sexta-feira, 12 de abril de 2013

Benfica-Fenerbahçe com segunda mão na Luz

Não calhou o Chelsea, como eu gostaria, não calhou o Basileia, que seria a deslocação mais conveniente. Calhou quem o sorteio ditou: os turcos. Há que jogar para tentar ultrapassá-los e nada mais.
É evidente que o Benfica tem uma grande probabilidade de, pela primeira vez em muitos anos, estar novamente numa final europeia. Merecemos esta oportunidade e vamos fazer tudo para estar na final de Amsterdão.
O Fenerbahçe eliminou o Bate Borisov, da Bielorússia, o Plzen, da República Checa e a Lázio. O Plzen por sua vez tinha eliminado o Nápoles, que muitos olhavam como potencia favorita com um total de 5-0 (!) nas duas mãos, ao passo que a Lázio tinha eliminado duas equipas alemãs: o Monchengladbach e Estugarda.
Isto serve, para além de mostrar o percurso da equipa, apenas para recordar o óbvio: não há equipas que cheguem a umas meias finais por acaso, pelo que só um Benfica a jogar ao seu melhor nível poderá superar este último obstáculo, este adversário de valor, para poder estar em Amsterdão.
Aconselho todos a comprarem atempadamente os bilhetes para o jogo na Luz: dia 2 de Maio.
Recordo que o calendário completo do Benfica até ao fim da época pode ser consultado neste blog, aqui.

Venha o Chelsea!

Glória nos quartos de final em Newcastle. Nem um ambiente infernal, nem um golo de sorte do adversário na pior altura possível, nem manifesto azar na concretização, nem habilidades de um árbitro que permitiu mais do que devia ao adversário impediram o Benfica de passar a eliminatória, com mérito absoluto.
Para mim venha desde já o Chelsea, certamente a equipa mais forte (é só o campeão europeu...) que podemos enfrentar na competição. Assim resolvemos já o assunto e, caso passemos, temos tudo para conquistar a Liga Europa.
Parabéns a Jorge Jesus e aos bravos que estiveram em campo!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Aos vossos lugares...



Um resultado que permita ao Benfica a passagem às meias finais da Liga Europa, equivalerá à ponta final de época mais excitante dos últimos anos e certamente uma das mais importantes da história do Benfica.
As possibilidades de conquistar três troféus maiores (os dois mais importantes a nível nacional e o segundo mais importante a nível europeu) serão bem reais, não há como o negar.
Isto não equivale a embandeirar em arco. As duas últimas épocas mostraram bem como nada está conquistado antes do fim, como qualquer desatenção, qualquer displicência, qualquer sentimento de que o mais difícil já está feito podem ser fatais.
Há dois anos estávamos em duas meias finais, numa posição privilegiada. Na Taça tínhamos ganho 2-0 nas antas, na Liga Europa tínhamos batido o Braga em casa por 2-1. O campeonato, esse já estava perdido, restando o orgulho de não deixar o adversário fazer a festa em nossa casa. Perdemos tudo. Com infelicidade fomos afastados da final da Liga Europa perdendo1-0 em Braga, com um golo fora de jogo e um adormecimento no jogo fomos afastados da final da Taça perdendo 3-1 em casa, com um auto-golo de Roberto deixámos o adversário celebrar o campeonato (invicto) em nossa casa.
No ano passado, ainda a curar estas feridas, conseguimos uma importante vantagem de 5 pontos à entrada para a segunda volta. Com arbitragens miseráveis e com uma má entrada e má saída no jogo contra o Porto em casa perdemo-la e voltámos a permitir que esse clube fosse campeão.
Em ambos os anos ganhámos apenas a Taça da Liga.

Este ano as coisas são diferentes: o plantel é mais forte e tem mais soluções; o adversário da Taça é mais acessível, na Liga Europa ainda estamos só nos quartos, com uma vantagem de dois golos; no campeonato estamos numa situação mais parecida com a de há 3 anos, quando celebrámos o título, do que da do ano passado (nesta altura estávamos atrás); já não estamos na Taça da Liga.

