sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Benfica à deriva

 O que se está a passar no Benfica é surreal, é mau demais.

Não há rumo, não há estratégia, não há liderança.

Cada dia traz novas notícias de entradas e saídas, num rodopio, um entreposto de jogadores que faz sentido apenas para os empresários e intermediários que vão enchendo os bolsos à conta da paixão dos adeptos. 

O clube, esse vai ficando cada vez mais depauperado. 

Rui Costa deveria assumir a sua incapacidade e convocar eleições. Seria uma decisão difícil mas honrada que os benfiquistas saberiam apreciar quando a poeira assentasse. 

Temo no entanto que Rui Costa esteja refém da teia de interesses que junta uma série de parasitas que vivem à volta e à conta do clube. 

Assim se vai diluindo o verdadeiro benfiquismo. Assim se vão esquecendo os valores que fizeram deste o maior clube nacional e um dos maiores da Europa.

Neste momento o Benfica já não é o primeiro clube nacional em termos de títulos no futebol sénior, o que é absolutamente escandaloso considerando o que o Porto passou nos últimos anos com severas limitações orçamentais.

Em termos de futebol jogado e plantel o Benfica é neste momento o terceiro clube de Portugal. 

Há que arrepiar caminho urgentemente ou arriscamo-nos a repetir os anos 90. 

domingo, 11 de agosto de 2024

Medíocre. Previsível. Famalicão 2 Benfica 0

 Dos 3 candidatos ao título, o Benfica é de longe o mais fraco, pelo menos nesta altura.

O Porto foi uma surpresa para mim, pois imaginei que haveria um impacto grande da saída de um presidente que quase se confunde com a história do clube e de um treinador que parecia ser quem segurava as pontas soltas de um plantel com uma qualidade já bastante depauperada. No entanto a pré-época mostrou que existe um trabalho táctico forte e Villas Boas é claramente um dirigente bem preparado.

O Sporting manteve tudo igual ao ano passado: o modelo de jogo, a consistência e a grande agressividade atacante.

Quanto ao Benfica... ninguém percebe.

Eu não escrevi na pré-época porque, para além de não interessarem para nada, esses jogos não mostram muita coisa. No entanto perder com o Fulham e empatar com o Brentford não são propriamente grandes sinais.

Mas acima de tudo o que não se vê é uma estratégia. 

Foi contratado um ponta de lança que espero que tenha muito sucesso (embora tenha as minhas dúvidas) mas de resto o plantel ficou mais fraco porque saíram os dois melhores jogadores: Neves e Neres. Isto para já nem falar de Rafa. Dos 3 desequilibradores fica apenas 1, Di Maria, já em fim de carreira. Depois há as promessas Rollheiser, Prestianni e Schjeldrupe que veremos o que dão mas para já são muito verdes. 

Quanto a Roger Schmidt, nenhuma surpresa. O ano passado já disse o que pensava e infelizmente parece que tinha razão. Continua a apostar em João Mário, entrou com um duplo pivot no meio campo e mudou tudo na segunda parte. O seu estilo de jogo continua a ser o da posse de bola mas falta agressividade na frente e na defesa continuam a cometer-se demasiados erros. 

Assim não vamos lá.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Espanha, Argentina e os "melhores do mundo"

 Espanha e Argentina são os vencedores de Europeu e Copa América. Más notícias para portugueses e brasileiros que também tinham as suas ambições e vêem os seus vizinhos e rivais (mais no caso do Brasil) vencer. 

Espanha dominou

No caso do Europeu, a lógica imperou  do primeiro ao último jogo e não houve uma única surpresa digna de nota. Espanha afirmou-se como a melhor equipa desde o início e venceu com naturalidade. Inglaterra tinha dos melhores jogadores mas nunca conseguiu jogar um futebol de qualidade. Kane continua a ser um mistério - é um avançado de excelência mas nunca ganhou um único troféu. Bellingham é dos melhores médios em atividade mas só apareceu contra a Eslováquia. No duelo dos mais jovens, Dani Olmo, Wiiliams e Yamal foram melhores que Foden e Saka. Palmer marcou mas não chegou.

Foi um Europeu pouco espectacular, com poucos golos e pouco futebol. O que importa é o dinheiro e portanto os jogadores continuarão a chegar esgotados a estas competições, as quais cada vez têm mais equipas e mais jogos. A qualidade obviamente diminui.

Mas a Espanha foi a equipa mais imune a isso. Foi melhor em tudo - a que teve mais identidade, mais qualidade e melhores jogadores. Yamal e Williams foram dos melhores, assim como Olmo, Rodri e até o próprio guarda-redes. Os espanhóis têm muita confiança em si próprios e no seu modelo, além de uma enorme garra. Até jogadores como Carvajal e Cucurella que não são particularmente dotados tecnicamente conseguem ter um rendimento ao mais alto nível. Os jogadores espanhóis raramente falham e têm uma mentalidade muito forte. Merecem por isso inteiramente este título.

