sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Belenenses vendido a dragão de ouro

A notícia passou quase despercebida mas aqui não a deixamos escapar: Rui Pedro Soares, que fez a sua vida graças a compadrios políticos, histórias mal explicadas e indemnizações milionárias, só possíveis num estado moralmente corrupto, comprou o Belenenses. É mesmo assim: alguém a quem não se conhecem méritos na vida nem contributos para a sociedade, que foi premiado por fidelidades políticas caninas com lugares de topo nas nossas maiores empresas com participação pública (nomeadamente a PT ou a Taguspark) e que foi demitido por usar dinheiros públicos para promover interesses particulares e partidários, nomeadamente a compra do apoio de Figo a Sócrates ou a tentativa de compra da TVI, demitido mas com indemnizações de milhões de euros, transformou-se num milionário que, depois de tentar comprar os direitos televisivos dos jogos do Benfica, comprou agora o Belenenses.

Este histórico do futebol português (formado, convém recordar, por vários ex-benfiquistas e, parece, também um ex-sportinguista), que foi campeão de Portugal 3 vezes e ganhou várias taças, passa assim para as mãos da figura que já descrevi, um apparatchic de Sócrates premiado com o dragão de ouro. É mais uma notícia triste para o futebol português e para o Belenenses, que encontrou nesta "solução" de último recurso uma via para evitar a falência (cujo espectro afecta vários outros clubes".

Muito triste, pensarmos que: "Nos países civilizados, os apanhados em escândalos políticos e económicos, ou são presos ou empreendem longas viagens espirituais (a de Madoff vai durar 150 anos). Em Portugal, os apanhados em escândalos políticos ou económicos (ou, no caso de Rui Pedro Soares, em ambas as coisas) compram clubes de futebol". A citação é de um suplemento humorístico ("O Inimigo Público") mas a história é exactamente assim e não tem graça nenhuma.

Para quem quiser saber mais acerca da decadência moral deste país e até que ponto a corrupção aqui é premiada, é seguir os links que deixei e informar-se acerca desta personagem, que recebeu ainda uma ideminização milionária do jornal "Sol" por divulgação de escutas que um Tribunal classificou como "conversas do foro íntimo" de Rui Pedro Soares: eram conversas em que este dragon fazia uso da posição que lhe tinham oferecido na PT para "atentar contra o Estado de Direito" (expressão de um juiz que ouviu tais escutas).

Em relação a esta operação de aquisição do Belenenses, diz o Expresso:

"Quanto ao futuro financiamento na SAD belenense, esse será efetuado através da sociedade comercial anónima portuguesa "Codecity Players Investment, S.A.", da qual Rui Pedro Soares é Presidente do Conselho de Administração e cujo capital social é detido, em parte, pela sociedade espanhola "WALTON GRUPO INVERSOR 21, S.A." (que é representada em Portugal por uma sua Sucursal).

Resta saber se a próxima experiência no futebol da Codecity, iniciada pelas aquisições dos direitos económicos de Abel Camará (SC Beira-Mar) e André Pires (Sporting Braga "B"), tendo existido pelo meio uma possível intervenção na transferência de Yohan Tavares do Beira-Mar para o Standard Liège, servirá para convencer os sócios de que a aposta foi ganha."

Resta também, acrescento eu, saber uma outra coisa: o que significa isto para o futebol português e os seus equilíbrios de poder (nomeadamente a relação Norte-Sul) ou, dita a mesma coisa de outra forma, qual o objectivo de Rui Pedro Soares com esta aquisição?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Benfica-Spartak - notas dos jogadores

São estes os veredictos da Justiça Benfiquista em relação ao jogo de ontem:


Pódio dos melhores em campo

Ouro: Cardozo (17 valores em 20). Mudou completamente o jogo, marcando dois golos, expulsando um jogador e conquistando um penalty e criando ainda, com as suas movimentações e a sua presença, várias oportunidades (sim, as oportunidades criam-se, não "basta estar lá").

Prata: Artur (16 valores). Seguro, fez duas defesas enormes a não deixar o Spartak marcar em situações em que os jogadores apareceram isolados à sua frente. Foram momentos decisivos do jogo, pelo que o seu contributo para a vitória é muito grande.

