sábado, 12 de janeiro de 2013

O "bicho papão"

João Gobern é, entre todos os comentadores associados com uma cor clubística, aquele que procura ser mais imparcial e objectivo nas suas análises. No último programa do "Trio d'ataque", fez uma interessante antevisão do que poderíamos esperar do clássico de amanhã. Na sua opinião, se o Benfica jogar o que sabe e souber ultrapassar um certo receio do Porto, que em muitas ocasiões tem sido uma espécie de "bicho papão" para as nossas cores, então tem todas as condições para vencer este jogo em sua casa - e vencer bem.
Concordo muito com esta visão.
É um facto que o Porto tem sido uma espécie de "bicho papão" para o Benfica, o que acontece por razões objectivas e identificáveis mas também por razões psicológicas e mentais que importa compreender para ultrapassar.
Não se pode desvalorizar por completo a qualidade do Porto. Isso seria errado e contraproducente. O Porto nos últimos anos tem sido uma equipa consistente, que sofre poucos golos e que é difícil derrotar. As vitórias em competições europeias provam-no. O Porto teve nos últimos anos bons jogadores, de que destaco Falcão muito em particular mas também Moutinho e o próprio Lucho Gonzalez, que apesar de já estar na fase descendente da sua carreira ainda tem bastante futebol nos pés.
A esta qualidade junta-se uma mentalidade, forjada muitas vezes em factores motivacionais artificiais mas ainda assim eficazes - a mentalidade bairrista, o sentimento de serem injustiçados, desfavorecidos pela imprensa "centralista" ou lisboeta, o ódio ao Benfica.
Há outros possíveis factores estranhos que aqui entram na equação. Desde logo arbitragens altamente proteccionistas mas também outras coisas duvidosas ou mal explicadas. Por exemplo, porque razão o "fenómeno" Hulk é um flop na Rússia ou nunca rendeu na sua selecção? Será que toda aquela pujança física desaparece quando veste uma camisola diferente? Não gosto de especular sobre coisas de que não tenho certezas pelo que me ficarei por aqui quanto a este assunto particular.
Mas há também o aspecto psicológico, o tal "bicho papão". Como assinalava um outro blog, o Benfica por vezes acusa a pressão nestes jogos, ao passo que o Porto os encara como factor de motivação extra.
Percebermos isto é meio caminho andado para ultrapassar um possível bloqueio mental.
Estou aliás convencido de que não são apenas os jogadores a acusar este factor. O próprio público da Luz, os próprios benfiquistas têm caído neste estado mental que torna mais difícil vencer, num certo desânimo ou falta de confiança que não se justifica.
Por isso insisto em demonstrar que muitas, a maioria penso, das vitórias do Porto se alicerçaram na viciação dos jogos, na batota. Em muitos jogos o Benfica merecia vencer e teria vencido caso não tivessem entrado em campo factores estranhos.
Por exemplo, em relação ao jogo do ano passado, fala-se muito do golo em fora-de-jogo. Mas o que dizer da expulsão de Emerson? Não interessa se era um bom ou mau jogador. Interessa é que fez duas faltas absolutamente triviais e que foi expulso, descompensando completamente a nossa equipa. As duas faltas de Emerson juntas não justificavam sequer um amarelo, quanto mais dois. No entanto, depois do golo do empate do Porto (contra-corrente, pois a impressão que o jogo dava era que o Benfica estava perto de fazer o 3-1 e acabar com o jogo), com toda a carga emotiva daí resultante, o árbitro entrou em cena e desequilibrou um jogo em que em termos psicológicos o Porto já estava por cima naquela altura. Sem essa expulsão, é mais do que de admitir que o Benfica faria ainda um forcing final pela vitória. E que o empate seria um mal menor. No entanto, um golo em claro fora-de-jogo fez-nos perder.
Ainda assim, e com isto acabo o recordar desse jogo, o Benfica poderia ter feito o 3-3 numa jogada interrompida pelo árbitro quando Nolito se preparava para se isolar. Mais uma vez a decisão (apitar a uma pretensa falta de Miguel Vítor, entrado para o lugar de Garay, lesionado por Janko, que nem amarelo viu) foi-nos muito prejudical pois tal falta foi mais do que duvidosa.
Em muitos outros jogos se passaram coisas semelhantes.
Tudo isto para dizer que o Benfica não é em nada inferior ao Porto e tem portanto que começar a encarar estes jogos de uma forma diferente: em vez de receio de perder tem que mostrar a sua vontade de vencer. Porque a capacidade está lá - o que falta às vezes é crença. E o mesmo se pode dizer das bancadas. Nas antas o desrespeito pela nossa equipa é total, somos insultados do princípio ao fim, muitas vezes os nossos adeptos são agredidos e na maioria dos casos ainda perdemos os jogos.
Ora isso também tem que servir para que pelo menos o público da Luz apoie de forma inequívoca a equipa, tenha confiança de que em nossa casa as coisas são diferentes, que o ambiente é capaz de dar à equipa o suplemento de que pode necessitar. Para servir como um espicaçar do nosso orgulho, da nossa raça.
As bancadas devem portanto dar confiança à equipa, desde antes do apito inicial até ao último minuto. Eles merecem e devolverão às bancadas esse apoio com entrega, qualidade futebolística e golos. Em 90% dos casos o Benfica tem todas as condições para vencer o Porto na Luz.
É hora de ultrapassar receios e traumas. O dragão, tal como o "bicho papão", tal como o "mostrengo" de Pessoa, não existem, a não ser nas nossas cabeças, alimentando-se dos nossos medos. É hora de inverter as estatísticas, de as repor na sua devida proporção. É hora de Benfica.
Começa amanhã, pelas 20.15h.

