terça-feira, 18 de março de 2014

Foi o vento...

Mais uma grande exibição do Benfica, com golos soberbos, num dos jogos teoricamente mais difíceis até ao fim da época (e já só faltam 7).

Apesar da equipa ter estado em geral num grande plano, sobretudo até resolver o jogo, temos naturalmente que destacar Rodrigo e Garay, pelas exibições e pelos golos: o segundo e o terceiro foram simplesmente espectaculares. 

A reacção do Benfica foi notável, demolidora, à campeão, respondendo a um início mais forte do Nacional e a um penalty inexistente (algo a que iremos no post seguinte) com uma avalanche futebolística que praticamente resolveu o jogo na primeira parte. 

Para a semana recebemos a Académica, ao passo que o Sporting vai à Madeira para defrontar o Marítimo, naquele que será mais um jogo muito difícil para o nosso principal rival. 

Temos porém que nos concentrar exclusivamente no nosso jogo e não nos desviarmos um milímetro da mentalidade de que o próximo jogo é o mais difícil. Enquanto as coisas não estiverem matematicamente resolvidas - para o que faltam 14 pontos, a que se subtrairão os que o Sporting for perdendo - ou perto disso (vantagem ainda maior, para uns 9 ou 10 pontos a poucas jornadas do fim) não poderemos abrandar nem pensar noutras competições (com excepção da Taça de Portugal, que é outra questão).

Do jogo de ontem fica pois uma vitória muito importante, num jogo bem conseguido no qual a equipa (que não contou com Fedja, que tem sido muito importante nas últimas partidas) demonstrou raça e coração e venceu com toda a justiça.

Para não variar, alguns tentaram logo não digo desvalorizar mas retirar brilho à vitória do Benfica, procurando recambolescas análises que em factores múltiplos encontraram a "verdadeira" "explicação" do jogo, desde a lesão de um jogador do Nacional até aos próprios factores metereológicos, com os quais pelos vistos o Benfica estaria em especial conluio... Para alguns o Benfica ganhou por causa do vento imagine-se...

Neste particular tem estado em destaque pela negativa João Rosado, que comentou os dois últimos jogos do Benfica: o primeiro, com o Tottenham, para a SIC, o segundo, o de ontem, para a TSF.

No jogo com o Tottenham, Rosado falava de um domínio do clube inglês que mais ninguém via, ao passo que ia fazendo reparos desajustados às exibições de vários jogadores, deixando de parte apenas Luisão (pudera!). 

Ontem, aquando dos vários golos do Benfica, Rosado tinha sempre algo a apontar. No primeiro, de Lima diz que "não sabe se os jogadores do Nacional reclamavam uma falta de Luisão no início do lance". Importa-se de repetir???? Aquando do monumental de Rodrigo, o comentário inicial de Rosado é que "depois da perdida inacreditável de Gaitan". Quanto ao terceiro, considerou que Garay "tira partido do factor vento" e "fico com a ideia de que Garay tenta fazer uma assistência", pois "não é o seu gesto uma intenção clara para golo" e que "é pena que os jogadores depois não assumam o que verdadeiramente queriam fazer". No comentário de resumo da primeira parte, diz que "Rodrigo tem feito a diferença".

Enfim, são perspectivas.

Importante mesmo é o Benfica continuar a ganhar.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Arbitragens, ameaças e ataques

A indignação e o "basta" I


A semana que passou foi a da indignação sportinguista.

Devo dizer que compreendo que as pessoas se sintam indignadas quando consideram que foram prejudicadas pela arbitragem e sobretudo quando sentem que a arbitragem espoliou a sua equipa de pontos, de modo que por vezes parece intencional. Muitas vezes aqui me indignei.

No entanto já compreendo menos quando as queixas esquecem favorecimentos e se dão num jogo em que a par de prejuízos houve benefícios claríssimos.

Objectivamente, no jogo que deu aso a tudo isto em Setúbal, o Sporting empatou 2-2 e os golos nascem de um penalty inexistente e de um lance em que a bola parece nem sequer ter entrado.

É verdade que há um golo mal anulado ao Sporting - mas quantos fora-de-jogo são mal assinalados todas as semanas? Também o segundo golo do Setúbal nasce de um penalty fantasma, um penalty à Porto.

