sábado, 26 de maio de 2012

Sporting (pode estar) à beira de fechar as portas

Ponto prévio: este não é um post contra o Sporting. O título não expressa um desejo meu (antes pelo contrário) mas o que temo que possa ser uma realidade.


Nas últimas semanas assisiram-se no Sporting a algumas movimentações estranhas que podem indicar que algo de muito errado pode estar a acontecer pelas bandas de Alvalade.

Primeiro foi o "regresso" de Pereira Cristovão a funções, depois se ter auto-suspendido. Esta decisão de voltar atrás com o que tinha dito foi muito mal recebida entre vários membros da direcção do Sporting, que terão cedido a uma chantagem de Pereira Cristovão apoiada em duas ameaças: i) fazer cair a direcção (ao arrastar consigo elementos que lhe são próximos), forçando eleições antecipadas e ii) usar as claques para criar instabilidade e caos no clube. O que motivou o vice-Presidente a voltar atrás na sua decisão de se auto-suspender terá sido a convicção de que estaria mais "protegido" se se mantivesse em funções.
De qualquer modo, a aceitação por parte dos outros dirigentes do Sporting de uma situação em que não se revêem e consideram que pode prejudicar o seu clube, indicia que o clube está tão frágil, que é melhor uma situação destas do que criar mais focos de instabilidade.

Em segundo lugar há a questão das viagens e dos silêncios de Godinho Lopes. Pelo que se sabe, e o próprio já o admitiu, o Sporting precisa urgentemente de "investidores". Godinho anda pela China e outras paragens basicamente a tentar vender o Sporting.

Por fim, a questão da transferência de João Pereira. Como se justifica vender um jogador por um preço tão baixo quando o mais certo é que ele venha a ser titular da selecção nacional num campeonato da Europa visionado em todo o mundo? De uma e uma só forma: o Sporting precisa de realizar dinheiro de imediato para fazer face a compromissos de pagamentos a bancos e funcionários.

A situação em Alvalade pode ser muito mais grave do que se julga. O Sporting pode estar em perigo de falência a curto prazo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não provoquem os meninos...



As imagens acima estão a circular por vários blogs e muitos de vós já as terão visto. De qualquer modo, quando alguns procuram, através de manobras de propaganda, atirar areia para os olhos das pessoas, convém recolocar as coisas no seu devido lugar.

Não há imagens nem montagens, por muitas repetições para a frente e para trás e câmeras lentas que façam, que possam justificar o que se passou no fim do jogo no "caixa dragão". Carlos Lisboa e a equipa festejaram, como têm todo o direito de fazer, de forma efusiva e própria do desporto e de uma final decidida nos últimos segundos.

Como festejaram já jogadores e adeptos do clube do Porto, por regra sempre protegidos - e bem - pela polícia de Lisboa no Estádio da Luz. Aliás, se alguma violência houve na Luz envolvendo atletas do Porto nos últimos anos, ela foi praticada por Hulk e Sapunaru. Mas, até nesse caso, os agressores eram, na mentalidade distorcida dos fanáticos do clube do Norte... as vítimas. Até deu direito a vigílias e a apelidar esse campeonato do campeonato do túnel...

Mais uma vez, os portistas teriam sido alvo de ... provocações.

Quem não se impressionou muito com isso foi o Ministério Público que deduziu acusação contra Hulk e Sapunaru, confirmada pelos tribunais. Haverá mesmo julgamento.

O que aparentemente não é provocação é receber o autocarro de uma equipa à pedrada, atirar bolas de golfe para dentro de um campo de futebol, interromper finais da taça da Liga com arremesso de cadeiras, colocar galinhas dentro da baliza do adversário, passar os jogos a entoar "cânticos" de insulto à equipa adversária (por vezes em coro com os jogadores), apelidar metade da população portuguesa de mouros ou marroquinos ou ter um treinador que diz que o seu colega é um "egocêntrico" e que a equipa adversária faz "bloqueios".

É deixá-los a falar sozinhos.

Carlos Lisboa é um campeão. A sua atitude competitiva é impecável e o seu espírito benfiquista transmite-se aos atletas. Bem haja.

Venha o hóquei.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Foras da lei.


Imagem DN



Há algum tempo atrás, Rui Moreira, um homem que gosta de dar lições de moral aos outros mas que é intelectualmente desonesto, dizia que Lisboa era Palermo.

Naquele clube é assim: de há alguns anos para cá, fomentar o bairrismo e o divisionismo do país não basta - há que cultivar o ódio.