 

Argentina vence terceira competição seguida

Quanto à Copa América, há a ideia de que o nível de exigência é menor nas competições americanas, mas os factos não consubstanciam essa percepção. Em primeiro lugar a Argentina é campeã do mundo, o que desmente logo a tese à partida. Em 22 edições, os europeus ganharam 12 vezes e os sul-americanos 10. Depois, no que diz respeito a Portugal, temos um saldo exatamente nulo em mundiais contra equipas do continente americano: 2 vitórias, 2 empates, 2 derrotas - Brasil (vitória em 1966, empate em 2010), Uruguai (derrota em 2018, vitória em 2022), EUA (derrota em 2002, empate em 2014).

Seja como for, a Argentina renovou a sua vitória na Copa, apesar de ter vários jogadores em fim de carreira: Messi, Di Maria, o próprio Otamendi. Messi saiu mesmo lesionado na final e Di Maria acabou o jogo esgotado. Ambos foram ovacionados por todos os adeptos argentinos aquando das substituições. A Argentina venceu com esforço, mas bem, apesar da réplica forte da Colômbia. O Brasil não foi uma grande desilusão porque não havia ilusão: chegou em péssimo momento e confirmou as piores expectativas.

 

Fim de ciclo

 A vitória da Argentina não coloca um ponto final na rivalidade Messi-Ronaldo porque ela já tinha sido terminada em 2022. Infelizmente aí ficou claro de vez algo que há muito já se vinha vendo: Messi é um jogador de equipa que aparece nos grandes momentos, ao passo que Ronaldo é um jogador individualista que nas fases a eliminar não consegue aparecer. A saída do Manchester foi um momento decisivo porque definiu um caminho que depois já não teve retorno, o caminho do ego. O Mundial logo a seguir traduziu-se num enorme fracasso e sobre o Europeu já não vale a pena falar. As carreiras de ambos estão agora para todos os efeitos terminadas e claro que deixarão uma herança tremenda e o futebol não será o mesmo sem eles. Quanto a Di Maria parece que ainda jogará mais uma época no Benfica. Que os adeptos saibam apreciar o terem uma lenda a jogar no nosso futebol e no nosso clube.


Melhores do Mundo... sem ganharem nada


A este propósito, não posso deixar de criticar o provincianismo da maioria dos comentadores portugueses. Eles são realmente paroquiais e parece que não têm televisões em casa. Primeiro, durante anos, eles, todos os nossos jogadores e treinadores insistiam em que Ronaldo era "o melhor do mundo", quando de facto não era. Depois era Félix que o seria também, e agora Vitinha já é "um dos melhores do mundo", ao passo que Diogo Costa é "o melhor guarda redes do mundo". 

Não me levem a mal, não quero deitar abaixo o jogador português que tem imensa qualidade, mas já em 2019 o treinador do Dinamo de Zagrebe disse que "se Dani Olmo jogasse no Benfica valia tanto como João Félix". E agora está à vista que não apenas tinha razão como Olmo está a ter uma carreira muitíssimo melhor que Félix que saiu demasiado cedo com essas fantasias de ser o melhor do mundo. Quanto a Vitinha, é um bom jogador, mas para um médio naquela posição tinha de marcar mais golos e fazer mais assistências para estar num nível superlativo. E quanto a Diogo Costa, tenham dó! É um guarda-redes promissor, com algumas qualidades. Mas o que é que ele já ganhou? Para ser o melhor do mundo basta um qualquer comentador o dizer num programa de televisão? Mas que falta de noção!! Olhem para o currículo de Courtois, Emiliano Martinez, Neuer, Alisson Beker, Ter Stegen, Éderson, para já nem falar de Oblak e tantos outros...

domingo, 7 de julho de 2024

Uma seleção sacrificada a um ego

 O desfecho do jogo com a França foi o que esperava, embora Portugal até me tenha surpreendido. Pensei que perderíamos logo nos 90 minutos. Não porque não tivessemos equipa para ombrear com a França, mas porque jogaríamos com um avançado que não corre, não se desmarca, não pressiona e nem sequer tem já capacidade para finalizar.

É tudo demasiado evidente: Ronaldo não tem lugar a este nível mas a sua presença traz publicidade e consequentemente muito dinheiro que vai reverter para a Federação. Quando Martinez foi contratado, foi-lhe certamente dito que Ronaldo teria lugar cativo. É impensável que o seleccionador tenha ido à Arábia por sua alta recreação. Foi a Federação que lhe disse para ir.

