sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Outras Ligas

Face à pausa no campeonato e à não definição do adversário do Benfica para a Taça, pouco mais nos resta senão dar um pouco mais de atenção ao que se passa nas outra Ligas Europeias, as quais ao contrário da nossa não param este fim de semana.

Assim teremos um interessante derby em Madrid, com o Real a receber o Atlético, amanhã pelas 21.00h. Futre disse à Bola TV que era este "o momento ideal para o Atlético ganhar no Barnabéu", considerando que a sua ex-equipa está "mais forte do que o Real em quase tudo". Tenho dúvidas de que esta análise seja completamente objectiva mas veremos.

O Barcelona joga duas horas antes, com o Bilbao, naquele que é o seu último compromisso antes de defrontar o Benfica.

Em Inglaterra, onde se antevê nova corrida a dois entre os "Manchesters", corrida que o United lidera agora com um ponto de avanço, não há grandes jogos neste fim de semana. O City com o Everton é talvez à partida o mais interessante (amanhã às 15.00h). Nota ainda para a campanha muito negativa do Arsenal que com apenas 14 jornadas jogadas está já a 12 pontos do 1º.

Em Itália, onde a Juventus cedeu nas últimas semanas algum terreno, tendo o Nápoles à perna agora a apenas dois pontos, há precisamente o derby de Turim, Juventus-Torino, amanhã às 19.45h.

Na Alemanha há um Bayern-Dortmund, amanhã às 17.30h.

Para terminar com uma nota positiva relativa ao futebol português, destaco que a UEFA premiou a FPF pela sua iniciativa de dar descontos de 50% em bilhetes em troca de compras no Continente. Refere também Luis Delgado n' "A Bola" que além dessa acção positiva (que se traduziu em grandes assistências nos jogos da selecção) a Federação deve também ser elogiada por ter liquidado verbas relativas ao Totonegócio, permitido aos clubes algum espaço para respirar. Essas verbas terão resultado da deslocação ao Gabão.

Calendário do Benfica em Dezembro (A e B)

Liga dos Campeões


Barcelona-Benfica, Camp Nou, quarta-feira, 5/12 às 19.45h (6ª e última jornada da fase de grupos)


Campeonato (Liga Zon Sagres)


Sporting-Benfica, Alvalade, segunda-feira, 10/12 às 20.15h (11ª jornada)
Benfica-Marítimo, Luz, Sábado, 15/12 às 20.30h (12ª jornada)

 

Taça da Liga


 Olhanense-Benfica, quarta-feira, 19/12 às 19.45h (1ª jornada)
Moreirense-Benfica, Domingo, 30 de Dezembro às 16.00h (2ª jornada)

Nota: a hora e data referentes à 2ª jornadas da Taça da Liga são as horas por defeito, que não contemplam ainda alterações (mais do que previsíveis) por motivos de transmissões televisivas.


Taça de Portugal

O Benfica aguardou o resultado de dois jogos em atraso: o Caldas-Coimbrões (referente à 3ª eliminatória) e Aves-Coimbrões. Finalmente sabemos que vamos jogar com o Aves para os oitavos de final e já há data: 2 de Janeiro (uma quarta-feira) às 20.00h no Estádio da Luz. Curiosamente o sorteio acontece antes disso e determinará não só os jogos dos quartos de final mas também das meias finais. O sorteio é já na terça-feira, dia 18 de Dezembro.


 

Benfica B (Segunda Liga)


Benfica B-Marítimo B, segunda-feira, 3/12 às 17.30h (transmissão na BenficaTV)
    Arouca-Benfica B, Domingo, 9/12 às 15.00h
Benfica B-Trofense, Domingo 16/12 às 15.00h
   Porto B-Benfica B, Domingo 23/12 às 15.00h
Benfica B-Freamunde, Domingo 30/12 às 15.00h.

Também aqui poderão existir alterações às horas dos jogos.

Paragem na competição

O Benfica, por complicações na decisão de um jogo da Taça de uma eliminatória anterior, não vai jogar este fim-de-semana, como os outros clubes que se mantêm na competição e terá assim alguns dias sem jogos. Voltámos a entrar em acção na quarta-feira em Nou Camp e depois jogámos em Alvalade na segunda.

É um regresso a sério à competição, com pouca margem de erro.

Sobre as hipóteses que mantemos de seguir na Champions (que para mim são ainda algumas) falarei nos próximos dias. Sobre o jogo de Alvalade já disse alguma coisa e certamente voltarei também ao assunto.

O que queria agora partilhar é a minha opinião de que esta calendarização não é muito adequada. Senão vejamos: em vários campeonatos europeus (pelo menos o francês, o inglês e o espanhol) houve jornada a meio desta semana. No fim de semana haverá nova jornada. Não poderíamos fazer o mesmo em Portugal? Ou pelo menos jogar a eliminatória da Taça durante a semana e o Campeonato no fim de semana?

Penso que seria mais positivo e evitar-se-ia um interregno de duas semanas no campeonato que me parece desajustado. Como aliás me parece desajustado começar o campeonato no pico do calor do Verão, quando a maioria das pessoas está de férias e não pode sequer comparecer nos estádios. É algo que não tem nenhuma explicação razoável e que decorre apenas de andarmos sempre a imitar os outros (cujos campeonatos por sinal têm "só" mais oito jornadas que o nosso). Com apenas 16 equipas poderíamos muito bem começar a competição mais tarde e assim evitar estes "buracos" que ficam por preencher no calendário.

Amanhã regressa assim a Taça, mas ainda sem Benfica. Teremos o Braga-Porto, decisivo para a carreira de Peseiro, como aventei há uma semana. Desejo-lhe boa sorte.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Da atitude do Braga

Disse Artur, no final do jogo de Braga no ano passado, em que faltou a luz por três vezes e Proença viu uma mão de Emerson na área mas não viu um agarrão a Luisão dentro da área do Braga e, numa agressão à cotovelada de Djamal a Gaitan, só viu razão para amarelo, disse Artur no fim desse jogo que "quando o Benfica aqui joga acontecem sempre coisas do outro mundo".