Houve por isso equilíbrio nos erros - grosseiros sem dúvida - pelo que não me parece que se possa falar em "roubo".

Roubo é sim um árbitro marcar dois penalties inexistentes contra uma equipa, como aconteceu com Xistrema na época passada contra o Benfica, e este ano vejo também acontecer em jogos do meio da tabela para baixo (área em que o sistema anda a operar e em que temos que ter muito cuidado ou na próxima época voltamos a ter uma maioria esmagadora de clubes do Norte na 1ª Liga).

Obviamente que é ridículo dizer que se vai processar os árbitros e a Liga. As leis da UEFA prevêm a descida de divisão (até aos distritais, ou seja provas amadoras) dos clubes que recorram à justiça civil por questões relativas à justiça desportiva.

Quanto ao outras iniciativas igualmente ridículas em que o Sporting é useiro e vezeiro, sinceramente já nem sei o que dizer. Deixo a imagem, que fala por si, do "comício" do movimento "Basta".





O "caso" JJ vs. Sherwood


Houve depois a situação do desentendimento entre Jorge Jesus e Sherwood no jogo da Liga Europa, que já abordei. Claro que todos os nossos rivais queriam que o nosso treinador fosse punido (pudera!) e foram muito críticos do comportamento "gravíssimo" de JJ. Já disse o que penso sobre o assunto mas o "caso" está encerrado, para desgosto dos nossos rivais. Se falo dele é apenas para assinalar que Sherwood no último jogo, com o Arsenal, se envolveu com Sagna, a quem atirou a bola com força por duas vezes em direção ao peito, levando o jogador a ir-lhe pedir satisfações. Sherwood é pois reincidente em comportamentos provocatórios, neste caso meteu-se foi com a pessoa errada.


O clássico e o basta II


Vi o clássico entre o Sporting e o Porto com enorme gozo. Sabendo que independentemente do que acontecesse o Benfica sairia beneficiado deste jogo, pude vê-lo com toda a descontração.

Com toda a sinceridade, este jogo nada tem a ver com os jogos entre estes adversários e o Benfica.

Vi, comparativamente aos clássicos/derby, um jogo com pouquíssima intensidade, muito pouca tensão, muito pouca emoção. 

Num Benfica-Sporting ou Benfica-Porto, cada lance é disputado como se fosse o último, cada bola como se fosse de golo, o portador da bola é sempre pressionado de muito perto, há poucos espaços e todos jogam nos limites. Já neste jogo, os defesas saiam com a bola sem marcação, os médios construíam quase sem pressão, jogava-se quase a passo, com poucas mudanças de velocidade, poucos duelos rasgados.

Foi, digo-o com toda a sinceridade e sem intenção de apoucar os adversários, um jogo fraco, sem dimensão, sem intensidade e com emoção apenas qb. Um jogo no qual em nenhum momento se sentiu um ambiente vibrante, frenético, um verdadeiro nervosismo e peso da responsabilidade de um jogo decisivo.

Destacaram-se Quaresma, que, como já aqui disse, está de facto noutro patamar, sendo hoje o melhor jogador do Porto e Slijmani pelo golo. Mas destacou-se também e sobretudo Proença! Expulsou um jogador do Porto! Isto é um momento que tem que ser assinalado, porque há um antes e um depois deste jogo. Não apenas Proença validou um golo precedido de fora de jogo, como não marcou um lance de possível penalty a favor do Porto, como ainda expulsou Fernando. Ou muito me engano ou Proença rapidamente deixará de ser "o melhor do mundo". Aliás, se ouvi bem, Manuel Queirós, o portista, disse algo nesse sentido no Domingo à noite.

Já ontem era Manuel Serrão, agora menos sorridente, que dizia: "fomos comidos por um fedelho", ao passo que Eduardo Barroso não escondia um sorriso maroto.

A realidade é que os vários "basta", comunicados e "indignações" parecem ter tido efeito. 