Bronze: Ola John (15 valores). Começa a mostrar porque o Benfica tanto fez para o contratar. Rápido, incisivo, com tremenda capacidade no um-para-um, a conseguir várias situações de ida à linha e cruzamento. Critério no último passe.


Outros destaques

Garay: Também uma excelente exibição, a dar uma enorme segurança e qualidade defensiva à equipa. Destaca-se um corte no fim da primeira parte e a situação em que foi agarrado e puxado e deveria ter dado penalty a favor do Benfica. 15

Melgarejo: Muito boa exibição, com diversas subidas ao ataque e combinações muito boas com John. Saúda-se o ótimo regresso à equipa. Teve mesmo uma assistência, para o primeiro golo de Cardozo. 15

André Almeida: lançado às feras, como se costuma dizer, foi sempre aplicado, rigoroso e combativo, num meio campo onde várias vezes estava em inferioridade numérica. Ainda subiu pelo menos uma vez ao ataque numa bela jogada que teve algum perigo. Não se deu muito pela ausência de Matic e não resultou da sua presença em campo nenhum embaraço, o que é dizer muito para um jogador tão jovem e ainda pouco rodado nestas lides. 14

Jardel: esteve também muito seguro e autoritário. Tem sido exemplar na forma como "tapou" a ausência prolongada de Luisão. Um exemplo de dedicação à equipa. 14

Enzo: mostrou a sua qualidade habitual, numa missão de sacrifício, tendo feito um corte importantíssimo a resolver uma situação de contra-ataque do Spartak. Conduz a bola e passa-a à distância como nenhum outro neste momento no Benfica. 14

Bruno César: mostrou alguns apontamentos, sobretudo bons remates, esperando-se que sejam indicativos de melhorias face aos últimos (muito maus) jogos. 13

O treinador

Jorge Jesus merece nota alta: 16 valores. A sua decisão de deixar Cardozo no banco é discutível mas tem que se dar mérito ao treinador por conseguir disfarçar as ausências de: Luisão, Aimar, Carlos Martins, Matic (e a "semi-ausência" de Gaitan, que não andará bem em termos físicos). É notável como, sem poder contar com tantos jogadores importantes para a equipa (e note-se que já nem me refiro aqui às ausências que já são definitivas de Javi e Witsel), consegue ainda assim montar uma equipa não só altamente competitiva mas até muito superior ao Spartak (que, claro, que agora é uma equipa miserável mas há umas semanas, depois de pregar um susto ao Barcelona, era fantástica).

O árbitro

Aqui avalio não apenas o áribitro principal mas a equipa, que merece uma nota negativa: 7 valores.
Num jogo que não foi muito fácil, errou ainda assim demasiado: pelo menos um penalty claro por marcar a favor do Benfica (aos 2 minutos) e um golo mal anulado a Cardozo. É muita coisa, numa partida em que ainda permitiu excessiva agressividade dos russos. Houve pisões, pontapés e cotoveladas que passaram incólumes. São erros a mais para este nível. Só não tem uma nota mais baixa porque no restante (na condução do jogo e na marcação de faltas para um lado ou outro) manteve um critério relativamente uniforme e não denotou uma intenção de inclinar o campo (como tantas vezes acontece em Portugal).

Implicações da derrota do Barcelona em Glasgow

As contas da Champions para o Benfica começaram a complicar-se muito quando perdemos um jogo que não podíamos perder (em Moscovo) depois de dois resultados absolutamente normais: empatar em Glasgow com o Celtic e perder em casa com o Barcelona.

Recordo aliás o seguinte:

quando empatámos em Glasgow na primeira jornada, várias foram as vozes que disseram que o Benfica tinha "obrigação" de fazer melhor, de ser mais ambicioso, até porque o Celtic era "a equipa mais fraca do grupo", como a exibição do Spartak em Nou Camp (chegou a estar ganhar) "demonstrava".

Uma semana depois, o Celtic foi a Moscovo vencer o Spartak. Evidentemente foi uma surpresa, muito embora o resultado tenha acontecido em circunstâncias especiais (o Spartak viu um jogador seu ser expulso). Esse resultado ditou o Benfica ficar na situação que descrevi aqui: não podia perder em Moscovo. Infelizmente fizemos uma péssima exibição, cometemos erros técnicos e tácticos de palmatória e perdemos mesmo.