Já quando o Porto joga em Braga, não acontecem nenhumas coisas do outro mundo. Pelo contrário só acontecem coisas bem deste mundo, deste nosso mundo do futebol português: previsíveis e risíveis.

O ano passado deu-se o apagão da equipa do Braga (na altura dizia-se até que Leonardo Jardim estava apalavrado para ser o futuro treinador do Porto). Neste ano deu-se o apagão dos seus dirigentes.

Após um jogo em que nem o árbitro (o tal Xistra que em Coimbra via penalties de cada vez que a Académica se aproximava da área do Benfica - no primeiro, o jogador nem precisou de lá entrar...), nem o fiscal de linha viram um penalty do tamanho da pedreira, em que houve confrontos entre adeptos (e também com a polícia) e lançamento de inúmeros petardos por parte da claque visitantes, Salvador, sempre tão cioso da defesa do seu clube estava desaparecido em parte incerta.

***

É curioso o que vem acontecendo em Braga de há uns anos para cá. Uma cidade hospitaleira e pacífica tornou-se de um momento para o outro de uma hostilidade violenta para com o Benfica e os seus apoiantes. Primeiro foram as agressões cobardes (pelas costas) a Cardozo e até a Raúl José, que ali tinha sido treinador adjunto com Jesus.

Depois foram as agressões, físicas e verbais, de Alan a Javi Garcia que, naturalmente, viria a ser expulso num dos jogos. Pelo meio houve speakers furiosos a berrar durante os jogos, casos de apagões, casos de arbitragens, alegados insultos ao Presidente LFV e ainda casos de agressões, em pleno centro da cidade, a adeptos benfiquistas que pacificamente festejavam a conquista do único título dos últimos anos.

O que fizeram os benfiquistas (tão numerosos em Braga) para merecer este tratamento é algo que permanece por explicar.

Já com o Porto - neste momento bicampeão e até vencedor sobre o Braga de uma final europeia - tudo se parece passar na maior das tranquilidades. E assim foi mais uma vez, pelo menos para os dirigentes do Braga. E os jogadores.

Não consta que Rúben Micael, Hugo Viana (apesar de um bate boca com Vítor Pereira), Mossoró ou Alan tenham agredido ou acusado de racismo ou de qualquer outra falta de carácter nenhum jogador do Porto.

Mais do que isso - e mais surpreendente - é de assinalar que nem de nenhum deles se ouviu qualquer indignação pelo penalty não assinalado. Nem Douglão, que lamentou a falta de sorte, se referiu (que eu tenha ouvido) ao lance.

E do presidente já falei. António Salvador, que na semana anterior se referira ao golo anulado à sua equipa, desta vez ficou mudo e quedo. Eu imagino o que seria se isto se passasse com o Benfica. Mas não passa - não neste mundo. Em três jogos com os grandes, o Braga foi prejudicado em dois e beneficiado num. Advinhem com quem.

Assim se passam as coisas neste mundo.

Crime no Porto

Nunca é demais recordar que Rui Moreira,que abandonou um programa em directo por não aceitar "autos de fé" (a leitura de escutas do apito dourado), colocou, quando ainda estava no "Trio d' Ataque", Lisboa no seu "fundo", chamando à capital do País "Palermo".

Rui Moreira, convém também não esquecer, não é o líder dos superdragões. É alguém com altas responsabilidades que pensou até ser candidato à Presidência da Câmara (mas não teve apoios).

Convém por fim recordar que este discurso se alimenta de e legitima um outro, que é o de classificar a população portuguesa de Lisboa e do sul em geral como "mouros", que seriam assim uma espécie de sub-humanos. Este discurso, para além de divisionista e racista (e aparentemente ninguém se preocupa com isto neste País), incita à violência, pois gera a ideia de que os outros, os "mouros", são de uma sub-raça que é legítimo insultar, agredir, roubar e espancar.

Pois bem, acontece que foi no Porto que os juízes criaram um invólucro, uma espécie de bola de cristal à volta de Pinto da Costa que lhe permitiu furtar-se (a si e ao seu clube) à justiça.

Acontece que só por razões formais Pinto da Costa não foi condenado por corrupção.

Acontece que só através de um ambiente de intimidação, de impunidade (Carolina Salgado até foi agredida à porta do Tribunal do Porto) e de compadrio com juízes é que Pinto da Costa conseguiu fugir à justiça. Só num sistema de troca de favores e compadrios se aceita que uma visita de um árbitro a casa de um dirigente, durante a noite da véspera de um jogo, com uma testemunha a dizer que lhe entregou um envelope de dinheiro ao árbitro, passe incólume, descredibilizando-se a testemunha e acreditando-se na palavra dos acusados, engolindo-se a versão de que a visita serviu apenas "para falar do pai do árbitro".

Isto não aconteceu em Lisboa, aconteceu no Porto.

Como foi no Porto que houve um caso chamado "noite branca", do gang da Ribeira. Não apenas o caso, que meteu inúmeras "esperas", agressões, tiroteios e mesmo mortes foi no Porto, como teve ligações a Fernando Madureira, líder da claque do clube e convidado do presidente do clube da noite de Natal.



Em Lisboa, os jogadores do Porto passeiam no Parque Eduardo VII nas vésperas de jogos importantes. No Porto, os jogadores do Benfica são recebidos à pedrada, só por milagre não tendo há dois anos acontecido uma tragédia com Pablo Aimar.

Mas para cúmulo do azar de quem quer chamar a Lisboa, capital histórica de um Império Mundial, que ia do Brasil a Timor, de Palermo, acontece que foi agora no Porto (notícias de hoje dos jornais) que:

- Inspectora da PJ do Porto mata avó do marido com 14 tiros;
- Chefe da PSP do Porto garantia impunidade do tráfico de droga.

E estes casos juntam-se a um outro, de que não quero falar muito por respeito para com a família do falecido, porque quase nada sei e porque se diz que foi suícidio, de uma morte no Estádio do dragão.