As lições terão sido aprendidas. Percebemos agora que o campeonato é a prioridade e que, se a alternativa for entre assegurar este e ver o que dá a Liga Europa (com a possibilidade de dobradinha com a conquista da Taça) ou tentar tudo e arriscarmo-nos a perder ambas as competições (ganhando eventualmente apenas a Taça), a escolha recairá sobre a primeira opção. Muita do que ajudará a definir prioridades passará pela próxima jornada.

Ainda assim, com o campeonato a interromper para se jogar a final da Taça da Liga, tendo apenas no calendário um jogo, relativamente confortável para a segunda mão da Taça de Portugal, na próxima segunda, as baterias têm que ser agora apontadas na totalidade para a Europa e para o jogo com o Newcastle. (A nossa saída da Taça da Liga acabou assim por ser providencial, pois seria insustentável ter ainda mais essa final, ainda por cima contra o Porto, com tudo o que isso significa a nível mental e psicológico, a juntar a um calendário já tão sobrecarregado).

Não será certamente um jogo fácil. Em casa, todos o sabem, o Newcastle é muito forte, tendo o seu estádio um dos ambientes mais ruidosos e apaixonados em Inglaterra. O Benfica já mostrou porém capacidade para saber enfrentar desafios desta estirpe e estará certamente à altura. Não será, disso estou absolutamente seguro, por não se baterem bem que os nossos jogadores deixarão de se qualificar para as meias finais. Há porém um adversário de valor do outro lado, que apostará todas as fichas nesta competição, pelo que os nossos atletas terão que estar ao seu maior nível.

Conto, claro, com todos, mas penso que Gaitan poderá ser uma peça muito importante nesta partida, tal como Cardozo (embora possa começar no banco) e o próprio Rodrigo, que vem subindo e muito de forma.

Aos vossos lugares, o espetáculo vai começar.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

As escutas - parabéns ao "Correio da Manhã"

O "Correio da Manhã" é um jornal que se conhece sobretudo pelas suas histórias de crimes e pelos posters de mulheres despidas, que, numa altura em que não havia internet nem TV cabo (nos anos 80), eram o cúmulo do "picante" no País.
Não deixa porém de ser um dos jornais mais atentos a tudo o que se passa em Portugal, tendo por norma mais notícias do que os seus concorrentes, por estar mais e melhor implantado em todo o País, nomeadamente na província, onde outros não chegam.
Recentemente, o CM aderiu à nova moda - os canais temáticos cabo - o que desde logo teve um mérito tremendo: para conseguir desde já alcançar audiências significativas, começou por divulgar as escutas do Apito Dourado, conhecidas e inéditas.
Num País, o nosso, no qual a Justiça é um arremedo de direito (ele próprio já constituído por um amontoado de leis pouco coerentes e mal elaboradas, forjadas numa mentalidade demasiado ideológica), um sistema totalmente ineficaz, a existência de uma comunicação social que denuncie os escândalos e atropelos de toda a decência que perpassam pela política e pela sociedade em geral, é um imperativo.

Só através da imprensa os Portugueses podem ter a esperança de saber o que realmente se passa por muitos corredores do poder - porque com a justiça (as provas são inúmeras) não se pode contar. É uma triste mas indiscutível realidade.

Ou não será verdade que um apparatchik do anterior governo andou tentando calar a imprensa incómoda, comprou o apoio de Figo a José Sócrates, saiu da PT com uma indeminização milionária, com esse dinheiro tentou comprar direitos televisivos da Champions League e continua andando por aí, tendo-se ainda permitindo "comprar" o Belenenses?

Ou não será verdade que quase todos os responsáveis pela calamidade do BPN continuam andando por aí com vidas faustosas e que a famosa SLN, agora com outro nome, continua a ter um enorme património enquanto so portugueses continuam a ter que fazer tremendos sacrifícios, em parte para tapar buracos criados por aquele mesmo BPN?

Ou não será verdade que algumas empresas proto-estatais continuam a ter regimes de excepção, ordenados milionários, benesses inaceitáveis?

