainda na primeira parte. Já o United venceu o lanterna vermelha num jogo que esteve bastante difícil e que foi desbloqueado por Januzaj, belga de origem kosavar de apenas 18 anos que ameaça vir a ser a nova estrela da equipa. Não apenas pelos golos mas pelo seu futebol de grande classe e maturidade, o jovem jogador foi a figura da partida e salvou para já um Moyes em grandes dificuldades para dar dinâmica à sua equipa. É preciso ver que o United continua a contar com jogadores de imensa classe, como Van Persie, Rooney, Nani e Evra, entre tantos outros, pelo que, apesar do impacto da saída de Ferguson, se esperaria bem mais da equipa. Apesar da vitória, o United continua a 6 pontos da liderança e caso a equipa não melhore substancialmente perderá certamente muitos mais pontos.

Quanto ao Arsenal, empatou no terreno do West Bromich Albion, num empate que se ajusta ao que se passou, embora a equipa da casa (que marcou primeiro) pudesse ter feito o 2-0 e quase resolver a partida no início da 2ª parte. O WBA venceu na passada semana o United em Anfield, pelo que já demonstrou ser uma equipa difícil de defrontar. Wenger estava satisfeito pelo resultado e por se manter na liderança, agora em igualdade pontual com o Liverpool.

Em resumo, foi uma excelente jornada para o Chelsea. Venceu fora um jogo difícil e viu o Arsenal perder pontos, beneficiando ainda das derrotas do Everton e do Tottenham para subir na classificação e estar agora com a liderança à vista. Também o City teve uma boa jornada, derrotando o Everton de Martinez e aproximando-se do topo. Para o Tottenham a desilusão foi completa. Perder 0-3 em casa contra uma equipa que tinha vencido apenas na primeira jornada e depois acumulara 2 empates e 3 derrotas nos jogos seguintes, é no mínimo surpreendente. É verdade que a equipa não foi feliz e que os dois primeiros golos do West Ham foram pelo contrário um pouco de sorte mas isso não explica tudo. Sofrer 3 golos em 12 minutos (entre os 66 e os 78 minutos) não pode deixar de fazer pensar Villas-Boas. Mais uma vez se demonstra que os exageros da imprensa portuguesa em relação à alegada excelência do trabalho do treinador português não se justificam.

A Premier League interrompe-se agora um fim de semana, tal como todas as outras ligas europeias, para os compromissos das selecções. Quando voltar, a 19, teremos uma jornada em que o principal jogo é o Newcastle-Liverpool. Para os "reds" será um bom teste, num terreno habitualmente difícil. Para manter o bom momento e começar a acreditar que poderá ser possível manter-se no topo da classificação, o Liverpool deverá vencer esta partida. Quanto aos outros candidatos, têm jogos relativamente fáceis: o Arsenal recebe o Norwich, o Chelsea o Cardiff e o United o Southampton, ao passo que o City vai ao terreno do West Ham. O Everton recebe o Hull City e o Tottenham vai ao sempre difícil estádio do Aston Villa. Everton e Spurs terão que ganhar para não perderem o comboio da frente.






quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Demasiado previsível - eu avisei...

Estamos só no início de Outubro e Jorge Jesus já está por um fio.
Era previsível, demasiado previsível.

TUDO foi feito de forma errada - tudo! E o principal culpado é Luis Filipe Vieira.

Eu não digo que Vieira seja culpado por ser negligente. Eu creio que ele faz o melhor que sabe. 

Simplesmente é incapaz de, no actual contexto, que todos reconhecemos ser de grande adversidade e de controlo do futebol (e não só) por parte do Porto, inverter as coisas.

Os erros são demasiados e demasiado óbvios. Eu venho alertando aqui há MESES para eles.

1. Renovação de Jorge Jesus

Que sentido teve aquela telenovela?

A renovação de Jorge Jesus, se era para consumar, tinha que se materializar LOGO APÓS O JOGO COM O ESTORIL. PARA dar força ao treinador e estabilidade ao grupo de trabalho. IMEDIATAMENTE ANTES DA IDA AO DRAGÃO.

