domingo, 21 de janeiro de 2018

Marco Silva despedido. Ronaldo ganha pouco.

Enquanto aguardamos, com alguma ansiedade, por saber como Rui Vitória resolverá mais esta forte contrariedade resultante da lesão do criativo Krovinovic e como a equipa reagirá no Restelo, olhemos um pouco para outras realidades futebolísticas.

1. O despedimento de Marco Silva


Os resultados não estavam a ser os melhores mas o Watford está numa posição tranquila, a meio da tabela, o que me parece até bom face ao plantel do clube. Nessa medida, a decisão de despedir Marco Silva é um pouco inesperada. O treinador português teve um excelente início de época, tendo andado pelos primeiros lugares, o que criou expectativas eventualmente excessivas. Face a um calendário muito difícil nos meses de dezembro e janeiro, o rendimento da equipa ressentiu-se e a série de maus resultados era de facto já grande (a derrota em casa contra o fraquíssimo Swansea de Carlos Carvalhal terá sido o resultado mais inesperado e negativo deste ciclo), tendo motivado este desfecho.

Imagem Ibtimes.co.uk


A justificação do board do Watford foi a de que Marco Silva terá ficado desestabilizado com o interesse do Everton e que isso afectou a prestação da equipa. Essa explicação para o despedimento é apenas parcialmente verdadeira, porque o Everton neste momento já tem treinador, aliás um nome forte do futebol inglês, Sam Alardice, que está já a conseguir resultados. O que realmente se terá passado é que Marco queria ir para o Everton e não o escondeu. Isso criou mau ambiente com a direção do Watford.

Marco Silva é talentoso, mas a sua ambição e o seu feitio, já descrito como difícil, terão pesado neste desfecho. O treinador terá agora que repensar um pouco o seu posicionamento. A descida de divisão do Hull City na época passada, o seu abandonar do barco para ficar na Premier League ao serviço do Watford e agora este despedimento queimam um pouco as suas fichas.

2. O momento de Ronaldo


Outro português no estrangeiro, Ronaldo, está a passar por um momento menos bom. Cristiano já fez o que parecia impossível, vencendo troféus individuais e colectivos só ao alcance dos predestinados do futebol. Portugal deve-lhe muito, sem sombra de dúvida e é feio - e sintoma da inveja muitas vezes característica dos portugueses - procurar diminuir o seu mérito.

Imagem Allinallnews.com


Dito isto, é evidente que Ronaldo está num momento complicado da carreira. Ao contrário de Messi, Ronaldo apostou tudo no aprimoramento físico e atlético das suas capacidades, com vista a tornar-se numa máquina de golos. Digo ao contrário de Messi porque Ronaldo inicialmente era um jogador habilidoso e fantasista, características que de algum modo descurou para se especializar na finalização. Ronaldo tornou-se um pouco "egoísta" (especialmente no Real Madrid), embora num bom sentido, porque daí advém benefício para a equipa em termos de golos.

Acontece que quando a "máquina" já não carbura do mesmo modo, quando a velocidade e a capacidade física se ressentem do passar dos anos, o rendimento decresce. Este ano está a ser mau para Ronaldo, sobretudo ao nível da Liga espanhola. Nessa competição o português tem apenas 4 golos e as exibições estão a ser muito discretas.

Face a este quadro que mensagem tem Ronaldo feito passar, através do seu agente Jorge Mendes, para a comunicação social? A espantosa ideia de que está insatisfeito porque ... ganha pouco.

Isto é inacreditável. Num mundo em que a maioria das pessoas tem que se levantar todos os dias da semana (e por vezes também ao fim de semana) para ir para empregos enfadonhos, tantas vezes com chefes abusivos, trabalhar arduamente para ganhar uns míseros 1.000 euros ou equivalente, para chegar a meio do mês já a contar tostões, Ronaldo chora porque ganha "apenas" 24 milhões! Está triste porque Messi e Neymar ganham mais...

Se não fosse indecente seria cómico. Ronaldo precisa de se deixar destas lamúrias que só o envergonham, embaraçam e diminuem e aceitar que está a caminhar para a fase descendente da carreira que deve gerir da forma mais inteligente e digna possível de forma a não estragar o seu legado. E estar grato pelas oportunidades que tem tido na vida. É óbvio que elas se concretizaram em virtude da sua grande ética de trabalho e dedicação, mas até por aí Ronaldo deve ver que foi com esforço e não com lamúrias que chegou onde chegou. É ofensivo para o comum dos mortais, que trabalha uma vida inteira para ganhar o que Ronaldo ganha em meia dúzia de dias, ouvir dizer que 24 milhões por ano não chegam.