A lista poderia continuar.

Nessa medida, temos que estar gratos ao CM por, muito provavelmente por razões comerciais mas ainda assim, estar a divulgar as escutas do Apito Dourado, a maior fraude desportiva que conheço a nível mundial. A organização, o sistema subjacente ao futebol português dos últimos 30 anos, foi uma autêntica "fábrica" de corrupção, uma central de vício, batota e adulteração de resultados e competições. Uma agência de prostitutas, de viagens, de dinheiros mal explicados, de "campeões" viciados. E (quase) todos, exceptuando Valentim Loureiro, os árbitrso que se retiraram e os dirigentes que entretanto morreram, continuam no activo, fazendo o mesmo!

A vergonha não tem fim. E o que faz a justiça? Declara a nulidade das provas, decide prescrições, absolve culpados por "falta de provas", quando as mesmas são esmagadoras e auto-evidentes. A justiça descredibiliza os testemunhos dos acusadores em favor dos acusados, em causa própria. Que aceita que um árbitro vai à noite a casa do Presidente do clube que apitará no dia seguinte para receber conselhos matrimoniais para o seu Pai? Onde está a justiça? Onde está a decência? Onde está a vergonha?

Para além de casos já bem conhecidos, as escutas revelam outros casos espantosos que merecem artigos separados.

Notas da imprensa

Na vizinha Espanha, as ondas de choque pela polémica eliminação do Málaga ocupam grande parte da imprensa desportiva. Sobretudo no sul do país, há uma enorme indignação, fazendo-se eco das declarações de jogadores e responsáveis do Málaga. Pelegrini diz que os jogadores do Dortmund "acabaram o jogo às cotoveladas" e que o árbitro perdoou duas expulsões aos alemães, tendo permitido tudo nos últimos 7 minutos, incluindo um inacreditável golo em que há um duplo fora-de-jogo, o primeiro dos quais com 4 jogadores. Joaquim diz que suspeitam "de Platini e de todos" pois o Málaga não é o Real Madrid. O xeque dono do Málaga fala de "racismo". Vários jornais usam a expressão "roubo".


Em Portugal, Bruno de Carvalho ocupa as primeiras páginas de "A Bola" e o "Record", a propósito de um alegado braço de ferro com a banca e das dificuldades de tesouraria do Sporting. A manchete do "Record" (de propósito ou sem querer) sugere algo mais, pois "Bruno mostra o que vale" faz perigosamente pensar em "Bruno mostra que é Vale".

O "Correio da Manhã" diz a este propósito que Bruno de Carvalho e Ricciardi se terão envolvido numa troca de insultos num telefonema.

"A Bola" noticia também que Peseiro está de saída do Braga, o que dificilmente pode ser considerado uma surpresa.

O mesmo periódico diz, citando "A Marca", que Falcão poderá estar a caminho do Manchester United.

No "Record" especula-se com outras transferências, nomeadamente a de Jackson Martinez para o Anzi, de Capel para o Liverpool e de Insua para o Benfica.

Finalmente, a imprensa tem também nos últimos dias, continuando hoje, dado destaque a declarações de André Villas Boas confirmando a utilização de um método de transfusões de sangue (próprio) para apressar a recuperação de Gareth Bale. Parece-me mais um sintoma de que métodos proto-dopagem são usados impunemente no desporto de alta competição!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Da noite europeia de hoje e da noite nortenha de ontem

Assistiu-se hoje na Turquia a um enorme jogo de futebol, um hino ao futebol de ataque e uma demonstração de como a crença pode catapultar uma equipa para o quase impensável. O Galatasaray não esteve muito longe de conseguir uma das maiores e mais surpreendentes reviravoltas da história recente do futebol. Não tivesse o golo de Drogba que daria o 4-1 sido (e bem) anulado e provavelmente a história teria sido outra e estaríamos aqui a falar da eliminação do Real Madrid. São certamente vários ses, mas uma coisa é uma realidade indesmentível: o Galatasaray, durante quase toda a segunda parte, vulgarizou completamente o Real Madrid e atacou incessantemente, fazendo os madrilenhos passar por muitos maus bocados; fez 3 golos em 15 minutos (!) a uma das melhores equipas mundiais e deixou no ar e na cabeça dos jogadores madrilistas muitas dúvidas quanto ao desfecho da eliminatória. Ronaldo foi, bem vistas as coisas, quem a decidiu. Que isto sirva de exemplo para aqueles que dizem que o ambiente e o apoio do público nada conta. Mourinho disse já depois do jogo: "jogaram com 50.000 homens".
 
