domingo, 30 de janeiro de 2022
Roubado
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
Os benfiquistas aguardam.
Mais do mesmo. Mais um jogo no Porto, mais uma derrota como é costume. Desta vez JJ não se ajoelhou e conseguiu evitar encaixar 5 golos. Foram "só" três. Os mesmos que levou de Amorim na Luz.
Os sócios aguardam a decisão de Rui Costa. É por demais evidente que a demissão de JJ é inevitável. A única questão é quando. Para mim seria já porque com JJ é praticamente garantido que teremos nova derrota daqui a uma semana. Nessa altura, campeonato e Taça, os dois principais títulos que poderíamos conquistar, estarão perdidos. Ou seja, será mais uma época de derrotas e insucesso. Depois do maior investimento alguma vez realizado por um clube português.
Nem vale a pena adjectivar. O que tinha a dizer sobre o comportamento profissional de Jorge Jesus e a novela Flamengo (os seus dirigentes estiveram hoje na bancada e ficarão no Porto até à próxima semana, à espera de nova derrota para levarem JJ) já disse nos anteriores posts. O resultado de hoje é a consequência desse mau comportamento: falta de competência, falta de humildade e falta de respeito pelo clube.
Basta.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Uma VERGONHA
O Benfica passou aos oitavos de final da Champions, venceu o Famalicão com uma facilidade que foi algo surpreendente e as coisas poderiam eventualmente até encarrilar (embora eu tenha as maiores dúvidas).
Mas eis que o treinador do Benfica resolve promover os rumores de saída para o Flamengo, tomando cafés em hotéis com empresários próximos do clube brasileiro. E para ajudar à festa, o empresário de Cebolinha vem fazer declarações sobre o papel dado ao jogador e à sua continuidade no clube.
Compare-se a postura do treinador do Benfica com o do Sporting. Este rejeita todas as abordagens e afirma inequivocamente o seu compromisso com o clube que representa.
Por muito que nos custe - e custa - temos de admitir que o Benfica é hoje um clube à deriva, que não apenas não está 20 anos à frente dos seus rivais como está até atrás, muito atrás. O que está a passar-se não aconteceria no Sporting. Menos ainda aconteceria no Porto.
Tem a palavra Rui Costa. Cabe-lhe impor o respeito pelo Benfica e mostrar que não somos um clube sem rei nem roque.
domingo, 5 de dezembro de 2021
Humilhante. Este Benfica não tem intensidade
Normalmente uma equipa bem treinada melhora ao longo de uma época.
No Benfica vê-se uma regressão. Começámos bem o campeonato, chegámos a ter uma vantagem de 4 pontos e arriscamo-nos a acabar o ano com uma desvantagem de 7.
A Liga dos Campeões, e sobretudo os jogos com o Barcelona, é o que mantém Jorge Jesus à tona. Nesse sentido o jogo da próxima e última jornada será decisivo. Não acredito que o Barcelona ganhe em Munique, pelo que o Benfica tem a qualificação nas suas mãos. Uma derrota ou um empate contra o Dínamo do Kiev na Luz seria completamente inaceitável.
Mas mesmo que consiga o apuramento, o treinador do Benfica fica, a meu ver, dependente do que faça nos dois jogos contra o Porto. E sinceramente não acredito muito em resultados positivos.
Este Benfica não convence. Nunca convenceu muito, desde o regresso de Jorge Jesus e neste momento é uma equipa sem intensidade, sem grande fio e sem ideia de jogo.
Mas acima de tudo, o que me parece é que Jesus faz uma má gestão do balneário. Veja-se o caso da lateral direita: Gilberto vinha fazendo uma série de bons jogos, sendo dos melhores em campo num deles. O que faz JJ? À primeira oportunidade tira-o da equipa para colocar Lázaro. O mesmo é válido para Mourato. É sobre Vlaco ou Gonçalo Ramos nem vale a pena falar.