As ameaças de morte - basta III


Há limites para tudo. Há muito que venho dizendo que tem que ser posta ordem no futebol. Têm que se prender pessoas que têm acções criminosas. Já houve mortes resultantes da violência que rodeia o futebol e nada foi feito. Eu espero sinceramente que não seja preciso morrer alguém menos anónimo para que de vez a polícia e a justiça intervenham. E para que isso aconteça será preciso alguns políticos deixarem de dar cobertura a alguns criminosos do futebol.

Aquilo que Bruno de Carvalho fez foi tentar pela via da pressão e da demagogia resolver, quer dizer atacar, dissolver, um sistema de poder que há anos beneficia o Porto. Em larga medida a sua estratégia é correcta (do ponto de vista dos interesses sportinguistas) e está a ser coroada de sucesso.
Há porém que ter muito cuidado pois alguns loucos não sabem onde estão os limites. Por exemplo, adeptos (sportinguistas, tudo o indica) já vandalizaram estabelecimentos do árbitro Manuel Mota.

Claro que a pressão sobre Proença resultou e claro que a pressão sobre Manuel Mota, com ameaças de morte não apenas a si mas à sua filha - algo de cobarde, criminoso e absolutamente inaceitável - também "resultaram". O Benfica sobre um penalty inexistente e vê uma expulsão indiscutível ser autenticamente perdoada a um jogador nacionalista.

Não pode valer tudo! Se a "indignação", real ou estratégica, do Sporting se compreende para acabar de vez com o sistema de poder no futebol português, ela assemelha-se perigosamente à estratégia adoptada há 30 anos por Pinto da Costa. Não se pode, para combater um mal, adoptar-se os seus métodos, ou tornamo-nos iguais a esse mal. Recordo aliás que esta estratégia sportinguista já tem antecedentes e que o gravíssimo e criminoso incêndio do Estádio da Luz - NUNCA CONDENADO PELOS DIRIGENTES SPORTINGUISTAS E MENOS AINDA PELOS ADEPTOS - se seguiu a um incendiar do ambiente com a história da jaula, promovido por dirigentes e comentadores sportinguistas.

Ainda bem que, apesar da tentação ter existido, o nosso clube nunca enveredou por esse caminho.

Mas para além disto, destas ameaças, aconteceu ontem ainda uma outra coisa inimaginavelmente grave: a serem verdadeiros alguns relatos, houve um ontem atentado contra Mário Figueiredo! Como se sabe, o Presidente da Liga tem combatido o monopólio da Sporttv/FC Porto, que tudo têm feito para o depor. A confirmar-se o atentado temos mais uma manifestação do ponto a que esta gente está disposta a ir para manter o status quo dos seus negócios futebolísticos.

Há que pôr ordem e parar com isto. Basta de "bastas", basta de sistema e basta de criminalidade! Isto é futebol, não é, não pode ser uma guerra mafiosa.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Categórico e com classe

O Benfica fez ontem umas das melhores exibições europeias do passado recente e venceu de uma forma categórica, cheia de classe, um adversário de grande valia.


Tal como acontece sempre, alguns comentadores e observadores da realidade futebolística apressaram-se a desvalorizar o Tottenham (que deixou de ser uma grande equipa que nos ia criar grandes problemas para passar a ser uma equipa banal) ou a encontrar em episódios laterais motivos para desviar atenções ou apoucar a vitória.


A realidade é que o Benfica, a jogar fora perante um estádio lotado e vibrante de apoio à equipa inglesa, dominou por completo o seu adversário e silenciou os adeptos da casa, podendo até ter vencido por números mais expressivos. O Benfica, jogando contra uma equipa que tem jogadores consagrados, de classe e com bastante poder físico, habituada a jogos grandes, impôs por completo o seu futebol quase desde o primeiro minuto, ganhou quase todos os duelos, fez belíssimas jogadas e marcou três belíssimos golos. 

O que dizer da exibição de Luisão? Foi simplesmente perfeito. Tal como João Pinto teve nota 10 d' "A Bola" no célebre 6-3 em Alvalade, Luisão mereceu ontem igualmente nota 10 porque foi exímio a defender (o único golo do Tottenham surge de um remate à baliza num livre) e ainda fez dois belos golos, o segundo então verdadeiramente espectacular.