Em Dortmund, o humilde Málaga, onde jogam os "nossos" Eliseu (benfiquista ) e Saviola, esteve à beira de surpresa, embora de menor monta. Fica a dever o desaire, na minha opinião, à arbitragem, que não expulsou, como devia um jogador do Dortmund, e que validou um golo em claro e duplo fora de jogo aos alemães. É porém verdade que o golo de Eliseu também está ligeiramente fora de jogo.
 
Uma nota final, no tocante à noite europeia, para os comentários de Fernando Correia. Para além de um interminável rol de erros, disparates e tonterias que foram sendo ditas ao longo da transmissão, verifico que Fernando Correia vibra com o Real Madrid como se fosse uma equipa portuguesa (no que é aliás acompanhado por Dani). Ora se por um lado é natural que nos congratulemos com o sucesso de Mourinho e de Cristiano Ronaldo, Coentrão ou Pepe, por outro lado não se justificam frases e interjeições como "cuidado", "o Galatasaray está a fazer uma segunda parte quase tão boa como a primeira do Real Madrid" ou outras considerações "madrilistas". Até porque quando foi o Benfica a jogar a Champions não vi tamanho entusiasmo por parte de Correia e a TVI. Aliás e porque vem a propósito, o apuramento do Benfica nas eliminatórias na Liga Europa não tem senão merecido críticas por parte da estação responsável pelas transmissões, em particular pelas vozes de Ribeiro Cristovão e Jorge Batista. Haja um mínimo de decência!
 
Virando-nos para a noite "nortenha" de ontem, gostaria de partilhar convosco que ao ouvir o 11 do Braga comentei que não valia a pena ver o jogo. José Peseiro, a quem elogiei pelo apuramento para a Champions, numa já remota pré-eliminatória em Agosto, está a ser um completo desastre no Braga, que neste momento regrediu aos tempos pré-Jorge Jesus ou até de Jesualdo Ferreira.
 
Peseiro começou por desbaratar a grande qualidade que o Braga tinha que era defender bem: tem os mesmos golos sofridos que o Rio Ave e o Olhanense. Agora, a 5 jogos do final do campeonato decide ir jogar ao estádio do Porto como uma equipa pequena, deixando apenas Mossoró na frente.
 
O Braga fez efetivamente um jogo de equipa pequena: com um brinde da defesa portista criou uma oportunidade de quase golo feito, com uma grande combinação de ataque conseguiu o golo improvável que lhe deu vantagem e depois disso remeteu-se à defesa praticamente dentro da sua grande área. Sem jogar muito, sem velocidade, sem grande criatividade, o Porto dominou por completo, chegando numa fase do jogo o Braga a não conseguir fazer 2 (dois!) passes seguidos.
 
Mas, como se não bastasse, Peseiro teve ainda o condão de, ao lançar Carlão e tentar colocar a equipa a jogar de forma mais atacante com o resultado empatado, sofrer o golo que resolveu o jogo quando a sua equipa estava desposicionada por ter tentado uma jogada de ataque. Ou seja, sofreu um golo numa das poucas vezes em que a sua equipa ensaiou uma jogada de ataque, numa fase do jogo em que (aí sim) o reforço da defesa se justificaria.
 
Peseiro teve uma oportunidade no Braga de voltar a treinar uma equipa que lutasse pelos lugares cimeiros, mas tudo o que conseguiu foi desvirtuar o Braga, que acaba o campeonato como uma equipa totalmente descaracterizada e sem qualquer ideia de jogo coerente. Note-se que esta análise não tem nada a ver com o que eu quero ou deixo de querer para o Braga ou para Peseiro, tentando apenas fazer um retrato objectivo do que eu vejo.
 