A partir daí restáva-nos vencer os jogos em casa e esperar que o Barcelona fizesse o que fizera na Luz e vencesse os jogos com os nossos adversários. Mais uma vez, isso não aconteceu: nós realmente vencemos e muito bem o Spartak mas o Barça perdeu na Escócia. O que nos leva para o seguinte cenário:

Classificação



Faltando jogar:

Dia 20/11                              Dia 5/12

Benfica-Celtic                      Barcelona-Benfica
Spartak-Barcelona                Celtic-Spartak

Neste momento, teoricamente, ou melhor matematicamente, todas as equipas têm ainda chances de se apurar e o Barcelona pode mesmo ainda ir parar à Liga Europa.

Para tal ser necessário (o Barcelona ser relegado para a Liga Europa), "bastaria" os catalães perderem os seus dois jogos, o Benfica vencer o Celtic e este vencer o Spartak. Faríamos 10 pontos e o Celtic também contra os atuais do Barcelona. O próprio Spartak, se vencesse os dois jogos alcançaria 9 pontos.

As contas que porém nos interessam a nós, mais realistas, são estas: o Benfica tem que vencer o Celtic (igualando-o em pontos e adquirindo vantagem no confronto direto) e depois não fazer no jogo contra o Barcelona pior que o Celtic fizer em casa contra o Spartak.

Ou seja, não dependemos de nós e inclusivamente as probabilidades estão contra nós. Mas atenção: já houve várias surpresas neste grupo. Nessa medida o que é absolutamente necessário é que o Benfica vença o Celtic em casa, como tem todas as condições para fazer. A partir daí todos os cenários se tornam possíveis. E a partir daí uma outra coisa quase se garantirá (embora não ainda matematicamente): a continuidade na Europa, ainda que na Liga "secundária".

Uma última nota, o Celtic demonstrou ontem uma coisa que se sabe há muito: não há equipas imbatíveis. O que mais me incomodou no nosso jogo contra o Barcelona em casa foi o sentimento de inevitabilidade da derrota, a falta de crença, quer do treinador e dos jogadores até ao público da Luz. Com uma outra atitude (sobretudo faltou alguma agressividade, jogar um bocadinho mais duro, fazer sentir aos jogadores do Barcelona uma outra presença física), podíamos ter alcançado um resultado diferente. Mas assim não aconteceu e agora estamos aqui.

E "aqui" importa primeiro vencer o Celtic e depois pensar no jogo com o Barcelona como um jogo de futebol - em que tudo pode acontecer. Mas as coisas não acontecem sozinhas. É preciso conquistá-las.

Benfica fez a sua parte - Cardozo em grande

Como se lhe impunha, o Benfica venceu o Spartak, tendo-o ademais feito de forma convincente e inquestionável. Aliás, apesar de duas oportunidades claras do Spartak, a verdade é que o Benfica podia ter ontem goleado o seu adversário. Para além do penalty falhado por Cardozo, dois outros ficaram por marcar, em especial logo no início uma falta flagrante sobre Garay.
Na primeira parte JJ surpreendeu ao deixar Cardozo no banco e ao lançar Rodrigo. José Nunes, da Antena 1, disse perceber a intenção (ter dois jogadores móveis na frente de ataque que pudessem, sobretudo Rodrigo, recuar para equilibrar o meio-campo e tentar fazer logo oposição à construção de jogo do Spartak) mas não concordar. Acrescento que talvez Jesus desejasse e acreditasse que este jogo poderia marcar a recuperação de Rodrigo, que desde o jogo do ano passado com o Zénite que não é o mesmo. É uma opção questionável, como muitas outras. Não é certo que entrando de início Cardozo tivesse feito o que fez na segunda parte.
E o que dizer dessa segunda parte? Três golos (um deles mal anulado), um cabeceamento à barra e mais duas oportunidades claras (incluindo o penalty) que soube criar não conseguiu concretizar. Ou seja, Cardozo marcou dois mas podia ter marcado... 6. Incrível jogo deste nosso ponta de lança, a mostrar mais uma vez quão importante tem sido para o Benfica nos últimos anos. Só não gosto de o ver marcar penalties, pois percebe-se que há sempre um risco grande de os falhar por a bola bater na barra ou ir por cima. Ontem o penalty até deveria ter sido repetido pois o guarda-redes adiantou-se muito antes da bola partir. Penso porém que se Cardozo é o marcador de serviço deveria treinar mais os penalties.
Duas notas finais negativas: a arbitragem e os russos. A arbitragem teve demasiados erros para este nível de competição, quase sempre em desfavor do Benfica. Dois penalties, um que deveria ter sido repetido e um golo mal anulado são casos a mais para um só jogo. Afinal os alemães não são tão rigorosos quanto nos querem fazer crer. Houve ademais permissividade em relação à dureza excessiva dos russos.
Quanto aos russos, voltaram, depois dos adeptos do Zénite terem feito graves distúrbios aquando da sua passagem por Lisboa, a envolver-se em cenas de violência. Recorde-se ainda o gravíssimo do que se passou durante o Europeu também com adeptos russos. É uma selvageria inaceitável que tem que ter uma resposta muito firme por parte das autoridades.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As declarações de Rui Vitória