Terminou a época para Krovinovic

A notícia mais temida para os benfiquistas, os seus piores receios ao terminar o jogo contra o Chaves, confirmaram-se: a lesão de Krovinovic é gravíssima. O croata rompeu o ligamento cruzado do joelho e não joga mais esta época.
Quando se começaram a vislumbrar as substituições comentei com quem estava sentado ao meu lado que seria uma boa ideia tirar o croata. Infelizmente Rui Vitória (que não tem a obrigação de ser bruxo) teve outras opções e num lance aparentemente inofensivo Krovinovic lesionou-se sozinho.
É uma péssima notícia. Talvez a pior possível nesta altura para o que resta da época. Não há substituto para o rotativo médio que tinha encaixado como uma luva neste 4-3-3.
Para o jogador é também obviamente uma notícia muito triste, numa altura em que se afirmava como titular indiscutível do Benfica, logo na primeira época. Desejo-lhe uma rápida e completa recuperação. Todos os benfiquistas estão nesta altura a torcer por isso, enviando-lhe muita força moral.
Rui Vitória terá agora que inventar uma solução, uma alternativa, mas dificilmente o futebol do Benfica será o que estava a ser com Krovinovic.
Avancei no anterior post com a hipótese Zivkovic. É um jogador que não tem a cultura da posição mas que tem bom passe, mobilidade e velocidade de execução. De resto não existem muitas soluções no plantel. Samaris dá uma tração mais defensiva à equipa, tornando-a muito menos móvel e mais previsível. João Carvalho, por outro lado, parece-me ainda um jogador em formação, carecendo da maturidade necessária para enfrentar meia época como titular numa posição tão central e tão influente. Rui Vitória no entanto melhor saberá.
Outra hipótese é o regresso ao 4-4-2. Num cenário desses Jonas recuaria um pouco no terreno e entraria na equipa Raul ou Seferovic, com a obrigação não apenas de finalizar mas também de pressionar a equipa adversária na saída de bola.
Em suma, mais uma vez não temos sorte. Não desejo mal (leia-se lesões graves) aos nossos adversários mas a realidade é que parece que só a nós nos calha esta sina. O que seria o Sporting sem Bas Dost ou o Porto sem Danilo? Pois a nós todos os infortúnios neste capítulo nos têm acontecido, incluindo a lesão de vários jogadores da mesma posição ao mesmo tempo.
Quando as coisas estavam a encarrilar e o sistema de jogo em plena consolidação, com o Benfica a jogar o melhor futebol dos últimos tempos (e, diga-se claramente, bem melhor do que os dos seus competidores, apesar da propaganda em sentido contrário), o jogador mais importante deste sistema, o jogador pivot do 4-3-3 lesiona-se desta maneira.
Será mais um infortúnio e uma contrariedade a que teremos que reagir. A resposta começa já no próximo jogo no Restelo. Não podemos ficar a chorar um canto. Precisamos de mostrar mais uma vez a determinação e força mental que caracteriza o Benfica e esta equipa tem demonstrado ao longo da época, nomeadamente desde que terminou a Liga dos Campeões.

