quarta-feira, 15 de julho de 2026

O "favoritismo" de Portugal e a realidade de Espanha

Antes do campeonato do mundo começar e mesmo após os primeiros jogos, uma série de equipas são apresentadas como favoritas e mais ainda como candidatas a vencer.

Em Portugal perguntava-se insistentemente ao selecionador se éramos favoritos e proclamava-se aos quatro ventos que tínhamos os melhores do mundo. Humildade? Para quê? 

Sinceramente acho esse tipo de discurso um sintoma de provincianismo. Não se ganha por se dizer que somos favoritos e os melhores. Em geral é até o contrário. E isso dos melhores é ilusório. Nuno Mendes está certamente entre os melhores laterais, mas tem problemas com lesões. Diogo Costa fez até um excelente campeonato, mas há muitos outros, desde Bono a Martinez, etc.

Seja como for, é dentro de campo e não em conferências de imprensa que as coisas se resolvem. Os candidatos e os favoritos vão sendo eliminados até ficarem só dois e mesmo desses apenas um sairá a sorrir Domingo à tarde em Nova Iorque.

No início todos podem sonhar: até os norte americanos, os mexicanos e os próprios canadianos acreditavam que podiam ir até ao fim. Mas à medida que a competição avança a realidade instala-se.

Desde o início que Espanha, França e Argentina me pareceram as seleções mais fortes. Chegaram as três às meias finais. Praticamente não houve surpresas, excepto a eliminação da Alemanha com o Paraguai.

França era considerada a seleção mais forte, mas Espanha vulgarizou-a por completo. O jogo colectivo da Espanha, a sua posse de bola e controlo dos jogos e a capacidade técnica dos seus jogadores estão numa classe à parte, extraordinária. Mas ainda falta um jogo. 

França por seu turno foi um conjunto de jogadores sem ligação entre si. Não esteve à altura da exigência e não teve liderança em campo. 

Quanto à Argentina, não enfrentou nenhuma selecção de topo até ao momento. Poderia ter jogado com Portugal nos quartos, se tivéssemos feito o nosso trabalho. (E se calhar estaria aqui a escrever agora sobre mais uma meia final de um mundial Portugal - Inglaterra, 60 anos depois.) A Argentina não apenas não enfrentou nenhum desafio de dificuldade elevada como teve demasiadas dificuldades para  eliminar seleções banais. Depende demasiado de Messi. Pode ser que se transfigurem, mas seria uma enorme surpresa para mim se viessem a ser campeões do mundo novamente.

Inglaterra tem vindo a bater à porta do título nos últimos torneios, mas há sempre qualquer coisa que falta. Vejo qualidade, como é óbvio, vejo espírito de sacrifício (que não se via antes), mas não vejo ainda uma equipa ao nível da Espanha. Dito isto, e como é evidente, surpresas podem acontecer quando o vencedor se decide num só jogo. E quem o ganhar será um campeão do mundo justo, porque, ao contrário de todos os outros favoritos e candidatos, ganhou o direito de estar nesse jogo. 

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Escandaloso - este Mundial foi uma completa perda de tempo"

 Sinceramente, não estou desiludido. Aconteceu exactamente o que era de prever. Aconteceu o que eu previ. 

Ronaldo foi decisivo pela negativa, ao retirar por completo qualquer possibilidade de Portugal ir longe neste Mundial.

O mundo futebolístico inteiro, excluindo os fan boys, os fanáticos do culto da personalidade, percebe que Ronaldo foi um peso que Portugal arrastou neste Mundial e que uma geração de grandes jogadores foi sacrificada a um ego em busca de objetivos individuais.

Claro que Proença é um dos grandes culpados, claro que Martinez tem imensas responsabilidades. Um olhou para a marca e o dinheiro que Ronaldo trás (trouxe até hoje, porque agora acabou), o outro olhou para o seu próprio lugar e não se quis meter em trabalhos. Mas sabendo-se que Ronaldo é, enquanto figura global, alguém cuja dimensão não pode sequer ser comparada a nenhum deles, é em Ronaldo que eu coloco a principal dose de culpa.

Ele quis usar a seleção para atingir recordes (não alcançou nestes jogos nenhum relevante) e marcas pessoais. Se fosse sério e humilde ele próprio não se sentiria bem em arrastar-se em campo quando Gonçalo Ramos estava a criar bolor no banco de suplentes.

Vergonhoso que Martinez nem sequer tenha levado Gonçalo para o jogo. 

Ronaldo há muitos anos que não faz nada. Em seis mundiais marcou... UM golo nos jogos a eliminar, de PENALTY. O problema foi ter marcado na Liga das Nações, o que levou algumas pessoas a acreditar que ele ainda poderia ser útil neste Mundial. 

E até poderia! Mas a vir do banco! A jogar 20, 30 minutos. Nunca, mas mesmo nunca, a jogar 90 minutos uns atrás dos outros. Mas o seu ego e a falta de coragem de quem deveria liderar fizeram com que Portugal hipotecasse por completo quaisquer hipóteses de ir mais longe. 

A frase do título é de um comentador da BBC. Poderia ter escolhido outras. Todos os apreciadores de futebol autênticos espalhados pelo mundo estão indignados que uma seleção desta qualidade tenha sido colocada ao serviço de um ego a quem ninguém foi capaz de dizer não. 



quarta-feira, 24 de junho de 2026

O positivo e o negativo

 Agora já quase ninguém usa máquinas analógicas, mas antes dos anos 90 eram as únicas que existiam. Tinham um rolo fotográfico que depois de terminado se levava a uma casa ou estúdio de fotografia para revelar. O primeiro passo era a impressão do negativo. Aí as cores estavam invertidas, sobretudo os claros e os escuros.

No primeiro jogo de Portugal vimos uma imagem. No segundo vimos uma imagem invertida. Um foi praticamente negativo do princípio ao fim, com a excepção do grande golo de João Neves. O outro pareceu um mar de rosas. Mas não foi. 

Como de certo modo antecipei, Ronaldo marcou dois golos. 

O positivo: foram dois belíssimos golos, duas finalizações clínicas; a seleção marcou 5 golos, Bruno Fernandes divertiu-se em campo e perfumou o nosso futebol; Rúben Dias voltou; Rafael Leão marcou. 

O negativo: o nosso meio campo continuou a não carburar e não ser capaz de controlar a posse e o ritmo do jogo; Vitinha teve mais uma exibição apagada; permitimos transições fáceis ao Uzbequistão que não resultaram em golos ou oportunidades flagrantes por manifestas limitações do adversário; Bernardo Silva parece alheado do jogo. 

O factual: o Uzbequistão pertence à terceira divisão do futebol mundial; Ronaldo tem 41 anos e jogou os 90 minutos mais descontos; Gonçalo Ramos não saiu do banco; a Colômbia chega ao jogo com Portugal em primeiro lugar no grupo e a precisar apenas de um empate. 

A incógnita: estamos a melhorar e evoluir ou o adversário foi tão vulgar que as nossas qualidades tiveram todas condições para se expressar e as nossas carências praticamente não foram expostas?

