sábado, 8 de dezembro de 2012

A espantosa vitória do Porto sobre o Moreirense

Como era de prever, os dias que antecedem o jogo mais difícil do Benfica até ao fim do ano (e um dos mais importantes do campeonato) estão a ser férteis em casos, em polémicas, em tentativas de criar pressão adicional e desestabilizar.
O primeiro caso foi a suspensão de Rui Gomes da Silva, a que se sucedeu a polémica sobre o adiamento da partida e a que se junta desde, esta noite, a ideia de que o Porto é realmente uma máquina de rigor, competência e vitórias.
Veja-se bem que, depois de perder dois jogos seguidos, sendo eliminado da Taça e perdendo o primeiro lugar do seu grupo na Champions, o Porto merece todos estes elogios e exaltação por.. ter vencido um jogo em casa contra o Moreirense... por 1-0!
Digo isto depois de ligar a RTP Informação, o serviço "público" do Norte. O que era importante eram os 3 pontos, explicam-nos. O Porto não falhou, garantem. Nestes momentos, o Porto não costuma falhar, sublinham.
De facto, o Porto conseguiu um feito notável ao bater o Moreirense em casa depois de averbar duas derrotas seguidas...
Até chamam o grande Jesualdo Ferreira para compor o Ramalhete. E lá vem ele, com o discurso formatado, dizer como se trabalha bem "naquela casa". Nós sabemos Jesualdo. É pena que tu não tenhas conseguido "trabalhar" tão bem nos clubes seguintes. Faltou a "estrutura"...

Por outro lado vai-se tentando animar o Sporting: a vitória sobre o Videoton dá moral, a equipa estará motivada para este jogo, há ali mais qualidade do que a que tem sido exibida, etc, etc.

Enfim, o costume. Deixemos os cães ladrar e avancemos a caravana.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que diz JJ e como o recebem os benfiquistas

O treinador do Benfica é tão conhecido pelas suas tácticas e resultados como pelos seus ditos.
Jorge Jesus é um homem com pouca instrução que, como ele próprio já admitiu, se criou muito na rua e, mais tarde, cresceu no mundo do futebol.
Expressa-se portanto com várias deficiências no tocante ao Português e tem tiques que muitos gostam de apontar, como o mexer no cabelo ou mascar pastilha.
Para mim tudo isso é absolutamente irrelevante. Numa sociedade que anda sempre a cantar a igualdade e a falar com rancor dos "grandes" nem percebo como podem ser estas questões, que no fundo são "de berço", constantemente trazidas para o discurso público.
Coisas diferentes são a educação e o respeito que se devem patentear no trato com os outros. Aí Jesus, por força do seu carácter impulsivo tem tido vários comportamentos criticáveis, pelos quais já tem sido castigado e que a estrutura do Benfica deve procurar corrigir.
Acontece que por vezes se confundem estas duas ordens de questões. A que se junta uma terceira: uma propensão para declarações polémicas, frontais e umas vezes incompreendidas outras deslocadas. Todos temos os nossos momentos menos bons e JJ, que se expõe bastante, acaba por as ter com alguma frequência.
Mas convenhamos: tudo isso (refiro-me às declarações, desde que naõ ofensivas ou insultuosas) é secundário - o que conta realmente são os resultados dentro de campo.
Por isso tenho alguma dificuldade em entender que sejam muitas vezes os próprios benfiquistas a ser mais críticos com o seu treinador do que a generalidade do mundo futebolístico.

Vem isto, bem entendido, a propósito de declarações recentes de JJ, a saber:

  • a de que o plantel (subentendendo-se que se referia a Luisinho e André Gomes) vai dando para o campeonato mas a Liga dos Campeões é outra história
  • a de que Melgarejo nunca seria extraordinário como atacante
  • a de que o Benfica antes dele era o que era.
Em relação às duas primeiras, considero que não serão as mais apropriadas. Uns acharão que elas são desmotivadoras para os jogadores em causa (e poderão ter razão, mas a este nível os jogadores têm que ter uma estrutura psicológica sólida e certamente que nos treinos JJ não lhes dirá que não prestam - se estão no plantel é porque têm qualidade para tal), outros considerarão que elas exprimem realidades e que poderão até "espicaçar" os jogadores (algo que não é fácil de comprovar).

Já quanto à terceira porém, nada como ir aos factos.