Outros houve que estiveram igualmente muito bem, como Fedja (mais uma vez), Rúben Amorim (excelente o passe para Rodrigo no 1º golo), este último e não apenas pelo golo, Siqueira, e em geral toda a equipa. Foi uma excelente exibição colectiva do Benfica.

Em relação aos faits divers, já todos sabemos como Jorge Jesus é. Aparentemente o treinador do Tottenham terá aberto as hostilidades, não sabemos se de forma arrogante ou não, mas o que é certo é que recebeu o seu troco. Naturalmente que Jorge Jesus escusava de fazer aquele gesto mas eu que eu não farei aqui é pretender que isso foi a coisa mais importante que aconteceu no jogo de ontem. Picardias daquelas ou parecidas existem em quase todos os jogos (Rui Santos, que entre os vários comentadores é dos que mantém mais discernimento e independência, assinalou aliás e bem que Mourinho já tem tido comportamentos semelhantes).

Em suma e voltando ao futebol dentro das 4 linhas, a exibição foi excelente e a rotatividade verificou-se, embora não em tanta extensão como no passado. Fiquei satisfeito por Sulejmani (jogador com muita qualidade, que aprecio e com o qual simpatizo) e Cardozo terem jogado, tal como Rúben, que aliás estará novamente no 11 na segunda-feira salvo qualquer imprevisto, e Sílvio.

Nos próximos jogos (excluindo evidentemente o jogo com o Nacional) seria importante Jorge Jesus dar algum descanso a Luisão, Siqueira e Rodrigo. Todos desejamos que a excelente condição física que a equipa demonstra se possa manter até ao fim da época. 

Uma última palavra para os comentários ao jogo, quer durante o mesmo, quer após. Não se percebe de facto qual o problema de alguns comentadores, mas seja ele qual fôr deveriam resolvê-lo antes de falar em directo na televisão pois caso contrário perdem toda a credibilidade que poderiam ter. Os comentários em directo falavam de uma entrada muito forte e de um domínio do Tottenham que eu sinceramente nunca vi. Os comentários após, nomeadamente os do inefável Ribeiro Cristovão, procuravam por todos os meios referir-se apenas ao que de mal aconteceu, chegando ao ponto de criticar as declarações de Rúben Amorim! Oh homem vá-se tratar!




quinta-feira, 13 de março de 2014

A Europa secundária

O Benfica joga hoje uma partida importante de uma competição este ano duplamente secundária: secundária porque é o é de facto em relação à Liga dos Campeões que, com a final este ano na Luz foi no início da época um objectivo (ou um sonho) e secundária porque tem que ser secundarizada face aquele que é neste momento o grande objectivo: recuperar o título de Campeão Nacional.

Não temos escrito muito e a própria blogosfera tem estado muito calma, o que é um bom sinal. É sinal de que os benfiquistas andam contentes com o rendimento da equipa e que se identificam com a forma como as coisas têm sido geridas.


Nomeadamente esta ideia de que a Liga Europa tem que estar subordinada ao campeonato, que tanto defendemos - e continuaremos a defender independentemente do resultado do jogo de hoje e da eliminatória - foi assumida pelo departamento de futebol do Benfica, nomeadamente por JJ que é quem decide quem joga.


Se as coisas por acaso correrem menos bem já sabemos que virão inúmeros comentadores, com o sportinguista Ribeiro Cristóvão à cabeça, o SPortonguista Freitas Lobo logo a seguir e os benfiquistas (?) David Borges, Joaquim Rita e Jorge Baptista atrás, lançando toda a espécie de críticas e invectivas a Jorge Jesus. Este último (Jorge Baptista) aliás acha que Jorge Jesus é um ignorante que só ganha porque tem os melhores jogadores e plantéis. 


Mas estes mesmos comentadores, se porventura apostassemos nos habituais titulares, passassemos a eliminatória e, com más arbitragens e a equipa desgastada, viessemos a perder o campeonato novamente no dragão, seriam os primeiros a culpar Jorge Jesus por ter mais olhos que barriga.


O nosso juízo tem pois que ser feito de acordo com prioridades estabelecidas e gestão da condição dos jogadores. Isso está a ser muito bem feito e deve continuar hoje, repito, independentemente do resultado.