Portugal está muito perto do apuramento, mas não é de todo certo que passe em primeiro. Só o conseguirá se vencer a Colômbia e para tal terá de jogar muito mais. Esse jogo vai mostrar se há uma evolução ou se a vitória sobre o Uzbequistão (absolutamente obrigatória, qualquer outro resultado seria inadmissível e deixáva-nos perto da eliminação) foi um pequeno oásis num deserto. 

Acredito que somos capazes de muito mais e melhor, mas insisto que no futebol altamente competitivo de elite, onde as diferenças são mínimas, não é possível ter um jogador que não defende e não pressiona. Ronaldo mostrou que ainda é capaz de finalizar com qualidade (teve espaço e tempo que provavelmente outras seleções não concederiam), mas também que dura apenas meia parte a alta intensidade. Deveria começar o jogo no banco mas sabemos que não é isso que acontecerá. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ronaldo: penoso, embaraçoso, a forma errada de sair.

Pessoas com personalidade muito forte e um grande ego tendem a rodear-se de pessoas com fraca personalidade que se limitam a dizer-lhes que sim e a alimentar-lhes o ego. Uma espécie de côrte. Aos poucos os egomaníacos perdem o contacto com a própria realidade.

Ronaldo é uma pessoa com uma forte personalidade e um grande ego. Evidentemente tem qualidades superlativas seja ao nível psicológico, seja ao nível futebolístico que lhe permitiram ser uma das pessoas mais idolatradas do mundo. Mas o ego tem uma dimensão destrutiva e levou-o a pensou que era imune ao passar do tempo. 

Depois, demasiadas pessoas alimentaram essa fantasia, incluindo todos os média, por exemplo ao dizer que a idade biológica dele era de vinte e tal anos. Certamente Ronaldo tem muito mais força e velocidade do que muitos de 30 e até de 20. No entanto Ronaldo não está a jogar com pessoas comuns, está a jogar contra adversários que são também atletas profissionais. Além disso, a sua idade biológica é de 41 anos, nenhuma outra. E acresce ainda que na fase final da sua carreira ele se focou apenas no aspecto físico e atlético, pelo que quando estes declinam brutalmente a sua performance tem o abaixamento correspondente.

Não é por acaso que Ronaldo tem zero golos nos últimos 10 jogos em fases finais e que o golo antes disso foi  contra o Gana e de penalty. O problema não vem do jogo com a RD Congo, vem de há muitos anos. Ronaldo teve uma boa Liga das Nações numa carreira cujo declínio era já mais do que evidente e devia ter aproveitado para sair aí, em grande.


***

Quando vi Messi no último jogo não queria acreditar. E imediatamente percebi que aquilo iria afectar seriamente Ronaldo. Este, para além de muito competitivo, o que é saudável, tem uma rivalidade com Messi conhecida, que teve vários episódios. O ego de Ronaldo tem muita dificuldade em aceitar que no fim Messi ganha essa competição particular por goleada. Muitos portugueses também têm. Mas é a realidade pura e dura.

Ronaldo foi um jogador de eleição. Um dos melhores de sempre. Agora é um jogador banal. E ambas continuarão a ser verdade, quer marque um ou mais golos ao Uzbequistão (uma seleção que não deveria estar numa competição destas) quer continue a jogar a titular até ao fim do mundial com exibições semelhantes à de ontem.

A questão que agora se coloca é o que fará Martinez, se é que é ele quem toma as decisões. Continuará Portugal a jogar com um avançado que é incapaz de pressionar, incapaz de contribuir com algo de positivo para o jogo colectivo e quase inofensivo no ataque, ou haverá suficiente bom senso, do próprio ou de alguém que tenha a coragem de liderar, e Ronaldo passa a sentar-se no banco? Paradoxalmente, é a partir do banco que Ronaldo ainda poderá ter algum impacto positivo no jogo: em situações de desespero e com o jogo já numa fase avançada, contra defesas sob pressão e já desgastadas pelo cansaço, Ronaldo pode ser perigoso, sobretudo se não for egoísta e colocar os interesses da equipa acima de objetivos individualistas.

Isto tudo é demasiado óbvio para passar despercebido a quem tem responsabilidades na seleção. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Macaco ou filhos da put4?

 Aqui há umas semanas o mundo inteiro ficou em estado de choque porque um jogador supostamente chamou macaco a Vinícius. Uma palavra que só o ofendido e Mbapé ouviram. O jogo foi interrompido e poderia até ter sido cancelado. Prestiani foi suspenso e o Benfica pode vir a ser gravemente punido. 

Ontem, durante um minuto de silêncio em homenagem a um dos maiores escritores portugueses do último século, milhares de adeptos cantaram em uníssono: "filhos da puta". Não li nem ouvi um único reparo nos media. 

Siga, mais um dia no escritório. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Valerá a pena continuar a ver futebol?

A dualidade de critérios, os "erros" óbvios, as injustiças gritantes começam a ser ocorrências demasiado frequentes no futebol para quem preza o desporto limpo.

A dada altura, pergunto-me, de forma sincera, se vale a pena continuar a ver futebol. 

O problema nem sequer é exclusivo de Portugal: o mundo inteiro pôde ver o que se passou na primeira mão da eliminatória Benfica-Real Madrid. Há alguma dúvida de que foi uma arbitragem encomendada? Em cima disso e para deitar sal na ferida, a UEFA castiga Prestiani sem provas e sem o processo estar concluído e absolve Valverde apesar das provas irrefutáveis. 

Hoje no Porto, uma equipa de batoteiros, na qual o guarda redes finge lesões para terem descontos de tempo, os jogadores de campo fazem anti jogo na sua própria casa contra equipas pequenas e os apanha bolas roubam toalhas e bolas, teve direito a dois pontos oferecidos de mão beijada pelo árbitro. O VAR, com todas as imagens disponíveis, consegue não intervir. E a posteriori vêm os porcos, sim, porcos, dizer que o VAR "não pode intervir porque não é um lance claro e óbvio".

Portanto, para que todos entendamos bem o que está a acontecer: O VAR pode intervir num lance no mínimo duvidoso a meio campo, muito antes do golo (Carreras, final da Taça, golo do Bruma que nos dava a vitória), mas não pode intervir num penálti que não é 😄🤡.

O que é que se pode dizer mais? Vale a pena? 

Isto para já nem falar das mãos que umas vezes são penalti e outras não, conforme convém e conforme a equipa. 

Isto é uma palhaçada e mete nojo a qualquer pessoa decente. 

Para os doentes, pelo contrário, está bom. 

Está a decorrer o Torneio das 6 Nações (antigamente 5 Nações) e eu tenho visto alguns jogos. Apesar de também haver VAR ele é usado apenas para esclarecer situações factuais (se a bola tocou ou não no chão para lá da linha de ensaio ou se um jogador agrediu outro). Não há estas polémicas, não há estas decisões escandalosas, não há vergonhas de árbitros a decidirem jogos. O jogo é mais lento e menos dinâmico do que o futebol, mas há mais hombridade, lealdade e desportivismo. No final do jogo todos aceitam o resultado e raramente alguém sai com a sensação de que foi roubado. É um contraste enorme para com o futebol. 

