quarta-feira, 12 de junho de 2013

Artur também pode sair

Artur fez uma grande Liga Europa e foi um dos responsáveis pela presença do Benfica na final. 

No entanto para o campeonato as coisas já não foram tanto assim. 

Nos jogos em que tudo se decidiu, Artur ficou muito mal na fotografia. Primeiro foi o jogo da Luz contra o Porto, em que o Benfica estava num grande momento e poderia ter adquirido uma vantagem psicológica e pontual sobre o seu único rival deste ano. Artur deu um golo ao Porto, num lance que ainda hoje me custa a entender.



Depois contra o Estoril Artur, ainda que perturbado pela acção de Licá em posição irregular (talvez a que lhe mereceu a contratação pelo Porto), deixa entrar uma bola fácil, tornando tudo muito mais complicado.

Finalmente nas antas, apesar do ressalto em Maxi, a bola do primeiro golo do Porto era perfeitamente defensável. Indo para o intervalo em vantagem, o Benfica tinha tudo para ser campeão. Foi um erro que saíu caro até porque Artur, aí sim numa bola bem mais difícil, não conseguiu fazer o que ainda assim não era impossível para um grande guarda-redes, que era defender o remate de Kelvin. 

A isto acresce uma nova exibição comprometedora na final da Taça, que custou o troféu.

Muito embora eu evite sempre culpabilizar um jogador pelas derrotas (Jorge Jesus tem responsabilidades sobretudo na final da Taça, jogo em que André Almeida foi o pior jogador em campo, e Roderick deixou Kelvin fazer o referido remate) esta sucessão de erros de Artur é um bocadinho demais.

Refira-se que a possibilidade de Eduardo vir para o Benfica é real. Não sei se será a melhor solução (sobretudo depois do que vi no jogo Portugal-Croácia) mas que vários indícios apontam para que Artur venha a perder o seu lugar, disso não tenho dúvidas.

Saídas no Benfica

Para além de Cardozo, deverão deixar o Benfica Garay (praticamente já transferido), possivelmente Gaitan e... poderemos ter ainda uma semi-surpresa desagradável. Matic disse querer continuar pelo menos mais um ano e o seu irmão foi contratado mas... 

A época de Matic deu muito nas vistas. Convém não esquecer que o Benfica chegou a uma final europeia. Matic foi constantemente o melhor do Benfica. Pelos valores certos (e a cláusula de rescisão penso que rondará os 50 milhões), Matic sairá certamente.

A confirmarem-se estas saídas, para além naturalmente das dispensas e de um ou outro jogador menos influente, será certo que o Benfica adoptará um novo tipo de jogo.

Para jogar como o fez na primeira época, o Benfica precisou de um super-Javi Garcia, autêntico guarda-costas dos centrais e pronto-socorro nas perdas de bola. Era um jogador que imediatamente caia em cima do opositor quando o Benfica perdia a bola. Daí dificilmente as equipas adversárias conseguirem ter bola e sair a jogar contra o Benfica nessa época. Mas havia também Ramirez que era um ala muito especial, recuperava a bola e conduzia-a e fazia muito bem a ligação entre sectores. Havia também, claro está, um Aimar em grande forma.

Depois da saída de Ramirez, foi o descalabro: a equipa ficou partida e o campeonato irremediavelmente perdido na 1ª volta, com derrotas amargas contra o Porto e Braga a ditarem a saída das taças nas meias-finais.

No terceiro ano chegou Witsel e a equipa voltou a equilibrar-se. O Benfica perdeu o campeonato devido às arbitragens.

No ano passado, com as saídas de Javi, autêntico esteio da equipa desde a chegada de Jorge Jesus e da adopção do modelo super-atacante do Benfica, e de Witsel, o chamado médio box-to-box, com tremenda qualidade técnica e cultura táctica, temeu-se o pior. Jorge Jesus lançou então Matic, que foi um autêntico monstro. Matic parecia estar em todo o lado, desde o meio às faixas laterais, desde a rectaguarda do nosso ataque à frente da nossa defesa. Graças à sua extraordinária época e à óptima prestação também de Enzo Peres, que secundou Matic muito bem, sendo sempre um jogador extremamente combativo e com capacidade para sair com a bola, a substituição do miolo da equipa do ano anterior não se notou. 

Caso Matic saia, Jorge Jesus terá que inventar outro meio-campo. Será a quarta vez que o faz em 5 anos. Apenas no segundo ano se manteve (embora apenas na aparência) o desenho táctico. Na realidade a saída de Ramirez deveria ter sido colmatada com outro desenho táctico (o que surgiu no terceiro ano) para compensar o vazio deixado no meio campo.