Benfica-Porto

Para quem ache que eu possa ter exagerado nos posts anteriores, é só clickar nos links e ver dois vídeos bem paradigmáticos, bem elucidativos. São duas finais ganhas pelo Benfica. É ver o comportamento dos jogadores do Porto.


http://www.youtube.com/watch?v=ZiYBV8O_DqE




 http://www.youtube.com/watch?v=qWSAZrQQ7VI

Benfica vs Porto - Uma final de estalo

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Provocações e insultos - eles não sabem mais

Estranhei de algum modo uma certa "acalmia" dos lados das antas em vésperas de clássico.

Digo certa porque apesar de tudo houve provocações de Miguel Sousa Tavares, na sequência de uma outra situação que ainda aqui não comentei: o jogo de hóquei no Pavilhão da Luz entre o Benfica e o Porto.
Em primeiro lugar e já que abordo o assunto, é de lamentar que tenhamos perdido esse jogo tão importante, falhando nos momentos cruciais, sobretudo nos lances capitais de penalties e livres directos. Falhou qualquer coisa e se calhar um bocadinho do lado da mentalidade. Há que perceber que estes jogos têm que ser abordados como se se tratassem de uma verdadeira final e que ter uma atitude mais assertiva.
Mas claro que, em termos de desporto, o o pior viria depois. No desporto é sempre possível ganhar, perder e empatar. As pessoas civilizadas têm que estar preparadas para os três cenários ainda que entrem nos jogos sempre para ganhar. No fim há que aceitar o desfecho, ainda que seja óbvio que os que perdem não fiquem satisfeitos.
Com o Porto porém as coisas são diferentes. Quando perde os seus adeptos (o ano passado no "dragão-caixa" isso verificou-se na final do basket) tentam invadir o campo e agredir os adversários ou os seus jogadores (Hulk, Sapunaru, Helton) agridem quem lhes aparecer à frente. Quando ganham pelos vistos também agridem os espectadores.

Em todos os casos, há uma constante: foram provocados. Portanto fica tudo justificado.

Mais uma vez sublinho: é curioso. Num caso os adeptos do Porto agridem os nossos atletas, atirando toda a espécie de objectos para o campo e só não o invadindo pela intervenção da polícia, noutro os próprios jogadores de futebol agridem os famosos stewards (que afinal, de acordo com a Liga são apenas espectadores), ainda num terceiro caso os jogadores agridem à stickada os espectadores. Em todos os casos o que justificou as agressões? Provocações.

Mas ainda com imagens de uma agressão à stickada (que aliás nem é inédita, pois uma criança de 10 anos foi também há uns anos alvo do mesmo por parte dum jogador do Porto, ficando em coma e vindo a morrer dois anos depois em circunstâncias misteriosas), o que vem dizer Sousa Tavares? Que o Benfica não sabe perder.

Há uns meses Carlos Lisboa "não soube ganhar" porque "provocou" os adeptos do Porto, ao festejar a vitória do Benfica. Agora os adeptos do Benfica "não souberam perder" porque reagiram mal às provocações dos jogadores do Porto. (Alegadamente um adepto do Benfica terá cuspido para o guarda-redes do Porto. Lamentável? Sem dúvida. Condenável? Certamente. Justifica que o jogador do Porto o agrida à stickada? Para Sousa Tavares parece que sim.)

