segunda-feira, 16 de julho de 2012

Glasgow Rangers desaparece do futebol profissional


Imagem retirada do blog ebsoccer.com

Uma notícia que passou relativamente despercebida - o histórico Glasgow Rangers foi banido do futebol profissional escocês. É uma notícia chocante: o Glasgow, juntamente com o Celtic foram desde sempre os clubes hegemónicos do futebol escocês. Ora vencia um, ora vencia o outro, com vantagem para o primeiro no cômputo geral de campeonatos. A rivalidade entre estes dois clubes é aliás das maiores do futebol mundial: o Glasgow é o clube dos protestantes escoceses, que estão igualmente mais próximos da Inglaterra em termos políticos e sociais, e o Celtic o dos católicos, muito ligados à Irlanda.
A notícia da descida do Glasgow à quarta divisão, por não ter capacidade de saldar as suas dívidas, só pode assim ser vista como um sinal de que o futebol (não apenas o escocês) atravessa uma gravíssima crise.
Basta ver como o mercado está parado para o perceber. Há muitas declarações de interesses de clubes em determinados jogadores (fala-se de Hulk, Moutinho, Modric, Cardozo, Gaitan) mas nada ainda se concretizou. A razão é óbvia: não há dinheiro.

Em Portugal os sinais de que a situação é de enorme gravidade são muitos. Já aqui falei do Sporting e da situação quase desesperada em que podem estar as suas finanças. Isso mesmo vem aliás dizer Carlos Barbosa. O Porto vai aparentemente fechar a sua secção de basquetebol e teve salários em atraso no hóquei em patins. Há inúmeros clubes da 1ª Liga que não têm as suas situações regularizadas e poderão fechar portas ainda este ano (como aconteceu já com o Leiria no fim da época passada). Os clubes da Madeira estão na situação em que estão, tendo sobrevivido no curto prazo apenas graças à contribuição do Governo Regional.
Em relação ao Benfica, a situação não será muito diferente dos principais rivais, embora eu acredite que seja melhor, sobretudo no sentido de gerar receitas, que é algo que os credores e as instituições de crédito valorizam. Creio que precisa no entanto de vender jogadores para gerar receitas extraordinárias para fazer face ao orçamento deste ano.
Insisto porém que a situação do Sporting será a mais aguda entre os grandes, precisamente pela manifesta incapacidade de gerar receitas ao nível do Porto e muito menos ainda do Benfica. A venda de João Pereira (com todos os seus defeitos e limitações não deixa de ser um internacional português), se calhar mais do que um atestado de incompetência, é consequência de uma necessidade inadiável de gerar receitas de tesouraria para fazer face a encargos inadiáveis.

A agravar este estado de coisas, aparentemente os canais generalistas não vão comprar os direitos das transmissões do campeonato 2012-2013.

Prevejo o pior para esta época futebolística.