Também não creio que os órgãos dirigentes sejam tão corruptos, possivelmente também porque os valores financeiros em causa são muito inferiores. Mas isso não é uma desvantagem, pelo contrário: o desporto não é, não deve ser regido pela ganância e a cupidez, mas sim por valores. 

Sinceramente tenho cada vez mais dúvidas de que o futebol mereça o meu tempo. 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Foram homens

 Os jogadores do Benfica fizeram um jogo digno. O golo do empate ditou o desfecho da eliminatória. Caso tivéssemos mantido a vantagem naquela altura acredito que poderíamos ter ferido o Real de outra forma. Não foi assim. Mas perder 2-1 em Madrid não é uma vergonha para ninguém nem um resultado anormal de mau, seja para quem for. Acresce que o Real não estava a jogar a feijões nem ia ser surpreendido de novo. Ou seja, o Real jogou no máximo em matéria de foco no jogo e níveis de concentração. 

Não tenho dúvidas de que depois do que aconteceu em Lisboa eles teriam gostado de nos vergar e humilhar, mas simplesmente não apenas não o conseguiram, como pelo contrário se viram obrigados a defender, nalguns casos com todos os homens atrás da bola.

Perdemos, é um facto, mas no futebol isso pode acontecer mesmo quando uma equipa joga mais do que outra, sobretudo quando a outra é um colosso europeu. 

Está-se a construir algo no Benfica. Nos últimos anos tivemos alguns grandes momentos, mas nunca senti consistência ou sustentabilidade. Neste momento vejo uma progressão, tenho confiança na equipa, na sua capacidade. Faltam algumas coisas, porque não conseguimos ser letais no ataque e por vezes temos até dificuldade em criar oportunidades contra equipas muito fechadas na defesa. Mas há uma melhoria gradual e visível. Agora há que prosseguir neste caminho, mesmo que este ano não traga nenhum título. Há que continuar o trabalho e reforçar a equipa com os jogadores que são necessários e não com "oportunidades de negócio". Esta é a minha convicção. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Uma derrota e uma polémica

 O Benfica perdeu, mas competiu contra o Real Madrid, num jogo em que a arbitragem foi mais importante do que o factor casa, prejudicando gravemente o Benfica numa série de decisões escandalosas e inexplicáveis. Pelo menos dois jogadores do Real Madrid deveriam ter sido expulsos (segundo amarelo a Vinícius e vermelho directo a Valverde) e outros amarelados logo na primeira parte. Foi uma arbitragem à la Madrid. Muitos espanhóis e amantes de futebol de outros países assinalaram veementemente nas redes sociais a pouca vergonha de decisões que só se podem explicar pelo peso do Real Madrid.

Quanto ao jogo: boa entrada do Benfica no jogo, alguns períodos de domínio, mas um fim de primeira parte com o Real Madrid a sufocar e a merecer a vantagem que acabou por chegar apenas na segunda, com um grande golo de Vinícius. 

Depois disso foi o que se sabe: uma dança de mau gosto, para não dizer obscena, do jogador brasileiro, talvez explicável por ser Carnaval. O problema é que, não contente com isso, Vinícius ainda se pôs a levantar os braços para os adeptos e aí o caldo entornou. Os jogadores do Benfica não gostaram e no meio das picardias Prestiani chamou ao brasileiro ou mono (macaco em espanhol) ou maricon.

Bonito? Naturalmente que não. Mas Mourinho tem razão: há casos com Vinícius em todo o lado (faltou dizer que Prestiani também se envolve em bem mais do que deveria).

Vi no comentário internacional Seedorf e outros dizerem que respeitam Mourinho mas que ele "culpou a vítima".

Sobre isto apenas duas ou três notas. 

Primeiro, vítima de quê? Foi morto? Agredido? Sou eu que estou a ver mal ou Vinícius é um milionário pago para jogar à bola que ganha mais num mês do que a maioria da população mundial em toda a vida e que é idolatrado por milhões? Se ele é uma vítima o que são aqueles que acordam todos os dias de madrugada para trabalhos muitas vezes duros e arriscados, por vezes mal tratados pelos patrões para chegar ao fim do mês e ganhar ordenados mínimos? 

Vinícius foi "vítima" de um alegado insulto racista depois de provocar os adeptos e de se envolver em provocações com os jogadores do Benfica. Ou ele estaria a declamar poesia a Prestiani e elogiar o seu talento futebolístico quando aquilo aconteceu?

Eu sei que esta visão das coisas não é politicamente correcta, mas que insultos é que são aceitáveis? Filho da p... pode-se? 

Volto a dizer, se Prestiani chamou mono, não é bonito e deve ser reprovado, mas sinceramente não consigo achar que isso seja o fim do mundo ou sequer que justifique o jogo estar parado mais de 10 minutos. Se o chamasse de forma evidente, em frente de toda a gente e o árbitro nada fizesse, eu entendia a reação. Assim, não tendo o árbitro ouvido e não podendo obviamente fazer nada porque não há provas, acho que tudo isto não passa de folclore.

O episódio marcou negativamente o jogo e pouco mais futebol houve depois disso. 

O Benfica teve muitas dificuldades em criar verdadeiras situações de perigo. O Real estava já acautelado e preparou bem um jogo em que contou com todos os "pesos pesados" com excepção de Bellingham. Os seus jogadores puderam além disso ultrapassar impunemente os limites da agressividade. Sinceramente dá que pensar se, depois de uma arbitragem "simpática" para o Benfica no jogo anterior, o que aconteceu esta terça-feira no Estádio da Luz não foi premeditado.

O jogo da segunda mão em Madrid será jogado com muita carga emocional. Precisaremos de 11 guerreiros em campo. As chances do Benfica passar são baixíssimas, mas dê por onde der há uma história, uma imagem e um prestígio a defender. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Os mouros, os marroquinos (FC Porto)

 Durante muito tempo os portistas chamaram aos benfiquistas mouros e marroquinos. Até já escrevi aqui sobre o assunto há vários anos. Mas é chegado o momento de regressar ao assunto face ao que aconteceu no último clássico Porto-Sporting.

Poderia focar-me no facto de que chamar "mouros" e "marroquinos" como forma de insulto nos dias que correm seria visto como racismo, xenofobia e islamofobia. Mas não é por aí que vou.

O que pretendo demonstrar é que se há alguém que merece ser assim chamado são os próprios portistas - e que eles devem até abraçar e acarinhar essa afinidade com os nossos vizinhos do sul. 

Com efeito, na última CAN, decorrida em Marrocos, ficaram famosas as imagens dos apanha bolas a roubar toalhas. Foi algo de insólito, inusitado, original, nunca visto. 

Foi dito que uma coisa destas só poderia acontecer em África (neste caso foi no norte de África, no Magrebe, Marrocos). 

Mas afinal havia alguém que estava à espreita, alguém que se inspira e olha para Marrocos como um exemplo. 

Esse alguém é o Futebol Clube do Porto, os seus adeptos e dirigentes e o seu dirigente máximo André Villas Boas. Os portistas devem a partir de agora sentir-se orgulhosos de ser chamados marroquinos e Villas Boas o maior marroquino de Portugal.

Dizia o outro: "somos Porto". Podem agora passar a dizer "somos Marrocos". 