Já critiquei muitas vezes, não apenas mas também aqui no blog, as partes gagas das regas e dos apagões na Luz há um ano atrás. Comportamentos desse tipo não são dignos da história e da dimensão do Benfica.

Não descemos porém ao nível do que o clube do Porto fez ontem, numa repetiçaõ de um filme que já vimos  muitas outras vezes - e espero sinceramente que nunca o façamos. Gente desta não merece senão uma resposta. Vencermo-los, como ontem fizemos com todo o mérito e categoria.

Isto não quer porém dizer que o que aconteceu ontem deva ser ignorado. Há um jogador do Porto que, enquanto os atletas do Benfica festejam, vai dizer "não, vocês não podem fazer isso aqui" e, não contente, ainda ameaça de punho fechado o treinador do Benfica.

"Não podem"? Não podemos celebrar uma conquista de um campeonato? A taça tem que ser entregue nos balneários e os nossos jogadores têm que ali permanecer fechados hora e meia até haver "condições de segurança"?

Mas onde chegámos nós? Estamos no mundo do desporto ou estamos numa guerra?

Como se não bastasse, o clube do Porto faz ainda um comunicado intitulado "A vergonha da polícia", já depois de Pinto da Costa ter andado, de dedo esticado, no pavilhão a ameaçar a polícia. A culpa, diz o tal comunicado, seria afinal de Carlos Lisboa (que, em vez de celebrar com "urbanidade" teria andado a insultar os adeptos do Porto com palavrões). Tudo estava portanto justificado, menos - claro - a carga policial "sobre crianças e mulheres indefesas". Para aquele clube tudo são vergonhas, excepto o comportamento selvagem dos seus adeptos e dirigentes.

Mas que gente é esta? Até onde vai isto chegar?

Este clube quando perde entra à pancada. E ai dos outros - é bom que fujam porque caso contrário arriscam-se a ficar logo ali. É por estas e outras que os árbitros têm medo. Mas é que é mesmo de ter.
É que esta gente é mal formada, é gente perigosa, que ataca em grupo.

Acabo com as seguintes questões. Será que tudo é permitido a este clube? Para que servem os regulamentos disciplinares? O que mais será preciso acontecer para se tomarem medidas? Ou será que vamos passar todos a deixar o Porto vencer para não incomodarmos os seus adeptos?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vitória

Tal como tinha aqui escrito ontem, tinha muita confiança em Carlos Lisboa, que sabe como poucos o que é o Benfica e a sua cultura desportiva. Graças a ele e aos atletas, que não se amedrontaram, conquistámos esta noite mais um título importante (que juntamos ao Troféu António Pratas). O Benfica é campeão nacional de basquetebol. Parabéns a todos!

Ainda sobre o Sporting

Breves notas apenas, para assinalar comportamentos que o clube "diferente" teve antes, durante e depois da final de Domingo e que são merecedoras de censura.

1) Não foi muito comentado mas o raspanete público de Sá Pinto a Adrien configura um comportamento muito feio, potencialmente (se Adrien não fosse o profissional sério que mostrou ser) atentatório da verdade desportiva. Sá Pinto lembrou, em tom ríspido em vésperas de um jogo decisivo, que Adrien era pago pelo Sporting, o que pode ser visto como uma tentativa de o condicionar. O mesmo Sá Pinto, após o jogo, desrespeitou a Académica ao dizer que "o Sporting não pode perder uma final com a Académica".

2) João Pereira voltou a merecer a expulsão e a exibir comportamentos reprováveis nos campos de futebol.

3) Uma jornalista da SIC foi incomodada e empurrada bruscamente por um adepto do Sporting, enquanto outros lhe gritavam "Benfica, a SIC é do Benfica"...

4) O árbitro Paulo Baptista foi, enquanto subia a escadaria em direcção à tribuna do Jamor, alvo de tentativas de agressão, de insultos e (dizem, isso não vi) cuspidelas por parte de adeptos do Sporting, por se ter recusado a arbitrar o Sporting na segunda jornada do campeonato.

Vi num outro blog um adeptos dizer algo do estilo: "para que estão agora a atirar pedras aos sportinguistas? São todos iguais!".

De facto, maus comportamentos existem em todos os clubes, embora nem todos sejam iguais. O que tem diferenciado o Benfica de outros clubes, é que os seus dirigentes, comentadores e mesmo a grande maioria dos seus adeptos, condenam veementemente tais comportamentos e deixam claro que eles não representam a forma de estar do Benfica. Os outros, que se afirmam "diferentes", insinuando que o Benfica é o clube da ralé e eles são de sangue azul, pelo contrário sempre se desresponsabilizam e escusam a condenar os comportamentos lamentáveis.