Que nos mostram isto:
JJ                                           Antes de JJ
2010 - 1º (76 pontos)            2007 - 3º (59 pontos)
2011 - 2º (63 pontos)            2008 - 4º  (52 pontos, atrás do V. Guimarães)
2012 - 2º (69 pontos)            2009 - 3º (67 pontos)
Em termos de outros títulos para além do Campeonato, no triénio anterior a JJ conquistámos uma Taça da Liga (com Quique, na polémica final contra o Sporting), ao passo que no triénio de JJ conquistámos 3 taças da Liga.

Em matéria de golos, o balanço é este:
JJ                                          Antes de JJ
2010-2012                            2007-2009 
GM   GS    DG                   GM    GS     DG
205    78    127                   154    73      81
GM - Golos marcados
GS - Golos sofridos
DG - Diferença entre marcados e sofridos.

O triénio anterior (entre 2004 e 2006) foi o de Trapattoni (um campeonato) e Camacho (uma Taça), títulos que marcaram o regresso às conquistas: Antes deles o Benfica não vencia uma Taça havia 8 anos e um Campeonato havia 10.

Nas competições europeias é o que sabemos, para além de uma excelente campanha de Koeman, os longos anos entre Toni e Jorge Jesus foram um completo desastre que incluiram várias goleadas de equipas secundárias. Convém não esquecer isso quando se fala de "oportunidades perdidas" contra o "Barcelona B".

Ou seja, o passado e o presente são realmente incomparáveis e nisso JJ tem razão.

E já nem estou falando da valorização de jogadores (Di Maria. Cardozo, Aimar, Ramirez, Coentrão, David Luiz, Witsel, Javi Garcia, entre outros), na adaptação de outros e no aproveitamente (recente, é certo, mas que espero seja para continuar) dos jovens da formação, para o que a equipa B veio dar um grande impulso.
Quanto ao resto, Jesus deve ter mais contenção (e penso que tem aprendido nesse capítulo) e, na minha perspectiva, respeitando o que os outros pensam, os adeptos devem-se é concentrar no essencial e não em factores acessórios, apoiando a equipa, sobretudo quando tantos poderes ocultos a tentam desestabilizar e prejudicar.

Sporting-Benfica - já há árbitro

Aqui fica a informação em primeira mão: o árbitro do Sporting-Benfica será Marco Ferreira, 35 anos, natural da Madeira. É um árbitro classificado como "rigoroso" (dá muitos cartões).
Admito que não conheço, o que, avaliando pelas razões que tornam outros tão conhecidos, à partida não é uma coisa má.

"Quiseram-nos atacar lá do sul"

«A mim e ao Jorge quiseram-nos atacar lá do sul, arranjando-nos problemas, inclusive com os tribunais. Mas nós resistimos de forma solidária, e se a nossa amizade era grande, ficou ainda maior».

A declaração é de Valentim Loureiro e o "Jorge" é Pinto da Costa.

O País, infelizmente, é Portugal.

Aquilo de que o quiseram "atacar" foram actos de corrupção e adulteração ou falsificação de resultados. Em relação a Pinto da Costa, para além de corrupção, deveriam também ter existido uma série de outras acusações, nomeadamente agressões encomendadas e fomento de prostituição (a fruta), entre outros espisódios lamentáveis e situações mal explicadas das últimas décadas.

Pinto da Costa chegou na altura do Apito Dourado ao Tribunal "escoltado" por rufias da Ribeira e da claque do Porto. Foi a primeira e mais visível manifestação de um poder ilegal paralelo ao Estado e às suas instituições legítimas (polícias, segurança e tribunais, justiça). No Porto pelos vistos, um grupo de indivíduos permitia-se fazer segurança privada e não se coibia sequer de, um ar intimidatório e ameaçador ir até à porta das instalações da polícia e dos tribunais.

Ao mesmo tempo, Valentim era preso. Seguidamente, Pinto da Costa fugia para Espanha, avisado pela própria judiciária de que havia um mandato para o deter. Era mais uma manifestação do Estado dentro do Estado.

O Boavista foi condenado e desceu de divisão. Valentim passou entre os pingos da chuva. Nunca contestou a legitimidade da sua prisão e das acusações. Limitou-se a estar calado (como Pinto da Costa) e "resistir", mantendo-se "solidário" com Pinto da Costa. Lado a lado, resistiram e tudo passou, devagarinho e de fininho, com a intervenção dos advogados e juízes do Porto, amigos e compadres de Costa e dos outros Pintos (Lourenço e Pinto de Sousa).