Obviamente que desejo passar a eliminatória e se possível até ganhar já hoje e praticamente resolver a eliminatória. Mas desejo-o NÃO COMPROMETENDO OS JOGOS FUNDAMENTAIS QUE AÍ VÊM, designadamente as deslocações à Choupana e a Braga nas quais se o Benfica conseguir fazer 6 pontos (vencendo igualmente a jornada entre elas, na Luz contra a Académica) será seguramente campeão.

Entretanto o jogo de hoje será obviamente difícil pois o Tottenham tem bons jogadores e irá apostar tudo nesta competição, agora que as coisas no campeonato não lhe estão a correr bem. Este jogo aliás é quase de "vida ou morte" para o futuro do treinador e de alguns jogadores no clube. 

Ainda em relação à Liga Europa não posso deixar de referir que os profissionais do Porto, nomeadamente Quaresma e o treinador deveriam ter mais calma (em geral e especialmente no que concerne a esta eliminatória). O jogador do Porto, cuja qualidade indiscutível tem ajudado a sua equipa mas cujo temperamento o deixa ficar mal muitas vezes, disse que "quem vier cai" e que "em nossa casa mandamos nós", ao passo que o treinador disse que o Porto era "favorito à conquista da Liga Europa". Deveriam ter calma, sendo até um pouco ridículo Quaresma dizer que em casa "mandam" quando ainda não ganharam um jogo europeu em casa esta época. Quanto a Luis Castro, ou muito me engano ou esse "favoritismo" durará apenas até às 18.00h. Ou muito me engano ou o Nápoles (equipa fortíssima) não dará qualquer tipo de hipótese ao Porto nesta eliminatória. 






sexta-feira, 7 de março de 2014

Jogo(s) decisivo(s)

Os próximos jogos, já se sabe, serão determinantes para o título.
O Benfica parte à frente, com o Sporting perto, no seu encalce. O Porto tem neste momento as suas hipóteses reduzidas ao mínimo. Ao atraso pontual junta uma mudança de treinador, algo que por regra equivale (para qualquer equipa) a não ganhar.
Benfica e Sporting enfrentam  jogos muito importantes, potencialmente decisivos, nas próximas jornadas.
O Benfica joga com Estoril, Nacional, Académica e Braga. O Sporting, depois de virar dois jogos difíceis, com Rio Ave e Braga, de 0-1 para 2-1, joga com Setúbal, Porto, Marítimo e Guimarães. 
O calendário completo e respectiva análise pode ser encontrado aqui no blog, neste momento acrescentaria apenas o seguinte.
Leonardo Jardim estará a dizer à sua equipa que vencendo os próximos jogos, nomeadamente derrotando o Setúbal e Porto, não perdendo na Madeira e vencendo o Guimarães, o Sporting assegurará o primeiro objectivo da época e poderá então assumir como novo objectivo a conquista do campeonato. Ou seja, a confiança do Sporting está a crescer. Os próximos jogos são pois decisivos ou para criar uma dinâmica vitoriosa ou para fazer cair um pouco as expectativas. O jogo em Setúbal será difícil, assim como o jogo com o Porto, obviamente. Depois disso vem um jogo talvez ainda mais difícil que é a visita aos Barreiros para defrontar o Marítimo que este ano derrotou o Benfica e empatou com o Porto. Vencendo todos esses jogos o Sporting poderia criar uma dinâmica forte, alimentada pela ideia de poder chegar ao título, contando com um deslize do Benfica na última jornada. 
Pela nossa parte enfrentamos um jogo que no ano passado nos trouxe um amargo dissabor e o início da grande derrocada. É obviamente um jogo muito importante e difícil mas que o Benfica tem toda a capacidade de vencer. Se o Benfica fizer o que pode, certamente vencerá. Depois virá novo jogo complicado e de má memória se recuarmos à época passada. Foi nessa ocasião que Proença se lembrou de expulsar Matic e Cardozo, tendo o resultado final sido de 0-0. É um dos jogos mais difíceis que o Benfica terá até ao final do campeonato, no qual, como dizia Trapattoni, se não pudermos ganhar é muito importante que não percamos. Depois disso teremos jogos com a Académica e Braga que temos "obrigação" de ganhar. A partir daí e descontando o jogo do dragão, temos 3 jogos em casa e uma deslocação ao Arouca. Em suma, 10 a 12 pontos nos próximos 4 jogos deverão permitir ao Benfica emergir deste ciclo não digo como campeão mas numa posição ainda mais forte do que a actual. 
É portanto hora de darmos todo o apoio à equipa, de começar a encher estádios, sobretudo o nosso. A começar já no Domingo pelas 17.00h. Uma vitória constituirá mais um passo para a conquista de um título que este ano não nos pode fugir.


