domingo, 30 de janeiro de 2022

Roubado

Entristece-me ver os benfiquistas virarem-se contra a equipa depois de um jogo destes.
Claro que o Benfica não está no melhor momento. As coisas não correm bem em momentos cruciais. Por exemplo o golo do Sporting de canto surge logo no início da segunda parte, quando nós até tínhamos entrado bem. Claro que deu uma forte motivação ao adversário. Mais: o árbitro tinha dado logo um sinal aos jogadores do Sporting que era tudo deles. A entrada de Palhinha sobre João Mário uns minutos antes é amarelo em qualquer parte do mundo.
Mas o que é realmente decisivo, é o absolutamente óbvio penalti no fim do jogo. Como é que com um VAR com a possibilidade de analisar o lance com toda a tranquilidade e as imagens de vários ângulos, o árbitro nem sequer é chamado para ver as imagens??
Escandaloso. É um roubo, não há outra expressão. 
Assim é difícil. 
E o que dizer de Nuno Santos a berrar para Cebolinha "És um filho da puta"? Isto depois do Cebolinha ter sofrido uma falta evidente do Neto. 
Uma vergonha. O Nuno Santos merecia um murro bem dado naquela fronha. 
Quem aqui vem sabe que não costumo usar este tom, mas tudo tem limites. Temos que temos de parar de ser os bombos da festa. 
Espero que os jogadores do Benfica não se deixem abater por este roubo. Pelo contrário. Considero que este campeonato ainda não está encerrado. Agora também é preciso que os adeptos também tenham mais garra. Hoje mal se ouviam. Ao contrário dos outros que chegavam a protestar mal um jogador do Benfica fazia um carrinho, mesmo antes de haver qualquer contacto com o adversário (e nalguns casos nem chegou a haver, pelo que os protestos eram caricatos). Mas isto mostra como eles estão com a sua equipa. Infelizmente os nossos não estão tanto, nem pouco mais ou menos. É preciso mais benfiquismo. Especialmente neste momento. Quando se ganha é fácil... Se eu não visse atitude, não diria isto. Mas o que vi hoje foi os jogadores a darem o que tinham (com vários ausentes e num momento obviamente difícil) e serem prejudicados pelo árbitro. 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Os benfiquistas aguardam.

 Mais do mesmo. Mais um jogo no Porto, mais uma derrota como é costume. Desta vez JJ não se ajoelhou e conseguiu evitar encaixar 5 golos. Foram "só" três. Os mesmos que levou de Amorim na Luz. 

Os sócios aguardam a decisão de Rui Costa. É por demais evidente que a demissão de JJ é inevitável. A única questão é quando. Para mim seria já porque com JJ é praticamente garantido que teremos nova derrota daqui a uma semana. Nessa altura, campeonato e Taça, os dois principais títulos que poderíamos conquistar, estarão perdidos. Ou seja, será mais uma época de derrotas e insucesso. Depois do maior investimento alguma vez realizado por um clube português.

Nem vale a pena adjectivar. O que tinha a dizer sobre o comportamento profissional de Jorge Jesus e a novela Flamengo (os seus dirigentes estiveram hoje na bancada e ficarão no Porto até à próxima semana, à espera de nova derrota para levarem JJ) já disse nos anteriores posts. O resultado de hoje é a consequência desse mau comportamento: falta de competência, falta de humildade e falta de respeito pelo clube.

Basta. 


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Uma VERGONHA

 O Benfica passou aos oitavos de final da Champions, venceu o Famalicão com uma facilidade que foi algo surpreendente e as coisas poderiam eventualmente até encarrilar (embora eu tenha as maiores dúvidas).

Mas eis que o treinador do Benfica resolve promover os rumores de saída para o Flamengo, tomando cafés em hotéis com empresários próximos do clube brasileiro. E para ajudar à festa, o empresário de Cebolinha vem fazer declarações sobre o papel dado ao jogador e à sua continuidade no clube.

Compare-se a postura do treinador do Benfica com o do Sporting. Este rejeita todas as abordagens e afirma inequivocamente o seu compromisso com o clube que representa.

Por muito que nos custe - e custa - temos de admitir que o Benfica é hoje um clube à deriva, que não apenas não está 20 anos à frente dos seus rivais como está até atrás, muito atrás. O que está a passar-se não aconteceria no Sporting. Menos ainda aconteceria no Porto.

Tem a palavra Rui Costa. Cabe-lhe impor o respeito pelo Benfica e mostrar que não somos um clube sem rei nem roque. 

domingo, 5 de dezembro de 2021

Humilhante. Este Benfica não tem intensidade

 Normalmente uma equipa bem treinada melhora ao longo de uma época.