Mas o Boavista desceu mesmo e o Porto, ainda que "ilibado" por um argumento formal pela justiça da República, de uma alegada ilegitimidade das escutas (que não deixam dúvidas a ninguém), foi condenado pela justiça desportiva, graças a um "justiceiro", que se recusou a que a total impunidade imperasse. Pinto da Costa e o Porto foram condenados (ainda que a penas irrisórias). O Porto não recorreu, porque se sabia culpado e estava satisfeito com a irrelevância da pena. Já tinha caído o peão - o Boavista - protegendo o "Papa".

Ainda assim, Valentim considera que saiu vitorioso da situação. Afinal de contas, num país normal teria sido condenado. Assim foi só o Boavista que desceu. Mas agora até parece que a decisão foi impugnada pelos tribunais civis...

Para cúmulo dos cúmulos, o ex-vice de Valentim na Câmara de Gondomar, "condenado no processo principal do Apito Dourado a uma pena de três anos de prisão, suspensa pelo mesmo período, por dez crimes de corrupção desportiva activa e 25 crimes de abuso de poder" é (hoje, em Dezembro de 2012) coordenador autárquico do PSD e foi mesmo já falado para possível candidato à Presidência da Câmara de Gondomar. Valentim desvaloriza o "processozito lá do apito".

No meio de tudo isto, Rui Gomes da Silva é suspenso por um ano, por dizer a verdade que está à frente da vista de toda a gente.

Já dizia Eça de Queiróz: "isto é uma choldra torpe. Nunca houve uma choldra assim no universo".

Sporting-Benfica: factores decisivos



Enquanto se arrasta a rábula do adiamento ou não do jogo, analisemos os factores que decidirão o desfecho do derby.

Em primeiro lugar, há que perceber que o momento atroz do Sporting e até as carências de qualidade do seu plantel serão disfarçados ao máximo neste jogo, sobretudo na medida em que o Benfica o deixar. Dito de outra forma, o Sporting procurará dar tudo o que tem e se o Benfica não estiver no seu nível mais alto enfrentará sérias dificuldades. O Benfica tem que jogar como jogaria se o Sporting estivesse numa situação "normal" para poder vencer.

Isto aplica-se à concentração e à qualidade que importa colocar em jogo mas também à "intensidade" como agora se diz: à raça, ao querer, à vontade de vencer que se discute em cada lance, em cada bola dividida.

Em segundo lugar, o Benfica tem que ter um aproveitamento diferente das oportunidades, até porque acredito que o Sporting vá jogar muito fechado na sua defesa, dando poucos espaços. Paradoxalmente, as oportunidades flagrantes poderão ser em número inferior às criadas frente ao Barcelona. 

Existem também dúvidas quanto ao estado do relvado, para não dizer que elas serão certamente más, até porque as dificuldades neste capítulo do estádio do Sporting são já quase crónicas e a quantidade de chuva que ontem desabou em Lisboa foi impressionante. Isto pode levar a um jogo algo incaracterístico, que prejudica a qualidade técnica e desaconselha o "adorno" dos lances. Devemos pois optar por um futebol mais incisivo e directo do que aquele que normalmente praticamos.



Imagem retirada do site e propriedade d' "A Bola".


Por fim, lamento mas há um factor extra futebol jogado que poderá ser também quase decisivo. É o do costume: a arbitragem. Se, como em Coimbra há algumas jornadas, forem assinalados dois penalties fantasmas contra a nossa equipa, se, como no ano passado em Alvalade, não for assinalado um penalty evidente a nosso favor, se, como é habitual nos derbies, tivermos um jogador expulso por fazer duas faltas banais e tudo for permitido aos adversários (como aconteceu o ano passado com João Pereira); se estas situações se verificarem, será quase impossível vencermos e muito provável perdermos. E depois lá virão, alegremente festejar, não apenas os sportinguistas mas também os "críticos", os inimigos (já entram nessa categoria) de Vieira e de Jorge Jesus, que (seja ou não essa a sua intenção) cada vez mais se confundem com os inimigos do Benfica.



Sintetizando o anterior parágrafo, com Proença, Soares Dias, Xistra, Capela ou Olegário será quase impossível ganharmos. Com Jorge Sousa (que acredito venha a ser o "eleito") mantém-se a dúvida sobre se actuará como num certo Braga-Benfica, como em certos jogos do Porto, ou como noutros em que até dá ideia de ter potencial para ser um bom árbitro.