Podemos ainda ser campeões?

 O Benfica recuperou alguns pontos e está a uma distância recuperável do primeiro lugar, tanto mais que o Porto dá sinais de fraqueza. No entanto ainda tem o Sporting à frente e tem de ir a Alvalade, jogo que nos últimos anos tem sido muito difícil.

Esta é a resposta rápida. 

Uma resposta mais completa requer uma análise acerca do momento da equipa. O Benfica tem tido altos e baixos. Teve enormes jogos como contra o Real Madrid, o Nápoles, ou a segunda parte em Guimarães. Jogos em que foi competente sem ser brilhante, como contra o Porto ou jogos que ganhou como se exigia (por exemplo este último contra o Santa Clara). 

Aquilo que esperamos de uma equipa de Mourinho é consistência defensiva e eficácia no ataque. Não esperamos um futebol de ataque ultra dinâmico e vistoso, como o do melhor Jorge Jesus, ou um futebol de refinada posse de bola, como o de Guardiola (com plantéis do melhor que há, diga-se).

O padrão de Mourinho são equipas altamente competentes, competitivas e rigorosas tacticamente. 

Sob esse ponto de vista parecem existir melhorias, é um facto. Há uma trajectória ascendente. O problema até agora tem sido que nalguns jogos voltamos aos maus hábitos e erros do passado. É verdade que os árbitros têm prejudicado o Benfica, o que não é uma novidade. Mas também é verdade que por vezes a equipa joga de forma demasiado lenta, passiva e previsível. Se o Benfica mostrasse nos jogos do campeonato níveis de agressividade não digo idênticos mas semelhantes aos que exibiu contra o Real Madrid, no final da primeira parte a maioria dos jogos estaria resolvida.

Outro aspecto que não me deixa tranquilo é a permeabilidade da defesa (ontem nos Açores foi Trubin). Claro que as equipas sofrem golos de vez em quando, mas sofrer contra Alverca e Santa Clara é algo que não deveria acontecer e que preocupa, sobretudo porque normalmente também não marcamos muitos.

Não sei qual exactamente é a razão - poderá ser a própria intranquilidade ou pressão de saber que estamos atrás e não temos margem de erro - mas há que melhorar.

Vem agora aí a eliminatória do Real Madrid e naturalmente que não se poderão cometer os mesmos erros ou exibir a mesma passividade, tanto mais que o Real desta vez já está de sobreaviso, sob pena de estragar a excelente imagem que deixámos no último jogo da fase regular e cair em novo período de descrença. 

Em suma, as hipóteses de chegar ao primeiro lugar ainda existem, a oportunidade está lá, mas não há margem para erros. Teríamos basicamente de ganhar quase todos os jogos até ao final do campeonato, para o que há que ser mais seguros na defesa e letais no ataque. Há regressos de lesionados que são encorajadores, veremos o que poderão dar ainda esta época. 

Olhando para o futebol internacional, queria também comentar brevemente o despedimento de Amorim e a enorme melhoria do United desde então. Com Carrick no comando a equipa venceu City, Arsenal, Fulham e Tottenham, jogando bem, num contraste brutal face às exibições e resultados deprimentes com Amorim ao comando.

Aquando da chegada do treinador português imediatamente um jornalista inglês cujo nome não me recordo afirmou que Amorim não teria sucesso porque o seu sistema de jogo não se adaptava a Inglaterra. Apenas Conte numa época conseguira successo com o Chelsea a jogar com aquele sistema. O problema nem era exactamente os três defesas. O problema era sobretudo jogar com dois homens no miolo quando a maioria das equipas joga com três. Eu escrevi aqui que uma dupla de meio campo com Bruno e Casemiro só por milagre funcionaria. Com Carrick, Casemiro passou a ter Mainoo ao lado e Bruno Fernandes passou a jogar mais à frente, como um 10. A diferença é da noite para o dia.

Amorim foi teimoso e ser teimoso quando se está constantemente a bater contra uma parede não é inteligente. Nesse aspecto Mourinho tem mostrado a capacidade de mudar o que não está bem e não insistir em erros. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Histórico, épico, inesquecível

É disto que os sonhos são feitos. 

Se fosse um filme acharíamos exagerado, pouco credível.

Com a noite já a avançar a algum cansaço a instalar-se, questionei-me sobre se estava acordado ou num sonho. 

Sim, é apenas futebol, já sabemos. E a única coisa que alcançámos foi um playoff contra o mesmo Real Madrid ou um também poderoso Inter. Mas ao mesmo tempo a forma como as emoções das pessoas são tocadas faz com que momentos como este tenham um valor próprio, independentemente de serem apenas isto ou aquilo. 

A vida são memórias, momentos. E momentos como os que aconteceram ontem no Estádio da Luz não há todos os dias. 

O que Trubin ontem fez ficará para a história do futebol por muitos e muitos anos. 

As reações por todo o mundo foram incríveis.

A forma como tudo aconteceu (Mourinho e Trubin a pensarem que estávamos qualificados e a perder tempo e querer fechar o jogo, as bancadas quase desesperadas a pedir "só mais um" e que a bola chegasse ao ataque rapidamente, o livre, a subida de Trubin por indicação de Mourinho, a celebração deste com o apanha bolas, a entrada dos jogadores suplentes e mais não sei quantas pessoas em campo) foi quase surreal.

Há que saborear, claro. Merecemo-lo. 

Mas amanhã haverá que voltar novamente à realidade.

Tenho estado ocupado com múltiplas outras tarefas mas escreverei muito em breve mais sobre o jogo e sobre o momento do Benfica, inclusivamente com um balanço dos últimos meses. 

sábado, 22 de novembro de 2025

O dilema do Benfica

 Depois de algumas exibições menos conseguidas e uma derrota escandalosa com o Qarabag, Rui Costa viu-se em apuros, atendendo a que as eleições estavam à porta. Foi pelo caminho do costume, o de despedir o treinador (possivelmente após "sentir o balneário" também). Com duas apostas erradas em dois anos seguidos, Rui Costa pensou que não podia falhar de novo e foi buscar o treinador português com maior nome e currículo da história. A oportunidade estava alí (se calhar tinha sido alimentada) e matavam-se dois coelhos de uma cajadada.

Nas eleições os sócios optaram pela continuidade, mas pesaram igualmente dois outros factores: Mourinho e a falta de alternativa. Em relação ao segundo factor, estou à vontade: por diversas razões que não importa aqui enumerar, Noronha Lopes contaria com o meu apoio "natural". Mas a verdade é que a sua campanha foi uma completa desilusão a vários níveis. Para começar. não mostrou a liderança necessária para presidir a uma instituição como o Benfica. Mas além disso apresentou Nuno Gomes como figura de destaque da estrutura do futebol do Benfica. Ora, qualquer pessoa minimamente atenta, por muito que possa gostar de Nuno Gomes, percebe que ele não tem o perfil, a personalidade ou os conhecimentos para desempenhar um tal papel. 

Por isso entendo a decisão dos sócios: Rui Costa entrou num período conturbado, é benfiquista de coração, após 4 anos tem mais experiência, foi buscar Mourinho, não existe uma alternativa verdadeiramente consistente, nos debates foi mais presidenciável, vamos-lhe dar um mandato claro para poder ter uma presidência forte nos próximos 4 anos.