Nada tenho contra o Porto cidade. Infelizmente há problemas e criminalidade em todas as grandes cidades. Mas não posso aceitar que se chame de Palermo à capital do meu País. Há limites para tudo, apesar de alguns julgarem que tudo vale para ganhar.

Crónica de Leonor Pinhão

A presunção estava lá toda. Só faltou a água benta.



"(...) entre o Porto e o Benfica não há quem descole (...)


" A queda abrupta do Sporting de Braga para posições a que não estava habituado é a novidade maior desta liga (...). Os analistas dados às forças do ocultismo dirão que o Sporting de Braga anda a penar com as alminhas desde que o seu presidente, António Salvador, lhe proclamou a ascensão ao estatuto de terceiro grande do futebol português.
A presunção estava lá toda. Faltou, no entanto, a água benta.
E como? E porquê?
Está aberta a época dos clássicos do futebol português (...) opuseram o Sporting de Braga ao Sporting (...) e ao FC Porto, em Braga, que redundaram em duas derrotas que muito atrasam os minhotos na luta pelo topo da tabela.
Diga-se que o Sp. de Braga dominou como muito bem quis a segunda parte do jogo de Alvalade e, depois, jogou taco-a-taco com o FC Porto, quase anulando as diferenças entre os dois. Mas perdeu sempre porque lhe faltou água benta em ambas as ocasiões.
O campeonato português seguia relativamente tranquilo até à chegada dos primeiros clássicos do calendário. Mas já se sabe com os clássicos chegam também os nossos valorosos árbitros internacionais e como não há belas sem senão... lá regressa em todo o seu esplendor o protagonismo de quem não devia.

O mau momento do Sporting é um exclusivo dos sportinguistas e não fica bem aos adversários (...) apontar incompetências ou espicaçar ânimos e desânimos com graçolas cruéis. (...)
e se é para falar do Sporting do momento presente só vale se for para apontar o que funciona bem, ou seja, as coisas boas. E há coisas boas e que funcionam bem em Alvalade.
O Presidente por exemplo.
A equipa de futebol saiu de Moreira de Cónegos mais longe de todos os seus objectivos e o treinador, mais um, saiu de rastos. Já o presidente saiu em grande e bastou atentar nas primeiras páginas dos jornais do dia seguinte para se concluir, de forma inapelável, que o responsável pela reviravolta no resultado foi Godinho Lopes.
(...)
Com um presidente destes nem é preciso treinador.
(...)
o argentino Juan Iturbe tem vindo a falhar estrondosamente as suas legítimas tentativas para se impor na equipa principal do FC Porto. (...) Dá conta a imprensa da especialidade que, aproveitando mais uma folga, Juan Iturbe optou por se deslocar em passeio até à capital e, fazendo-se fotografar junto à Torre de Belém, divulgou a referida imagem pelas redes sociais. Diz que agora lhe chamam mouro e no que se foi meter.

De uma entrevista antiga de Guilherme Espírito Santo, campeão de campeões no Benfica, 4 campeonatos de futebol, 3 Taças de Portugal, 147 golos em 207 jogos, e também recordista nacional do salto em altura, campeão nacional de salto em comprimento e de triplo salto:
-Naquele tempo, existiam alguns preconceitos racistas por causa dos jogadores de cor. Um dia, em 1947, num hotel da Madeira, queriam colocar-me num anexo por ser negro. Os jogadores do Benfica disseram que para onde eu fosse ele também iam. E acabámos todos a dormir no anexo.
Guilherme Espírito Santo, um símbolo do símbolo."
-

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Começaram as tentativas de desestabilização

O Benfica tem estado surpreendentemente forte esta época. Depois das saídas de Javi e Witsel e da não contratação de nenhum lateral esquerdo (para além do adaptado Luisinho) nem de um substituto para Maxi, poucos esperaríamos que estivessemos neste momento com 26 pontos (que deveriam ser 30) em 10 jogos. Dia 10 jogamos em Alvalade e se ganharmos "arriscamo-nos" a receber o Porto (14ª jornada, agendada para dia 13 de Janeiro) no mínimo em igualdade pontual e com muita confiança em nós próprios.

Esse é um cenário perigoso para o Porto. O ano passado ganhou na Luz como sabemos: com (pelo menos) um golo ilegal e contra 10 jogadores. Mas essa equipa do Benfica que só foi batida por ajudas arbitrais (o tal fiscal que "viu mas não quis marcar" para além da "proençada" do costume) não vinha de uma boa série. Pelo contrário, vinha de uma derrota em Guimarães e de um empate em Coimbra. E mesmo assim teve forças para dar a volta a um resultado desfavorável de 0-1 para 2-1. Um Benfica forte como é o actual será portanto muito complicado para este Porto. E esse é um cenário que muitos já estarão a tentar "acautelar".

O calendário do Benfica para o campeonato até esse jogo é o seguinte:

Sporting, Alvalade 10 de Dezembro
Marítimo, Luz 16 de Dezembro
Estoril, Coimbra da Mota 6 de Janeiro

Convenhamos que as perspectivas do Benfica perder pontos são apesar de tudo mais elevadas no jogo com o Sporting do que nas outras partidas.

Esta é portanto a altura de fazer o ataque. E não duvido que ele surgirá. A tempo direi como mas não é difícil antecipar.

Por agora, vão aparecendo "notícias" que visam desestabilizar a nossa equipa - e alguns caem nesta esparrela, indo atrás do isco, como os nossos inimigos desejam: é o ordenado de Jesus, é o "assédio" a Garay, são as "exigências" de Cardozo, é Nolito que é desejado por vários, é o próprio Ola John, que de não convocado passa a cobiçado pelos tubarões. E por aí fora...