É um padrão de comportamento. É uma forma de estar.

É aliás a única que aquela gente conhece. Por isso se mostraram, pouco depois de as escrever, acertadas as minhas reflexões sobre a forma de estar que precisa de guerrilha e mau ambiente para motivar as suas hostes que caracteriza o Porto. Com efeito, apenas minutos depois viria o treinador do Porto com provocações despropositadas acerca do "próximo jogo do Benfica na Liga dos Campeões", de "como o Benfica está sempre bem e o Porto chega à Luz e ganha" e fazendo ainda insinuações que visam condicionar a arbitragem.

O que ele quer é conversa. Ele bem sabe como o Benfica está melhor, é mais forte. Teme o jogo pois sabe que sem factores estranhos o Porto tem poucas hipóteses de ganhar e muitas de perder. Portanto tenta, com este tipo de joguinhos mentais e ruído, baralhar os dados, instalar a dúvida nalguns adeptos do Benfica mentalmente mais frágeis, pressionar os árbitros.

Nos últimos anos o Benfica tem-se deixado ir nesta conversa, tem-se deixado abater demasiado por estes factores que deveriam ser estranhos ao futebol mas que para o clube do Porto são a forma, a essência mesma de como estão no desporto. Nos momentos em que soubemos resistir a todos os truques sujos, a todas as baixarias, provocações e aleivosias, jogando pelo Benfica, com paixão pelo Benfica e à Benfica, alcançámos vitórias únicas, que ainda hoje e sempre lhes estarão atravessadas.

Foi assim em 1991, quando César Brito calou as antas - mas não o túnel das antas, onde a mulher de Reinaldo Teles e o guarda Abel distribuiram chapadas. Foi assim em 2009 quando Saviola disse que o Benfica ia ser campeão e calou os portistas - mas não no túnel onde Fernando, Hulk, Sapunaru e Helton distribuiram murros e pontapés. Foi assim também em 1998 quando a perder 3-0 os jogadores do Porto desataram a agredir jogadores e treinadores do Benfica (na altura não havia o polvo mas houve uma Lula a pôr a mão na cara do então nosso treinador Souness e Jardel a agredir pelas costas - curiosamente dessa vez Paulinho Santos não deu cotoveladas nem partiu o maxilar de JVP). Em 2010 aquando da nossa vitória na final da Taça da Liga também por 3-0 Bruno Alves distribuiu pontapés e cotoveladas (sem ser expulso obviamente) e o jogo teve que ser interrompido por a claque do Porto arremessar objectos para a baliza benfiquista. E pelos vistos assim terá que ser muito mais vezes até que alguém ponha um fim a isto.

O Benfica tem que se alhear de todo este folclore de bairro, esta conversa de garotos e arruaças de selvagens e começar consistentemente a vencer o Porto. Por uma razão simples: é melhor. Para isso exige-se porém uma atitude competiva e ganhadora, que não se distraia nem se deixe intimidar, do 1º ao último minuto.

Memória de benfiquista

O futebol é um desporto e, costuma-se dizer, uma festa.
Mas festa significa coisas diferentes para diferentes pessoas.
Convém não esquecer quem vai jogar na Luz depois de amanhã: um clube condenado por corrupção, por viciar resultados, por fazer batota. Uma equipa em que os adeptos e os próprios jogadores entoam constantemente "cânticos" de insultos soezes, quase sempre "dedicados" ao Benfica, incluindo até em jogos internacionais.
Um clube que controla uma cidade e que nos recebe com um nível de hostilidade que ultrapassa as fronteiras da rivalidade para figurar no puro ódio. Um clube cuja claque está envolvida em múltiplos e constantes episódios de violência, gratuita e por vezes brutal, com um longo historial. Cujo líder se vangloria dos seus "feitos" de agressão.
Um clube que há anos promove um clima de "guerrilha" constante, que serve de combustível às suas vitórias. Um clube que promove o regionalismo e o divisionismo do País, não se coibindo até os seus mais reputados adeptos de insultar a capital de Portugal apenas para atacar um adversário desportivo.
Um clube cujos atletas, não contentes com insultar e provocar os adeptos adversários, de quando em vez agridem espectadores e assistentes de jogo, tendo ainda a desfaçatez de depois se vitimizar.
Um clube que joga com os sentimentos mais primários das multidões, o ódio, a raiva, o desejo de vingança e de humilhação, de onde retira a sua motivação.
Um clube que quando perde parte para a violência e quando perde de forma consecutiva chega ao caricato de encerrar modalidades.

