O campeonato aproxima-se do final, a tensão sobe, os nervos aumentam, todos se acham prejudicados e proliferam as teorias da conspiração.
A primeira surgiu com a ausência de Al-musrati, um dos dois melhores jogadores do Braga. Alguns viram nisso uma conspiração para beneficiar o Benfica, sugerindo que o líbio não estava verdadeiramente lesionado. Mas aquilo que se passou em campo desmentiu por completo essa teoria, desmantelou até, diria, e foi, isso sim algo insólito.
Comecemos pelos pretensos penaltis. Ricardo Horta, que alegadamente é benfiquista, fez uma simulação clara e tentou ainda cavar outro penalty no lance com Grimaldo. As imagens demonstram que não há qualquer falta: Grimaldo faz um carrinho ao lado do jogador do Braga e este cai (ou deixa-se cair) após tocar com o pé na coxa de Grimaldo. Mesmo que Grimaldo o tivesse atingido (que não atingiu) e a menos que o tivesse "arrancado pela raiz", para mim nunca seria penalty, pois claramente a bola está noutra zona do terreno e o duelo não tem a mínima influência no desenrolar da jogada. Só em Portugal é que se marcam "penaltis" deste género (e regra geral para o Porto). Desafio qualquer leitor a encontrar uma única situação em que eu tenha reclamado penalty a nosso favor num lance deste tipo, em que a bola não está sequer em disputa.
Quer esta situação quer a mais descarada simulação de Horta no lance com Rafa, são parte de um padrão de comportamento e desmentem por completo a ideia do "facilitar". Mas se isto já é feio e pouco desportivo, há algo ainda mais estranho e insólito: o Braga a perder tempo desde o início e a fazer anti-jogo. Vamos ver se nos entendemos: ganhando o jogo, o Braga tinha uma chance real de ser campeão ou pelo menos ficar em segundo e garantir o acesso directo à Liga dos Campeões. Empatando, ficava praticamente certo no 3° lugar. No entanto parece relativamente evidente que o Braga jogou para o empate.
Uma equipa que quer vencer não começa a perder tempo desde o primeiro minuto de jogo. Não entra na segunda parte, com o jogo 0-0 exactamente com a mesma atitude e inclusivamente a continuar a perder tempo. Já bem dentro da segunda parte, Yuri Medeiros sai lentamente e pela lateral mais distante para continuar a perder tempo.
Isto dá que pensar. Se o Braga estava a jogar para um resultado que não lhe interessava é porque estava a jogar para um resultado que interessava a uma terceira equipa.
A ideia defendida por Artur Jorge de que queria "aguentar" o Benfica até pode fazer algum sentido, mas apenas nos primeiros minutos. Continuar na mesma já bem dentro da segunda parte não tem cabimento. Pelo menos na aparência. Talvez existissem outros factores que desconheço e que expliquem esta atitude.
Seja como for, o que aconteceu é um forte sinal de alerta para Portimão, onde novamente a atitude terá de ser ganhar, sim ou sim, sem contemplações ou facilitismos, mas também com mais frieza no momento de finalizar as jogadas.
Quanto ao jogo em si, não teve uma grande história. O domínio do Benfica foi avassalador. Merecíamos mais sorte, mas também poderíamos ter decidido melhor nalguns momentos. Se assim tivesse acontecido a vitória poderia ter sido bastante folgada. Neres foi o mais esclarecido nesse aspecto. João Mário também ofereceu algumas boas bolas, mas Ramos e o próprio Rafa, apesar do importantíssimo golo, estiveram perdulários.
A vitória não merece a mais pequena contestação e os aspectos mais positivos a destacar foram a excelente condição física demonstrada pela equipa e o facto de não ter deixado de forçar mesmo quando a bola parecia não querer entrar. Houve sempre crença e atitude.
Gostei muito das exibições de quase todos os jogadores mas particularmente de João Neves e de Aurnes, além de Neres.
Em relação à arbitragem, pondo de lado as fantasias dos braguistas que me parecem, mais do que qualquer outra coisa, uma tentativa de desviar atenções, o que eu vi foi dualidade de critérios na amostragem de amarelos e nas faltas, sempre em nosso prejuízo. O mais grave foi o caso de Otamendi: o argentino e o jogador do Braga entram ambos na bola da mesma forma, o árbitro faz o sinal disso mesmo e depois... marca falta contra nós e dá amarelo a Otamendi. Não houve casos gritantes (a mão do defesa do Braga é inadvertida e há um lance com Ramos na área do Braga que não me parece suficiente para penalty) mas houve quase uma parte de prolongamento a seguir aos 90 minutos. Um flagrante contraste com o que se passou há uma semana no Dragão. Se o jogo estivesse empatado certamente não seria assim. Mas siga.
Agora é ir a Portimão com a mesma atitude e muitas cautelas com as armadilhas que nos vão colocar porque eles andem aí.
PS: da mesma forma que creio que por vezes é preciso uma boa assobiadela para os jogadores acordarem, hoje considero que era daqueles jogos em que das bancadas devia vir um apoio constante e sonoro e foi exactamente isso que aconteceu. O público esteve excelente, ao nível da equipa. Apoiaram-se mutuamente.
PS2: António Salvador esteve ao seu nível habitual - rasteiro, rasteirinho. Aquele gesto pode ter sido para agradar aos seus adeptos, mas parece-me que, mais ainda do que isso, foi para Pinto ver. Não passa de um ordinário.