Quando houve a lamentável cena da batalha campal de adeptos na final de juniores, a culpa foi dos adeptos do Benfica, quando era claro que tinha havido arremesso de pedras de ambas as partes. Quando houve confrontos com adeptos do Atlético de Madrid e as claques do Sporting ameaçaram atacar mulheres e crianças do clube espanhol, a culpa era dos outros. Quando, há uns anos, invadiram o campo, após um golo de Giovanni, a culpa era da ffrustração. Quando recentemente se envolveram à pancada com a polícia em Alvalade, a culpa foi da brutalidade policial. Quando deitaram fogo ao estádio da Luz, a culpa era das condições pré-históricas. E agora a culpa foi do Adrien, do árbitro, etc.

Uma última nota. Fiquei hoje a saber, através da crónica do próprio no jornal "A Bola", que Eduardo Barroso se recusou a cumprimentar o árbitro da final e o deixou de mão estendida.

É nisto que hoje se manifesta a "diferença" do Sporting.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Modalidades - decisão basket é amanhã

Alguns internautas têm aqui deixado comentários no sentido de que aquilo que se passa no futebol se replica nas modalidades e mesmo nos escalões de formação do futebol. A saber: prejuízos arbitrais inexplicáveis a que se juntam falhanços das nossas equipas em momentos cruciais. Estes dois factores combinados estão a fazer com que nas competições extra-futebol profissional se verifique a mesma hegemonia portista e a mesma ausência de títulos. Naturalmente isto é muito negativo e abala o benfiquismo, ao passo que reforça a posição do clube do sistema.
Também aqui há que inverter a situação, apelando à identidade e valores benfiquistas. Os nossos atletas têm que ser apoiados pelas estruturas directivas (porque pelos adeptos já o são) e têm sobretudo que ser imbuídos de mentalidade competitiva e vencedora. Têm que, como disse antes, substituir o medo de falhar pela determinação e espírito de vitória.
Na formação o balanço foi misto, mas o Benfica tem que para o ano impôr o seu peso no sentido de que se não repitam situações de flagrantes atropelos não apenas à verdade desportiva mas aos valores mesmos do desporto. Aqui sim, há matéria para exigir à tutela - o Secretário de Estado do Desporto - que intervenha, no sentido que a formação não seja desde logo uma escola de vícios e um campo em que tudo é permitido. Mais do que o futebol profissional, esta é uma área de intervenção do Governo, na qual os saudáveis valores do desporto têm que ser respeitados, sob pena de se estarem a formar arruaceiros e não homens e desportistas.
No andebol a época foi negativa, não há como o esconder. No vóleibol a equipa falhou no momento da verdade e deve ser feita uma reflexão interna.
Mas no basquetebol e no hóquei as épocas estão a ser boas e têm tudo para ser coroadas de sucesso. Isto se percebermos que para ser vencedores temos que trabalhar mais do que o adversário e ser melhores. Isto se percebermos o que é o Benfica e não falharmos. E eu acredito que assim acontecerá e que se pode daí começar a edificar um novo ciclo de vitórias.
Quarta-feira a nossa equipa de basquetebol joga no pavilhão adversário o campeonato. Estaremos com eles em espírito, sabendo que já nos deram muitas alegrias no passado, sobretudo Carlos Lisboa, esse grande treinador e grande benfiquista, já nos deram alegrias esta época e que acreditamos neles para nos darem nova alegria amanhã.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cultura de vitória - Parte II

A perda de identidade do Benfica, aliada ao esmorecimento do seu espírito de vitória, levou-o à actual situação.
No último jogo com o Porto (na Luz, 2-3), foi bem visível, para quem gosta de analisar as coisas, que o Porto entrou melhor no jogo. Mais forte, mais seguro, mais confiante, com mais garra e vontade de vencer.
O facto do Benfica ter perdido com um golo em fora de jogo e ter visto um jogador seu injustamente expulso não altera este facto.

É preciso perceber por que razão isto acontece recorrentemente. A meu ver será talvez a mesma razão que faz com que o Benfica tenha sistematicamente falhado nos momentos decisivos das últimas décadas, com uma ou outra excepção. Este facto está aliás, melhor do que em qualquer outra competição, espelhado na contabilidade das Supertaças: em 27 presenças, o Porto ganhou 18 (66,6%). Em 15 presenças o Benfica ganhou 4 (26,6%). Em onze finais contra o Porto, imaginem quantas o Benfica ganhou. Pois é... uma! Perdeu 10!

É preciso inverter esta situação, o que se faz de várias formas.