terça-feira, 4 de março de 2014

Não vamos repetir o desastre

É preciso recordar, pois a memória é selectiva e muito influenciável pela emoção, que na época passada estávamos nesta situação:

Campeonato (Liga Zon Sagres), 21ª jornada 

O Benfica acabava de passar para a frente do campeonato vencendo em Aveiro por 1-0 e beneficiando do empate do Porto em Alvalade (0-0). O Porto parecia em franco declínio, não sendo capaz de bater o pior Sporting de sempre, e o Benfica parecia virtualmente imbatível. Isto aconteceu há exactamente um ano: o Porto jogou dia 2 de Março e o Benfica dia 3.

Taça de Portugal

O Benfica tinha praticamente assegurado para lá de qualquer dúvida a presença no Jamor ao vencer por 2-0 em Paços de Ferreira a então equipa-sensação de Paulo Ferreira. A 1ª mão disputara-se a 30 de Janeiro e a segunda mão ocorreria apenas a 15 de Abril.

Taça da Liga

Tínhamos perdido a 27 de Fevereiro o acesso à final da Taça da Liga perdendo em Braga no desempate por grandes penalidade (2-3). Este ano, recorda-se, a eliminatória foi suspensa devido ao protesto do Sporting e ao "caso atraso".

Liga Europa

O Benfica eliminara o Bayer Leverkussen com um total de 3-1 (1-0 fora e 2-1 na Luz) em eliminatória disputada a 14 e 21 de Fevereiro. Os oitavos de final disputar-se-iam a 7 e 14 de Março (este ano serão uma semana mais tarde) na altura contra o Bordéus.

Análise

Ou seja, a época decorria às mil maravilhas e apresentando até muitas similaridades com a presente. Nomeadamente o Benfica parecia muito sólido e dava a ideia de ser quase impossível perder um jogo. Tendemos a dizer que agora a equipa denota uma grande segurança - e é verdade - mas já nessa altura demonstrava uma enorme solidez - certamente não foi um acaso termos (excepto a Taça da Liga) chegado a todas as finais.

A "moral da história" é que mais uma vez ainda não ganhámos nada.

É um facto que no campeonato estamos melhor do que há um ano atrás. A vantagem é bem mais substancial. Não é porém ainda de molde a garantir-nos o título. Para isso precisamos de a alargar ainda um pouco mais, sobretudo em relação ao Sporting. Só se e quando o conseguirmos, poderemos apontar baterias para a Liga Europa. Isto até porque por esta altura tínhamos já resolvido a questão da Taça (ou pelo menos o acesso à final) algo que este ano ainda não aconteceu, sendo a eliminatória obviamente difícil.

O ano passado o que aconteceu foi que alguma rotatividade praticada entre o campeonato e a Liga Europa (durante semanas a fio jogamos sempre a meio da semana e ao fim de semana) não aconteceu entre os jogos contra o Fenerbahçe (muito exigentes) e o jogo decisivo contra o Estoril (no qual ainda por cima Enzo Perez se lesionou, entrando Carlos Martins com os resultados que se sabem - foi expulso). Foi aí que tudo se começou a desmoronar.

A implicação da postura que temos vindo a adoptar esta época é que a eliminatória com o Tottenham deverá ser subalternizada aos confrontos decisivos para o campeonato (ademais com um Sporting-Porto na calha e uma recepção ao Estoril e uma visita à Choupana para o Benfica), o que poderá ter como consequência a eliminação da Liga Europa.