Vitória com um senão

O Benfica voltou a fazer uma óptima exibição, vencendo com tranquilidade uma boa equipa do Chaves e concretizando a aproximação aos primeiros.
Eu queria dizer que o 4-3-3 está em consolidação, porque as exibições têm vindo em crescendo e o comportamento da equipa quer em termos defensivos quer ofensivos tem estado num nível muito alto nos últimos jogos, este incluído, mas a verdade é que a lesão de Krovinovic pode colocar isso em causa.
O croata tem sido o jogador chave deste sistema, dando velocidade, qualidade de posse e passe à equipa. Krovinovic permite à equipa sempre muitas soluções na sua construção atacante e um grande dinamismo ao meio campo a três. Ele encaixa como uma luva neste sistema.
Nessa medida, tendo o croata aparentemente contraído uma lesão, cujo tempo de recuperação é nesta altura desconhecido, esse progresso e a qualidade de interpretação do sistema 4-3-3 ficam um pouco em causa.
Tem sido sempre assim. Lesão, dificuldades, obstáculos a superar. E nunca a equipa ou Rui Vitória se refugiaram nessas dificuldades e contratempos para se desculpabilizar da responsabilidade de ganhar sempre, como é timbre do Benfica.
Desta vez acredito que não será diferente, mas temos que admitir que não há, aparentemente, um jogador de características semelhantes a Krovi neste plantel. João Carvalho é um bom jogador, um jogador de qualidade, com toque de bola e futebol nos pés, mas jogou pouco este ano e não sabemos como assumirá a responsabilidade de substituir um jogador tão influente, caso tal venha a acontecer. Poderá Zivkovic ser solução para aquela posição? Parece-me difícil, ainda que tenha cultura futebolística, pela falta de rotina no lugar, mas em teoria não seria impossível. De resto temos apenas Chrien, Samaris e Filipe Augusto...
Outra possibilidade seria um regresso ao 4-4-2.
Veremos. O ideal seria obviamente que esta lesão não passe de um susto e que Krovinovic possa já estar apto senão para o próximo jogo para o seguinte.
Uma coisa é certa: esta situação vem mostrar que o sistema de 4-3-3 requer mais soluções para o meio campo do que o plantel neste momento apresenta.

Voltando ao jogo, o domínio do Benfica foi praticamente absoluto. O Chaves teve algumas tentativas de saída em contra-ataque sempre bem anuladas pela nossa defesa e pelo imperial Fejsa. A situação mais perigosa dos flavienses surgiu na primeira parte numa jogada em que Varela anulou com uma excelente mancha uma oportunidade na qual o avançado estava no entanto em fora de jogo.

De resto o Benfica jogou praticamente a seu bel-prazer, acelerando no início e marcando cedo dois golos, impondo depois os ritmos do jogo. A abrir a segunda parte Pizzi fez o terceiro (num lance em que o guarda redes do Chaves pareceu poder ter feito melhor), arrumando de vez a questão do desfecho final do jogo. A vitória ficou assegurada.

Em geral jogámos muito bem, como vem acontecendo, com uma posse de bola sempre inteligente e acutilante no ataque e uma excelente reação à perda de bola, quer em termos de pressão sobre o portador, quer em termos de antecipação. Quando a recuperação não era imediata, a equipa soube sempre controlar bem os ataques adversários.

Em termos individuais, a grande dúvida era Douglas, o substituto do castigado André Almeida, que ainda não tinha sido titular no campeonato. Rui Vitória fez bem em apostar no brasileiro (que já se sabe ser muito ofensivo) porque não mexeu com outras peças. Admitia-se que Sálvio pudesse passar para lateral, entrando outro homem para a direita (possivelmente Rafa). Mas Vitória optoou - e bem a meu ver - em não mexer muito e não alterar as rotinas, simplesmente trocando um jogador por outro. O brasileiro não comprometeu, mostrou vontade e fez algumas incursões bastante positivas no ataque. No entanto os seus problemas a defender voltaram a evidenciar-se, tendo levado dois ou três "nós" que não são admissíveis num defesa do Benfica.

De resto os três jogadores do meio campo estiveram em excelente plano, cada um nas suas missões. Krovi terá sido o que mais mexeu com o jogo (sendo sua a "assistência" para o primeiro golo), tendo saído lesionado, como já referido.

Sálvio começou excelente, com uma assistência (aí sim, em sentido próprio pois Jonas só teve que empurrar) e até meio da segunda parte deu água pela barba aos defesas adversários. Depois começou a perder-se até ser substituído. Cervi voltou a estar em grande plano, sempre muito veloz, em excelentes combinações com Grimaldo, avançando e recuando para recuperar bolas. Tem sido também um jogador chave neste 4-3-3, até pela forma como combina com Krovinovic que também joga por aquele lado. Jonas voltou a ser Jonas, o que quer dizer que voltou a espalhar a sua classe pelo campo, assinando mais dois golos, um deles de enorme qualidade e espetacularidade.

Já se sabe que não ganhámos nada a não ser três pontos e que continuamos em terceiro lugar. Não há por isso lugar a nenhumas euforias nem triunfalismos. Estamos no entanto numa senda positiva à qual há que dar continuidade. Com ou sem Krovinovic, as boas exibições e, acima de tudo, as vitórias são para continuar. A margem de erro continua a ser nula.