Há que desestabilizar, pois nem Xistra (apesar dos pontos ROUBADOS nesse jogo) nem Soares Dias, nem os comentadores "antis" conseguiram abalar o espírito de equipa e a concentração do Benfica no campeonato. Há que desestabilizar, pois a perspectiva do Benfica não apenas "sobreviver" a tantas saídas e lesões mas conseguir mesmo acabar uma primeira volta à frente do Porto, causa inquietação nos Papas e bispos do Norte. O momento é este.

Os benfiquistas que não se deixem cair no engodo.

Do jogo do ano ao jogo da vida

Escrevi neste blog, antes mesmo da época começar, quando os comentadores falavam de um "Sporting muito forte" e de uma "grande equipa" que certamente ombrearia com Benfica e Porto, que aquele clube enfrentava dificuldades muito sérias e corria mesmo o risco de vir a fechar portas.

Desde então voltei a escrever sobre o Sporting, nomeadamente antecipando a substituição de Sá Pinto por Oceano ainda antes do jogo com o Videoton e descrevendo o longo processo de agonia daquele clube que o pode, no limite, levar à descida de divisão. Volto a dizer que, apesar de muito implausível, não considero esse cenário impossível.

Também tenho dito que o Sporting é o rival por excelência do Benfica, algo que se tem esbatido e desvirtuado nos últimos anos por duas razões principais: 1) a crescente perda de competitividade do Sporting, resultante em parte de uma má gestão e em parte da hegemonia do Porto, obtida à custa de favores arbitrais e domínio das estruturas de poder do futebol; 2) uma esquizofrenia anti-benfiquista que levou o Sporting a abraçar de forma contranatura o Porto, ao qual aceitou submeter-se desde que isso prejudicasse o Benfica. Com isto, o Sporting conseguiu duas coisas: i) fortalecer ainda mais o Porto; e ii) perder a sua identidade, tornando-se ainda mais fraco e incapaz, sobretudo pela corrosão moral e dos princípios da ética desportiva que durante tanto tempo apregoou  (e definitivamente agora abandonou).

Chegado a este ponto, o Sporting já não vive - sobrevive e a custo. E, ao invés de olharem para dentro e perceberem em que momento se afastaram do caminho, se tornaram cegos e fizeram o seu clube perder o rumo, os adeptos sportinguistas insistem e marram cada vez mais contra uma parede. É ver Dias Ferreira a recusar-se liminarmente a criticar as arbitragens que tão descaradamente beneficiam o Porto, ainda que em prejuízo do seu clube (pois acha que isso é fazer o "jogo" do Benfica), como todos os sportinguistas continuam a falar de Lucílio Baptista e da Taça da Liga de há 5 anos (que portanto justificaria tudo o que desde então se vem passando nas arbitragens em Portugal e todos os prejuízos de que o Benfica é vítima), é ver como os adeptos apoiaram Paulo Pereira Cristovão, é ver como foi escolhido Sá Pinto e como se cantava no estádio "aperta com eles Sá Pinto". Enfim, é toda uma mentalidade trauliteira e anti-benfiquista primária, que submete os verdadeiros interesses do Sporting (que deveriam antes de mais nada ser os de uma Liga limpa, justa e com critérios iguais para todos) ao combate acéfalo e contraproducente a um Benfica que tem nos últimos anos pugnado justamente pela lisura da competição e pela sustentabilidade do futebol em Portugal.

E, para sobreviver, este Sporting descobriu agora a fórmula mágica: vencer o Benfica no próximo dia 10 de Dezembro. O seu presidente já o sugeriu (garantiu mesmo que isso iria acontecer) e Rui Oliveira e Costa também o afirmou.

Não se trata agora já de "salvar" a época, tentando contribuir para atrasar o Benfica e provavelmente dar mais um campeonato ao Porto, que os tem ganho quase todos nos últimos anos. Trata-se, ainda mais do que isso, de salvar o clube! O Sporting pede 3-0 com o Videoton e o Basileia, é eliminado da Taça na primeira eliminatória, está arredado do título desde Outubro e da europa desde Novembro mas os sportinguistas só querem ganhar ao Benfica.

Posso estar muito enganado, mas creio que isso não acontecerá. Dia 10 de Dezembro o Benfica entrará em Alvalade só com um pensamento - ganhar e continuar na luta pelo título até que os árbitros o roubem à força das nossas mãos como fizeram no ano passado.

O Benfica nada tem hoje que ver com o Sporting. É um clube sério, onde se trabalha com muito rigor e competência. A atitude que tem tido no decurso da época é a que vai ter em Alvalade. Em condições normais, o Benfica vencerá o Sporting de forma concludente. As crises de Alvalade não são criadas pelo Benfica, são criadas pelos próprios adeptos daquele clube. A nós só nos cabe fazer o que sabemos e vencer o jogo. O resto é com eles. É deixá-los a falar - sozinhos, de preferência.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

As anedotas do dia futebolístico

Godinho Lopes: "estamos a subir, degrau a degrau. Na jornada passada estávamos em 10º, agora já estamos em 8º".

"A Bola": "Tottenham: Villas Boas quer Van Wolfswinkel em janeiro". Como se isto por si só não bastasse para nos fazer rir (embora de Villas Boas tudo seja de esperar...), diz-se ainda que "o Arsenal, Liverpool e Sunderland também têm sido associados ao ponta-de-lança." Penso que desta vez se terão esquecido do Milan, da Juventus e do Barcelona, que também andam de cabeça perdida por este prodígio...

Outra anedota, também relativa ao Sporting. Como se sabe, o clube de Alvalade enfrenta graves dificuldades financeiras. Pois bem, ao intervalo do jogo de Moreira de Cónegos, Godinho Lopes foi ao balneário com isso contribuíndo para mais uma despesa: uma multa de 8 mil euros...

Para terminar a secção Sporting, mais uma pérola, desta vez de Rui Oliveira e Costa: "coitado do Vercauteren".