Mas que seja! O Campeonato é mesmo a prioridade! É preferível perder agora a Liga Europa e assegurar uma vantagem decisiva no Campeonato. Isto (o risco de ser eliminado pelo Tottenham, sem prejuízo dos que jogarem tentarem tudo para que assim não seja) tem que ser assumido por todos no Benfica face ao objectivo maior de reconquistar o título. O que não pode acontecer é "rebentar" a equipa agora para depois faltarem pernas nas jornadas decisivas e ver o campeonato esfumar-se mais uma vez!

Já sabemos que muitos virão criticar e atacar, com as conversas do costume de que o Benfica tem que entrar sempre com os melhores para ganhar todas as competições, face à sua história, blá, blá, blá.

Isso tudo é conversa para amolecer, conversa de burros que pode dar aos Ribeiros Cristóvãos, aos Joaquins Ritas, aos Davids Borges, aos Jorges Baptistas, tempo de antena em que se sentem muito importantes nas televisões ou rádios mas que não pode corresponder ao pensamento estratégico de quem decide no Benfica e quem assume as responsabilidades pelos resultados.

Campeonato e Taça são as prioridades. Liga Europa e Taça da Liga vêm depois e submetem-se àqueles objectivos maiores. Este ano queremos títulos e não finais!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Capitães, confiança e campeonatos

O Capitão dos capitães


Coluna deixou-nos e repousa agora no outro mundo. Foi um grande líder e capitão, que estabeleceu grande parte dos elevados padrões que caracterizaram durante décadas a função de um capitão do Benfica. Ganhou tudo o que havia, incluindo duas taças dos Campeões Europeus, caracterizando-se pela sua calma e pela sua visão de jogo. Depois de jogador fundamental no Benfica e na selecção nacional, nomeadamente na equipa de 66, foi seleccionador e dirigente federativo de Moçambique, a sua outra terra natal, de onde era oriunda sua Mãe. Com o minuto de silêncio no Restelo (respeitado sem palmas, o que nos dias que correm é uma raridade), Estádio também cheio de história, onde jogou um outro grande moçambicano, Matateu, cumpriram-se dignadamente as cerimónias em memória de Coluna. Que descanse em Paz.

"Confiança a mais"


O Benfica tem feito (quase) tudo bem e merece evidentemente elogios (tanto mais que aqui não escrevia desde o jogo na Grécia). Vencemos o Guimarães, voltámos a vencer os gregos por uns concludentes 3-0 e vencemos ontem no Restelo. 
Apesar disso e como queremos que o Benfica vença sempre e sobretudo saia largamente vencedor no fim do campeonato (se possível com o Campeonato e mais um ou dois títulos), convirá deixar algumas notas de preocupação que podem servir de aviso.
Jorge Jesus falou nos perigos de um excesso de confiança e isso poderá estar a acontecer. Depois de marcar, quer contra o Guimarães, quer contra o Belenenses, a equipa abrandou, a meu ver demasiado e expôs-se a um golpe de sorte do adversário.
Ontem tivemos muita sorte pois esse golpe de certa forma existiu e foi uma decisão polémica que evitou que o Belenenses empatasse já na segunda metade da 2ª parte. Digo polémica e não errada porque penso que se trata de uma questão de interpretação. O jogador em fora de jogo está a obstruir (pelo menos) o campo de visão do guarda redes e a bola vai exactamente para onde ele se encontra. Nada garante que, não estando ali o jogador, Oblak não pudesse avançar para antecipar melhor o desenlace da jogada. Não é por isso claro que o jogador não interfira na jogada. 
De qualquer modo o ponto aqui é que o Benfica deveria ser capaz de resolver estes jogos marcando mais um golo para se colocar a salvo de qualquer eventualidade. As equipas que hoje jogam contra o Benfica marcam praticamente todos os livres à frente da linha de meio campo directamente para a área, numa esperança que surja um golo quase do nada.
Claro que isto demonstra algum desespero e descrença em conseguir chegar à nossa área através de jogo corrido, mas faz-nos lembrar de que no futebol um golo pode acontecer a qualquer momento, de um erro, um lance de inspiração ou um completo bambúrrio. 