Numa palavra, o jogo não está ganho, nem pouco mais ou menos. Só o melhor Benfica poderá sair vitorioso do derby. Apesar disso, é o que espero.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sporting arrogante e malcriado como sempre

Quando pensamos que já vimos tudo deste Sporting (eleições com resultados "afinados", vencedores das mesmas a serem alvo de tentativas de agressão dos sócios, vice-presidentes a depositar dinheiro na conta de árbitros, adeptos a atear fogos, comunicados patéticos, derrotas por 3-0 com o Videoton e contra Basileia a jogar com 10, visitas a museus para provar que se é maior do que o Braga, visitas a balneário, claques em greve, etc, etc, etc), somos surpreendidos com mais uma:

ameaça de falta de comparência!

Pois é... ainda não tínhamos visto tudo.

Sim, porque dizer arrogantemente que "não aceita que a disputa do jogo com o Sport Lisboa e Benfica, a contar para a 11.ª jornada da Liga Portuguesa de futebol, previamente marcado para segunda-feira, 10 de Dezembro, às 20h15, se realize na data e hora prevista", sendo que as regras o permitem parece uma ameaça, velada ou explícita de falta de comparência.
Não seria mais educado e decente simplesmente contactar o Benfica no sentido de acordar um adiamento do jogo, eventualmente de apenas 24 horas? O problema é que assim não se criava um caso ou um conflito artificial como parece ser a intenção.

Não, neste clube diferente o que importa é fazer-se de homem. Mesmo que depois... se saia de fininho. Já diz o povo: entradas de leão saídas de sendeiro.

Juízinho e cabeça fria para ganhar em Alvalade

Fiquei um pouco surpreendido com algumas coisas que li pela blogosfera na noite de ontem. É óbvio que todos nós temos visões e análises diferentes das coisas e toda a legitimidade para as expressar.
Mas convém, até para sermos credíveis, ter um pouco de rigor nessas análises e sobretudo não dizer coisas que manifestamente não são verdade.

A primeira das coisas que foi dita e que não é verdade e me incomodou é dizer-se que o Benfica jogou com o Barcelona B.

Facto: o Benfica jogou com o Barcelona. 7 dos jogadores que iniciaram a partida e 9 dos que a acabaram  pertencem ao plantel do Barcelona. O Barcelona tem uma equipa B, de cujo plantel  jogaram ontem 4 jogadores (tendo 2 deles sido substituidos), tal como do Benfica jogaram 2 (André Almeida e André Gomes). Um dos jogadores do plantel B do Barcelona substituiu Dani Alves, que está lesionado.

Facto: o Barcelona começou o jogo com um jogador, Villa, cujo passe lhe custou 40 milhões de euros (sensivelmente metade de todo o orçamento do Benfica para a época) e é titular habital, tal como o é Adriano e tal como o é Puyol, aliás capitão. Alex Song (que até poderíamos pensar que é também um jogador do Barcelona B, face ao que se diz por aí ) jogou os 6 jogos da fase de Grupos da Champions e foi titular em 7 dos 14 jogos do Barcelona na Liga. O próprio Thiago Alcântara vem conquistando o seu espaço na equipa, tendo actuado já em 5 jogos da Liga esta época e mais um da Taça. Messi (SÓ considerado o melhor jogador do Mundo, antes ou a par de Ronaldo) e Piquet entraram na segunda parte.

Isto é o Barcelona B?
Um pouco de rigor, por favor.

É verdade que não jogaram Iniesta e Xavi e que Messi só jogou parte da segunda parte. Isso já se sabe. Mas alguém acredita de que de outra forma o Benfica poderia ter dominado o jogo como o fez, tendo o dobro dos remates, um deles ao poste, 5 vezes mais cantos e pressionando o Barcelona à saída da sua área?
Um pouco de realismo por favor.

O que o Benfica fez foi bom. Dominou, criou várias oportunidades, colocou o Barcelona em sentido. O que poderia ter feito seria excepcional: ter aproveitado as suas oportunidades e vencer em Nou Camp. Agora também há que perceber que se o Benfica eventualmente tivesse feito dois golos na primeira parte, as substituições teriam saltado mais rapidamente do banco (sobretudo Messi) e nada nos garante que o Barcelona não pudesse ter ainda assim empatado ou até vencido.

Mas o que há que destacar é a excelente preparação táctica feita pelos treinadores do Benfica para este jogo e a grande resposta dos nossos jogadores que desde o primeiro minuto não temeram assumir o jogo e "cair em cima" do Barcelona. A grande, muito grande pecha da nossa exibição foi de facto termos sido demasiado perdulários. Mas não contem comigo para criticar nem crucificar Rodrigo, Lima ou Maxi por esse facto. Eles deram o seu melhor e eu como benfiquista estou-lhes agradecido.
Um pouco de benfiquismo por favor.