Ainda uma última situação caricata, esta oriunda de Inglaterra: depois de despedir o treinador que lhe realizou o sonho de ser campeão europeu (com uma equipa sem muitas estrelas, que aliás estivemos à beira de eliminar), Abramovic contratou Rafa Benitez, que não tem deixado saudades por onde passa. Pois bem, no seu primeiro jogo em Londres (contra o Manchester City) muitos foram os adeptos que pediram a... saída de Benitez, tendo mesmo exibido inúmeras tarjas nesse sentido (Rafa Out) e apupado o seu treinador. No mínimo insólito.

Noutras notas mais sérias, mas ainda assim com o seu quê de caricato, o mesmo Chelsea, depois de acusar um árbitro de racismo veio-lhe pedir desculpa e retratar-se, ao passo que Luiz Adriano, jogador que marcou um golo absolutamente vergonhoso na última jornada da Liga dos Campeões foi castigado pela UEFA com um jogo de suspensão por falta de fair play.

Benfica deve rever prioridades - sistema e playstation

Depois de ver um golo anulado no jogo contra o Braga (provavelmente um caso quase único no futebol mundial, o de anular um auto-golo!) que nos retirou dois pontos, depois de ver serem marcados dois penalties inexistentes contra nós em Coimbra, depois do que se passou em Braga nesta jornada, penso que o Benfica deve rever as suas prioridades.

Jesus declarou que a prioridade este ano era o campeonato. Ora ganhar o campeonato, para usar uma expressão do próprio Jesus, só na playstation. Em Portugal só um pode ganhar o campeonato. Não percebo como os dirigentes do Benfica ainda não o entenderam.

Depois da nossa vitória em 2010, Pinto da Costa admitiu que tinha andado "distraído" e que a coisa não se repetiria. As duas épocas transactas demonstraram como ele estava a falar a sério. Depois de em 2010/2011, a "época de sonho" em que às primeiras jornadas o Benfica já tinha sido expoliado de 8 pontos e o Porto beneficiado noutros tantos, e de 2011/2012, em que valeu tudo nas últimas 11 jornadas, ficou bem claro como os árbitros já nem se preocupam em manter aparências. Todos assumem claramente quais as regras do jogo.

O Sporting aceita essas regras porque elas impedem o Benfica de vencer (seu maior pesadelo), o Braga aceita porque elas lhe permitem andar nos lugares cimeiros e os árbitros principais aceitam porque continuam a ter boas notas dos observadores e a qualificar-se para o estatuto de internacionais.

Fica o Benfica a falar sozinho, numa cruzada contra tudo e todos, porque num país subserviente, adulador dos vencedores, amorfo e onde impera a impunidade, as vitórias tudo branqueiam e justificam. No fim ganha sempre "o melhor", ainda que para lá chegar se atropelem todas as regras de equidade e elementar decência. O Porto até tem bons jogadores e de vez em quando até joga bem... Os "erros" dos árbitros "fazem parte do jogo". Ganhar justifica tudo, perder demonstra a fraqueza de quem se queixa.

Nesta medida, o Benfica deveria "esquecer" o campeonato, abandonar a sua pretensão de ser campeão.

O Benfica só conseguirá ser campeão quando for capaz de golear todos os adversários por 4 e 5 golos de vantagem e ainda vencer Braga, Sporting e Porto, mesmo com penalties, expulsões e golos anulados contra si. Convenhamos que, mais do que ser difícil, essa é uma tarefa quase impossível.

No ano passado, contra o Braga fora tivemos um penalty contra inexistente e uma expulsão perdoada ao adversário. Contra o Sporting fora tivemos um penalty inexistente contra nós, um existente não assinalado a nosso favor, uma expulsão perdoada (diversas vezes) a João Pereira e a expulsão de Luisão. Na Luz contra o Porto tivemos um golo contra em fora de jogo descarado e a expulsão injusta de Emerson.

Só quando formos um Barcelona ou um Real Madrid conseguiremos ultrapassar estas contrariedades e ser campeões.

Como isso não parece estar em vias de acontecer, o Benfica deve esquecer essa quimérica vontade de ser campeão.

Aqui as coisas já estão decididas à primeira jornada.

Proponho por isso que os dirigentes e profissionais do Benfica elejam como objectivo para a próxima época o ir o mais longe possível nas competições europeias. Ganhar a Liga dos Campeões não é muito realista mas fazer boas campanhas não o é. E essas campanhas valem milhões, que poderemos usar para manter boas equipas (não precisaríamos de muitos jogadores porque nos concentraríamos sobretudo numa competição com poucos jogos), praticar um bom futebol para oferecer espetáculos aos seus adeptos e ter uma situação financeira estável. Por outro lado, a Liga Europa já não é assim tão inacessível ao Benfica e uma vitória nessa competição garantiria também grandes receitas.

Perguntar-se-á o leitor: este texto é irónico ou é para ser levado a sério?

Honestamente não sei até que ponto esta ideia pode ser levada a sério. Mas sei uma coisa: nestas condições é impossível ganharmos. Só mesmo na playstation. E estarmos ano após ano a criar ilusões, indignarmo-nos com as vergonhosas arbitragens e os ridículos e injustos critérios do Conselho de Disciplina e a ficar constantemente frustrados com a indecência do futebol português é algo que só nos desgasta e entristece sem conduzir a resultado algum.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Faz hoje um ano

Há exactamente um ano atrás, dia 26 de Novembro de 2011, os adeptos do Sporting provocaram um incêndio de grandes proporções no Estádio da Luz, tendo posteriormente agredido os bombeiros que o tentavam extinguir.

Faz hoje um ano.

Depois disso, Vieira foi castigado, Aimar foi castigado, Jorge Jesus foi castigado. Pereira Cristovão depositou um cheque na conta de um árbitro, demitiu-se, des-demitiu-se, voltou-se a demitir e o seu processo foi arquivado pelo Conselho de Disciplina.

Faz hoje um ano que tentaram deitar fogo ao Estádio da Luz. Até hoje nada aconteceu.

O Conselho de Disciplina ainda não agiu e os tribunais também não.

Todos os outros se podem ter esquecido desta triste data. Nós aqui não.