Admite-se que a equipa possa estar a fazer gestão de esforço, embora neste ano não existam para já razões aparentes para muito cansaço. Tem havido - e bem - rotatividade e ainda não jogámos assim tantos jogos. Mais preocupante será se houver jogadores que estejam já fatigados e a precisar de algum repouso porque agora é que a época vai começar a "doer" (e disso falaremos adiante). Vejo alguns sinais desses em Enzo Peres, ao passo que Fedja e Rodrigo também não me parecem no melhor momento.

Campeonato e outras competições


Como aqui tenho enfatizado vezes sem conta, o campeonato é a prioridade absoluta da época, à qual temos que submeter tudo o resto.

Isso significa que a gestão dos jogos tem que ser feita para que os jogadores que são primeira escolha possam estar em condição física ideal para os jogos do campeonato, o que por sua vez implica que alguns deles terão que ser poupados nos jogos europeus e na Taça da Liga. A ideia de que "hoje em dia" os jogadores jogam sem problemas duas vezes por semana e que "basta olhar para Inglaterra" é errada porque: 1º em Inglaterra há rotatividade, aliás há mesmo um hábito enraizado de rotatividade; 2º o rendimento das equipas na "ressaca" dos jogos europeus importantes, incluindo as equipas de topo, é invariavelmente inferior ao habitual e muitas das vezes resulta mesmo em derrotas. 

Nesta medida, a eliminatória com o Tottenham deve, pelas razões aditadas e pelo facto do campeonato ainda não estar resolvido, obedecer a esta lógica, dando-se pois oportunidade aos que menos têm jogado. 

A vantagem de que o Benfica dispõe é importante mas ainda não decisiva. 5 pontos é uma vantagem interessante mas que não permite quaisquer deslizes (como os últimos dois anos demonstraram). Para que ela se torne numa vantagem mais folgada e possivelmente já decisiva, o Benfica precisa de vencer os próximos jogos, começando já no fim de semana com o Estoril e depois com o Nacional. (O calendário desta fase encontra-se aqui). Vencendo esses jogos, o Benfica beneficiará da perda de pontos de Porto ou Sporting, ou ambos, no clássico da 23ª jornada.
O campeonato deve-se pensar jogo a jogo mas esta época podemos ambicionar assegurá-lo ainda algumas jornadas antes do fim. Precisamos para isso de continuar a vencer, como até aqui. Se o Benfica às vitórias desejadas sobre Estoril (que seria ademais importante para ultrapassar definitivamente o trauma da última época que começou a desenhar-se precisamente no jogo contra o Estoril na Luz) e Nacional (onde também perdemos pontos e Proença expulsou Cardozo e Matic no jogo da época passada), juntar vitórias nos dois jogos seguintes (recepção à Académica e visita a Braga) não tenho qualquer dúvida de que logo aí ficaremos virtuais campeões. 
O meu ponto era porém sobretudo este: se no fim de Março, após defrontarmos o Braga, tivermos uma vantagem mais ampla sobre o segundo classificado, que deverá ser o Sporting, então podemos dar mais atenção a outras competições (caso ainda nelas estejamos) designadamente a Liga Europa. 
Estamos a chegar a um momento muito importante da época, com as jornadas que se avizinham, potencialmente decisivas, e a eliminatória com o Tottenham que será muito difícil, sobretudo dada a necessidade de salvaguardar alguns dos principais jogadores, e ainda a meia-final da Taça de Portugal, a duas mãos com o Porto, isto para já não falar da Taça da Liga, também disputada no dragão.

Outras efemérides 


Luisão atingiu duas marcas impressionantes: 100 jogos europeus e 400 jogos em todas as competições pelo Benfica. São números impressionantes de um jogador fundamental para o Benfica esta época (como em muitas anteriores) e que pela sua presença tem contribuído para a estabilidade  e para a recuperação da identidade do Benfica. Parabéns ao nosso capitão.

Jorge Jesus também está de parabéns por ter feito o jogo 250 pelo Benfica, tornando-se o segundo treinador com mais jogos e o segundo com mais vitórias. Faltam-lhe 20 jogos e 18 vitórias para atingir o primeiro lugar.