"Oportunidades únicas" como esta aparecem todas as épocas. Se não em Barcelona em Manchester, se não em Manchester em Madrid, se não em Madrid na Luz contra um destes rivais. Todos os anos se pode "fazer história".

O que sobretudo conta não são vitórias em jogos destes mas sim em finais. Neste momento estamos algo distantes de poder vencer uma Champions, mas o fosso para os melhores tem-se atenuado bastante nas últimas épocas. Mesmo com "extra-terrestres" como Messi a abrilhantarem os tubarões do futebol mundial.

O que conta verdadeiramente são títulos e é para um título que podemos vencer que jogamos na próxima segunda-feira. Qualquer crítica desmesurada a uma equipa que tão bem jogou ontem é nesta fase contraproducente para o que precisamos de fazer na segunda. E o que precisamos é de ter muita garra, muita concentração (as tentativas de provocações serão mais do que muitas) e simultaneamente muita frieza para não falhar nos momentos da verdade.

Eu sei que esta nossa equipa o pode alcançar - e estou incondicionalmente com ela.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Podíamos ter ganho (em Barcelona...). Agora é hora de campeonato

Já se sabe que cada cabeça sua sentença: todos viram coisas diferentes no jogo desta noite e todos têm a sua opinião sobre o que viram.
A realidade é esta: o Benfica teve (muito) mais remates, cantos e oportunidades flagrantes de golo para marcar mas por inépcia, nervosismo e azar não concretizou nenhuma. O Barcelona também teve algumas, mas o gigante Artur evitou o pior. Seria demasiado injusto não apenas não ganharmos mas ainda virmos a perder este jogo.
O Barcelona jogou com segundas linhas?
Certamente, mas essas segundas linhas fazem parte do plantel. O "extra-terrestre" até entrou e a dupla de centrais que acabou o jogo por parte do Barcelona é aquela que venceu Ligas dos Campeões, Taças e Campeonatos em barda.
Realmente só faltava mesmo esta: depois de termos "obrigação" de vencer o Celtic em Glasgow e de vencer o Spartak, dizer-se agora que tínhamos "obrigação" de vencer o Barcelona em Nou Camp...

Um pouco de realismo por favor...

Poderíamos ter realmente vencido (mereciamo-lo até) mas isso (ter estado perto da vitória) é mérito do treinador e dos jogadores. Inverter o que conseguimos para conseguir ver qualquer outra coisa nesta partida e fazer leituras negativas, certamente é possível - mas não contem comigo para tal.

A única coisa que aponto é realmente a nossa falta de eficácia, que já vem sendo habitual. Cantos e oportunidades constrúidas em jogadas de bola corrida não são devidamente aproveitadas pela nossa equipa. Mas só os Ronaldos e os Messis é que raramente falham (e mesmo assim falham) e portanto há que saber aceitar as realidades, sendo certo que tem que se trabalhar mais estes aspectos específicos.
A minha leitura é só uma: de há uns anos para cá este Benfica vem sendo cada vez mais competitivo, cada vez mais capaz de se bater com grandes da Europa que têm orçamentos muito diferentes do nosso. E isso é mérito de quem lá está.

Perdida a Champions é agora hora de nos concentrarmos nas competições internas e sobretudo no Campeonato. Vem aí um jogo de enorme importância em que não podemos falhar. É de vitórias como a que podemos alcançar em Alvalade na segunda-feira que se fazem os títulos. O Sporting está claramente fragilizado a um ponto quase inacreditável e aí sim, temos obrigação de não deixar fugir as oportunidades que surgirem e concretizar a superioridade teórica em prática vencendo o jogo e enviando uma mensagem forte à concorrência. Concentração total, ignorar habilidades e provocações arbitrais (e do adversário) e jogar com toda a garra e alma benfiquista.

Vitória na segunda é o que pedimos aos nossos. Não para salvar épocas nenhumas nem para "esquecer" esta derrota... perdoem-me, empate, mas sim para estarmos um passo mais próximos do nosso grande objectivo que é sermos campeões nacionais.

Jogo entre gigantes.