O problema é que a dinâmica que se pretendia criar foi imediatamente arruinada com uma derrota com o Leverkussen e um empate com o Casa Pia. Ambos os jogos em casa.

A esperança dos benfiquistas em Mourinho é a mesma que a minha (que fui no passado extremamente crítico do setubalense e cheguei mesmo aqui a escrever, noutra altura, contra a sua vinda): a de que alguém que tem tanta experiência no futebol mundial e tantos títulos seja capaz de colocar o Benfica num patamar superior. Claramente Mourinho sabe mais de futebol a dormir do que eu acordado. Acreditei (acreditámos todos) que o evidente declínio na sua carreira, não fosse tão acentuado que o impedisse de fazer um bom trabalho no Benfica e, mais até do que isso, que o Benfica pudesse mesmo marcar um ponto de viragem para um novo possível ciclo vitorioso. 

Agora a questão que se coloca é se prevalecerá esse cenário (que faz sentido) ou se pelo contrário se confirmará um declínio irreversível e, neste caso, mesmo a última oportunidade de Mourinho de treinar um grande clube (ele próprio em decadência - há já muitos anos, para não dizer décadas) e ter sucesso. Para já os sinais vão no sentido da segunda possibilidade.

O dilema que se coloca a Rui Costa é quanto tempo deverá dar a Mourinho para poder dar à volta à situação. Sejamos honestos: esta época está perto de estar perdida. A qualificação na Champions é uma mera ilusão e o campeonato também começa a ficar muito difícil. Mas mais ainda do que isso, a qualidade de jogo do Benfica é menos do que sofrível. Diz-se que os jogadores não prestam, que o plantel é desequilibrado. Quando chegou ao Benfica Jorge Jesus disse que ia colocar os jogadores a jogar o dobro. E conseguiu talvez mais do que isso. Neste momento Mourinho colocou os jogadores a jogar metade do que fizeram com Lage.

Note-se que não estou a proferir um juízo definitivo. Ainda quero acreditar no primeiro cenário. Mourinho merece respeito, mais que não seja pelo currículo.

Em Inglaterra Amorim fez uma primeira época (incompleta) absolutamente atroz no United, começou pessimamente a segunda época e teve recentemente o apoio do principal diretor do clube, após o que a coisa melhorou e poderá ter começado a encarrilar.

A minha perspectiva é de que este é o ano zero de Mourinho e lhe deve ser dada tolerância (não se criando a instabilidade do costume no Benfica). Mas para isso os sócios terão de ser bastante pacientes. 

Se as coisas começarem a derivar muito, se o Benfica perder, em breve, a possibilidade de disputar o título, se perder em casa com o Sporting de forma clara, se for eliminado da Taça por um outro Atético ou se acabar a fase de qualificação da Champions em último lugar, terá Rui Costa a capacidade de segurar Mourinho? E se este começar a disparar em todas as direções (como fez no Fenerbahçe) ou a criticar os próprios sócios (como fez Schmidt), algo que os benfiquistas não aceitam (porque são "os melhores adeptos do mundo")?

Uma outra nota: o segundo ano de Mourinho costuma ser bom, mas o terceiro não. Depois do segundo ano os jogadores começam a dar sinais de cansaço com os métodos. A personalidade muito marcada de Mourinho leva a isso. Esse é mais um factor para Rui Costa ter em conta.

Mas o dilema do Benfica é outro. É um dilema de identidade. E esse não será resolvido nem por Rui Costa, nem por Mourinho. O Benfica foi capturado, quer ao nível dos dirigentes, quer dos associados, por interesses que são contraditórios com a sua própria matriz mas que são demasiado poderosos para ser desalojados sem criar uma crise profunda. No entanto enquanto isso não for resolvido o Benfica não voltará a viver os seus dias de glória.  

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Exageros à portuguesa

 Portugal venceu a Arménia por 9-1, um resultado que "já não se usa", numa exibição memorável, mas obviamente frente a um adversário demasiado fraco para estas andanças. 



Mais uma vez ficou claro que a seleção joga melhor sem Ronaldo, o que é uma evidência há muito. Já aqui escrevi (e nada me move contra Cristiano que merece todo o respeito pelo que fez) que uma equipa de futebol moderno não pode jogar com 10, ou seja com um jogador que se limita a estar perto da área para finalizar, não pressiona e quase não cria. 

Nas últimas competições, nomeadamente Mundiais e Europeus, Ronaldo foi uma nulidade. 


No mundial de 2022 marcou um único golo: de penalti e na primeira jornada. Depois passou a suplente naquele que foi talvez o melhor jogo de Portugal numa fase final nos últimos 20 anos: os 6-1 à Suíça, com hat-trick de Gonçalo Ramos. Portugal seria eliminado por Marrocos num jogo em que Diogo Costa comprometeu. 

No Europeu de 2024 Ronaldo não marcou uma única vez: falhou um penalti contra a Eslovénia e contra a França atirou uma bola de golo praticamente para fora do estádio.

Mais uma vez, não estou a desmerecer o que Cristiano fez. Lembro-me de alguns jogos extraordinários em que carregou a equipa (Espanha, Hungria, playoff contra a Suécia). E na Liga das Nações marcou na meia final e na final. No entanto nos últimos europeus e mundiais as suas prestações foram medíocres.



O título deste post tem a ver com as aspirações de Portugal no Mundial. Leio por todo o lado que o vamos ganhar, que é hora de Portugal ser campeão do mundo. Até o Presidente e o PM se pronunciam sobre o tema. Apenas a "Espanha e França dão mostras de nos poder travar" escreve o chefe de redação do "Record". 

Ora, concordando que Portugal tem uma grande seleção, com um meio campo de luxo e dois laterais que estão no patamar dos melhores do mundo, convém ter calma nestas coisas. Portugal perdeu com a Irlanda, uma seleção esforçada mas mediana e empatou com a Hungria em casa.

Inglaterra e Noruega fizeram qualificações perfeitas, ou seja só com vitórias e a Espanha também o pode fazer. A Inglaterra não sofreu um único golo na fase de qualificação! Noruega marcou... 37 golos em 8 jogos! Uma média de 4,6 por jogo...

O Brasil e a Argentina, que para os comentadores profissionais parecem não contar têm "apenas" 5 e 3 campenatos do mundo respetivamente. A Argentina além disso é a campeã em título. Alemanha e Itália têm 4 mundiais cada uma. França tem 2 e será sempre candidata.

Estas certezas de que temos os melhores jogadores do mundo também precisam de ser acalmadas. Tais excitações não costumam dar grande resultado. Em termos técnicos estamos entre os melhores mas em termos atléticos estamos longe disso. As bolas paradas são um problema para nós por essa razão - e o guarda-redes (o tal que também garantem ser o melhor do mundo - está longe disso) não ajuda. 

Portugal é muito forte no meio campo (sem ser muito poderoso fisicamente), mas tem problemas para desequilibrar defesas fechadas porque os seus extremos e avançados são apenas razoáveis.