O outro grande líder

Diz-se que no Porto há um que manda e os outros obedecem. O grande e incontestado líder Pinto da Costa é sem dúvida um homem que sabe mandar, quer no lado legítimo das suas funções, quer manobrando nos bastidores os poderes obscuros do futebol.
Não é porém verdade que seja um líder único no Porto.
Há um outro que é seguido por parte dos adeptos, de forma quase incontestada e que actua por vezes sem qualquer controle, nem mesmo de Pinto da Costa.
Falo de alguém que se auto-intula também "o líder" e que dá também pelo nome de "macaco da Ribeira". Ontem esteve envolvido em confrontos e foi parar ao hospital. Mas foi apenas mais um episódio de uma longa história, que teve um dos seus primeiros episódios em Faro em 1994.
O facto de ao longo destes quase 20 anos, o "macaco" ter passado com quase total impunidade por inúmeras situações como as que se descrevem adiante, muito embora ateste como poucos outros casos a inoperância da nossa justiça, não é o mais espantoso da história. O mais espantoso é sem dúvida o facto deste "líder" se ter permitido escrever um livro em que descreve, vangloriando-se, os múltiplos crimes e violências cometidos por ele e a sua claque, perante a indiferença generalizada do País.

Nem vale a pena adjectivar toda esta situação que já entra na esfera do inacreditável. Limitar-me-ei a deixar, nalguns posts sobre o assunto, palavras do próprio macaco, desde já advertindo para a linguagem imprópria ali contida. A justiça da República pode ignorar tudo isto, mas a Justiça Benfiquista não esquece.

Início de citação:

"Os 36 e a bela Russa"

" Na época em que "os dragões partiam tudo", as deslocações aos campos adversários, raramente, acabavam sem confusão. Os Super Dragões estavam a começar a adquirir a força e as outras claques também não queriam ficar atrás.
Era o auge das picardias e das esperas, principalmente, com a claque do Benfica "No Name Boys".
O Farense - Porto, da época 1994/95, foi uma sexta-feira, a noite; por isso, saimos do Porto na quinta-feira, de madrugada: - uma viagem que ficou conhecido pelos "36 e a Bela Russa", ja que éramos trinta e seis homens e somente uma mulher.
Reservámos um autocarro ao senhor Albino, da Renex, dos Clérigos, mas, na hora de saida, o dinheiro não chegava para pagar o aluguer, que era cerca de cento e cinquenta contos. Se fôssemos cinquenta, a viagem ficava por cerca de três contos a cada um, mas como só tinhamos conseguido reunir trinta e sete elementos, o preço ficou muito superior. Para além disso, muitos nem seuqer tinha dinheiro e as finanças da claque, naquela altura , não tinham qualquer comparação com as de hoje. Foi um momento complicado, porque só tinhamos noventa contos e a camioneta não arrancava, enquanto não tivessemos o resto do dinheiro. Ao ver o nosso desespero, e como já eramos clientes habituais, o senhor Albino baixou o preço para cento e trinta contos. Mesmo assim ainda faltavam quarenta contos. Era preciso encontrar ums solução.
por volta da meia noite, lembrei-me de ir ter com um amigo, o Vitor do ouro, que morava na rua Escura.
-"Ó Vitor, podias dar-nos um patrociniozinho...íamos,agora, para Faro para apoiar o Porto e não temos dinheiro que chegue para o aluguer do autocarro.
Se não arranjarmos quarenta contos, ficámos em terra."
Mal acabei de falar, o Vitor olhou para mim, meteu a mão no bolso, e sacou o dinheiro. graças a ele, o autocarro partiu rumo a Faro.Adormeci.
por volta das 05h da manha, acordei estremunhado, sem perceber o que estava a acontecer. Tinhamos parado numa bomba de gasolina, no Alemtejo...Quando olho para fora do autocarro, só vejo entrar carregados de caixas de gelados. Tinham dado a rapadela geral a uma barraca de gelados. A camioneta arrancou, de imediato, e só parou em Faro, ás 09h da manhã.
Ficámos junto a ria e aproveitámos para apanhar uns banhos de sol...perto da hora do almoço, como estava tudo micho, andámos a ver o que é que podiamos arranjar para comer. Juntámos algumas coisas que alguns "desviaram" das prateleiras e fizemos um piquenique.
Da parte da tarde, fomos todos ao banho. Parecia que estavamos na Ribeira. Estava tudo calmo, quando passaram entretanto três gajos de caschecol dos No Name Boys. Foi tudo em cima deles!...Começaram a bater-lhes e até queriam manda-los ao rio...não consenti, porque era demais.