Numa frase, Peseiro começou a época a querer fazer do Braga um verdadeiro grande e acaba-a a jogar com o Porto como um pequeno, com 11 jogadores dentro do seu meio campo. Nem a coerência sobreviveu.
 
É verdade que os golos do 1-1 e do 2-1 surgem de remates de fora da área que me pareceram defensáveis. Mas até nisso Peseiro tem azar...
 
Amanhã há mais futebol e quinta-feira há de novo Benfica. Que os nossos jogadores estejam a ver estes jogos europeus para recordarem que no futebol tudo é possível e que a concentração terá que ser mantida.

Tudo o que falta jogar

Estamos já em plena fase de decisões. Os jogos são agora quase todos decisivos. O Benfica parte para esta fase com alguma margem, que conquistou com todo o mérito, nas três competições em que está envolvido: uma margem muito boa para alcançar a final da Taça de Portugal, uma vantagem importante nos quartos de final da Liga Europa, uma vantagem de 4 pontos no Campeonato. Preservando estas vantagens nos próximos jogos, o Benfica tem tudo para conquistar pelo menos as competições nacionais. A Liga Europa tem que ser vista como um bónus: é possível vencê-la mas não podemos esquecer que o Campeonato é a prioridade. Próxima jornada pode ser decisiva.

Os jogos:

Newcastle-Benfica, Saint James Park, 11 de Abril, 21.05h
Benfica-Paços de Ferreira, Estádio da Luz, 15 de Abril, 20.00h (Taça de Portugal)
Benfica-Sporting, Estádio da Luz, 21 de Abril, 20.15h (26º jornada da Liga)
1ª mão da Meia final da Liga Europa, a confirmar, 25 de Abril
Marítimo-Benfica, Estádio dos Barreiros, 28 de Abril (27ª jornada da Liga, hora por confirmar)
2ª mão da Meia Final da Liga Europa, a confirmar, 2 de Maio
Benfica-Estoril, Estádio da Luz, 5 de Maio, 20.15h (28ª jornada da Liga, hora por confirmar)
Porto-Benfica, Estádio do Porto, 12 de Maio, 20.15h (29ª jornada da Liga, hora por confirmar)
Final da Liga Europa, Estádio Arena de Amsterdão, 15 de Maio, 20.45h.
Benfica-Moreirense, Estádio da Luz, 19 de Maio, 16.00h.
Final da Taça de Portugal, Estádio Nacional (do Jamor), 26 de Maio às 17.00h.

A análise:

O Benfica tem nos próximos dois jogos uma vantagem de dois golos para gerir, assim como um período relativamente grande de tempo, sobretudo se comparado com o que temos jogado até aqui: primeiro 4 dias de intervalo, depois 6. É uma oportunidade para respirar um pouco e ganhar balanço para o ciclo final de jogos.
Já na quinta-feira em Newcastle, o Benfica tem que fazer um jogo inteligente mas não baixando nunca de intensidade, pois sabemos que os ingleses, a fazer um mau campeonato, darão tudo neste jogo para tentar salvar a época. Marcar fora será sempre importante até para, se possível, fazer alguma gestão de esforço na segunda parte do jogo.
Com o Paços, tratar-se-á sobretudo de manter o ritmo e a atitude competitiva, para não criar facilitismos. A presença na final da Taça é um imperativo e importa que não assumamos que isso já está alcançado, salvaguardando-nos de qualquer dissabor. Nestes dois jogos, Jorge Jesus poderá também aproveitar para dar ritmo a algum jogador que queira preparar para ser chamado a desafios mais decisivos e que neste momento não tenha muito ritmo, como por exemplo André Gomes.
A partir daí, a partir de 21 de Abril vêm os jogos de intensidade máxima, começando logo com um derby. Esta jornada pode definir muita coisa: na eventualidade de uma vitória nossa em casa contra o Sporting e um deslize do Porto em Moreira de Cónegos, o campeonato ficaria quase decidido. Mesmo com um empate nos Barreiros, o Benfica seria certamente campeão. Nessa medida, tal permitir-nos-ia uma aposta mais séria, mais empenhada, mais decisiva na Liga Europa, caso ultrapassemos o Newcastle.
Não se verificando esse cenário, o Benfica terá, na minha óptica, que assumir que o Campeonato é a verdadeira prioridade e que, mais importante que a eventual meia final da Liga Europa, são os compromissos com o Marítimo e o Estoril, que se realizam nos fins de semana após os dois jogos da competição europeia.