Foi dado destaque numa televisão (a RTP com os seus famosos estúdios do Porto) às declarações de Rui Vitória nas quais considera não lhe parecer haver penalty contra a sua equipa, tendo esse sido um momento importante do jogo.
Ora, como muito bem assinalado no blog "O Indefectível", essas declarações só foram feitas depois de insistências dos jornalistas (já agora, seria interessante começar a perceber quem são os jornalistas que fazem perguntas claramente encomendadas). No essencial, Vitória disse que o desfecho do jogo não merecia contestação e que o Benfica era um vencedor justo. Aliás considera tão importante o segundo golo como o primeiro, criticando antes de mais a sua equipa por nesses momentos decisivos não ter sido capaz de controlar o jogo.
Porquê então ignorar o sentido geral da leitura que Vitória fez do jogo e dar destaque apenas a algo que, nas palavras do próprio treinador do Guimarães, não beliscava o mérito do Benfica?
Nós sabemos bem porquê, mas não deixa de ser estranho que isto seja considerado serviço público.

Benfica: vencer, vencer

Não há outro caminho. Amanhã contra o Spartak só mesmo a vitória serve.
É uma situação de pressão, é uma situação em que não há margem para erro, mas há que perceber que vencendo tudo se mantém em aberto. Vencendo os dois jogos em casa, este e contra o Celtic, o Benfica pode dar a volta à situação e apurar-se.
Naturalmente que não é uma situação confortável e que seria preferível estarmos noutra. O jogo em Moscovo foi demasiado mau, com múltiplos erros, que imputo sobretudo a JJ. No entanto tanto o treinador como os próprios jogadores terão aprendido com eles, ao passo que desde então se notou na equipa uma consolidação de processos e uma maturação do jogo colectivo.
Nesse sentido, o jogo de amanhã será completamente diferente de Moscovo. Nem as equipas russas são as mesmas dentro ou fora de casa nem o Benfica é o que foi há duas semanas.
Impõe-se porém para além de uma grande seriedade dos jogadores na abordagem ao adversário, confiança nas nossas capacidades, também por parte das bancadas. O Benfica não tem nenhuma obrigação para além de ganhar. Em jogos como estes não se pode pedir espetáculo, floreados ou notas artísticas. Impõe-se isso sim um grande profissionalismo, entrega e determinação para vencer. É isso que fazem as grandes equipas nos momentos da verdade. E espera-se que das bancadas venha um enorme apoio, que dê confiança aos nossos jogadores e intranquilize os adversários.
Creio que isto acontecerá. Creio que temos todas as possibilidades de vencer.

Pode o Sporting descer de divisão?

A probabilidade é mínima, mas o simples facto de se colocar mostra quão baixo desceu este histórico rival do Benfica. Mas, mesmo sendo mínima, a possibilidade existe - é real. Inclusivamente alguns sportinguistas já a admitem.

Existem dois factores que podem levar a este cenário calamitoso para o clube de Alvalade: a situação financeira e de tesouraria pouco menos do que desesperada; o facto da maioria dos jogadores do plantel não pertencer à SAD do Sporting.