No Benfica vê-se uma regressão. Começámos bem o campeonato, chegámos a ter uma vantagem de 4 pontos e arriscamo-nos a acabar o ano com uma desvantagem de 7.

A Liga dos Campeões, e sobretudo os jogos com o Barcelona, é o que mantém Jorge Jesus à tona. Nesse sentido o jogo da próxima e última jornada será decisivo. Não acredito que o Barcelona ganhe em Munique, pelo que o Benfica tem a qualificação nas suas mãos. Uma derrota ou um empate contra o Dínamo do Kiev na Luz seria completamente inaceitável.

Mas mesmo que consiga o apuramento, o treinador do Benfica fica, a meu ver, dependente do que faça nos dois jogos contra o Porto. E sinceramente não acredito muito em resultados positivos.

Este Benfica não convence. Nunca convenceu muito, desde o regresso de Jorge Jesus e neste momento é uma equipa sem intensidade, sem grande fio e sem ideia de jogo.

Mas acima de tudo, o que me parece é que Jesus faz uma má gestão do balneário. Veja-se o caso da lateral direita: Gilberto vinha fazendo uma série de bons jogos, sendo dos melhores em campo num deles. O que faz JJ? À primeira oportunidade tira-o da equipa para colocar Lázaro. O mesmo é válido para Mourato. É sobre Vlaco ou Gonçalo Ramos nem vale a pena falar. 

JJ é useiro e vezeiro nisto e assim dificilmente o grupo é coeso ou os jogadores têm confiança e motivação.

Ontem o contraste com Rúben Amorim não podia ter sido mais claro. O treinador do Sporting (infelizmente...) sabe que em campo o que mais conta são os jogadores e por isso faz tudo para que eles acreditem, tenham confiança e muitas ganas de ganhar. Amorim faz de jogadores banais uma equipa fortíssima, ao passo que Jesus faz de bons jogadores uma equipa banal.

No jogo de ontem, a diferença de andamento, de intensidade foi tão grande que até fazia impressão. Os jogadores do Sporting entraram em campo com tudo, para vencer o jogo. Tinham até uma certa dose de raiva, tal era a fome de vencer. A sua estratégia estava perfeitamente delineada.

Já os do Benfica pareceram surpreendidos, para não dizer assustados - e claramente tinham o "guião errado" para esta partida. Quando JJ diz que houve 5 oportunidades para cada lado e que a diferença esteve na eficácia, está a mascarar a realidade do jogo.

A realidade é que o Sporting sabia o que queria e como lá chegar, enquanto o Benfica não parecia ter nenhuma ideia sobre como penetrar na defesa do Sporting, trocando a bola sem grande intencionalidade. As equipas jogavam a ritmos e intensidades diferentes. Quando o Sporting atacava criava em geral bastante perigo (com a nossa defesa meio confundida e atrapalhada), ao passo que os ataques do Benfica não tinham grande sentido. Na primeira parte o Sporting marcou dois golos (um dos quais marginalmente fora de jogo) e teve uma oportunidade flagrante que Pedro Gonçalves não costuma falhar. Esteve na frente do marcador desde cedo (mas fez por isso e o golo aos 4 minutos nem surpreendeu) e teve sempre o jogo controlado. Essa é a realidade do jogo.

Já tinha dito há um par de meses que me parecia difícil que Jesus tivesse a capacidade de dar a volta à situação e que acabe a época. Agora parece-me praticamente impossível.


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

"Futebol miserável"

 Qual é a novidade?

Portugal nos últimos anos fez dois ou três bons jogos. De resto tem sido semelhante ao que (não jogou) contra a Sérvia. O Mundial foi o que se viu, o Europeu idem.

Vencemos o Europeu 2016 e nisso ninguém pode tirar o mérito de Fernando Santos.

[Tal como ninguém pode apagar a final do Euro de 2004 ou o 4º lugar no Mundial de 2006 sob Scolari. Segundo alguns o treinador brasileiro não passava de um animador de balneário mas foi o melhor futebol que praticámos nas últimas décadas].

Agora é importante perceber que no Euro 2016, sem retirar nenhum mérito, o nosso futebol não foi nada atrativo, ganhámos apenas um jogo nos 90 minutos e até à final não apanhámos nenhum adversário temível. Ou seja, houve uma conjugação de factores que fez de Portugal campeão, se calhar um título que já merecia. Santos conduziu ainda a seleção a uma vitória na primeira Liga das Nações. É um facto que é o primeiro seleccionador a alcançar títulos para o nosso país.