A tactica do extintor

Por volta das 17h30, disse ao motorista que íamos a pé para o estádio, porque fomos alertados para o facto dos No Name Boys, de Faro, poderem estar junto da claque do Farense, South Side Boys, à nossa espera. Era bulha pela certa!.
Lá fomos com as mochilas ás costas e ainda demorámos cerca de quarenta minutos. Ao lado do Estádio de São Luís, havia um parque com árvores, onde decorria uma feira, do género da de custóias, ou de Espinho. Era terreno propíco a uma emboscada e por isso, o grupo pegou em paus e pedras, de forma a estarmos prevenidos para qualquer eventualidade. Na altura, não tínhamos tochas, mas o sugla tinha roubado um extintor numa bomba de gasolina.
Chegámos ao estádio ás 18h30. Ainda faltavam duas para horas para o jogo. Damos, de caras, com quarenta gajos dos No Name Boys e dos South side Boys. Eles olham para nós, meios expectantes, porque não estavam a contar connosco ali e...gerou-se um impasse. A única hipótese de nos safarmos era atacar primeiro. Virei-me para o suga, mandei-o ir a frente com extintor, enquanto nós o seguiamos aramdos com perdas, paus e mais tarde os ferros dos guarda-sóis.
O suga abriu o extintor e ficou tudo branco. Aproveitámos e começamos a atacar. Eles contra-atacaram com tochas, acertando nos feirantes. Começou tudo a arder e nós todos á porrada, com as pessoas da feira a gritarem e a fugirem; de facto, não se via nada com o fumo. Foi uma tourada...até que chegou a polícia, que nos separou, isolando-nos com um cordão. Os tonos tinham fugido, mas, quando nos viram isolados, voltaram a juntar-se e armados em otários, preparando-se para nos atacar. nem pensámos duas vezes. Furámos o cordão da polícia e fomos para cima deles. A polícia só nos voltou a separar á bastonada, voltando-nos a isolar.
-"Como é que vocês vieram aqui parar. Vêm para o jogo e não nos dizem nada?"
-perguntou-me o comandante da polícia, surpreendido com aquela confusão e a querer saber onde é que ámos comprar os bilhetes.
-" Nós não temos bilhetes. E se quer um conselho, da forma como isto está, acho melhor que nos ponha lá dentro, sem bilhetes...e conforme eles estão vão andar aqui, vão andar aqui o resto da tarde e durante o jogo, a fazer asneiras, de outra forma não vão ter sossego."
Ele pôs-se a olhar para mim e disse-me para esperar uns minutos. Foi, entretanto, falar com outro elemento e veio com uma solução:
-"Esta resolvido.Vocês vão entrar de graça, mas é só desta vez...para não fazerem asneiras."
Lá fomos para dentro do estádio, de borla, duas horas antes do jogo. Ninguém tinha dinheiro e, por isso, acabámos por ficar a ganhar. Durante o jogo, ao lado da claque da claque dos Sout Side Boys estava uma faixa da Ala Dura dos "No Name Boys". Já não restavam dúvidas que eles estavam juntos.
Nem as duas claques juntas tiveram vida para nós. à saida, já com uma vitória por três Zero no "saco", os nossos "amigos" estavam de novo à nossa espera. Não lhes bastou terem levado no focinho, no início, e queriam mais!...Porém, a polícia não nos deixou sair, enquanto eles não dispersassem. Ficámos, cerca de uma hora e meia, dentro do estádio.
Entretanto, a camioneta chegou e entrámos, de imediato, à porta do estádio. Ao fundo, vejo cerca de 10/15 gajos preparados para foder a camioneta. pedi ao motorista para deixar a porta aberta por uns minutos, porque faltava um colega nosso. A polícia foi aos carros para nos escoltar até à saida de Faro, e aproveitando a distracção doa agentes, sáimos a correr em direcção a eles.
Quando nos viram, desapareceram como ratos. Foi a única forma de regressarmos ao Porto com a camioneta, sem um único risco. De outra Forma, podem ter a certeza que tinha sido apedrejada. "

Braga-Porto - uma sorte de Xistra

Falei do post anterior deste jogo entre o azarado Braga de Peseiro e o clube de futebol de Pinto da Costa, que tem uma enorme sorte, sobretudo com as arbitragens. É um fenómeno curioso: na área do Porto os árbitros nunca vêm nada (estão tapados, estão distraídos, estão bloqueados), mas na área do Benfica vêm tudo: o que acontece e o que não acontece.

Por exemplo, em Coimbra Xistra viu dois penalties contra o Benfica quando nenhum existiu; ontem o mesmo Xistra não viu um contra o Porto que aconteceu.

Na 1ª jornada desta época, na Luz contra o Braga, o árbitro (um Soares Dias) viu falta num lance que daria o golo da vitória ao Benfica. Mas as imagens demonstram que  Cardozo não tocou no guarda-redes Beto. Curiosamente esse mesmo árbitro não viu no ano passado um penalty escandaloso de Polga sobre Gaitan. Mas ainda o mesmo árbitro no mesmo jogo de Alvalade conseguiu ver um penalty num lance em que Luisão toca ao de leve no pescoço de Wolfsvinkel. Luisão que viria a ser expulso, ao passo que o árbitro não viu razão para João Pereira o ser, apesar deste ter por mais do que uma vez agredido, pisado e insultado jogadores do Benfica.

São tudo coincidências.

O ano passado o Benfica empatou em Braga num lance em que Emerson, de costas e com os braços colados ao corpo, intercepta com o cotovelo um cruzamento numa jogada perfeitamente normal sem qualquer perigo. Proença viu ali penalty. Mas Xistra ontem não viu razão para penalty numa jogada perigosíssima do Braga em que um remate de Alan é deliberadamente interceptado por um braço levantado de Alex Sandro.

Há dois anos Xistra expulsou Javi Garcia numa disputa de bola em que este e Alan se envolvem. Xistra viu a alegada "chapada" de Javi no peito do adversário (que podia ou não merecer cartão amarelo ou vermelho, dependendo da interpretação) mas não viu a acção de Alan. Como ontem voltou a não ver as acções de Fernando passíveis de segundo amarelo.

Ainda no jogo do Benfica em Braga no ano passado, o do "penalty" de Emerson, Proença (o tal "rigoroso" árbitro, que expulsou o mesmo Emerson na Luz contra o Porto por duas faltas absolutamente triviais) viu na agressão de Djamal a Gaitan com uma cotovelada na cara razão para apenas cartão amarelo.

O mesmo Proença viu numa jogada normal do golo do Braga em Alvalade na jornada passada uma falta ofensiva. Como viu um penalty fantasma nas Antas sobre Lisandro Lopes ou um penalty inexistente de Moreira sobre Deivid do Sporting em anos passados. Mas coitado não viu, porque estava tapado ou distraído, penalties flagrantes os lances sobre Mantorras, Simão e Geovanni noutras épocas. É só seguir o link para ver o vídeo. Desde já advirto que as consciências mais honestas poderão sentir-se incomodadas.

Olegário é outro que e deixa de ver conforme as áreas e o mesmo se pode dizer de muitos outros, nomeadamente naqueles que vêm, por exemplo, num penalty sobre Aimar em Coimbra no ano passado, uma falta do nosso jogador. Coitados, eles são humanos.


Sim, foi Olegário. Sim, foi contra o Benfica. Sim, foi...perdão, não, não foi golo. Imagem do site "foi penalty".