Este é o clube do Porto, o clube de Pinto da Costa.

Importa recordar estas coisas não para fazermos os mesmo, não para sermos iguais mas precisamente para enfatizar as diferenças.

Há que ter memória e saber usar essa memória, aí sim, como forma de motivação para conquistar em campo uma vitória LIMPA, sem favores, sem coações, sem violências, sem ódios - apenas pelo Benfica. O Benfica tem rapidamente que repor a normalidade em matéria de jogos com o Porto, sobretudo na Luz. Há que ter memória e que apelar ao Orgulho Benfiquista no Domingo para que aqueles 90 minutos sejam verdadeiramente memoráveis. Mostrando bem que ser benfiquista não se faz à custa de fomentar ódios e inventar inimigos mas de sentimentos verdadeiros de paixão clubística. Como diz o nosso hino, ser benfiquista é ter na alma uma chama imensa. Como também se diz seguidamente, somos um clube que nunca encontrou rival em Portugal. O Porto nunca esteve e nunca estará no patamar do Benfica em termos de paixão e sentimento clubístico, em termos de valores desportivos autênticos e sadios. Isso é que importa recordar e ter presente na hora de receber em nossa casa este adversário. Cabe aos nossos jogadores e a todos os que estaremos a apoiar nas bancadas traduzir isso e dar-lhe expressão no jogo de Domingo às 20.15h.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Agora sim, é hora de preparar o clássico

Agora sim, é hora de pensar e preparar o próximo jogo - que acontece ser o clássico.

Num campeonato todos os jogos valem 3 pontos e nessa medida têm um valor muito idêntico.
Não são porém exatamente equivalentes, por uma razão prática mas sobretudo por uma razão mental: a razão prática é que nos jogos entre competidores directos a vitória de um faz-se à custa da derrota do outro, o que dá logo uma vantagem de 3 pontos e uma eventual vantagem (dependendo do jogo da outra volta) no confronto directo, vantagem não anulável por gol-average. A razão mental é porém ainda mais importante, pois uma vitória sobre um rival e competidor directo, dá à equipa vencedora a convicção de que é melhor e confiança para os outros jogos, ao passo que a que perde sente o contrário.
No entanto, todas as vantagens de uma vitória num clássico se diluem se na jornadas seguinte e nas outras, se a equipa vencedora se convencer de que já ganhou o campeonato e não encarar todos os jogos subsequentes com enorme seriedade e o mesmo espírito vencedor.
Acredito que depois do que aconteceu na época passada, esta realidade seja clara quer para o nosso treinador quer para os jogadores. Na altura se provou que qualquer complacência seria fatal face a árbitros determinados a prejudicar o Benfica. Nem vale a pena recordar como o fizeram, porque só um desonesto ou alguém que não acompanha minimamente o que se passa poderá ignorar esta realidade. Aliás seria muito interessante ter um especialista a analisar a linguagem corporal dos árbitros nos momentos das decisões mais escandalosas do ano passado, desde os penalties sonegados em Alvalade e Vila do Conde às expulsões de Cardozo e Aimar, ambas por Capela.

O passado é passado e neste momento o Benfica só tem que se focar em fazer o seu jogo, de forma determinada e concentrada para vencer, ainda que aqui e ali possam aparecer algumas habilidades. Na maioria dos jogos mesmo essas muito dificilmente nos poderão travar, face à qualidade do que estamos a jogar e ao espírito que a equipa tem mostrado em campo.

Claro que o jogo de Domingo é um jogo especial, um jogo diferente, um jogo mais difícil do que os outros. Por isso mesmo aqui deixarei nos próximos posts algumas reflexões acerca do que penso que podemos fazer para tornar a vitória que todos desejamos e esperamos não digo mais fácil mas mais próxima, mais provável.
Há algumas coisas que nem sempre temos feito bem - não apenas os que estão lá dentro e no banco mas nós próprios nas bancadas - e que me proponho identificar nos próximos artigos.

É hora de começar a preparar o clássico - um jogo muito importante, fulcral mesmo, para um caminho que desejamos e acreditamos que culmine no Marquês de Pombal ou até na Avenida da Boavista.