Assim não foi.

Como se não bastasse, após a derrota com o Chelsea e antes da disputa da terceira final, a do Jamor, Vieira veio dizer que a continuidade de Jorge estava assegurada e não dependia dos resultados. Como???

2. Final do Jamor

Era ABSOLUTAMENTE IMPERATIVO VENCER ESSE JOGO. Escrevi aqui, com todas as letras, QUE NÃO VENCER UM GUIMARÃES DE TERCEIRA CATEGORIA TERIA QUE TER CONSEQUÊNCIAS. Alguém teria que assumir as suas responsabilidades. Jorge Jesus deixaria de ter condições para continuar ou, pelo menos, teriam que se verificar mudanças radicais e estruturais no futebol do Benfica. Lamento dizê-lo mas o Porto NUNCA perderia uma final daquelas. NUNCA. É por estas e outras que o Porto já é o clube com mais troféus do futebol nacional e o Benfica não venceu praticamente nada nos últimos 20 anos. 

3. Pré-época.

Adverti que o descalabro era certo se se continuasse a verificar um padrão de desresponsabilização, falta de estratégia e bazófia.

Depois de perder tudo, os poderes de Jorge Jesus foram reforçados e os disparates continuaram a sai-lhe da boca para fora. Deu entrevistas a dizer que tínhamos feito uma grande época, falou de hegemonia... Como se não bastasse, há dias Vieira veio falar na conquista da Liga dos Campeões...

Adverti em tempo que se deveria reforçar pontualmente a equipa nos sectores carentes (meio campo e defesa) e manter a solidez do plantel nas outras posições. O que se fez? Contrataram-se jogadores às dúzias, criando problemas onde não existiam (com excesso de jogadores para as posições atacantes, levando à desmotivação de todos por não jogarem os minutos que ambicionavam e à falta de rotinas) e mantiveram-se os problemas: lateral esquerda e meio-campo defensivo. Nos últimos dias do mercado foram-se buscar os jogadores de que realmente precisávamos (Fedja e Siqueira) que naturalmente não tiveram tempo suficiente para se integrarem. É o 3º ano seguido em que esta política de contratação perfeitamente demencial se verifica.

4. Caso Cardozo

Inacreditável. Nem merece muitos comentários. Integrado à força à última da hora, depois de um caricato remake do programa "Perdoa-me", versão BenficaTV, os resultados estão à vista.


Ao fim de tantos anos, o padrão está visto, como disse antes. LFV já não tem mais para dar ao Benfica. A única hipótese que ele tem de fazer o Benfica campeão novamente é os nossos adversários serem muito fracos, andarem muito, mas mesmo muito, para trás.

A 5 de Agosto escrevi aqui que ou alguém punha ordem no Benfica ou o descalabro era certo. Neste momento a equação é outra: ou aparece um grupo de benfiquistas responsáveis, liderado por uma figura credível, respeitável e capaz de liderar o clube, que se constitua como alternativa e rapidamente tome conta dos destinos do Benfica, ou arriscamo-nos a voltar aos piores tempos de instabilidade e desgoverno, com o monstro do gigantesco passivo a pesar como um cutelo sobre o Benfica, à semelhança da situação do Sporting.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um campeonato realmente emotivo

Não falo obviamente do "nosso", onde se dúvidas houvesse à partida, o nosso Benfica se encarregou de as dissipar com a perda de pontos a resultar num atraso que deverá ser já irrecuperável. Este Benfica, como em devido tempo previ, não tem rumo. Mais recentemente tem mostrado que para além disso tem muito pouco futebol e quase nenhuma inteligência. Aliando tal facto indesmentível a um outro igualmente irrefutável - arbitragens tendenciosas - fica tudo resolvido muito cedo. Pelo menos poupam-nos a todos à angústia e sofrimento da época passada, o que já passa por ser uma coisa boa. Insisto: em devido tempo alertei para o que se está a passar, que será surpresa apenas para os mais desatentos ou mais crédulos.