O Barcelona é de facto uma super-equipa. Disso não pode haver dúvidas. É muito provavelmente a melhor equipa do mundo, constituindo a base, quer em termos de jogadores, quer de sistema táctico, de uma selecção que é "só" bi-campeã da Europa e campeã do Mundo.
O Benfica não é uma super-equipa mas é uma equipa forte. O ano passado foi eliminado da Champions pelo seu vencedor (o Chelsea), numa eliminatória em que não foi em nada inferior ao seu adversário. Não sendo uma super-equipa como o Barcelona, o Benfica é também um gigante do futebol mundial, quer em termos de palmarés, quer em termos de adeptos e grandeza institucional.
Será assim um grande jogo, um clássico até, do futebol europeu, com o favoritismo a pender quase em absoluto para a equipa da casa, mas com o Benfica a ter uma palavra a dizer, até porque algumas peças essenciais do Barcelona (Xabi e Iniesta) não jogarão.
Não é porém um Barcelona mais fragilizado o que entrará em campo. É um engano - que seria fatal se a equipa nele embarcasse - pensar assim. É um Barcelona talvez menos "automático" nos seus processos ofensivos e defensivos, mas ainda assim poderosíssimo, capaz de vencer qualquer equipa de topo e igual na sua matriz de jogo. Veja-se aliás como Guardiola saiu e Tito Vilanova manteve o estilo e a identidade inalteráveis - assim como os resultados. Um Barcelona diferente seria apenas um Barcelona sem Messi - mas este vai mesmo jogar amanhã.
Tarefa portanto muito difícil, mas ainda assim não impossível.
Se o Celtic, uma equipa esforçada e aguerrida, perigosa nas bolas paradas mas limitada tecnicamente, foi capaz de vencer o Barcelona, isso prova que não há imbatíveis.
Só um Benfica ao seu melhor nível e que tenha a sorte do jogo poderá sair amanhã vitorioso.
Mas - atenção: mesmo que isso não aconteça, o Benfica pode-se amanhã qualificar para os oitavos de final da Champions.
A vitória do Celtic sobre o Spartak está longe de ser um dado adquirido. Os russos têm alguma qualidade e tal como perderam surpreendentemente em casa com os escoceses poderão empatar ou vencer amanhã em Glasgow.
Convém ter isso em mente, até como forma de psicologicamente nos motivarmos. Um empate em Nou Camp pode também ser o resultado de que precisamos para progredir na competição. Seria muito positivo e, para mim, seria justo, pelo menos face ao que aconteceu até agora. A partir das 19.45h veremos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Alerta CD - Rui Gomes da Silva suspenso um ano

O Conselho de Disciplina voltou a fazer das suas!
Rui Gomes da Silva foi suspenso por 10 meses por ter posto em causa a arbitragem de Xistra em Coimbra e mais 1 por não ter comparecido ao inquérito. Quase um ano de suspensão portanto (Pinto da Costa recebeu dois pelo Apito Final...).
Carlos Xistra por seu turno teve uma alta nota nesse jogo (3,9).
O tempo da decisão também é curioso - na véspera de um compromisso decisivo do Benfica em Nou Camp. Ah, é verdade - e o incêndio lançado na Luz por adeptos do Sporting, mais de um ano depois, continua sem castigo.

Assim se vai nesta choldra...

Lucho Gonzalez e os árbitros

Lucho Gonzales, no fim da época passada:

«Nunca falei de árbitros e não vou falar. São pessoas como nós. Hoje em dia é mais fácil,para não assumir as culpas, atirá-las para os árbitros. O futebol é um desporto muito lindo, um espetáculo, mas acaba-se sempre a falar de árbitros. Eles cometem erros como nós. Seria bom que se deixasse de falar tanto de árbitros.»

Lucho Gonzales após o jogo de Braga:

«Deu a sensação que nos empurraram para a nossa baliza, mas não por força do nosso rival. São coisas que se passam no futebol. Cometemos dois erros e pagámos caro.»

Entrevistador: O Porto foi prejudicado pela arbitragem?  «Logicamente que sim. A cada falta apitada contra nós era amarelo, e daí resulta a expulsão. Não é habitual.»

E isto depois de um jogo em que o árbitro não assinalou um penalty evidente contra a sua equipa...
Ainda assim conseguem-se sentir prejudicados. Eles estão habituados a um tal nível de proteccionismo que perdoar só um penalty não basta.

Importante actualização sobre atropelamento mortal

O futebol (?) português continua a ser manchado pela violência impune e criminosa.

E há um dado novo (pelo menos para mim e que não vi destacado na imprensa) sobre o atropelamento do adepto do Braga.

Há informações de testemunhas segundo as quais  o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida:

"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."