Nessa medida, o Benfica só pode ir dar tudo, jogando com Melgarejo, Matic, Lima, Enzo Perez, Gaitan e Sálvio, nos jogos da eventual meia-final se tiver uma almofada de 6 ou 7 pontos no fim da próxima jornada. Caso contrário, terá que haver gestão, terá que haver jogadores poupados para os confrontos decisivos e prioritários sobretudo com o Marítimo mas mesmo também com o Estoril. Uma eventual segunda mão da meia-final da Liga Europa, com jogadores a terem que jogar nos limites contra uma equipa grande europeia (imagine-se um Chelsea por exemplo) num jogo disputado e aberto até ao fim, não poderia deixar de ter, nesta fase avançada da época, consequências físicas para um jogo decisivo (pois vale os mesmos 3 pontos dos outros) a disputar apenas 3 dias depois contra o Estoril (boa equipa, por sinal).

Claro que há outros dois cenários que alterariam as coisas. O primeiro, que certamente não desejamos, é o da eliminação do Benfica já nesta ronda. O segundo, mais sorridente, é o de o Benfica ultrapassar o Newcastle e nas meias-finais ter como adversário uma equipa menos consagrada, por exemplo o Basileia. No cenário ideial, o Benfica garantiria na próxima jornada os tais 6 pontos de vantagem e para além disso, ultrapassando o Newcastle, tinha ainda a fortuna de jogar com o Basileia as meias finais. Estamos enfim já no campo, muito distante da realidade, dos desejos e puras especulações. O que me parece porém mais importante é que tenhamos em mente o que ficou dito no parágrafo anterior.

Cumprindo nos seus jogos, jogando com o rigor, empenho e espírito que tem tido, a qualidade dos jogadores do Benfica permite-nos pensar que podemos passar à final da Taça de Portugal, ganhar os próximos 3 jogos do campeonato e chegar ao estádio do Porto com os necessários 4 pontos de vantagem que praticamente nos garantiriam o título. O Benfica tem certamente qualidade para não perder e até para ganhar nas antas ou dragão, mas todos nós passaríamos bem melhor se não tivessemos que chegar a esse jogo com a liderança em disputa, até por todo o passado dos últimos 30 anos.

Quanto ao resto, fica a faltar a Taça, que temos todas as condições para conquistar, muitos anos depois. O Guimarães (em circunstâncias normais será adversário do Benfica no Jamor) é uma boa equipa mas a uma distância muito grande desta grande equipa do Benfica. Quanto à Liga Europa, é o tal bónus que, dependendo das circunstâncias, poderemos ou não alcançar. Antes disso há porém que comer a sopa e o prato principal, não sendo esquisitos. As sobremesas só vêm depois.

A Liga Europa e o Vulcão da Luz

Marquei presença, como se impunha, no Estádio da Luz, para uma importante jornada europeia, a primeira mão dos quartos de final da Liga Europa. Todos esperamos que este tenha sido o penúltimo jogo em casa desta época para a Liga Europa e que o percurso na competição acabe com uma vitória em Amsterdão. É possível!

O Benfica fez para mim um dos melhores jogos da época contra o Newcastle.

Por mérito do Newcastle que se posicionou bem em campo, o Benfica não teve a melhor entrada no jogo. Fazendo uso da enorme velocidade dos seus homens da frente, o Newcastle aproveitou a sua primeira oportunidade para marcar e conseguir o temido golo fora, que tantas vezes compromete as eliminatórias. As coisas podiam-se ter complicado muito: à necessidade do Benfica inverter o resultado, contrapunha-se um perigoso contra-ataque inglês. Ou seja, dificilmente poderíamos ter tido um pior começo.