Na próxima semana jogamos no Restelo. Conto lá estar, espero que com uma enorme massa de adeptos benfiquistas para dar continuidade a esta onda que tem ir sempre em crescendo até ao fim do campeonato. Vamos ter mais um jogo muito difícil contra uma equipa que tem bons jogadores, joga bem e tem um treinador em período de afirmação. Será mais uma etapa que teremos que superar para que o Penta possa ser uma realidade.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A verdade desportiva segundo o FC Porto

Eles estão com medo, a verdade é essa. Medo, muito medinho.
Apesar da maior campanha alguma vez vista no futebol português (e possivelmente internacional),  orquestrada entre Porto, Sporting e parte da comunicação social (com Rui Santos a ocupar um lugar de pivot) para derrubar o Benfica, o nosso clube mantém-se na luta pelo penta, a uma distância que lhes causa desconforto.
Este medo resulta do poderio que o Benfica tem demonstrado dentro de campo, com exibições de qualidade como a última em Braga, a capacidade da equipa lutar contra as adversidades, a sua força mental, demonstrada pelo querer e pela crença exibidas, e da união entre clube, equipa e adeptos que nenhum inimigo consegue abalar. Esta é a força do Benfica que pode criar nesta segunda volta uma onda capaz de nos levar ao penta. Uma força que apenas o Benfica tem - e que os nossos adversários temem, sentindo-se inferiorizados perante ela.
A lamentável mensagem que o Porto está a passar, de que deve vencer o jogo com o Estoril na secretaria, demonstra que a sua confiança está a começar a sofrer rachas e fissuras. 
Tudo tem corrido bem ao Porto neste campeonato. Tem jogado bem, não tem tido lesões, os jogos têm corrido de feição, as opções do treinador, mesmo quando questionáveis, têm resultado, os jogadores (quase todos) apresentam níveis de rendimento como há muito não se via, nalguns casos o melhor de sempre. Este Porto ainda não enfrentou adversidades, ainda não enfrentou aquele momento na época quando as coisas não correm bem, um azar declarado em dois ou três jogos, um conjunto de lesões, etc, etc. Dá ideia que planeou a época para um arranque fulgurante, no qual esperaria distanciar-se em absoluto da concorrência, através de um pico de forma prematuro.
No entanto essa distância não é assim tão grande, está a chegar um ciclo de muitos jogos e de grande dificuldade e - é patente - temem-se nas antas os efeitos da fadiga física e mental.
Esta nova manobra de tentar assegurar na secretaria a vitória num jogo que está a perder ao intervalo demonstra medo, demonstra insegurança e demonstra falta de confiança nas capacidades próprias. Como assinalado no blog "O fura-redes", este comunicado apanhou o Estoril completamente de surpresa, por ir completamente ao arrepio do acordado entre os clubes, gerando estupefacção entre os canarinhos.
Pela nossa parte, parece-me um bom sinal. Um sinal de que há fissuras no submarino azul. Que, se nós continuarmos a fazer o nosso trabalho, se continuarmos a fazer crescer a onda encarnada, muito em breve aquele submarino começará a meter água por todos os lados.

Nota: é interessante ouvir Manuel Queirós para auscultar o que o Porto está a pensar em cada momento. Embora Queirós seja mais moderado e polido do que os fanáticos e os propagandistas, acaba sempre por confluir com as posições oficiais do FCP, normalmente produzindo curiosos argumentários para lá chegar. Ontem foi ver isso mesmo no "Mais Transferências" da TVI. Foi interessante porque Rui Pedro Braz obrigou Manuel Queiroz a clarificar a sua posição de que o Estoril deveria ser punido com derrota quando este queria deixar a coisa no ar como se estivesse apenas a analisar as várias hipóteses possíveis. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Classe!

Atitude, domínio do jogo, enorme qualidade táctica, grande pressão sobre o adversário, recuperação rápida da bola, boas jogadas de ataque e belíssimos golos, assim se pode caracterizar a exibição do Benfica em Braga. 