Perante isto, como classificar a intervenção de um dirigente do Braga, sentado ao lado de Peseiro na conferência de imprensa, ao garantir que o atropelamento fatal de um adepto bracarense "nada tinha a ver com claques ou com o FCP"??

E já agora, onde pára a polícia? Onde pára a Justiça?

Até já há mortes - mas continua a não se passar nada

O jogo de sexta em Braga ficou marcado pela tragédia.
O que se passou não terá sido muito diferente do que a claque do Porto fez em muitos outros locais do país. Nem sequer isso é segredo, não se coibindo o líder daquela claque de publicar em livro tais façanhas.

Desta vez porém as consequências foram fatais. Um adeptos que fugia da claque em fúria foi atropelado e morreu.

Não sabemos o que se passou antes. Existem relatos que falam de apedrejamentos ao autocarro do Porto. De acordo com alguns a vítima poderia ter participado neles, de acordo com outros nada teve que ver e ia sozinho em direcção ao estádio quando começou a ser perseguido pelo bando de marginais.

A noite foi, de acordo com inúmeros relatos, de violência e terror: apedrejamentos, combates de bandos, um atropelamento fatal, dezenas de disparos de shotgun por parte da polícia e um verdadeiro caos vivido em várias zonas da cidade de Braga.

O que dizer sobre isto? Pelos vistos, para além de Rui Santos, de uma ou outra notícia muito a medo na imprensa, sobretudo n' "A Bola" e dos próprios habitantes do bairro das Andorinhas (palco principal dos confrontos) que viveram uma noite de terror, ninguém parece muito preocupado com o assunto.

E porque haveria de estar? Não vem isto acontecendo há anos (há décadas!) sem que ninguém tome medidas?

Não foi mesmo permitido, como atrás se refere, ao líder do mais activo bando de delinquentes do País, vangloriar-se de tais despautérios?

Como já tenho referido, a violência das claques é um problema que afecta todos os clubes e em relação à qual são necessárias medidas enérgicas. Ninguém está inocente nesta matéria. Infelizmente porém a impunidade é a regra neste País, sobretudo para o que se passa no Porto, onde para além disso existe uma grande promiscuidade entre clube e claques.

Impunidade que começa pela situação de um presidente que deveria, ao invés de se passear com meninas que têm idade para ser suas netas, estar atras das grades na companhia de Vale e Azevedo. Para além dos crimes de corrupção e promoção da prostituição, Pinto da Costa inúmeras vezes incitou ao ódio e violência. Outras tantas se utilizou das claques e de outros grupelhos criminosos para intimidar ou agredir quem se atrevia a fazer-lhe frente.

Sexta-feira já houve uma morte. Temo porém que ainda não tenha chegado para que alguns percebam o que se vem passando. Estou certo de que nada mudará - a não ser para a vítima e para a sua família. Esses ficaram com a vida estragada. Mas Pinto da Costa e os seus sequazes continuam a dormir descansados.

Adenda: testemunhas dizem que o "acidente" aconteceu após a paragem do autocarro da claque portista na via rápida.

"Segundo alegadas testemunhas oculares, o acidente ocorreu após a paragem na via de um autocarro com adeptos portistas, supostamente, alvo de apedrejamentos. Os familiares da vítima exigem explicações.
Desmentindo ter feito qualquer emboscada, a claque Red Boys (à qual pertencia João Mico), através do líder, Carlos Cerqueira, diz ter sido informada de que o veículo que transportava adeptos do FC Porto terá chegado a Braga “sem qualquer escolta policial”. “Queremos saber também por que parou na via rápida”, declarou."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Razões para ganhar em Nou Camp

Aparentemente, uma crónica deslocada e até despropositada de Sílvio Cervan deu aos catalães razões para querer "humilhar" o Benfica.

Não que precisassem de muitas. De facto o Barcelona, um dos clubes com mais troféus europeus e que nos últimos anos tem tido quase a hegemonia do futebol europeu continua a chorar e a considerar injusta a derrota que sofreu numa final há 50 anos, numa das duas únicas vezes em que conseguimos conquistar a antiga Taça dos Campeões Europeus. "A final dos postes" é assim que no museu do clube catalão é classificado esse jogo, naturalmente histórico para o Benfica que, apesar da sua dimensão, tem um rol de títulos internacionais muito mais modesto do que o Barcelona. Mas mesmo esses poucos que tem, para os barcelonistas são demais. Esquecem, pelos vistos, ou consideram muito justas, a forma como obtiveram algumas das suas vitórias, nomeadamente ultrapassando numa meia final o Chelsea num jogo em que o árbitro não quis marcar pelo menos dois penalties flagrantes contra o Barcelona e que este acabaria por ganhar com um golo no último minuto de Iniesta. Suponho que no museu do Barcelona essa não esteja catalogada como a "saga dos penalties não marcados".