Comecemos pelo segundo aspecto. Como já era sabido e Rui Santos mostrou em pormenor no último "Tempo Extra", o passe da quase totalidade dos jogadores adquiridos nas últimas duas épocas pertence, na sua maioria, a entidades estranhas (os tais fundos e "investidores" desconhecidos) ao Sporting. O que não se sabia é que em vários casos o Sporting detem apenas 10% dos passes. Isto gera uma estranha situação em que começa a tornar-se duvidoso quem é de facto o patrão dos jogadores. E, perante a realidade da desvalorização desses mesmos jogadores face a uma campanha desportiva absolutamente desastrosa (agravada pelas declarações de Verkauten de que alguns serão pouco profissionais ou terão pouca qualidade), é de admitir que alguns desses "investidores" ou "fundos" venham a querer colocá-los (talvez já em Janeiro) noutros clubes. Ou seja, é possível por esta via que o Sporting venha a perder jogadores a curto prazo. Elias é um dos nomes mais falados.

Quanto à questão financeira e de tesouraria, dizem alguns que ela pode entrar em ruptura nos próximos meses. Até Rui Oliveira e Costa (que, é bom não esquecer, ainda na época passada e na anterior fazia ataques violentíssimos ao Benfica e a António Pedro Vasconcellos) dizia no passado Domingo que o Sporting pode entrar a curto prazo (num cenário de demissão de Godinho Lopes) em incumprimento contratual e a permitir rescisões por justa causa de vários jogadores.

Aliás, já em Julho, Carlos Barbosa, ex-vice de Godinho Lopes e o primeiro a demitir-se da actual direcção, dizia isto: “O Sporting tem de perceber que a equipa que existe hoje não pode continuar, não há dinheiro para estes ordenados. É vender metade desta equipa, despachar os Elias desta vida, que custou uma fortuna ao Sporting... O Elias é extraordinário, mas nós não temos dinheiro para ter o Elias. O Sporting tem de começar de novo, lembrar-se dos tempos do Ronaldo, do Figo, apostar nos miúdos de 16 anos, correr com metade desta equipa para realizar dinheiro e pagar dívidas e depois estar quatro ou cinco anos em quarto, quinto ou sexto lugar".

Ou seja, por estas duas vias (a questão dos fundos e a correlata questão financeira), o Sporting pode, já a partir de Dezembro/Janeiro, perder alguns jogadores de um plantel que é já em si mesmo (considero-o desde o início da época) muito fraco.

Se este pior cenário se verificar, então nessa altura o Sporting enfrenta um risco real de descer de divisão. O que implicaria obviamente o seu fim como grande do futebol português. Pelo menos para os próximos 10 a 20 anos.

Mas há mais ainda. Há casos pendentes que podem agravar ainda mais a situação e tornar ainda mais insustentável a posição da actual direcção, com tudo o que implicaria a sua queda, em termos de confiança da banca, dos credores e dos "investidores". Já nem me refiro ao caso de Pereira Cristovão, na sua faceta mais visível e em relação ao que o CD da Federação tomou a decisão que tomou. Nem ao que o Sporting terá necessariamente que pagar ao Benfica pelo incêndio provocado na Luz. Refiro-me a outras coisas que se vão dizendo à boca pequena e a que Seara aludiu ontem, sem querer concretizar. Por exemplo às verdadeiras razões pelas quais já sairam Carlos Barbosa (que ia fazer do Sporting um Barcelona ou Real Madrid) e Luis Duque. Ou mesmo a esta notícia segundo a qual Rojo pode até ser preso.

A situação é a pior possível. A resposta ao título deste post só pode ser: sim, pode.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

As modalidades - um feito único

O Benfica venceu ontem a Supertaça de Basquetebol (depois de ter vencido já o Troféu António Pratas, o primeiro da temporada).
Com esta vitória, as modalidades de pavilhão do Benfica conseguiram um feito único na história do desporto em Portugal: venceram as 5 Supertaças! Estamos a falar de andebol, voleibol, basquetebol, hóquei em patins e futsal. É uma conquista impressionante das nossas modalidades, cujo trabalho extraordinário deve ser ainda mais reconhecido e exaltado.
No fim da partida, Carlos Lisboa aludiu a este feito.
Há agora que dar continuidade a este caminho, não deixando fugir os títulos de campeão sobretudo no hóquei em patins, onde importa que a quebra da hegemonia do Porto se mantenha e se passe efetivamente a um novo ciclo de vitórias do Benfica. É uma modalidade pela qual os portugueses têm historicamente um grande carinho e onde infelizmente só temos visto visto "espanhóis" a ganhar. Falo evidentemente também das selecções, onde este fim de semana houve a boa notícia da vitória dos sub 20 portugueses no Campeonato da Europa, precisamente sobre a Espanha. Esperemos que a um novo ciclo de vitórias benfiquistas corresponda também um regresso às vitórias da nossa seleção A.
Também no andebol era muito bom que pudessemos voltar a ser campeões, depois de um jejum prolongado.
No futsal o Sporting será o adversário do costume, ao passo que no Basquete e no Voléi a superioridade benfiquista que existe de facto tem ser expressa dentro do campo para obtermos as vitórias esperadas.
Estamos no bom caminho!

