NES foi hoje demitido do Tottenham, Rui Vitória não deve demorar muito e Mourinho provavelmente não acaba a época.
É um momento complicado para os treinadores portugueses, que ainda há não muito tempo estavam "na moda". As coisas mudam rapidamente e o modelo cínico e defensivo do treinador português já não surpreende. Soluções muito mais criativas e um futebol mais dinâmico de treinadores com outra escola e outra mentalidade conseguem hoje desmontar com alguma facilidade as tácticas fechadas dos portugueses.
Mourinho então é um desespero. O futebol das suas equipas é simplesmente paupérrimo. Ofensivamente é uma nulidade (não tem ataque organizado, limitando-se a tentar correrias e jogadas individuais quando o adversário está balanceado para a frente) e defensivamente já não tem a consistência de outros tempos. Até já é goleado por equipas da terceira divisão europeia.
O que tem isto a ver com Jorge Jesus?
Dir-se-ia que JJ é um treinador ofensivo, que não pode ser colocado na mesma categoria de treinadores como Mourinho ou NES que só querem jogar no erro do adversário.
Mas a realidade é mais complexa. A primeira coisa na qual vejo uma semelhança entre aqueles treinadores e JJ é que me parece que todos pararam um pouco no tempo. Mou por exemplo diz que é hoje melhor treinador do que no passado e que está sempre a actualizar-se. Ora não é isso que nós vemos. O que vemos é que teve o seu tempo - um tempo de enormes êxitos - mas que hoje já não tem capacidade para acompanhar a evolução do futebol e treinar a este nível (que aliás vem sempre a baixar desde o Chelsea).
Isso é também o que vejo com JJ. Quando surgiu no Benfica, o seu futebol de grande pressão sobre o adversário, com uma defesa muito subida e rápida transição para o ataque quando recuperava a bola, era uma coisa pouco vista em Portugal. No primeiro ano conseguiu goleadas, jogos emocionantes e ser campeão.
Mas desde então o seu modelo foi entendido pelos adversários. Perdeu logo o campeonato 3 vezes seguidas nos anos subsequentes. E depois voltou a ser campeão contra adversários muito fragilizados e já sem o brilho do primeiro ano.
No Sporting podia ter sido campeão mas claudicou no jogo decisivo com o Benfica, como tantas vezes aconteceu nos anos em que esteve no nosso clube (e já vai no oitavo).
JJ não parece surpreender ninguém. O Benfica é previsível, não cria oportunidades, continua a sofrer golos em quase todos os jogos e, simplificando, não joga nada. Isto depois de dois anos a investir brutalmente no mercado, contratando jogadores a preços anormais fora das 5 maiores ligas. Os resultados são os que estão à vista.
Um Sporting campeão, com recursos mínimos, a comparar com os nossos e um Porto logo atrás, que mais uma vez não conseguimos vencer. Zero títulos no primeiro ano pós regresso e esta época as coisas parecem novamente desencaminhadas.
Ao passo que vemos os adversários melhorar (por exemplo o Sporting), vemos o Benfica estagnado ou até a regredir. À imagem do seu treinador. É que isto não é o Brasil. País de enorme paixão futebolística, de enormes jogadores, o Brasil está porém muito atrasado no que à táctica diz respeito.
Lá JJ pode ser o melhor. Cá não, de certeza. Vamos ver onde acaba a época.