Mas sempre com este futebol ultradefensivo.

Quando os resultados depois aparecem, como aconteceu em 2016 e 2019, isso suplanta tudo. As vitórias apagam as más exibições. 

Mas quando se perde, todos os problemas vêm ao de cima. 

E a verdade é que o futebol da selecção é paupérrimo. Dá ideia de que este modelo está esgotado. 

Uma última palavra para Ronaldo. Está-se a tornar um problema em todas as equipas onde actua. E um "perito" em demitir treinadores. 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

6-1. Mudou alguma coisa?

 O Benfica fez uma boa exibição com momentos de grande brilhantismo, individual e colectivamente. Mas nem tudo foram boas notícias. A lesão de Lucas Veríssimo é uma péssima notícia, que nos deixa a todos tristes, havendo ainda a lamentar as lesões de Sequeira, do Braga, que também saiu de maca, e ainda de João Mário, Rafa e Darwin, cujas extensões se desconhecem à altura em que escrevo.

Para além desse aspecto e focando-nos na análise ao jogo, claro que é uma vitória importante, da qual saem coisas muito boas, como a excelente exibição de Cebolinha, a boa entrada de Paulo Bernardo, a resposta do nosso meio campo, a eficácia na frente de ataque e o quebrar de um ciclo negativo de resultados antes da pausa no campeonato.

Tudo isso é muito positivo.


Mas uma análise fria do jogo diz-nos que que até ao segundo golo estávamos a ter bastantes dificuldades - e que provavelmente não mudou assim tanto no jogo do Benfica em relação ao que temos feito esta época.

O Benfica marcou o primeiro golo na sua primeira jogada de ataque, logo aos 2 minutos. Após esse golo, que não tinhamos justificado, o Braga equilibrou, empatou e durante algum tempo foi até superior ao Benfica. Depois, em 7 minutos o Benfica marcou 3 golos e resolveu o jogo. Acaso? Mera sorte? Claro que não. Há muito mérito e há sobeja qualidade no plantel do Benfica. Mas há também um aspecto que deve ser sublinhado: 5 dos 6 golos do Benfica são marcados em contra ataques ou transições ofensivas rápidas. Ou seja, marcámos quase todos os golos quando a defesa adversária estava desposicionada. A excepção foi o 2-1.

Isto é mau? Não, como é óbvio. Isto é treinado, é mérito e é qualidade dos jogadores: Rafa, Darwin e Cebolinha conseguiram imprimir uma velocidade vertiginosa no ataque. Os golos são muito bem conseguidos. A questão é outra. 

Em primeiro lugar, para poder "soltar" estes contra ataques, o Benfica precisa de que os dois primeiros passes defesa-meio campo saiam bem. Quando as primeiras linhas de pressão adversária sobre os nossos defesas e centro campistas são ultrapassadas e conseguimos colocar a bola em Rafa ou Darwin em boas condições, os adversários estão em apuros porque qualquer um destes jogadores e também Everton quando lançados em velocidade são difíceis de parar.

Por isso os melhores jogos que fizemos até agora foram este, o Barcelona e o Guimarães. Os adversários jogaram subidos e pressionaram o Benfica ainda no seu meio campo mas depois quando conseguíamos sair para o ataque, as suas defesas tiveram muitas dificuldades em acompanhar a mota Rafa e a gazela Darwin.

Mas já contra o Bayern não conseguimos fazer o mesmo, porque é uma equipa mais compacta, mais rápida, melhor. Aí os nossos contra ataques eram praticamente abafados à nascença, deixando-nos na maior parte do tempo a ter que remar para trás.

O outro problema que o Benfica tem tido - e que este jogo não mostra que tenha sido resolvido - é o agora chamado ataque posicional. Ou seja, quando as equipas adversárias se refugiam muito lá atrás e têm os seus defesas bem posicionados no campo, temos muitas dificuldades em conseguir criar espaços e oportunidades. Aí Darwin começa a perder bolas e a equipa a esbarrar contra o muro adversário, parecendo ter poucas soluções.

Ontem Everton apareceu muito bem num par de ocasiões a criar desequilíbrios que geraram o espaço para outros aparecerem, como na origem da jogada que deu o 2-1, ao fintar dois jogadores e depois passar para Grimaldo. Everton que fez, diga-se, um enorme jogo. Além desse lance fez dois golos e duas assistências. O primeiro golo é um bom trabalho com os dois pés, ao passo que o segundo é uma raquetada ou tacada de bilhar que coloca a bola a fazer tabela no poste, fora do alcance de defesa e guarda redes, para dentro das redes. Aliás foi curioso que já o centro de Darwin foi assim, atravessando a área, a fugir do guarda redes e fora do alcance do defesa. 