Mas voltemos a Sílvio Cervan. Numa crónica no jornal "A Bola", Cervan considerou que "o Barcelona não foi sério" no jogo contra o Celtic, que perdeu por 2-1. Não me parece (nem a mim nem a ninguém) que Cervan tenha razão. O Barcelona dominou amplamente esse jogo e teve pouca sorte, com o Celtic a marcar praticamente nos dois ataques que teve (um deles num canto). Mas ir pegar nessa crónica para encontrar aí razões para "dar ao Benfica uma grande lição" já me parece um pouco exagerado. Por várias razões, em que se inclui a simples modéstia - o Benfica não é assim tão incapaz quanto isso que o Barcelona tenha o jogo à partida ganho, tratando-se apenas de saber se acelera mais ou menos para dar essa tal "lição".

Da Catalunha haverá também algo mais a dizer. Em primeiro lugar, há ali uma certa antipatia anti-portuguesa que dificilmente se justifica, tanto mais que em Portugal existiu e ainda existe muita simpatia pelo Barcelona. Existe ali um ódio tremendo a Mourinho (por razões explicáveis mas também por exageros e sensibilidades desmesuradas, fazendo uso de dois pesos e duas medidas e não aplicando a eles próprios a mesma bitola que aplicam a Mourinho - a quem nada perdoam). Existe um ódio a Figo, que é verdade que sempre foi muito materialista na sua carreira e nem sempre se pautou por princípios éticos. Ainda assim Figo fez o que muitos outros fizeram e o ódio que lhe devotaram excedeu qualquer outra manifestação de desagrado por uma mudança para o rival. Novamente poderá haver aqui algum anti-portuguesismo à mistura.

A Catalunha não conseguiu ser independente de Castela (Madrid) e talvez isso explique alguma coisa. Não temos porém culpa disso nem sequer somos parte dessa equação. Mais natural seria até que a Catalunha olhasse para nós com respeito por termos alcançado e mantido a nossa soberania, apesar da desproporção de forças com Castela, mas pelos vistos não é o caso.

Nalguma imprensa catalã, para além das razões citadas, chega-se a dizer que o Barcelona "deve" ao Celtic, aparentemente um clube que lhes é muito mais querido, vencer o Benfica. No mínimo isso é estranho, pois se as contas estão como estão é precisamente porque o Barcelona perdeu um jogo que era "suposto" ganhar, "dando" ao Celtic 3 pontos inesperados. Não se percebe como é que vencer o Benfica é assim algo que se "deva" ao Celtic. A não ser que eliminar o Benfica fosse um objectivo do Barcelona, perante o que - aí sim - Cervan teria alguma razão.

Diz-se ainda ("Mundo desportivo") que o Benfica nos "últimos minutos" do jogo da Luz usou de uma dureza desnecessária, pelo que se impõe agora a tal "sova". Ora, se houve coisa que o Benfica foi nesse jogo foi macio. Mais só mesmo se estendesse uma passadeira vermelha aos barcelonistas (e alguns benfiquistas dizem até que foi isso que aconteceu). Foi pouco duro e fez pouquíssimas faltas - a dada altura até o Barcelona tinha mais faltas feitas!

Por fim, o tal desportivo da Catalunha fala ainda (!) de vingança (pela nossa vitória de há 50 anos...).

Cá em Portugal eu conheço já esta mentalidade. Pelos vistos temos um clube que em Espanha (sim, ainda são Espanha!) partilha o mesmo discurso e mentalidade. A seu favor tudo é legítimo e normal, contra si tudo é um atentado insuportável.

Para o Benfica, estão em jogo duas coisas quarta-feira em Nou Camp.

A sua continuidade na Champions e a sua dignidade. Uma vitória do Benfica garantiria automaticamente a qualificação. Essas são as nossas verdadeiras razões para ganhar esse jogo. Não precisamos de encontrar justificações ou explicações para ganhar e "humilhar" o adversário. Não partimos com a arrogância de quem acha que já ganhou à partida, que os outros são meros figurantes no jogo, que merecem ser "punidos" por se atreverem a dizer seja o que for.

O jogo começa 0 a 0. E o Benfica não entrará derrotado.

Não é impossível vencer em Barcelona.