Se alguém conseguir explicar...

Ainda propósito da Taça da Liga, eu gostava que alguém me explicasse (se conseguir) o que foi afinal de contas o Vitória de Setúbal fazer ontem às antas?

É que o Benfica está a disputar competições europeias e todas as competições nacionais com perspectiva de as ganhar. Para além dos seus jogadores serem constantemente convocados para as respectivas selecções.

Agora o Vitória de Setúbal estava a poupar os seus jogadores exactamente para quê? E os que não jogaram estavam cansados de quê? De uma única jornada da 1º Liga disputada no decurso de 3 semanas? 

Eliminado da Taça de Portugal, o Setúbal tinha nesta competição a única possibilidade de ganhar um troféu. Possibilidade que aumentava por saber que, caso passasse, iria disputar as meias finais em casa, contra o Rio Ave ou o Paços de Ferreira. Possibilidade que ganhava alguma consistência por o Porto ter um jogo decisivo no domingo e jogar sem a maioria dos seus titulares, claramente com muito pouca qualidade no ataque.

Mas, pelos vistos, o Vitória de Setúbal decidiu que não deveria aproveitar estas hipóteses. Pelo contrário, deveria até diminuir as suas possibilidades ao não colocar em campo os seus melhores jogadores. Em vez de tirar partido e poder equilibrar um jogo normalmente desequilibrado jogando com os seus melhores contra uma segunda linha do Porto, optou por "equilibrar" a rotação do Porto com a rotação do seu fraco plantel.

Com que intenção? Não sei, mas se alguém me conseguir explicar...

Será que isto tem alguma coisa a ver com o facto do Setúbal não ganhar ao Porto há décadas?

Pelo menos desta vez não choveu, pelo que o jogo lá se realizou.

O árbitro também contribuiu para a "festa", com um penalty daqueles.

Gestão de prioridades em noite de regressos

O Benfica ganhou bem ontem mas a sua qualificação para as meias-finais da Taça da Liga não deixou de ter alguns sobressaltos e estar mesmo ameaçada.

Com efeito, uma derrota em Moreira de Cónegos, que só foi evitada no último minuto teria desde logo deixado a nossa equipa numa situação muito difícil, a depender de 3ºs para o apuramento. Uma derrota no jogo de ontem também teria significado a eliminação.

No entanto isto tem que ser encarado como normal face ao definir de prioridades por parte da liderança: o Campeonato é a prioridade número 1. Nessa medida, houve que fazer alguma gestão do plantel, também mais possível este ano face à variedade de soluções que o plantel.

E nesse capítulo de dar tempo a jogadores menos utilizados nas outras competições (sobretudo no Campeonato) ou regressados de lesões houve indicações muito diferentes.

Em primeiro lugar, permitam-me destacar André Gomes. Mais uma excelente exibição. Passes de ruptura, recuperações de bola, pausas e acelerações no nosso jogo atacante, foram atributos que ontem exibiu a alto nível e que denotam um nível de maturidade que não pára de surpreender. A sua entrada na equipa está a ser bem gerida por JJ.

Depois temos os casos de Bruno César e Nolito. Jogadores com algumas credenciais e nome, que naturalmente têm expectativas de jogar com regularidade, eles têm sido apenas soluções de recurso no decurso da época. E ontem tiveram claramente exibições muito, mas mesmo muito abaixo do que é exigido no Benfica. Há uma ansiedade, uma vontade de monstrar o que sabem, que têm qualidade, que os está a prejudicar, mas há mais. Há claramente um estado anímico que não é bom, para não dizer que o problema chega a ser físico.

Vejamos: Bruno César começou por ter muitas oportunidades esta época. Ele foi inclusivamente titular contra o Barcelona na Luz no lugar de apoio ao ponta de lança. Já jogou no meio campo várias vezes. Já entrou para as alas. No entanto ainda não marcou nenhum golo e não convence minimamente. Ontem cometeu um erro primário que deu um golo à Académica.

Nolito tem ainda assim tido algumas oportunidades. É preciso recordar que Ola John nem sequer foi convocado nos primeiros jogos oficiais da época. Pelo menos durante uma dezena de jogos. No entanto soube aparecer e conquistar o seu espaço. Com Gaitan passou-se algo de semelhante: muitas vezes não convocado, está agora a conquistar um lugar no 11 inicial. Ora Nolito não tem sabido aproveitar as suas oportunidades e ontem jogou muito mal.

