RUI Costa tem surpreendido pela positiva. Entrou num momento de enorme crise e escândalo e com muita calma tem vindo a guiar a nau do Benfica através da tormenta, esperamos que em direção à bonanza.
No meio disto concretizou três contratações que me parecem vir dar uma outra dimensão ao nosso futebol: João Mário, Meité e Yaremchuk. No caso de João Mário, apesar das minhas reticências, o que se tem visto é claramente muito positivo. Não vou aqui estar a analisar, até porque todos podem ver os jogos e ter as suas opiniões mas que JM se posiciona muito bem, aparecendo praticamente no campo todo, e que faz a bola correr com muita fluidez (para além de raramente a perder), não há dúvidas. Contra o Spartak tivemos um meio campo muito dinâmico, com Weigel também a subir bastante de rendimento face às exibições apagadas do passado.
Em relação a Meité, há mais dúvidas na medida em que é um jogador que apesar da sua inegável qualidade nunca se afirmou plenamente. Yaremchuk é uma aposta mais segura na medida em que é um jogador de selecção, com golo, que já demonstrou elevado rendimento em diferentes contextos. Agora claro que chega para uma posição para a qual não havia aparentemente necessidade de contratar dado que temos já Seferovic, Vinícius, Darwin, Ramos, Rodrigo Pinho e Waldschmidt.
Face a estas reticências, porque digo que as contratações foram boas?
Em primeiro lugar porque acho que vêm dar ao plantel algo que estava em défice: dimensão física. Aqui não tanto por João Mário, que é de constituição normal, mas pelos outros dois: Meité - 1,87m e um porte poderoso, Yaremchuk - 1,91 e também possante. Acho que isto faltava no Benfica. Weigel é um jogador dinâmico mas fisicamente não se impõe. No ataque Seferovic tem até certo ponto essas características mas não é tão forte como Yaremchuk. Já Darwin é um jogador mais esguio. Tem muita velocidade mas não é necessariamente um jogador de choque. Ora o Benfica tinha - e tem - certamente muito talento mas faltava capacidade de choque, faltavam jogadores capazes de se impor fisicamente e portanto também de incutir respeito nos adversários (aspecto muito importante num jogo de futebol, que por vezes é subestimado).
Em segundo lugar e mais importante que tudo, porque são bons jogadores e encaixam bem no sistema de jogo do Benfica. Eu acreditei muito em Gabriel mas atendendo a que o treinador não aposta nele faltavam claramente soluções no meio campo que agora passam a existir. Principalmente quando jogamos com um meio campo a dois são precisos jogadores inteligentes e com capacidade de jogar em todo o terreno, características que Taarabt (titular praticamente toda a época passada) não tem - nem Pizzi.
Na frente, apesar de termos muitos avançados muitas vezes faltava quem colocasse a bola dentro da baliza (Seferovic é um jogador de grande qualidade mas não é bem o finalizador nato que este futebol do Benfica pede). Mais uma vez eu pensava que existia uma solução já no plantel (Vinícius) mas os responsáveis não acreditam nele pelo que a contratação de Yaremchuk faz sentido sob esse ponto de vista.
Dito isto, Rui Costa tem ainda muito trabalho pela frente em termos de acertos no plantel. É impensável ficarmos com 5 pontas de lança e com Gabriel, Florentino, Gedson e Taarabt no banco ou na bancada (e há ainda Paulo Bernardo...). E note-se que não estou a incluir aqui Meité neste lote, embora ele tenha começado a época no banco, pois acredito que entre ele e Weigel possa haver alguma rotatividade, nem Chiquinho (que é dado como de saída) nem Samaris (que já nem está oficialmente no plantel. Há centro campistas e pontas de lança a mais e isso também não é bom, pois os jogadores de qualidade que não têm suficientes minutos de jogo começam a ficar insatisfeitos e a criar um mau ambiente, mesmo que sejam bons profissionais. Um ou outro ainda é gerível, mas tantos não é possível.
De resto acho que o plantel tem qualidade suficiente para podermos competir ao nível esperado em todas as provas. Com algumas saídas nas posições que identifiquei penso que ficamos bem servidos em todas as posições.