8ª Jornada - comentário

Nada de novo na frente, com Benfica, Porto (e, um pouco atrás, Braga), com diferentes graus de brilhantismo e competência a resolverem os seus problemas e manterem-se na frente.

O Braga não terá feito grande exibição mas conseguiu os 3 pontos. Absolutamente lamentável (e contrário ao que deve ser o desporto) foi o comportamento de Hugo Viana, uma "pseudo-vedeta" como bem lhe chamou César Peixoto.

Não vi o Porto mas penso que 5-0 não pode deixar de indicar uma superioridade muito grande sobre o seu adversário, que até era o Marítimo, por regra uma equipa equilibrada, embora seja evidente o decréscimo de qualidade do ano passado para este. Martinez continua também imparável, com golo atrás de golo. Como já tinha assinalado, só um Benfica extremamente competente e regular poderá ficar à frente deste Porto.

E felizmente foi isso que se viu no sábado: uma equipa muito segura, que não foi sôfrega e desenfreada na busca dos golos, que não deu veleidades ao adversário (excepto uma oportunidade de Toscano numa desatenção de Luisinho) e que soube construir o resultado. Sem a expulsão de André Gomes o Benfica poderia ter chegado ao 4º golo, embora tenha sido evidente o decréscimo de produção da equipa a partir do moemnto em que começaram as substituições, sobretudo desde que Bruno César entrou.

Quanto a destaques, Matic esteve neste jogo a grande nível. É um jogador diferente de Javi Garcia mas começa a permitir que a equipa domine os adversários como conseguia pela acção pressionante de Javi logo que perdíamos a bola. No jogo contra o Guimarães, Matic esteve sempre "em cima" do adversário, fez bons passes e conseguiu ainda umas idas ao ataque interessantes. Terá sido dos seus jogos mais conseguidos pelo Benfica.

Maxi esteve muito dinâmico no apoio ao ataque (o Guimarães quase não colocava problemas à nossa defesa), Ola John foi muito mexido e sempre perigoso, apesar de o seu lugar natural ser do outro lado do ataque, Martins esteve bem e foi uma pena ter-se lesionado, ao passo que em termos defensivos Jardel e Garay chegaram para as encomendas. Luisinho esteve bem no apoio ao ataque até ter cometido o primeiro erro (uma perda de bola com a equipa balanceada para o ataque), o que o levou a uma sucessão de 3 erros que felizmente não resultaram num golo do Guimarães. Voltou a melhorar na segunda parte. Sálvio esteve a um nível alto, como é habitual, mas exagerou (e muito) nos toques, nos passes e nos bonitos. Pede-se mais simplicidade e objectividade. Foram muitas as vezes em que chegou à linha e voltou para trás.

Finalmente Cardozo voltou a resolver e Lima também marcou. É uma felicidade contar com dois excelentes pontas de lança como são estes dois. Que agora começam a mostrar poder jogar juntos. Podem vir a ser um caso sério. E temos ainda Rodrigo, que nem do banco saiu desta vez mas que em forma está também ao nível dos melhores.

Em suma, o Benfica tem carências que foram expostas pelas saídas de Javi e Witsel e o castigo de Luisão mas das quais surgiram respostas que começam a ser soluções e mais valias em si mesmas. Matic, André Gomes, o próprio André Almeida e Enzo Perez têm tido um papel na equipa que possivelmente não teriam se Witsel e Javi não tivessem saído. E têm tido oportunidade de mostrar a sua qualidade. Como equipa poderemos ter evoluído ao sobreviver (incólumes a nível nacional, no limite ao nível da Champions) ao castigo de Luisão e às saídas daqueles jogadores.

O Benfica demonstrou equilibrio e controlo do jogo no sábado, sem perder agressividade e acutilância no ataque. Há que continuar assim, sempre a evoluir. Que quarta-feira seja mais um passo nesse sentido.