Este era um jogo decisivo, no qual precisávamos impreterivelmente de vencer, jogando portanto sob enorme pressão. O Benfica entrou em campo sentindo a responsabilidade de vencer - pela determinação que demonstrou e capacidade de ganhar as divididas - mas sem acusar qualquer nervosismo. Pelo contrário, o Benfica mostrou neste jogo enorme classe. Essa é a realidade. O Benfica está a jogar muito futebol neste momento, apesar de serem os outros, os verde-azuis, a equipa de Rui Santos, os que levam todas as loas, encómios e panegíricos dos comentaristas especializados da nossa praça.
Já no dragão, quando deveríamos ter sido esmagados, em pleno auge da crise, conseguimos dominar quase toda a primeira parte. Na Luz, quando deveríamos ter sido goleados e definitivamente afastados do título, demos um banho de bola ao Sporting, que praticamente não saiu da sua grande área durante 75 minutos de jogo. 
E hoje voltámos a dar uma grande resposta, num jogo de grau de dificuldade muito elevado, vencendo com total justiça.
Não passámos obviamente a ser os favoritos para o título, não mudámos o rumo da época através desta vitória, mas temos o direito de celebrar e nos sentir felizes esta noite, até por tudo o que já passamos esta época. 
Além disso, objetivamente o Benfica já fez todas as deslocações tradicionalmente mais difíceis (excepto Alvalade). Já jogámos no Porto (contra Porto e Boavista), na Madeira, em Guimarães, em Braga, em Chaves e em Vila do Conde. 
Por incrível que pareça, até ao fim do campeonato o Benfica tem apenas mais 7 deslocações e só duas a norte. 
Há que acreditar, há que fazer acordar novamente o gigante. O Penta ainda é possível!

 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Valentões das dúzias

Sérgio Conceição acha que é um grande homem porque "diz o que lhe vem à cabeça". E o que lhe vem à cabeça é dizer que Rui Vitória é um banana, um boneco, um fantoche que não tem personalidade própria.

Sérgio Conceição não se enxerga: não tem educação nem tem noção daquilo que diz. O ataque a Rui Vitória é soez: completamente gratuito e absolutamente ofensivo. Do nada, ataca um homem (um colega seu que nunca o atacou) de não ter vontade própria nem espinha vertebral.

O insulto a Rui Vitória é completamente infundado e absurdo. O Benfica tem sido atacado incessantemente esta época, por todos os lados, com acusações de toda a ordem. Rui Vitória tem dado a cara na defesa do clube e dos jogadores. Nunca se escondeu, sem para isso ter precisado de entrar em polémicas desnecessárias. Tem sido educado e cortês - o que é mais fácil quando se ganha mas mais difícil quando se perde (e este ano perdemos demasiado) - respeitando sempre os adversários. Falou de árbitros uma vez, na sequência de um prestação inconcebível de Hugo Miguel e VAR.

É preciso ser muito canhestro e canalha para achar que ser educado e cordato equivale a ser manipulado e cobarde. Nesta "disputa" apenas Sérgio Conceição mostrou falta de hombridade. Atacou à traição alguém que tem passado uma época difícil e está numa posição relativamente frágil, possivelmente porque se sente já próximo de ser campeão e acha que o seu adversário está prestes a ir ao tapete. Ou seja, Conceição demonstrou ser cobarde.

Como seria de esperar, Jorge Jesus não demorou a vir juntar-se ao treinador do Porto e a secundar a sua posição, assegurando que também ele "diz o que pensa". São dois valentões. Ou será fanfarrões?


Nota Final: 

Estas cenas de amor entre Porto e Sporting só não enjoam quem já se tenha habituado a conviver com a indecência e a indignidade. JJ diz que o Porto é quem está melhor colocado para ser campeão (com uma mera vantagem de 2 pontos sobre a sua equipa?!), e vem atacar o Benfica pela arbitragem no jogo contra o Porto. Defende a sua dama. Já Conceição fez este ataque abjecto a Rui Vitória na sequência do Benfica-Sporting, para criar uma cortina de fumo que faça esquecer o roubo que se passou naquele jogo. Conceição e JJ estão bem um para o outro, como J Marques e Nuno Saraiva, como Pinto da Costa e Bruno de Carvalho. Nem os insultos e desconsiderações feitos em tempos, os impedem de andar agora aos beijos na boca. É de dar volta ao estômago, mas para gente deste calibre é só mais uma voltinha no carrossel. Tudo isto apadrinhado por Rui Santos, esse sim, o padreco deste romance de cordel.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Só nos resta continuar a ganhar

Num dos dérbis mais desequilibrados a que me lembro de assistir, o Benfica massacrou o Sporting praticamente desde o primeiro ao último minuto (mas sobretudo a partir do golo do Sporting, resultante de um ressalto e precedido de um fora de jogo). No entanto não vencemos, como deveríamos, porque não fomos felizes no que mais conta no futebol: fazer passar a bola pela linha de golo. Entre decisões mais do que questionáveis do árbitro e do videoárbitro (um fiasco, como eu previ), situações de manifesto azar e outras  em que os nossos jogadores (sobretudo avançados) foram pouco expeditos, o Benfica deixou por marcar seguramente uns 4 ou 5 golos.