Viro-me assim para outras ligas bem mais interessantes, onde o futebol continua a ser imprevisível e onde são os jogadores (e não os árbitros) quem resolve as partidas. Ainda por cima com transmissão na BenficaTV. Sendo o Benfica hoje um negócio (em detrimento de um projecto desportivo) a compra dos direitos da Liga Inglesa foi a melhor decisão que se podia tomar. Aliás, caso não fosse isso, cancelaria desde já a minha subscrição do canal porque para ver exibições como a de sábado não justificaria o dinheiro. 

Em Inglaterra o campeonato está a ter inúmeras surpresas, que permitem ao Chelsea de Mourinho manter-se na corrida apesar dos desaires pouco previsíveis.

O Arsenal está na frente o que é uma boa notícia para quem gosta de futebol de ataque. Esperemos que consiga manter este nível e a crença nas suas capacidades porque futebol tem e o seu treinador apesar de uma série de más épocas já provou poder ser vencedor.

O Liverpool tem mostrado uma maior competitividade face às épocas passadas, muito por força das exibições de Sturridge (um ex-Chelsea). Caso Suarez consiga manter o nível que mostrou no último jogo (dois golos) e exibir a classe que indiscutivelmente possui, o Liverpool poderá constituir-se como um candidato aos primeiros lugares, o que seria uma excelente notícia para o futebol inglês.

O Manchester United tem sido a maior desilusão do campeonato. Sem grandes mudanças no plantel e com a inclusão de Felaini, um jogador que acrescenta qualidade, esperava-se muito mais, apesar de ninguém ignorar que a saída de Fergusson poderia ter efeitos muito negativos. Com efeito, David Moyes não está a conseguir de modo nenhum incutir as suas ideias nos jogadores. O Manchester não tem o domínio dos jogos, é demasiado vulnerável a defender (Ferdinand parece-me já não ter condições para continuar a ser titular) e pouco acutilante no ataque. Algo terá que mudar rapidamente sob pena da equipa se atrasar irremediavelmente na luta pelo título.


Já o Manchester City depois de um começo positivo e uma vitória concludente sobre o seu rival vizinho, voltou a perder inesperadamente e a dar um passo atrás. Veremos o que trarão as próximas jornadas: se uma equipa a entrar nos eixos se uma continuada irregularidade que mina a candidatura ao título.


Temos depois o outsider Tottenham de Villas-Boas que vem mostrando, ao contrário do caso acima citado, regularidade e consistência. A equipa parece bastante equilibrada e com muito boas soluções em todos os sectores. Ao 3º ano, Villas-Boas parece estar a acertar nas escolhas. Poderá faltar porém alguma capacidade quando as coisas começarem a apertar. Na jornada passada, entrou muito bem contra o Chelsea e conseguiu estar em vantagem. No entanto deixou-se empatar, o que não parecendo um mau resultado poderá revelar-se como tal mais para a frente: estes bons momentos de forma têm que ser capitalizados, sob pena de se começar a "perder gás" prematuramente.

Finalmente temos o Chelsea de Mourinho sob o qual escrevi há dias, prevendo que teria pouco sucesso. No entanto face aos resultados pouco convincentes dos dois manchesters, tudo se torna possível, até porque não sabemos se os bons momentos de forma de Arsenal, Liverpool e Tottenham são para manter, dada a pouca consistências destas equipas nos anos anteriores. Neste momento, entre os candidatos "crónicos" dos últimos anos, a verdade é que é o Chelsea quem leva vantagem, o que não deixa de ser muito positivo para Mourinho, até porque a sua equipa já perdeu pontos pouco previsíveis. Se há coisa que Mourinho pode garantir (juntamente com a base sólida de jogadores experientes e de qualidade que possui, como Lampard, David Luis, Torres, Ramirez, Mata, Terry) é um certo patamar de consistência. Dificilmente se assistirá no clube que orienta a uma débacle ou estado de desnorte que leve à perda consecutiva de muitos pontos. Assim, num campeonato em que os candidatos perdem muitos pontos, o Chelsea tem renovadas possibilidades de vencer. As próximas 4 ou 5 jornadas ajudarão muito a definir o quadro competitivo e permitirão fazer novas projeções. 





sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mourinho longe do sucesso

Nunca pertenci aos clubes de fans ou de opositores a Mourinho.