JJ é useiro e vezeiro nisto e assim dificilmente o grupo é coeso ou os jogadores têm confiança e motivação.
Ontem o contraste com Rúben Amorim não podia ter sido mais claro. O treinador do Sporting (infelizmente...) sabe que em campo o que mais conta são os jogadores e por isso faz tudo para que eles acreditem, tenham confiança e muitas ganas de ganhar. Amorim faz de jogadores banais uma equipa fortíssima, ao passo que Jesus faz de bons jogadores uma equipa banal.
No jogo de ontem, a diferença de andamento, de intensidade foi tão grande que até fazia impressão. Os jogadores do Sporting entraram em campo com tudo, para vencer o jogo. Tinham até uma certa dose de raiva, tal era a fome de vencer. A sua estratégia estava perfeitamente delineada.
Já os do Benfica pareceram surpreendidos, para não dizer assustados - e claramente tinham o "guião errado" para esta partida. Quando JJ diz que houve 5 oportunidades para cada lado e que a diferença esteve na eficácia, está a mascarar a realidade do jogo.
A realidade é que o Sporting sabia o que queria e como lá chegar, enquanto o Benfica não parecia ter nenhuma ideia sobre como penetrar na defesa do Sporting, trocando a bola sem grande intencionalidade. As equipas jogavam a ritmos e intensidades diferentes. Quando o Sporting atacava criava em geral bastante perigo (com a nossa defesa meio confundida e atrapalhada), ao passo que os ataques do Benfica não tinham grande sentido. Na primeira parte o Sporting marcou dois golos (um dos quais marginalmente fora de jogo) e teve uma oportunidade flagrante que Pedro Gonçalves não costuma falhar. Esteve na frente do marcador desde cedo (mas fez por isso e o golo aos 4 minutos nem surpreendeu) e teve sempre o jogo controlado. Essa é a realidade do jogo.
Já tinha dito há um par de meses que me parecia difícil que Jesus tivesse a capacidade de dar a volta à situação e que acabe a época. Agora parece-me praticamente impossível.
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
"Futebol miserável"
Qual é a novidade?
Portugal nos últimos anos fez dois ou três bons jogos. De resto tem sido semelhante ao que (não jogou) contra a Sérvia. O Mundial foi o que se viu, o Europeu idem.
Vencemos o Europeu 2016 e nisso ninguém pode tirar o mérito de Fernando Santos.
[Tal como ninguém pode apagar a final do Euro de 2004 ou o 4º lugar no Mundial de 2006 sob Scolari. Segundo alguns o treinador brasileiro não passava de um animador de balneário mas foi o melhor futebol que praticámos nas últimas décadas].
Agora é importante perceber que no Euro 2016, sem retirar nenhum mérito, o nosso futebol não foi nada atrativo, ganhámos apenas um jogo nos 90 minutos e até à final não apanhámos nenhum adversário temível. Ou seja, houve uma conjugação de factores que fez de Portugal campeão, se calhar um título que já merecia. Santos conduziu ainda a seleção a uma vitória na primeira Liga das Nações. É um facto que é o primeiro seleccionador a alcançar títulos para o nosso país.
Mas sempre com este futebol ultradefensivo.
Quando os resultados depois aparecem, como aconteceu em 2016 e 2019, isso suplanta tudo. As vitórias apagam as más exibições.
Mas quando se perde, todos os problemas vêm ao de cima.
E a verdade é que o futebol da selecção é paupérrimo. Dá ideia de que este modelo está esgotado.
Uma última palavra para Ronaldo. Está-se a tornar um problema em todas as equipas onde actua. E um "perito" em demitir treinadores.
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
6-1. Mudou alguma coisa?
O Benfica fez uma boa exibição com momentos de grande brilhantismo, individual e colectivamente. Mas nem tudo foram boas notícias. A lesão de Lucas Veríssimo é uma péssima notícia, que nos deixa a todos tristes, havendo ainda a lamentar as lesões de Sequeira, do Braga, que também saiu de maca, e ainda de João Mário, Rafa e Darwin, cujas extensões se desconhecem à altura em que escrevo.