No entanto, este Benfica é a equipa mais consistente, mais sólida e mais forte dos últimos anos. Foi, com garra e qualidade de jogo, em busca dos golos. Logo na primeira jogada após o golo forasteiro se viu a determinação e confiança dos nossos jogadores. E assim, com a felicidade que não tivemos no primeiro lance de ataque do Newcastle, "sobrevivemos" a duas bolas no poste sabendo depois dar as estocadas nos momentos certos, com a "lança" bem "afiada" Lima a ser crucial e Cardozo a não perdoar, nem mesmo na repetição (caricata) do indiscutível penalty.

Só uma grande equipa, com estofo europeu sério, seria capaz de inverter de forma tão clara o resultado. Essa equipa merece todo o nosso apoio e carinho.

E teve-o realmente. Apesar de haver sempre insatisfeitos, o ambiente no Estádio foi talvez não infernal mas certamente vulcânico. Muitas vezes os jogadores do Newcastle andaram completamente desorientados, atarantados com o ambiente à volta do campo e a velocidade, pressão e determinação dos jogadores do Benfica. Os 3-1 espelham, até por defeito, essa realidade. Que as estatísticas também demonstram: 20 remates contra 7, 12 cantos contra zero. O resultado poderia até ter sido outro, caso o 2º golo tivesse surgido ainda na primeira parte. Considerando porém as duas bolas ao poste do Newcastle, penso que o mesmo se aceita.

Fica uma grande exibição europeia e uma noite que pode servir de ensaio a outros voos da águia. A enorme falange de apoio inglesa, sempre fiel no acompanhamento das suas equipas, sobretudo o Newcastle, que é um histórico de Inglaterra, foi quase completamente silenciada, submergida pelo Vulcão da Luz.

Resta fazer um jogo seguro e personalizado em Inglaterra para podermos passar às meias-finais e aspirar a vencer de novo, mais de 40 anos depois uma competição europeia. O Benfica, pela sua grandeza, já o merece. Esta equipa, pela sua qualidade e espírito, também. Tenho pena de não poder ir a Inglaterra, mas mais forte do que isso é a esperança de poder ir a Amsterdão e lá celebrar um feito histórico.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mais perto

A vitória em Olhão, que, em virtude de vários falhanços na concretização e de um "autocarro" algarvio colocado à frente da sua baliza, chegou a parecer em perigo, representa mais um importante passo rumo ao título que todos aspiramos.
A superioridade do Benfica foi absoluta, a atitude dos jogadores exemplar. Sálvio, por quem temi o pior aquando da entrada absolutamente grotesca, que deu toda a sensação de ser propositada, de um jogador do Rio Ave na passada semana, foi salvador. Matic foi outro gigante em Olhão, onde os benfiquistas do Algarve e não só marcaram presença, ajudando a criar a onda vermelha de que precisamos até ao último jogo da época.
O Benfica está bem, está onde exclusivamente está por mérito mérito próprio, merecendo até estar mais destacado nesta altura do campeonato. De qualquer modo dependemos apenas de nós, de mantermos a mesma atitude, a mesma raça, o mesmo espírito.

Hoje o Futebol Clube de Proença, perdão, do Porto recebe o Braga. A presença de um dos seus mais fiéis e dedicados adeptos em campo, o referido Proença, indica que muito dificilmente o Porto perderá pontos, apesar de se tratar de um jogo tradicionalmente difícil. O País estará porém a ver. A aura de Proença já se desvaneceu, as suas simpatias são cada vez mais evidentes. Mais penalties mal marcados a favor do Porto ou expulsões injustas dos seus adversários serão agora mais difíceis de justificar. Ficamos a aguardar, na certeza de que continuando a fazer o nosso trabalho nem mesmo as habilidades de Proença e outros que tais nos desviarão a atenção do nosso caminho.