A Noruega tem Haland, Inglaterra Kane (mas também Saka, Rashford, Palmer e Foden), Espanha Yamal, França Mbappé e Dembélé, Brasil Vinicius (mais Raphinha, Rodrygo e Matheus Cunha). Todos estes jogadores são fortes, velozes, capazes de desequilibrar defesas e resolver jogos. Já Portugal tem apenas um jogador com este perfil que é Leão, mas que não se afirma na seleção. Além disso há a questão Ronaldo de que já falei. Se não há dúvida de que deve ser convocado, se o estatuto for de que é sempre titular, estamos em maus lençóis. 

Portugal pode, num dia bom, vencer qualquer seleção do mundo. Já o provámos. Mas isso também a Alemanha, a França, a Argentina, o Brasil, a Espanha, a própria Inglaterra e se calhar outras. 

Nunca estivemos numa final de um mundial. Não somos favoritos. Temos de baixar as expectativas e descer à terra. 



Ver também https://justicabenfiquista.blogspot.com/2024/07/espanha-argentina-e-os-melhores-do-mundo.html 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Estranho

 O Benfica continua com zero pontos na Liga dos Campeões (facto) e o apuramento é uma miragem (evidência). 

Mas para além disto há uma realidade que é difícil de explicar. Por exemplo a quantidade de bolas à barra que já enviámos ou de oportunidades flagrantes não concretizadas ou até de golos/assistências para a nossa própria baliza. 

Ontem a "injustiça" do resultado foi por demais evidente: desde decisões desfavoráveis da arbitragem a bolas nos ferros, oportunidades flagrantes desperdiçadas, um golo sofrido algo caricato e anti-jogo permanentes do adversário, tudo correu contra o Benfica.

Na realidade o Leverkussen estava a jogar para não perder e conseguiu ganhar o jogo, ao passo que com o Benfica aconteceu evidentemente o contrário. 

A Champions está perdida (nunca a iríamos ganhar de qualquer modo), mas arriscamo-nos a ter uma prestação escandalosa.

A questão é que as coisas começaram mal, com o Qarabag evidentemente, mas até antes disso, com o sorteio. É verdade que deveríamos ter 6 pontos, mas a sorte não tem querido nada com o Benfica. Mesmo com o Qarabag, o resultado poderia ter sido diferente com um pouquinho de felicidade. Lukebakio é o rosto mais visível desta maré azarada, porque já podia ter uns 4 golos e tem zero. Nem Pavlidis ontem acertou nas decisões. 

Há que esquecer mais esta derrota, apesar de dolorosa, e andar para a frente porque o campeonato é o grande objetivo e é realista. Isto apesar do Sporting ter melhor plantel e e Porto estar com melhor dinâmica. Temos de vencer todos os jogos até janeiro e nessa altura colmatar as deficiências do plantel (apesar de Ríos, Enzo e outros começarem finalmente a aparecer e os lesionados estarem mais perto de regressar).

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Nunca. Ganharam. Em. Inglaterra.

O FêQuêPê NUNCA ganhou um jogo oficial em Inglaterra.

Sublinhe-se bem isto. Nunca.

Goleadas já levaram em barda, aos 4 e 5.

Mas ganhar, isso não é com eles.

Assim de repente, lembro-me do Benfica ganhar ao Liverpool, ao Arsenal, espetar 3 no Tottenham (no Arsenal também, mas em prolongamento) tudo em Inglaterra.

Sim, perdemos de forma dura em Newcastle (equipa que eliminámos no passado). Mas o Newcastle não é um Nottingham Forest que vinha perdendo jogos uns atrás dos outros.


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Confrangedor, mas é preciso dar tempo

 A exibição do Benfica ontem corroborou as piores expectativas acerca de Mourinho: um treinador de tracção atrás, demasiado preocupado em defender e não sofrer golos, sem rasgo na frente. Pior do que isso, mesmo esse objectivo pouco ambicioso fracassou por completo e estivemos à beira de ser goleados.

A equipa foi demasiado curta: com excepção de três boas jogadas de Lukebakio, em duas delas a centimetros de marcar, o Benfica foi inofensivo. A equipa foi demasiado frágil: em momentos pareceu homens contra rapazes. Ríos voltou a ser, pior do que uma nulidade, um elemento negativo para a nossa própria equipa, dado que perdeu bolas que criaram situações perigosas para a nossa baliza.

E o fim foi penoso, parecia tiro ao boneco, com Trubin a fazer várias grandes defesas e a evitar a goleada. 

Se nos últimos jogos se viram alguns sinais positivos, ontem tudo descambou e voltámos a ser uma equipa desgovernada, perdida em campo, a cometer erros atrás de erros (sobretudo no fim).

Se fosse Lage ou Schmidt imagino que se estaria já a exigir o despedimento. Como é Mourinho isso não acontece - e bem, note-se. 

Quando se acredita num treinador deve-se prosseguir o caminho, mesmo que por vezes os resultados e as próprias exibições não correspondam ao esperado. Rúben Amorim teve más épocas no Sporting, mas o clube acreditou nele e manteve-o mesmo nos períodos difíceis, com os resultados que se conhecem. No United também já podia ter sido despedido (em Portugal não teria sequer começado esta época) e eu pensei que o seu tempo em Manchester estava a acabar, mas Ratcliffe, o accionista que controla de facto o clube, já disse que Amorim tem três anos para o seu projeto. Veremos, mas para já isso trouxe tranquilidade ao clube.

Isto para dizer que por vezes é preciso tempo para um treinador passar a sua mensagem à equipa e começar a obter os resultados desejados. E nem sempre o progresso é linear. A questão é, repito, se existe uma visão de futuro sobre o que se pretende alcançar e qual o caminho, bem como confiança em quem lidera tecnicamente esse projecto. 

Outro ponto a considerar é que o plantel do Benfica é fraquíssimo. Comentei aqui no início da época que se Akturkoglu saísse era preciso contratar dois extremos. Mas depois disso ainda saiu Tiago Gouveia! Acresce que também Carreras foi vendido, ele que era um dos principais desequilibradores e dava muita profundidade à asa esquerda. Ou seja, saíram Di Maria, Akturkoglu, Amdouni, Tiago Gouveia e Bruma lesionou-se com gravidade e o Benfica contratou... um jogador para os substituir a todos. Isto é inconcebível. Neste momento temos dois extremos no plantel principal e Mourinho já se viu que não acredita em Schjeldrup (que aliás dá poucas razões para que alguém confie nele). 

O resto do plantel não é muito melhor: Ríos tem tido um rendimento desastroso mas não tem substituto (ainda que no actual quadro até Barreiro seria uma melhor opção, para mim), o mesmo sendo válido para Enzo (não o rendimento, que, sendo fraco, não é tão mau como o de Ríos, mas a falta de alternativa). E nas laterais a situação é tão má que ontem acabámos o jogo com dois adaptados... Imagine-se. 

Mourinho não escolheu além disso os jogadores, pelo que o plantel também não tem necessariamente jogadores com as características que precisa para aplicar melhor as suas ideias.