Para além desse aspecto e focando-nos na análise ao jogo, claro que é uma vitória importante, da qual saem coisas muito boas, como a excelente exibição de Cebolinha, a boa entrada de Paulo Bernardo, a resposta do nosso meio campo, a eficácia na frente de ataque e o quebrar de um ciclo negativo de resultados antes da pausa no campeonato.
Tudo isso é muito positivo.
O Benfica marcou o primeiro golo na sua primeira jogada de ataque, logo aos 2 minutos. Após esse golo, que não tinhamos justificado, o Braga equilibrou, empatou e durante algum tempo foi até superior ao Benfica. Depois, em 7 minutos o Benfica marcou 3 golos e resolveu o jogo. Acaso? Mera sorte? Claro que não. Há muito mérito e há sobeja qualidade no plantel do Benfica. Mas há também um aspecto que deve ser sublinhado: 5 dos 6 golos do Benfica são marcados em contra ataques ou transições ofensivas rápidas. Ou seja, marcámos quase todos os golos quando a defesa adversária estava desposicionada. A excepção foi o 2-1.
Isto é mau? Não, como é óbvio. Isto é treinado, é mérito e é qualidade dos jogadores: Rafa, Darwin e Cebolinha conseguiram imprimir uma velocidade vertiginosa no ataque. Os golos são muito bem conseguidos. A questão é outra.
Em primeiro lugar, para poder "soltar" estes contra ataques, o Benfica precisa de que os dois primeiros passes defesa-meio campo saiam bem. Quando as primeiras linhas de pressão adversária sobre os nossos defesas e centro campistas são ultrapassadas e conseguimos colocar a bola em Rafa ou Darwin em boas condições, os adversários estão em apuros porque qualquer um destes jogadores e também Everton quando lançados em velocidade são difíceis de parar.
Por isso os melhores jogos que fizemos até agora foram este, o Barcelona e o Guimarães. Os adversários jogaram subidos e pressionaram o Benfica ainda no seu meio campo mas depois quando conseguíamos sair para o ataque, as suas defesas tiveram muitas dificuldades em acompanhar a mota Rafa e a gazela Darwin.
Mas já contra o Bayern não conseguimos fazer o mesmo, porque é uma equipa mais compacta, mais rápida, melhor. Aí os nossos contra ataques eram praticamente abafados à nascença, deixando-nos na maior parte do tempo a ter que remar para trás.
O outro problema que o Benfica tem tido - e que este jogo não mostra que tenha sido resolvido - é o agora chamado ataque posicional. Ou seja, quando as equipas adversárias se refugiam muito lá atrás e têm os seus defesas bem posicionados no campo, temos muitas dificuldades em conseguir criar espaços e oportunidades. Aí Darwin começa a perder bolas e a equipa a esbarrar contra o muro adversário, parecendo ter poucas soluções.
Ontem Everton apareceu muito bem num par de ocasiões a criar desequilíbrios que geraram o espaço para outros aparecerem, como na origem da jogada que deu o 2-1, ao fintar dois jogadores e depois passar para Grimaldo. Everton que fez, diga-se, um enorme jogo. Além desse lance fez dois golos e duas assistências. O primeiro golo é um bom trabalho com os dois pés, ao passo que o segundo é uma raquetada ou tacada de bilhar que coloca a bola a fazer tabela no poste, fora do alcance de defesa e guarda redes, para dentro das redes. Aliás foi curioso que já o centro de Darwin foi assim, atravessando a área, a fugir do guarda redes e fora do alcance do defesa.
Uma outra curiosidade é que o golo do Braga (que por sinal também resulta de uma recuperação de bola no nosso meio campo) é um remate de André Horta ao mesmo poste onde Cebolinha a viria a colocar na segunda parte. Dois golos com alguma semelhança.