A exibição foi de monta: os nossos jogadores mereceram o apoio do público e os aplausos no fim da partida. Só assim foi possível, já mesmo ao cair do pano, chegar ao golo que tornou o desfecho do jogo um pouco mais racional e digerível para as nossas cores.

No entanto as coisas são o que são e este empate deixou-nos ainda mais longe do primeiro lugar. À beira de entrarmos na segunda volta de um campeonato em que os grandes perdem poucos pontos, qualquer deslize do Benfica pode significar o adeus definitivo ao título. A nossa margem de erro está por isso reduzida a praticamente zero.

A vitória sobre o Moreirense - uma vitória categórica e indiscutível - foi uma primeira resposta, obviamente positiva, ao desfecho do derby. No entanto o teste maior está, como é sabido, reservado para a semana: a deslocação ao terreno do Braga que está a praticar um bom futebol. Será um jogo decisivo, no qual só a vitória importa. Ficar a 7 ou 8 pontos do primeiro nesta fase (e a 5 ou 6 do segundo) representaria praticamente o ponto final nas aspirações ao Penta. A partir daí apenas uma débâcle dos dois da frente nos poderia levar a esse objectivo já de si tão difícil.

O que aconteceu este ano foi que o Sporting e o Porto se reforçaram fortemente. No caso dos nortenhos, o plantel tinha já muita qualidade, a que se juntaram "reforços" que andavam emprestados por outros clubes e que sempre me pareceram bons jogadores (caso dos avançados). É preciso não esquecer que o Porto investiu imensamente nos últimos anos: Herrera foi um jogador desejado pelo Benfica que o Porto comprou por 11 milhões de euros. O mesmo aconteceu com Reyes: o Benfica não quis chegar aos 7 milhões que o Porto deu por um jovem de 20 anos. Corona custou 10,5, Aboubakar 11 e Óliver Torres 20 milhões! Por isso não se pode dizer que o Porto não tenha investido fortemente neste plantel. Fê-lo realmente, sobretudo na era Lopetegui. Neste momento está a aproveitar bem esses investimentos. Quanto ao Sporting, o investimento tem sido continuo e esta época a aposta voltou a ser forte. Basta dizer que o Sporting tem nos seus quadros um ex-Barcelona e um ex-Real Madrid.

A coisa é simples: de acordo com o site transfermarkt esta é a ordem de valor (em milhões de Euros) dos plantéis em Portugal:

Porto - 186,90 
Sporting - 177,30
Benfica - 164,95.

Este é, mais coisa menos coisa, o retrato da presente realidade. O Benfica é, dos três candidatos, o menos bem apetrechado. Veremos o que surge entretanto até ao fecho de mercado, mas para já não se antevê nada de muito positivo ou relevante.

Dito isto, acabo como comecei, nada mais podemos fazer nesta fase para além de vencer os nossos jogos, a começar pelo de Braga. A margem de erro é nula. Ganhando jogo a jogo podemos alimentar a esperança de que este campeonato ainda venha a conhecer uma reviravolta.

Uma palavra final - que há muito desejo escrever - para destacar mais uma excelente exibição de Bruno Varela. Depois de ter feito uma grande defesa no jogo contra o Sporting (uma defesa "à Ederson", com a mão "oposta"), voltou a fazer um par de defesas impressionantes contra o Moreirense, nomeadamente a um cabeceamento de cima para baixo, dando à equipa a tranquilidade que ela precisa. A continuar assim, Varela desmentirá aqueles que dizem que não é guarda-redes para equipa grande. Pelo contrário, o que mostrou nos últimos jogos foi precisamente isso: a capacidade para, quase não sendo chamado a intervir, dizer presente em dois ou três momentos decisivos, salvando bolas de golo quase certo. Varela, até pela fibra mental que demonstrou ao regressar à titularidade, está a merecer todos os elogios.

Quanto a Sérgio Conceição fica para o próximo artigo, no qual  terei (mais uma vez) que me debruçar sobre a interminável e infame campanha anti-benfiquista.