São dois jogadores com qualidade, com características muito próprias e interessantes, mas que têm que olhar mais para si e para o que estão (não) fazendo, antes de reclamarem oportunidades que neste momento não estão a justificar.

Um caso quase oposto é o de Kardec. Marginalizado, entre a equipa B e os não convocados do plantel principal, e praticamente sem espaço face à qualidade de Cardozo, Lima e Rodrigo, conseguiu ver a sua entrada em campo em apenas 2 jogos (e num deles por apenas um minuto) coincidir com duas recuperações no resultado, desta vez mesmo com a sua participação activa, com um golo e uma assistência. Por razões que não compreendo bem, Kardec prometeu e (ainda) não cumpriu no Benfica. Espero que seja feliz, porque me parece um bom rapaz, quem sabe no Benfica. Num sistema de 2 pontas de lança é natural que surjam oportunidades para o 4º do plantel no mínimo estar no banco e poder ser chamado a entrar.

Em relação aos regressados por lesão, Aimar não esteve bem. Demasiado adorno nos lances, muitas bolas perdidas em duelos físicos e muitos passes errados. Claramente precisa de acertar passo e ganhar ritmo antes de poder ambicionar a um lugar na equipa. Carlos Martins pareceu entrar com determinação e vontade mas também não mostrou muito.

Gostei de ver Roderick, que no geral esteve seguro e não comprometeu.

Quanto ao jogo, a Académica é uma equipa com sorte, que nos tem causado dissabores sem o merecer minimamente, várias vezes aliás contando com claros benefícios arbitrais. É também a equipa cujo vice-presidente tentou atacar à cabeçada Maxi Pereira há uns meses.

Foi também por isso muito positivo termos sido capazes de dar a volta ao jogo, depois da Académica marcar nos dois únicos remates que fez à baliza. A nossa equipa demonstrou vontade, determinação e raça para dar a volta ao resultado injusto e vencer.

Espero que este seja apenas um prenúncio de nova vitória sobre esta mesma equipa dentro de uma semana, dessa vez para a Taça de Portugal.

Quanto à meia-final da Taça da Liga, iremos a Braga dia 27 de Março.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Taça da Liga: convocados para jogo com Académica

Guarda-redes: Paulo Lopes e Mika;

Defesas: Maxi Pereira, André Almeida, Roderick Miranda, Miguel Vítor, Jardel e Luisinho;

Médios: André Gomes, Carlos Martins, Bruno César, Nolito, Ola John, Salvio, Gaitán e Aimar;

Avançados: Lima e Kardec

Face a este lote, no qual se destacam - e saúdam - os regressos de Miguel Vítor, Carlos Martins e Aimar, é muito difícil antever um onze, pois as combinações possíveis são mais do que muitas.

Certas parecem-me apenas as inclusões de Paulo Lopes, Luisinho, Miguel Vítor, Bruno César, Nolito e talvez Olha John na equipa inicial. Aimar deverá também começar a partida, provavelmente no apoio a um ponta de lança mais fixo.

Entre Maxi e André Almeida um jogará certamente na direita. Eu inclinar-me-ia para começar com Maxi e fazê-lo sair ao intervalo. Mas André Almeida pode também começar o jogo, inclusivamente no lugar de Matic.

Uma hipótese é este onze:

Paulo Lopes
Maxi
Roderick
Miguel Vítor
Luisinho
André Almeida
Bruno César
Nolito
Ola John
Aimar
Lima

 Dependendo do resultado, Lima, Aimar e Maxi poderiam sair entre os 45 e os 70 minutos, para as entradas de Kardec, Carlos Martins e André Gomes. Outra hipótese é jogar André Gomes de início em vez de Almeida, em cujo caso seria este a entrar ao intervalo por troca com Maxi. Ainda outra hipótese seria a entrada de Gaitan para o lugar de Aimar ou de Ola John na segunda parte. No caso das coisas estarem a correr menos bem, haveria menos "poupança" e teria que entrar também Sálvio.

Enfim estas dúvidas, que são mais do que muitas, mostram que existe qualidade e diversidade no plantel. Os dois "meninos" Andrés vieram de facto dotar a nossa equipa de muito mais soluções, quando eu próprio admiti e defendi, no início da presente época, que precisávamos de ir ao mercado em Dezembro/Janeiro.