Alegrei-me pelos seus sucessos no Chelsea e sobretudo no Inter. Gostei que fosse campeão no Real (até porque não simpatizo muito com o actual Barcelona). Não gostei porém da sua postura no ano passado, quando a meu ver foi arrogante e esticou demasiado a corda ao entrar em conflito com os seus próprios jogadores. Creio também que cometeu um grande erro ao voltar ao Chelsea.

Quando chegou a Inglaterra em 2004, Mourinho encontrou um futebol em que todas as equipas jogavam de forma muito aberta e atacante. O campeonato era muito disputado e mesmo os principais candidatos perdiam muitos pontos.

Mourinho trouxe consigo um futebol muito mais calculista, resultadista e cínico do que o praticado habitualmente em Inglaterra. Com as suas indiscutíveis capacidades tácticas dotou o Chelsea de uma grande segurança defensiva criando a base para sofrer poucos golos e consequente estar mais perto de vencer.

Nessa época Mourinho encontrou uma boa base, deixada por Ranieiri, em que se incluíam jogadores como Terry, Lampard, Geremi, Makelele, Gallas, Joe Cole e Damien Duff que foram importantes para o sucesso do clube. A estes o treinador português juntou excelentes contratações como Peter Chec, Drogba e Ricardo Carvalho, a que se pode também acrescentar Paulo Ferreira (embora a verba paga por este último tenha sido astronómica, algo tornado possível pela aquisição do clube por parte de Abramovic).

Importa esclarecer que Lampard, Terry e Makelele (sobretudo estes, mas também Gallas) eram já jogadores feitos, de qualidade perfeitamente estabelecida e reconhecida. Lampard e Terry tinham já sido distinguidos em anos anteriores como o melhor jogador da Premier League e Makelele já tinha passado Real Madrid, ao passo que Gallas era já internacional francês.

Convém também dizer que no ano anterior, o Chelsea de Ranieri fôra 2º na Premier League (a melhor classificação em 49 anos) e chegara às meias-finais da Liga dos Campeões, perdendo precisamente para o Mónaco que viria a ser claramente derrotado na final pelo Porto de Mourinho.

Tudo se conjugou pois para que Mourinho tivesse sucesso no Chelsea: a sua abordagem, para além de extremamente competente, mais pragmática do que a abordagem algo "romântica" com que a maioria das equipas abordava o jogo; a excelência do seu plantel; a decadência do Arsenal (que nunca mais voltaria a ganhar nada).

Os números ilustram bem o que digo: Mourinho bateu o record (que ainda detém) de pontos da Premiership: 95 pontos. Este record é absoluto pois o total de 95 pontos é inclusivamente mais alto do que os anos em que a Premier League teve 22 equipas e portanto 42 jogos (o formato de 20 equipas e 38 jogos está em vigor em Inglaterra desde a época 1995/96). No entanto, e em total contraste, o Chelsea desse ano marcou apenas 72 golos, um dos números mais baixos de golos por parte de uma equipa campeã. Ou seja, o Chelsea de Mourinho ganhava muitas vezes por 1-0 e outras tantas por 2-1. Estes dados atestam bem o realismo (ou cinismo) do seu modelo de jogo.

Apenas a título de curiosidade, diga-se que o record de golos marcados por uma equipa campeã pertence ao Chelsea, com a impressionante marca de 102 golos. Esse record pertence a Ancelotti. No geral, as equipas campeãs marcaram bastante mais golos do que o Chelsea de Mourinho mas perderam muitos mais pontos.