Finalmente uma nota para o VAR. Eu penso que todas as decisões foram correctas relativamente ao posicionamento dos jogadores em jogo nos golos. Mas note-se que a imagem que é mostrada a dar conta de que André Horta está em posição legal não é a do golo. Veja-se as duas imagens: a mostrada e a correcta:
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| Este não é o lance do golo mas é apresentado como tal a propósito da revisão do VAR. |
segunda-feira, 1 de novembro de 2021
JJ acabará a época?
NES foi hoje demitido do Tottenham, Rui Vitória não deve demorar muito e Mourinho provavelmente não acaba a época.
É um momento complicado para os treinadores portugueses, que ainda há não muito tempo estavam "na moda". As coisas mudam rapidamente e o modelo cínico e defensivo do treinador português já não surpreende. Soluções muito mais criativas e um futebol mais dinâmico de treinadores com outra escola e outra mentalidade conseguem hoje desmontar com alguma facilidade as tácticas fechadas dos portugueses.
Mourinho então é um desespero. O futebol das suas equipas é simplesmente paupérrimo. Ofensivamente é uma nulidade (não tem ataque organizado, limitando-se a tentar correrias e jogadas individuais quando o adversário está balanceado para a frente) e defensivamente já não tem a consistência de outros tempos. Até já é goleado por equipas da terceira divisão europeia.
O que tem isto a ver com Jorge Jesus?
Dir-se-ia que JJ é um treinador ofensivo, que não pode ser colocado na mesma categoria de treinadores como Mourinho ou NES que só querem jogar no erro do adversário.
Mas a realidade é mais complexa. A primeira coisa na qual vejo uma semelhança entre aqueles treinadores e JJ é que me parece que todos pararam um pouco no tempo. Mou por exemplo diz que é hoje melhor treinador do que no passado e que está sempre a actualizar-se. Ora não é isso que nós vemos. O que vemos é que teve o seu tempo - um tempo de enormes êxitos - mas que hoje já não tem capacidade para acompanhar a evolução do futebol e treinar a este nível (que aliás vem sempre a baixar desde o Chelsea).
Isso é também o que vejo com JJ. Quando surgiu no Benfica, o seu futebol de grande pressão sobre o adversário, com uma defesa muito subida e rápida transição para o ataque quando recuperava a bola, era uma coisa pouco vista em Portugal. No primeiro ano conseguiu goleadas, jogos emocionantes e ser campeão.
Mas desde então o seu modelo foi entendido pelos adversários. Perdeu logo o campeonato 3 vezes seguidas nos anos subsequentes. E depois voltou a ser campeão contra adversários muito fragilizados e já sem o brilho do primeiro ano.
No Sporting podia ter sido campeão mas claudicou no jogo decisivo com o Benfica, como tantas vezes aconteceu nos anos em que esteve no nosso clube (e já vai no oitavo).
JJ não parece surpreender ninguém. O Benfica é previsível, não cria oportunidades, continua a sofrer golos em quase todos os jogos e, simplificando, não joga nada. Isto depois de dois anos a investir brutalmente no mercado, contratando jogadores a preços anormais fora das 5 maiores ligas. Os resultados são os que estão à vista.
Um Sporting campeão, com recursos mínimos, a comparar com os nossos e um Porto logo atrás, que mais uma vez não conseguimos vencer. Zero títulos no primeiro ano pós regresso e esta época as coisas parecem novamente desencaminhadas.
Ao passo que vemos os adversários melhorar (por exemplo o Sporting), vemos o Benfica estagnado ou até a regredir. À imagem do seu treinador. É que isto não é o Brasil. País de enorme paixão futebolística, de enormes jogadores, o Brasil está porém muito atrasado no que à táctica diz respeito.
Lá JJ pode ser o melhor. Cá não, de certeza. Vamos ver onde acaba a época.