Voltando ao próximo ano, a contratação de Djuricic e a saída de Cardozo, ponta de lança fixo, já deixavam antever que o Benfica viria a jogar de forma diferente. Imagino que possa voltar ao modelo de um médio defensivo mais clássico, ao estilo de Javi, mas teremos que esperar para ver.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Reforçar a competência e a qualidade (II)

Independentemente dos erros, que existiram e de, entre outros, referi no anterior post sobre o assunto, Luis Filipe Vieira e Jorge Jesus têm os seguintes méritos que não podem ser negados: o presidente reforçou - e muito - a qualidade do plantel ao longo dos anos, ao passo que o treinador colocou a equipa a competir num patamar completamente diferente do que sucedia nos anos que o precederam.

O Benfica tem tido nos últimos anos plantéis de grande qualidade que estão a passar ao lado do sucesso que merecem por diferentes factores, uns imputáveis ao Benfica, outros completamente estranhos não apenas ao Benfica mas à própria essência do futebol. Nos últimos dois anos (pelo menos) o Benfica teria sido o campeão se estes factores estranhos não tivessem desempenhado um papel decisivo.

Em termos de erros próprios, deixando agora de lado as questões de combate ao sistema e de comunicação do clube, o Benfica não pode repetir erros do passado como sejam as apostas insistentes em jogadores claramente sem perfil para o Benfica ou começar épocas com carências em posições fundamentais.

Na época que se iniciará dentro de dois meses, o Benfica terá que ter no seu plantel um lateral esquerdo com capacidade e competências indiscutíveis, assim como uma alternativa (se possível ainda de maior qualidade) a Maxi Pereira. Terá igualmente que acautelar a questão dos centrais: se Garay sair é necessário pelo menos um substituto de grande qualidade, até porque Luisão não durará sempre. Steven Vitória parece-me uma solução óbvia que oferece garantias. Depois há ainda a questão do meio campo. Aimar já saiu e Carlos Martins deverá seguir o mesmo caminho. Jorge Jesus deveria a meu ver dar uma oportunidade a Miguel Rosa (mas não vai dar, pois o jogador será emprestado ao Belenenses, o que pelo menos lhe dará espaço para se mostrar) e apostar mais em André Gomes. Há ainda André Almeida e Uros Matic. A questão é se estes jogadores contam ou não para JJ. Se não contam e não se contratar ninguém podemos esperar novamente o meio campo do Benfica a acabar a época em grandes dificuldades.

Finalmente temos a questão Cardozo. Melhor goleador do Benfica dos últimos anos, o paraguaio era pouco utilizado antes de JJ chegar à Luz. Foi com Jesus que Cardozo cresceu e se tornou no goleador que é hoje. A sua atitude irreflectida (mas grave) deverá levar mesmo à sua saída do Benfica.

A confirmar-se, isto exige alguma reflexão e o encontrar de soluções. Markovic parece-me um grande jogador mas pelo menos neste momento não tem o perfil de Cardozo como finalizador e homem de área. Aliás não há muitos jogadores como Cardozo. A sua presença e poder físico, aliados à capacidade concretizadora tornam-no num jogador raro e valioso. Que ainda para mais se encaixa muito bem no tipo de jogo do Benfica.

Será portanto preciso JJ ver se quer substituir Cardozo por um jogador semelhante ou se pelo contrário aproveitará esta oportunidade para mudar um pouco o modelo do Benfica, ou jogando com dois avançados mais móveis ou jogando num futebol mais apoiado, fazendo uso das qualidades de Djuricic.

Em termos de qualidade, estou plenamente convencido de que Djuricic, Markovic e Sulejmani acrescentam qualidade ao Benfica. Importa portanto agora acautelar as saídas e encontrar soluções para as posições onde há carências já de longa data (na esquerda, desde Álvaro e Veloso só me lembro de Léo e Fábio, como jogadores com capacidade indiscutível para envergar a camisola do Benfica). 

Depois há que continuar a reforçar a competência: a abordagem aos jogos decisivos, a capacidade de comunicar e gerir a informação, as condições de treino, a organização do futebol. Tenho visto pela blogosfera várias críticas a Carraça, sobre as quais não me pronuncio pois não conheço o seu trabalho e o dia a dia do Benfica. A questão de Carraça é igual à de Lourenço Coelho, que está igualmente envolvido com o balneário e de quem também não é possível identificar méritos. No entanto, mais do que pessoalizar, importa é corrigir erros, ser mais competente, ter mais atenção aos detalhes (não se admite o que se passou no final da Taça) e encontrar equilíbrios na gestão das emoções que permitam retirar o melhor de cada um. 