Note-se que não sou "mourinhista", tanto que cheguei a escrever aqui que não o desejava no Benfica, mas ele é o nosso treinador e além disso é o treinador português mais titulado de sempre. Alguma coisa de futebol há-de saber. Há por isso que lhe dar tempo para desenvolver o seu trabalho, assim como recursos no próximo mercado. 

O Benfica está num momento complicado e é preciso estabilidade para as coisas não piorarem mais ainda.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Difícil para Mourinho (e o Benfica)

 Já escrevi o que penso sobre Mourinho, mas neste momento ele é treinador do Benfica e obviamente não estarei aqui a fazer campanha contra ele sem lhe dar sequer a oportunidade de mostrar que eu estou errado. Dito de outra forma, tem o meu apoio, pelo menos para já.

A questão é que este Benfica tem, mais uma vez, um plantel curto e desequilibrado, mesmo para a realidade portuguesa. 

As carências mais óbvias estão no meio campo e nas laterais. 

Em primeiro lugar, estou longe de estar convencido de que ficámos a ganhar com a troca de Florentino por Enzo, em segundo que Ríos traga algum valor acrescentado. 

Depois, se a ideia é jogar em 4-3-3 ou 4-2-3-1 (e já teria de o ser com Lage porque Sudakov veio para ser titular), quem é o substituto do ucraniano e quem são os extremos (já para nem falar dos seus substitutos)?

Em relação ao primeiro, é evidente que não há outro jogador no plantel com as suas características. Em relação aos extremos, temos Lubebakio. Ponto. Schjelderup é um projeto de jogador e Aursnes não é um desequilibrador nato (pelo contrário, é um jogador para equilibrar a equipa). Considerando que Dahl não tem tido capacidade para trazer perigo à ala esquerda e que Dedic começou muito bem mas neste momento está algo fatigado, o Benfica não tem dinâmica e não consegue abrir as defesas adversárias. Além disso a equipa está fisicamente em baixo, o que é perfeitamente normal considerando o Mundial de Clubes e a supertaça / pré-eliminatórias da Champions.

Temos de ser honestos: quer o Porto quer o Sporting são, neste momento, muito mais fortes. O Porto com uma dinâmica forte, velocidade e um modelo bem definido (com bons executantes), o Sporting com uma equipa de qualidade muito superior à do Benfica. Vi ontem grande parte do jogo do Sporting e as oportunidades de golo sucediam-se. O guarda-redes do Moreirense fez uma mão cheia de defesas quase impossíveis. Claro que a arbitragem foi amiga: não pelos penalties em si, mas por ter sido caseira como há muito não via - o apito do árbitro só funcionava quando a infração era do Moreirense, ao passo que os jogadores do Sporting podiam fazer basicamente tudo. Ajudou a empurrar o Moreirense para trás. Mas isso é mesmo assim: os árbitros estão sempre do lado de quem está mais poderoso e neste momento o Benfica é o patinho feio, a gata borralheira.

A tarefa de Mourinho é tão mais difícil que o nosso treinador terá jogos de derrota quase certa na Liga dos Campeões (praticamente todos, aliás) e uma deslocação ao Porto em breve. Se as coisas correrem pelo pior, conseguirá um Mourinho já sem a energia do passado dar a volta à situação e construir algo no Benfica? 

A situação é muito difícil. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Navegação à vista

 Quando escrevi o último post estava muito longe de imaginar que dois dias depois Lage deixaria de ser o treinador do Benfica.

Claro que também não imaginava perder em casa com o Qarabag, uma equipa da quarta divisão do futebol europeu, um resultado que é realmente escandaloso e inaceitável.

No entanto como é que um presidente explica que ainda há duas semanas (a fazer fé nas declarações de Lage) estivesse a contratar os jogadores que este desejava e agora o demita? 

Se, como tudo indica, o sucessor for Mourinho, como explicar a venda de Akturkoglu que foi aparentemente um pedido do então treinador do Fenerbaçe?? 

Nada disto faz sentido. 

Mais: Lage eliminou Mourinho e foi tacticamente mais astuto nessa eliminatória do que o seu conterrâneo setubalense. 

E a um mês das eleições Costa vai fazer um contrato (provavelmente de valores elevados) que vai vincular o próximo presidente do Benfica - o que não é ilegal mas coloca questões muito sérias em termos de deontologia. 

É a navegação à vista, sem rumo estratégico. É verdade que o futebol são resultados e os "projectos" são normalmente uma ilusão porque se não existe sucesso o "projecto" é sempre abandonado e se contrata um novo treinador que necessariamente terá as suas ideias próprias, mas há que ter pelo menos uma visão e um rumo. 

Há uns anos contratou-se Schmidt porque se queria (e bem) um futebol atacante e atraente. Agora escolhe-se Mourinho, um treinador defensivo e resultadista. Onde está a coerência? 

Como já escrevi anteriormente, não acredito em Mourinho. Acho que está desactualizado, que o seu melhor período já passou, que não tem ideias inovadoras e que as suas equipas jogam um futebol feio que não empolga minimamente. 

Pode-se dizer que no United e na Roma fez melhor do que os que lhe sucederam. É um facto. Mas isso parece-me um fraco argumento, insuficiente para um treinador do Benfica. 

Temo que o futebol do Benfica se torne defensivo, negativo, mais preocupado em não perder do que em ganhar.

Um futebol defensivo como o de Mourinho só é aceitável se a equipa tiver bons resultados. Mas no Benfica bons resultados é ganhar sempre a nível nacional e ter prestações razoáveis na Europa. Será Mourinho capaz de alcançar tais resultados? O que acontecerá se começar a ter empates na Liga portuguesa e a perder na Liga dos Campeões (como é previsível face aos adversários que enfrentaremos)?

Antevejo tempos conturbados para o Benfica. Espero estar enganado.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Fim da linha para Amorim. E Lage?

 Eu sei que muitos benfiquistas estão nervosos com o empate com o Santa Clara. Também me debruçarei o nosso momento neste post, mas para já quero analisar a situação de Amorim, até porque acho que há ilações importantes a retirar da mesma.

Em Portugal, Amorim tornou o Sporting uma equipa dominadora, quase hegemónica. Começou por ir buscar uma série de jogadores a equipas médias e aos poucos construiu uma equipa compacta e muito difícil de bater. Teve uma "filosofia" e um "sistema" que foi aprimorando.

Mas a Premier League não é a Liga Betclic. Ali estão os melhores dos melhores, quer jogadores, quer treinadores. Cada jogo é um desafio físico e táctico sério. Enquanto que em Portugal há três equipas decentes, três ou quatro médias e as restantes são fracas, em Inglaterra o panorama é completamente diferente. 

Primeiro há o "big six" (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Man City, Man United e Tottenham), equipas que além das competições internas competem por títulos europeus. Depois há equipas como o Newcastle, Aston Villa, Crystal Palace, Brighton, Nottingham Forest ou West Ham que têm orçamentos maiores do que o Benfica.