Uma outra curiosidade é que o golo do Braga (que por sinal também resulta de uma recuperação de bola no nosso meio campo) é um remate de André Horta ao mesmo poste onde Cebolinha a viria a colocar na segunda parte. Dois golos com alguma semelhança.

Finalmente uma nota para o VAR. Eu penso que todas as decisões foram correctas relativamente ao posicionamento dos jogadores em jogo nos golos. Mas note-se que a imagem que é mostrada a dar conta de que André Horta está em posição legal não é a do golo. Veja-se as duas imagens: a mostrada e a correcta:

Este não é o lance do golo mas é apresentado como tal a propósito da revisão do VAR.

Este sim, é o lance do golo do Braga. Grimaldo parece colocar em jogo Horta. Grimaldo esteve aliás envolvido nos 3 primeiros golos do jogo: marcou o primeiro, está aparentemente desalinhado com os companheiros defensivos neste e faz o remate de cuja recarga surge o 2-1 por Darwin.




segunda-feira, 1 de novembro de 2021

JJ acabará a época?

 NES foi hoje demitido do Tottenham, Rui Vitória não deve demorar muito e Mourinho provavelmente não acaba a época.

É um momento complicado para os treinadores portugueses, que ainda há não muito tempo estavam "na moda". As coisas mudam rapidamente e o modelo cínico e defensivo do treinador português já não surpreende. Soluções muito mais criativas e um futebol mais dinâmico de treinadores com outra escola e outra mentalidade conseguem hoje desmontar com alguma facilidade as tácticas fechadas dos portugueses.

Mourinho então é um desespero. O futebol das suas equipas é simplesmente paupérrimo. Ofensivamente é uma nulidade (não tem ataque organizado, limitando-se a tentar correrias e jogadas individuais quando o adversário está balanceado para a frente) e defensivamente já não tem a consistência de outros tempos. Até já é goleado por equipas da terceira divisão europeia.

O que tem isto a ver com Jorge Jesus?

Dir-se-ia que JJ é um treinador ofensivo, que não pode ser colocado na mesma categoria de treinadores como Mourinho ou NES que só querem jogar no erro do adversário.

Mas a realidade é mais complexa. A primeira coisa na qual vejo uma semelhança entre aqueles treinadores e JJ é que me parece que todos pararam um pouco no tempo. Mou por exemplo diz que é hoje melhor treinador do que no passado e que está sempre a actualizar-se. Ora não é isso que nós vemos. O que vemos é que teve o seu tempo - um tempo de enormes êxitos - mas que hoje já não tem capacidade para acompanhar a evolução do futebol e treinar a este nível (que aliás vem sempre a baixar desde o Chelsea).

Isso é também o que vejo com JJ. Quando surgiu no Benfica, o seu futebol de grande pressão sobre o adversário, com uma defesa muito subida e rápida transição para o ataque quando recuperava a bola, era uma coisa pouco vista em Portugal. No primeiro ano conseguiu goleadas, jogos emocionantes e ser campeão.

Mas desde então o seu modelo foi entendido pelos adversários. Perdeu logo o campeonato 3 vezes seguidas nos anos subsequentes. E depois voltou a ser campeão contra adversários muito fragilizados e já sem o brilho do primeiro ano.

No Sporting podia ter sido campeão mas claudicou no jogo decisivo com o Benfica, como tantas vezes aconteceu nos anos em que esteve no nosso clube (e já vai no oitavo).

JJ não parece surpreender ninguém. O Benfica é previsível, não cria oportunidades, continua a sofrer golos em quase todos os jogos e, simplificando, não joga nada. Isto depois de dois anos a investir brutalmente no mercado, contratando jogadores a preços anormais fora das 5 maiores ligas. Os resultados são os que estão à vista.

Um Sporting campeão, com recursos mínimos, a comparar com os nossos e um Porto logo atrás, que mais uma vez não conseguimos vencer. Zero títulos no primeiro ano pós regresso e esta época as coisas parecem novamente desencaminhadas.

Ao passo que vemos os adversários melhorar (por exemplo o Sporting), vemos o Benfica estagnado ou até a regredir. À imagem do seu treinador. É que isto não é o Brasil. País de enorme paixão futebolística, de enormes jogadores, o Brasil está porém muito atrasado no que à táctica diz respeito.

Lá JJ pode ser o melhor. Cá não, de certeza. Vamos ver onde acaba a época.