O caminho do Benfica tem que ser este: de ano para ano ser cada vez mais competitivo, mais capaz, mais profissional e manter ou se possível reforçar a qualidade da equipa. Se assim for, os títulos certamente que começarão a aparecer com regularidade. 

A "estrutura"

A tal "estrutura" que todos não se cansam de elogiar viu-se livre de Vitor Pereira como quem cospe uma pastilha elástica da boca.

Aqui neste blog critiquei muitas vezes e de forma muito dura Vitor Pereira, pois ele usou todos os métodos para atacar o Benfica e pressionar as arbitragens, assumindo-se como peão de brega do clube do Porto. Foi um treinador que os próprios adeptos portistas, nomeadamente os que têm páginas inteiras n' "A Bola", criticaram sistematicamente. Defendeu sempre o seu grupo e deu sempre a cara. Em dois anos perdeu um jogo para o campeonato. Venceu duas supertaças. 

E o que lhe fez a "estrutura"? Andou a tentar contratar Jorge Jesus ainda com o campeonato a decorrer. "Plantou" notícias que falavam de alegados (e inventados) interesses do Everton, justamente para passar a Pereira a mensagem de que devia começar a pensar em encontrar clube. Inventou uma rábula de que tinha sido feita uma proposta a Pereira e que este estaria a pensar se aceitava ou não...

Agora, não satisfeita com a desconsideração que fez a um treinador que talvez não seja tão incompetente como o pintam (em 4 jogos com JJ para o campeonato não perdeu um), a "estrutura", através do "papa", queixa-se de que Vitor Pereira ainda não se desvinculou do Porto, pelo que (subentende-se) não deveria ter assinado pelos árabes. Isto no mesmo dia em que apresentou Paulo Fonseca!!!! 

Inacreditável! É uma escumalha sem qualificação, que até os que os serviram de forma tão dedicada trata desta forma. 

Escumalha que não acaba na estrutura. Ao ouvir Miguel Guedes anteontem, dei por mim com vontade de lhe dar dois pares de estalos. Não porque ele estivesse a dizer verdades incómodas para o Benfica mas porque este indivíduo é um manipulador, um fuinha, uma criaturinha insolente e irritante, arrogante até à ponta dos cabelos e por todos os poros da sua pele, absolutamente insuportável. 

Dizia a criaturinha que Jorge Jesus tinha "problemas de personalidade" e menos de 5 minutos depois critica Gobern por atacar "a pessoa" de Jesualdo, algo que ele, Guedes (o santo) nunca fazia. Como se não bastasse ainda se permitiu fazer "avisos" ao Sporting a propósito do corte de relações, como quem diz "tu tem cuidado...".

O clube do Porto é isto. Em todos os seus representantes e na maioria esmagadora dos seus adeptos. A "estrutura" é isso: uma mentalidade de que vale tudo para ganhar, não se olhando a meios, atropelando quem se atravessar no caminho, usando e deitando no lixo as pessoas quando já não servem. Uma mentalidade (e pessoas dispostas a ser seus instrumentos) de que vale a pena violentar, agredir, fazer batota, adulterar e falsificar a realidade para ter títulos no currículo. 

Ao contrário do Benfica ou do Sporting, o Porto não vive da paixão clubística. Vive do ódio e das vitórias. Sem ódio não haveria "sentimento clubístico" do portismo, sem vitórias não haveria adeptos. No dia em que o Porto começar a perder, toda aquela gente, agora tão valente, ferrenha e aguerrida, dispersar-se-á, desaparecerá. O Estádio ficará às moscas e as peixeiras já não gritarão Porto. Os super-macacos acabarão e a "estrutura" dissolver-se-á como um castelo de cartas.

domingo, 9 de junho de 2013

O triângulo de Chão de Porcos

É mundialmente famoso o triângulo das Bermudas, também conhecido por triângulo do diabo, onde aviões e embarcações desaparecem misteriosamente, fruto de, alegam alguns, actividade paranormal e/ou de extra-terrestres.

Portugal não gosta de ficar atrás de ninguém seja no que for e daí a ter, desde há cerca de um mês, o seu próprio triângulo: o triângulo de Chão de Porcos.



Se o triângulo das Bermudas fica entre Miami, Bermuda e San Juan (Porto Rico), já o nosso fica entre o Porto, Braga e Paços de Ferreira. No meio do "nosso" triângulo fica a localidade que lhe dá nome: Chão de Porcos, que se situa ao lado de Costa do Pinto.