Daí os jogadores do Porto, nomeadamente aqueles aos quais é permitido marcar golos em posições de fora-de-jogo de metro e meio dizerem: "Para nós está tudo bem com a arbitragem". Pudera.

Para terminar, uma nota sobre o jornalismo desportivo que se continua fazendo em Portugal. Cada um que tire as suas conclusões.

Dei-me ao trabalho de ir ver o que diziam os sites dos desportivos no seus "relatos" online sobre o lance em que Sandro corta com a mão a bola de Alan. Partilho-o convosco com os meus comentários.

"A Bola" online:

"Grande corte de Alex Sandro a negar o golo ao extremo do SC Braga. É a primeira jogada de perigo do ataque da equipa da casa. Alan ficou a pedir mão na bola do lateral esquerdo dos dragões."

Destaco como uma intercepção com a mão é classificada como "grande corte".


"Record" online:
"lance polémico na grande área portista. Alan rematou em boa posição, após desmarcação de Ruben Micael, e a bola é intercetada pelo braço de Alex Sandro. O árbitro nada assinalou."

A descrição é factual, pelo que não há nada a dizer.

"O Jogo":
"Que perigo na área do FC Porto! Alan a receber ao segundo poste e a rematar contra Alex Sandro, canto para o Braga!"
Não há qualquer menção ao uso da mão. Esta é a realidade paralela em que vivem os adeptos do Porto.
Para terminar, na Antena 1 ouvi ao intervalo a referência clara pelo locutor nos estúdios a "um penalty por assinalar" como um dos factos marcantes da primeira parte. Até aí tudo certo. Mas o que dizer de Manuel Queiroz, um DECLARADO portista, completamente incapaz de ser imparcial, ser sempre o comentador dos jogos do clube do Porto? Segundo li noutro blog, Queiroz terá ontem chegado a chamar "estúpido" ao árbitro por alegadamente prejudicar o seu clube. Isto num jogo em deveriam ter tido um penalty contra e uma expulsão! O grau de fanatismo, de doença desta gente é tal ponto que se realmente fossem prejudicados eu nem imagino do que seriam capazes.
Queiroz chegou em tempos a dizer na TVI que uma agressão de James Rodrigues que na altura mereceu o vermelho não era razão para expulsão, porque um vermelho só podia ser dado por "algo muito grave".
Quantas vezes teria Gobern sido demitido se dissesse só metade destas enormidades?

Encomendem as faixas

Se é para isto, podem encomendar as faixas para a outra equipa.

As palavras não são minhas, são do treinador do Porto e foram proferidas há pouco menos de um ano, quando começou a ser óbvio que o andamento do Benfica era demasiado forte para a equipa que ele comandava (para raiva dos seus próprios adeptos, que o achavam incompetente e até lhe tentaram bater).

As palavras encontraram porém eco nos destinatários - os árbitros - e estes trataram de falsificar de forma grotesca o campeonato da época passada. Valeu tudo: de golos em fora-de-jogo de mais de um metro a expulsões encomendadas e penalties fabricados ou, em sentido inverso, faltas flagrantes dentro da área não assinaladas.

Se assim aconteceu o ano passado e se aquela que era, de longe, a melhor equipa foi espoliada de forma tão evidente, vindo a perder o campeonato para uma equipa que se alimentou de penalties de bonecos debanda desenhada, digo eu então agora: encomendem as faixas.

Enjoa a um ponto de repulsa, o que se passa no futebol português. Se em jogos em que o Benfica ganha por 5-0 (Setúbal) ou por 2-0 com dezenas de oportunidades (Olhanense), a primeira pergunta aos treinadores adversários é sempre sobre a arbitragem (num porque houve uma expulsão, noutro um penalty), porque será que ontem, em que devia ter havido um penalty e uma expulsão contra o Porto, não foram o treinador e o Presidente do Braga questionados sobre o tema?

A resposta é idêntica à da pergunta sobre porque não marcou Xistra (o tal Xistra) o penalty evidente ou não expulsou Fernando. A resposta escreve-se numa palavra: sistema.

O Benfica empatou na época passada em Braga depois de ser assinalado a Emerson um penalty para rir, em que em cruzamento inóquo de Alan  embate no braço do então nosso jogador (a dois metros), que até estava de costas com os braços colados ao corpo. Ontem Alex Sandro levanta os dois braços, interceta um remate em direção à baliza com um deles e nada se passa. Fernado fez o possível e impossível para ser expulso, mas o ano passado na Luz curiosamente o mesmo Emerson foi expulso por duas faltas banais e Cardozo até foi expulso duas vees, uma delas por bater na relva. Já para não falar de Aimar e dos dois jogos de suspensão.

Esta gente pode ser séria? Esta gente pode ser digna?

Não, claro que não. Esta gente é corrupta, é subserviente e não tem uma ponta de dignidade que seja.

Isto é tão claro como a água.

O Porto será novamente campeão e mais uma vez nada mudará.

Sejamos sérios e justos: o Porto tem bons jogadores e é uma equipa difícil de vencer. Tem muito bons jogadores, como Rodrigues e Martinez. É um facto que estes jogadores estão um nível acima dos outros. Que o Porto é uma equipa difícil de bater é algo que um observador com um mínimo de objectividade constata: dá poucos espaços e apesar de ter centrais relativamente banais, defende muito bem. Ocupa bem os espaços e cria espaços nas outras defesas, mesmo as que se fecham.

Ora se uma equipa forte e difícil de bater tem a ajuda dos árbitros nos momentos em que as outras equipas lhe podem inflingir danos, torna-se realmente quase impossível de bater.

Com o Benfica acontece o oposto. É uma equipa extremamente competente mas quando os árbitros têm a mínima oportunidade de a prejudicar, actuam.

Nos jogos em que joga menos bem tem pois uma alta probabilidade de perder pontos. O Porto é quase impossível perder pontos. Nos jogos em que manifestamente não consegue vem uma expulsão ou um penalty e a coisa está resolvida.

Este é o lodo do futebol português.