Ora as circunstâncias do futebol inglês são hoje muito diferentes das que Mourinho encontrou quando chegou pela primeira vez a Inglaterra. A seu favor tem a reforma de Alex Fergusson, que certamente afectará o Manchester United (14 vezes campeão em 21 anos de Premier League). Não tem porém a mesma aura e espírito de conquista com que chegou no passado. Não contará com o efeito surpresa de 2004/04. Está a regressar a um local onde foi feliz, o que por norma não dá bons resultados. Não tem a grande equipa que tinha em 2004 nem aparentemente a disponibilidade do proprietário para grandes contratações. Quando Mourinho chegou em 2004, o Arsenal e o United eram os grandes candidatos, sendo o Chelsea quase um outsider. Este ano o Chelsea é um candidato (nem outra coisa seria admissível) o que desde logo lhe aumenta a responsabilidade, mas além daqueles dois (apesar do Arsenal vir a desiludir ano após ano) terá ainda que contar com a concorrência do City e eventualmente do próprio Liverpool e do Tottenham. Acresce que, embora ainda muito cedo, o ambiente não parece ser o melhor, existindo aparentemente já algum incómodo entre jogadores tão importantes como David Luis, Mata ou Torres. 

Por todas estas razões prevejo que o futuro de Mourinho à frente do Chelsea não será coberto de sucessos como foi no passado. Olhando para as "cartas" de que cada equipa dispõe, o Manchester City parece-me a equipa favorita para vencer a Liga inglesa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nada, mas mesmo nada muda

Após um período de considerável distanciamento da realidade futebolística (e não só) do País, voltei a inteirar-me do que se passa apenas para constatar que nada, mas absolutamente NADA, muda. Ano após ano, após ano, a história repete-se sem fim à vista.

São as polémicas de trazer por casa, as guerras de comunicados entre os grandes, os treinadores que chegam humildes ao Porto e se tornam-se de um dia para o outro em malcriados mal-encarados, é Jorge Jesus a envolver-se em polémicas e cenas pouco dignas no final das partidas, é toda a gente a chorar que os do Porto são maus e lhes batem, é a justiça a actuar mal e a más horas, com dois pesos e duas medidas, é o Sporting a passar da fúria eufórica à depressão... Para também não variar, o Porto continua a praticamente não perder pontos e a queixar-se muito das arbitragens quando os perde.

Em resumo, tudo indica que este campeonato será igual aos anteriores pelo que também não será de esperar por novidades ou surpresas no que toca ao campeão.

Já aqui escrevi e repito, o Benfica só será campeão quando for capaz de vencer - e de forma clara, sem medos e sem desculpas - o Porto. Vencer em casa, obviamente, mas mesmo fora. Só assim o Benfica poderá conseguir libertar-se das suas inibições e receios e ser efetivamente vencedor. Até lá, ganhar aos "Gis-vicentes" aos guimarães e aos belenenses, que têm equipas de terceira e quarta categoria, não significa absolutamente NADA. Estranho seria que uma equipa de tantos milhões, com jogadores como Luisão, Garay, Cardozo, Matic, Gaitan, Markovic e Lima, não fosse capaz de derrotar essas equipas absolutamente banais.

Sem ganhar ao Porto de forma convincente, de uma forma que os magoe, que os humilhe, que lhes amachuque o orgulho, o Benfica não conseguirá seguramente ser campeão. Nas três últimas épocas foram efetivamente os clássicos que decidiram tudo: primeiro a humilhação dos 5-0 que decidiu o campeonato logo à primeira volta (com as consequências que depois se conhecem na Taça), depois a derrota na Luz por 2-3 que deu ao Porto 3 pontos de vantagem a poucas jornadas do fim e finalmente o que aconteceu na penúltima jornada do ano passado (o tal "azar" do golo aos 90 minutos), depois de na 1ª volta, quando o podíamos ter feito, não termos sido capazes de vencer o Porto em casa.

Na minha óptica tudo se resume portanto a isto. Quanto ao resto - as polémicas, os comunicados, as queixinhas de que os outros são maus - para mim chega. Já dei para esse peditório e com a nossa incapacidade de vencer quando se impõe fazê-lo, cada vez mais elas se tornam em histórias da carochinha.

O País que temos é este, a justiça que (não) temos é esta, o futebol (sujo) que temos é este. Não vale a pena estar sempre a repetir e sempre a chorar. O Benfica de hoje faz lembrar o matulão que se queixa de que todos lhe batem na escola. Já cansa. Principalmente quando esse matulão por vezes também se porta mal e não é tão inocente quanto isso.