Tal como no triângulo das Bermudas desapareceram de forma misteriosa um avião e diversas embarcações, também no triângulo de Chão de Porcos desapareceram misteriosamente: 1) a verdade desportiva; 2) dois treinadores de futebol; 3) alguns jogadores. Provavelmente terão sido sugados por um vórtex semelhante ao que se diz existir nas Bermudas.

Há ainda outra semelhança notável, que faz com que Portugal esteja, como sempre, na vanguarda do que é estranho: tal como no triângulo das Bermudas alguns objectos desaparecem para sempre, ao passo que outros reaparecem noutros locais, o mesmo acontece em Chão de Porcos. De facto a verdade desportiva desapareceu sem deixar rasto mas os treinadores e os jogadores já reapareceram noutras paragens. Mais uma vez, as palavras de Pinto da Costa, certamente ligado por laços misteriosos a Chão de Porcos, ou não fosse a localidade vizinha Costa do Pinto, foram proféticas, pois ele disse (na altura incompreendido por nós, meros leigos): "já tenho treinador, vocês sabem onde ele está".

Estava, evidentemente, no triângulo de Chão de Porcos e agora tudo bate certo. 

Até aqui, Portugal tinha o seu quinhão de actividade paranormal, por força do Entrocamento e seus fenómenos (tudo ali cresce em proporções fantásticas) e também do Canal Caveira, onde ao invés de desaparecimentos havia, diz-se, encontros misteriosos.

Mas isso não chegava. Agora sim podemos-nos orgulhar de ter o nosso próprio um triângulo, tal como as Bermudas.

O primeiro fenómeno no triângulo de Chão de Porcos, deu-se a 11 de Maio. O Nacional da Madeira foi ganhar a Braga por 3-1, depois de ter perdido pelo mesmo resultado e com uma exibição descolorida uma semana antes contra o Porto. Com esse resultado, garantiu ao Paços de Ferreira o 3º lugar no campeonato, perdido precisamente pelo Braga. Foi um resultado anormal, especialmente se tivermos em conta que o Braga estava obrigado a ganhar se quisesse manter esperanças de ir à Liga dos Campeões no próximo ano. De facto ainda mais estranho se considerarmos a quantidade de água que a equipa nacionalista meteu na semana anterior, na sua própria casa, quando hipotecou definitivamente as possibilidades de alcançar a Liga Europa. Mas o futebol é assim, cheio de sortilégios e se fosse só por esse facto, nunca Chão de Porcos se teria celebrizado.

Os mais espectaculares fenómenos misteriosos começaram a dar-se a partir de 19 de Maio no vértice de Paços de Ferreira. A um já nos referimos: a verdade desportiva desapareceu  aos 20 minutos de jogo.

Os outros foram ainda mais extraordinários e aí sim, imortalizaram este triângulo: do vértice de Paços passaram para o vértice de Braga Luis Carlos, o jogador que, num atraso infeliz, isolou James para o "penalty" do título e Cássio, guarda-redes do Paços. 

Também do vértice de Paços, passou desta vez ao vértice do Porto Josué, que entretanto revelou que já antes disso era do Porto e que tinha a certeza que lá jogaria. 

Do Porto a Paços vai em sentido contrário um dragão, um Estádio, que abre as portas para que lá jogue a equipa do Paços (ou o que dela sobrar) para o ano. 

E finalmente de Paços para o Porto vai também o treinador (que se encontrava desaparecido há algum tempo), dando lugar a outro que por sua vez desapareceu para agora reaparecer (tal como aconteceu já também nas Bermudas) no meio de um deserto das arábias... Já a misteriosa proposta para a sua renovação, essa foi mesmo engolida pelo buraco negro do triângulo.  

Para compor e rematar este ramalhete, Pinto da Costa, numa entrevista à RTP logo a seguir à "conquista" do Campeonato, anunciou, provavelmente fazendo uso dos seus proverbiais dons de vaticínio (ou omnisciência), que este tinha sido "o ano da verdade desportiva", o que ilustrou anunciando ao País a transferência de Cássio para o Braga. Na altura ninguém sabia desta passagem de um vértice ao outro.

Confusos? Eu explico: a verdade desportiva que eu disse ter desaparecido em Paços está afinal no triângulo de Chão de Porcos. Pinto da Costa, com a sua ligação a Costa do Pinto, mesmo ao lado de Chão de Porcos, foi o único que a viu, provavelmente ao lado de Josué, Cássio, Luis Carlos e Paulo Fonseca.

Agora digam lá: a este rectângulo à beira mar plantado, o que estava a faltar? É óbvio: o triângulo de Chão de Porcos. Num país de gente quadrada, nada como uma grande lição de geometria para deixar bem redondas as cabeças dos maus alunos.