O futebol há muito que não é sobretudo paixão, mas sim negócio. Mais recentemente ficámos a saber que o próprio sucesso desportivo é secundário face ao dinheiro.

Ronaldo, futebolisticamente falando, só não foi uma absoluta nulidade porque fez uma (boa) assistência para Bruno Fernandes. Mas para esse bom momento acontecer, vários maus e péssimos tiveram igualmente lugar. Ronaldo não se limitou a ser uma nulidade, foi um corpo estranho que prejudicou a equipa e tirou lugar a outros que claramente pior não fariam.

Ouvi ontem Miguel Henrique dizer que "Ronaldo continua a ser o nosso melhor finalizador". Ele realmente finaliza as jogadas, mas é matando-as, não colocando a bola dentro da baliza. MH representa aqui quase todos os comentadores cuja falta de coragem para apontar o óbvio roçou o repulsivo.

Ronaldo deu muito à seleção e ao país, pelo que vou terminar a minha apreciação por aqui. A única coisa que resta dizer é que realmente o ego é algo que nos pode levar ao sucesso mas que se não é controlado conduz à queda e ao ridículo.

Esta seleção poderia ter ido mais longe. Merecíamos pelo menos a oportunidade de disputar com a Espanha o acesso à final. Mas tudo foi sacrificado ao ego desmedido e ao narcisismo de um outrora grande jogador que não soube sair a tempo.


Cristiano Ronaldo: Portugal forward on brink of more international history  - BBC Sport

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Isto é verdade, Rui Costa?

https://desporto.sapo.pt/atualidade/artigos/mp-suspeita-que-rui-costa-paulo-goncalves-lf-vieira-e-soares-de-oliveira-criaram-plano-para-desviar-fundos-da-benfica-sad

https://observador.pt/especiais/vieira-rui-costa-paulo-goncalves-e-soares-oliveira-suspeitos-de-criarem-plano-para-desviar-fundos-da-benfica-sad/

 Não me refiro à veracidade da acusação. Refiro-me à sua mera existência.

Rui Costa pode dizer que não sabia (e provavelmente naqueles primeiros anos na SAD passava-lhe muita coisa ao lado), mas um presidente do Benfica não pode ter uma acusação destas a impender sobre si. 

Estes últimos anos têm sido maus demais. Já tenho dito que o Benfica precisa de uma limpeza. Neste momento já é quase uma refundação.

E ainda vejo benfiquistas a "celebrar" que não houve acusação de corrupção... Os padrões estão mesmo baixos.




quinta-feira, 9 de maio de 2024

Leverkusen recusa-se a perder

 Já não há palavras para a época que o Bayer Leverkusen está a fazer: campeão alemão com várias jornadas por disputar, finalista da Taça da Alemanha e agora finalista da Liga Europa, sem ter perdido uma única vez esta época!

Talvez ainda mais espantoso do que isto, é que o Leverkusen já por várias vezes esteve a perder até aos últimos minutos e depois deu a volta. Não consigo precisar quantas vezes isto aconteceu mas se disser 10 provavelmente não estarei a exagerar. O caso mais recente é o da Liga Europa: a perder por 0-2 até aos 82 minutos, marca nesse minuto e depois aos 90+7, mantendo a invencibilidade. O apuramento já estava garantido com o 1-2, o 2-2 permitiu manter a invencibilidade. E sabemos quão importantes são essses aspectos para a moral das equipas e para não quebrar o ciclo vitorioso. 

Vamos ver se conseguirão manter o registo até ao fim da época, o que significaria mais 2 troféus para a equipa de Alonso e Grimaldo ou se a desilusão chegará mesmo ao cair do pano. Seja como fôr, a conquista do campeonato alemão representa um feito inédito. Deixa de ser o clube do quase, o Neverkusen.

Nesta altura são os adversários quem ficam com a sensação do quase. Resta saber se os farmacêuticos lhes oferecem algumas caixas de aspirina no fim dos jogos.

Asi gana el Madrid

 Com mais ou menos golo nos últimos minutos, mais ou menos polémica arbitral, o Real Madrid está, como era esperado, em mais uma final da Champions. É incrível o poderio deste colosso. 

15ª a caminho... E para o ano ainda devem ter M'bapé...


Já agora, o Olympiacos, com David Carmo, Podence e Chiquinho (sim, o do Benfica) no 11 e João Carvalho no banco (da nossa formação) está a caminho da final da Liga Conferência, levando no momento em que escrevo uma vantagem de 3 golos sobre o Aston Villa (que é treinado pelo consagradíssimo e especialista em Liga Europa Unai Emery). Uma grande surpresa e um grande feito para os gregos.