A verdade porém é que mesmo com as prolongadas ausências de Aimar e Martins, Jesus encontrou no plantel soluções que nos permitiram manter todas as aspirações nas competições internas e, ainda que eliminados da Liga dos Campeões, mantermo-nos na Europa. Quem sabe até se Roderick, ganhando alguma capacidade física e poder de choque e aprendendo tacticamente com Jesus não poderia ser opção para substituir Matic quando tal for necessário?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Taça da Liga em "modo clássico"

O Benfica joga amanhã na Luz a passagem às meias finais da Taça da Liga.

Trata-se de uma competição para ganhar, estando o Benfica numa situação muito privilegiada para passar às meias finais, bastando-lhe empatar com a Académica.

Por outro lado, a prioridade para esta época é o Campeonato e Domingo há um jogo de grande importância.

Nesta medida, terá que existir uma gestão cuidada do plantel, tendo em conta sobretudo algumas posições chave, a começar pelos centrais.

Com efeito, o Benfica está esta época a ter problemas com os seus centrais: primeiro foi o castigo de Luisão, depois a lesão do mesmo, entretanto também Jardel, Miguel Vítor e parece que o próprio Sidney se lesionaram.

Face a este quadro, penso que JJ não deve arriscar Garay nem Jardel, embora possa por outro lado querer dar tempo de competição a Luisão. Não será pois de espantar que Roderick possa jogar ao lado do capitão.

Por outro lado, nas laterais, deverão jogar Luisinho e eventualmente André Almeida (com a hipótese de Maxi poder fazer meia parte).

Também no meio, face às poucas alternativas a Matic, penso que este deveria ser poupado a qualquer eventualidade e não jogar de início, embora JJ melhor saberá avaliar estas questões. Olhando para o plantel, uma hipótese seria Maxi jogar na primeira parte como lateral e André Almeida a "trinco", passando este a lateral na segunda parte e saindo Maxi para a entrada de alguém para o meio campo. Há por outro lado a novidade de Aimar estar aparentemente em condições, sendo que Bruno César poderá também ocupar um dos lugares.

Nas alas, parece seguro que Nolito jogará, provavelmente acompanhado de Ola John. Já na frente é possível que Kardec possa ter uma oportunidade. As ausências confirmadas de Rodrigo e Cardozo, abrirão um lugar para o brasileiro que nunca se conseguiu afirmar no Benfica. Resta ainda um lugar, que poderá ser ocupado por Lima, embora eu pense que este não jogará mais de 45-60 minutos. Enfim, admito que são muitas suposições e muitas dúvidas, mas ainda assim aqui fica um 11 pouco ortodoxo mas possível para o jogo de amanhã contra a Académica:


Paulo Lopes,
Maxi Pereira (apenas 45 m)
Roderick
Luisão
Luisinho
André Almeida/Miguel Rosa
Bruno César/Aimar
Nolito
Ola John
Kardec
Lima

Uma estranha gala

Foi estranha e insólita a Gala da Bola de Ouro da FIFA que ontem decorreu em Genebra.

Começou logo com a aparição de Gerard Depardieu - não estava na Rússia? Não ia até ser ministro de uma província russa? Terá Blatter tentado convencer o actor francês a afinal não emigrar? Quem sabe até a aceitar um cargo na FIFA? Ou terá aproveitado a ocasião para lhe dar conselhos sobre zonas francas e off shores?

Depois vi Messi com um casaco às bolinhas que também não percebi e uma senhora sueca a cantar.

Seguiu-se a estranha equipa do ano com 10 jogadores repartidos entre Barcelona e Real Madrid e um do Atlético de Madrid.
Não haverá para a FIFA mais mundo para além de Espanha? Em Inglaterra, na Alemanha, em Itália (e já nem digo Portugal e França...) não haverá nenhum jogador que mereça estar no lugar, por exemplo, de Sérgio Ramos? De Marcelo? De Casillas? Do próprio Xabi Alonso? Pareceu-me uma eleição algo estranha.

Depois houve o golo do ano, que, apesar de ser um grande pontapé, me pareceu o menos interessante dos três seleccionados...

E acabamos com a previsível mas ainda assim injusta eleição de Messi e Del Bosque.
Porque, vejamos, Messi é eleito por ser o melhor do mundo. Isto apesar de na época em apreço e em avaliação não ter conquistado nenhum título colectivo. Apesar de Ronaldo ter sido decisivo no título e nomeadamente no jogo em Nou Camp.