Em Inglaterra quase todas as equipas são muito evoluídas física, técnica e tacticamente. O problema de Amorim é que o seu sistema pura e simplesmente não funciona em Inglaterra. Porquê? Porque os dois médios centro do United estão constantemente em inferioridade numérica face aos três ou quatro médios que as outras equipas apresentam. Acresce que os dois médios do United são normalmente desadequados para jogar neste sistema. Já foi referido por analistas que apenas o Chelsea conseguiu vencer a jogar neste sistema e os seus médios eram "apenas" Kanté e Matic, dois box-to-box com uma capacidade física incrível. Com Amorim, um dos médios é Bruno Fernandes e o outro é Casemiro ou Ugarte. Não há milagres. Depois os três defesas também têm dificuldade em encaixar quando o adversário joga apenas com um avançado e ainda mais quando este deriva para outras zonas do campo, deixando os defesas sem referências. No Sporting era fácil: o bloco subia. Em Inglaterra as coisas não são tão fáceis porque as outras equipas têm muita qualidade e velocidade para explorar o espaço nas costas da defesa.

O fracasso de Amorim está a ser espectacular: em 31 jogos da Premier League tem... 8 vitórias. Mas Amorim é teimoso e não muda. Continua a bater contra uma parede: as performances e os resultados são desastrosos, mas continua a insistir. Todos os treinadores já sabem como o Man United joga, quais as suas fragilidades e como os anular. 

É verdade que Amorim conseguiu resultados na Europa enquanto treinador do Sporting (embora nunca tenha ido longe em nenhuma competição). Não lhe retiro mérito, mas a confiança é um factor muito importante e também tinha jogadores adaptados ao seu sistema, ao contrário de agora (os avançados baixavam para apoiar os centro campistas, a equipa era mais compacta, os defesas mais capazes e teve Gyokeres que era capaz de correr quase meio campo e marcar). O que é incrível é que Amorim continua a jogar com os mesmos médios centro do ano passado (com os resultados que seriam de esperar - derrota atrás de derrota). Por outro lado, não resolveu ainda o problema do guarda-redes (no Sporting foi o mesmo). Agora vem o Chelsea e os adeptos estão completamente saturados. Depois de o acolherem cheios de entusiasmo, agora consideram que já não há esperança. Amorim está por um fio.

Que lição se retira daqui? Creio que mais do que uma. A primeira, evidente, é que a Premier League é o topo dos campeonatos e que ser "o maior da sua rua" significa pouco ali. A segunda é que um bom treinador tem de ser capaz de fazer correções e adaptações, por muito que acredite no seu modelo. Amorim não está a demonstrar essa capacidade. Em Portugal, na Grécia, talvez na Turquia, Amorim tem uma elevada probabilidade de sucesso, em Inglaterra, tem uma elevada probabilidade de fracasso. A confirmar-se o descalabro, será um falhanço embaraçoso, com um custo de muitos milhões para o clube, mas na verdade apenas mais um fracasso no já grande cemitério de treinadores em Old Trafford.

Face aos números atrozes de Amorim (pelo meio ainda eliminado da Taça da Liga por uma equipa da quarta divisão), o empate do Benfica com o Santa Clara torna-se mais relativo. 

O problema é que em Portugal qualquer empate pode ter consequências muito prejudiciais tal o desnível  dos três grandes para os outros e, ainda mais importante,  o nível de jogo medíocre do Benfica é preocupante nesta altura. 

No entanto temos de reconhecer que há vários factores atenuantes: a quase ausência de pré-época, muitas entradas e saídas, grande número de jogos de exigência elevada logo em Agosto (o jogo ter sido na sexta-feira também foi um disparate). E estamos ainda no início. É possível que com a adaptação dos jogadores recém-chegados e o seu entrosamento com os colegas, o rendimento individual e colectivo aumente. Não apenas é possível, é mesmo exigível.

Temos de mantter calma e não entrar em histeria. Lage é um treinador razoável para a nossa realidade. Não vamos ter Klop, nem Tushel, nem Guardiola, nem Marco Silva. Para vir um Anselmi ou um Borges (ou um Mourinho já sem a energia nem a confiança de outros tempos) não vale a pena mudar. Claro que se não houver melhoria na qualidade de jogo e por outro lado houver mais resultados negativos, a pressão aumentará, como acontece sempre, e terá de se pensar em alternativas. Mas ainda é cedo. O jogo com o Porto será para mim o momento para fazer uma avaliação mais fundamentada. 

A seu tempo escreverei também sobre as contratações e o plantel do Benfica. 

domingo, 10 de agosto de 2025

Primeiras impressões

 O Benfica mudou em todos os sectores face ao ano passado: na defesa, com dois novos laterais, no meio campo com nova dupla no "miolo" e no ataque também há várias entradas e saídas. 

O próprio esquema táctico mudou no último jogo (veremos se é para continuar): de um 4-2-3-1 ou 4-3-3 passámos para um 4-4-2 clássico com dois pontas de lança (embora com Aurnes a titular este se possa juntar mais aos elementos do meio campo para formar um trio). 

São muitas mudanças em lugares chave. 

O meio campo é a "sala das máquinas", onde se fazem os equilíbrios, se pauta o jogo, se organiza o ataque ou impede o do adversário. Mudámos aqui as duas posições de trinco e médio centro (8) de Florentino/Kokçu para Enzo/Rios.

Os primeiros sinais parecem positivos: o Benfica vence o Sporting não direi que com facilidade, mas com uma certa naturalidade e simplifica com o Nice. Os jogadores contratados chegam com boas referências e dão indicações favoráveis. 

No meio campo faltava agressividade, como foi penosamente evidente no final da época passada e Kokçu apesar de ser um jogador com qualidades nunca se impôs verdadeiramente, além de ter uma personalidade conflituosa. Veremos como os que chegaram se adaptam. Ainda é cedo. Para mim Florentino ficaria no plantel, a não ser que houvesse uma oferta irrecusável. É um jogador fiável e com uma tremenda capacidade de desarme, apesar das limitações no passe. 

Dedic parece uma boa aposta, mas Dahl não é Carreras. Convém recordar que este foi um dos melhores jogadores da época passada e não é por acaso que o melhor clube do mundo o contratou. 

No ataque a contratação de Ivanovic traz novas opções, mas claro que estamos a falar de um jovem a quem tem de se dar tempo para crescer. Além disso saíram Di Maria, Amdouni e Kokçu, Akturkoglu diz-se que sairá e Bruma estará lesionado muito tempo, ou seja saiu talento e fantasia que é preciso colmatar. 

Em relação aos nossos adversários, o Sporting continuará a ser forte a nível nacional, especialmente se Hujlmand continuar, e o Porto parece ter uma equipa bem mais competitiva do que no ano passado. Por isso não haverá facilidades. 

Uma última nota para a Premier League que tem dominado este mercado. O Liverpool operou uma mini revolução no plantel, fez contratações sonantes e espera ainda contar com Isak, mas começou mal a época ao perder a Charity Shield (supertaça inglesa) para o Chrystal Palace. O City espera recuperar o ceptro. O Arsenal contratou Gyokeres. E o Chelsea, vencedor da Liga Conferência e do Mundial de Clubes também se reforçou. Há ainda que contar com o Tottenham e o Newcastle, numa segunda linha. Ou seja, as coisas não se afiguram nada fáceis para Amorim. Este ano já não haverá a tolerância do ano zero. E para já os sinais não são brilhantes.