No entanto no caso de Mourinho já não se aplica o mesmo critério de ser o melhor. Ou alguém seriamente sustentará que Del Bosque é (hoje) um treinador melhor do que Mourinho? Aí aplica-se portanto outro critério (talvez o de prémio de carreira ou da conquista do título mais importante do ano).

Será a diferença entre Ronaldo e Messi de tal forma grande que justificará o português ter apenas uma contra 4 bolas seguidas do argentino?

Justificar-se-á que a equipa ideal (do Mundo!) tenha apenas jogadores da Liga Espanhola? Merecerão 6 espanhóis estar neste 11? Sérgio Ramos?!?

Tudo o que é demais enjoa.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vitória sobre o Estoril - crónica

Boa vitória ontem no Estoril, contra uma equipa com qualidade e organização e que em casa tem sido extremamente difícil de bater.

O Benfica teve um período menos bom, sensivelmente entre os 10 e os 30 minutos, tendo o golo de Gaitan trazido tranquilidade e embalando a equipa para uma vitória segura e uma excelente segunda parte.

É curioso que no Golo de Gaitan se tenham invertido os papeis e tenha sido Cardozo a bater o canto para a espectacular finalização do novo pequeno genial.

Depois veio o morteiro de Lima, depois de um belo passe do mesmo Gaitan e de uma paragem no peito à matador do avançado brasileiro. Notou-se maior frescura física de Lima, depois de algum descanso nas últimas semanas. Lima está mais leve e isso faz toda a diferença.

Finalmente Sálvio conseguiu voltar aos golos ainda que a bola tenha mais uma vez acertado na barra - o argentino tem demasiada pontaria! É porém completamente merecido, até pelo muito que Sálvio fez durante a primeira parte.

Nota positiva também para o fiscal de linha que validou o golo de Sálvio. Confesso que em imagem corrida eu não teria percebido que a bola entrou.

No reverso da medalha fica um critério desigual do árbitro que apitou a tudo quando se tratavam de intervenções mais físicas dos nossos jogadores e só marcou as faltas mais evidentes e claras a nosso favor. Isto ficou bem patente no lance do golo do Estoril no qual André Almeida é agarrado pelo adversário (que lhe puxa a camisola) e vê ser assinalada contra si quando recua e se afasta do mesmo, tirando-lhe o apoio da camisola e fazendo-o cair. A falta era ao contrário. Claro que isso não justifica o erro de Artur. Deixo aliás um conselho ao nosso guarda-redes: que treine mais as saídas da baliza. Penso que é um aspecto que deveria trabalhar para ser um guarda-redes ainda melhor.

O melhor em campo foi Gaitan (17 valores), num jogo em que toda a equipa esteve em muito bom plano, optando eu por dar um destaque especial às exibições de André Almeida e Enzo Perez. Não tendo nenhum deles marcado golos ou tido acções muito espectaculares durante o jogo (exceptuando talvez um slalom de André logo na primeira parte) a verdade é que ambos foram formiguinhas durante todo o jogo que nunca pararam de laborar e que permitiram a outros jogadores a nota artística que deu beleza e colorido ao jogo. Sacrificaram-se e deram o que tinham pela equipa e com isso contribuíram - e muito - para a solidez da mesma e para a importante vitória alcançada.

As de Lima e Sálvio, bem como de Melgarejo e Garay foram também exibições dignas de nota.

PS - deve-se relevar também as palavras da equipa para com João Cancelo, que enfrenta uma terrível tragédia na sua vida. O nosso forte abraço e toda a solidariedade para ele.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Alto nível

JJ disse que só um Benfica de alto nível poderá vencer dentro de pouco mais de uma hora o Estoril.
Está absolutamente certo.
O Estoril já vem mostrando (não apenas esta época) que com Licá, Steven Vitória e uma equipa muito bem arrumada, agressiva num bom sentido e incisiva no ataque, é um adversário de respeito no seu Estádio.
O Benfica está a fazer um trajecto muito bom esta época e precisa dos 3 pontos para com eles chegar em vantagem ao clássico do próximo Domingo.
Lá estaremos assim, uns com presença física, outros em espírito para dar força à nossa equipa. É mais um jogo de enorme importância. Que a equipa saiba estar à altura das suas responsabilidades, para mais tarde recordamos a noite de hoje como mais um passo para no fim da época sermos felizes.