Em primeiro lugar, o Benfica precisa de ter bons jogadores e treinadores, o que objectivamente já acontece hoje. Veja-se como Ramirez e David Luiz se sagraram campeões europeus pelo Chelsea - e que papel tiveram nessa conquista! (a propósito os meus parabéns para estes dois grandes atletas) - e Di Maria campeão de Espanha.
Rodrigo e Nélson Oliveira são avançados de enorme qualidade e características singulares e Cardozo, apesar de ter alguns problemas de motivação ou convicção e algumas limitações no plano técnico, é um avançado de topo - dos que marcam golos, que é o mais importante. No meio campo também há enorme qualidade, desde o meio às faixas. É na defesa que o Benfica precisa de melhorar, sobretudo ao nível dos laterais. A direcção do Benfica tem que trabalhar. É nestes pormenores que a estrutura tem que se sobrepor ao treinador na identificação das necessidades e prioridades de um plantel, deixando claro que nenhuma teimosia se pode sobrepor aos interesses colectivos.

Em segundo lugar, há que definir um modelo de jogo e jogadores para o interpretar. O Porto fez isto nos anos 80, com um modelo sobretudo assente na segurança defensiva e foi ajustando este modelo ao longo dos anos, dotando-o de características mais ofensivas mas sem perder a identidade. Cultivou um jogador "à Porto", que trabalha e batalha muito e não vira a cara à luta. No Benfica, pelo contrário cultivou-se demasido a estrela e o vedetismo. É preciso mudar isto, inculcando nos jogadores a mentalidade de que a equipa e o clube estão sempre acima dos interesses individuais. Jesus conseguiu implementar um modelo ofensivo, adequado à matriz histórica do Benfica, mas teve duas pechas fundamentais, que a estrutura de apoio técnica e directiva deveria ter corrigido: fez uma equipa sem portugueses (o que dificulta a recuperação e preservação da mística e raça benfiquistas e uma identidade de equipa que perceba a realidade da rivalidade Benfica-Porto e saiba interpretar o sentimento dos adeptos quando defrontamos este adversário) e o descurar da solidez defensiva.

Quanto à primeira lacuna, que resulta também de uma falta de qualidade da formação do Benfica, parece estar-se a trabalhar para a colmatar mas é preciso fazer mais, apostar mais em jogadores portugueses e da casa. Não apenas contratar mais portugueses mas também usar mais os que já temos, como Miguel Vítor, que nunca nos deixou mal e merece mais oportunidades, seja no centro da defesa, seja à direita. Quanto à segunda, há que contratar (ou recuperar os emprestados) defesas laterais de qualidade.

Mais uma vez resulta claro dos dois parágrafos anteriores que o Benfica precisa de uma estrutura mais sólida, que apoie o treinador, que o proteja e preserve (também em relação às polémicas com as arbitragens) e que o chame à razão quando necessário. Pois todos, até os melhores, erram e Jorge Jesus tem errado com alguma frequência nos últimos anos. Uma boa estrutura de futebol, profissional e competente, poderia ter evitado alguns dos erros.

Em terceiro lugar, há que trabalhar a mentalidade e o lado psicológico dos jogadores, no respeitante aos jogos decisivos, através da afirmação da identidade benfiquista. Há que afirmar os valores benfiquistas, o seu espírito desportivista e leal, o seu carácter e seriedade (acabem com os speakers por favor!, assim como com manobras patéticas como apagar as luzes e discursos mal medidos e errantes), bem como a sua dimensão mundial. Este aspecto tem que ser constantemente valorizado, pois o Benfica é um clube ímpar, com adeptos e Casas por todo o mundo. Esta dimensão que as Comunidades Portuguesas e os países de Língua oficial Portuguesa dão ao Benfica, de integração, sem discriminação entre estatuto ou raça, tem que servir para afirmarmos a nossa diferença e identidade em relação a um clube que se assume regionalista e que prima pelo fomento do divisionismo da sociedade portuguesa.

Em quarto lugar, há que, também no plano da moral e da mentalidade, recuperar e fomentar nos jogadores e técnicos uma cultura de vitória e de grandeza, que infelizmente não tem existido nos últimos anos. Uma cultura de ambição, de desejo de conquista de títulos. Hoje os benfiquistas têm medo de perder. Amanhã têm que ter sede de ganhar. O Benfica tem estado nas grandes decisões, mas tem perdido a maioria, precisamente por medo de falhar, por tremer nos momentos decisivos, por achar que algo pode correr mal e por isso correrá mal. Alterar este estado de coisas passa pela liderança do Benfica, Presidente em primeiro lugar, mas também por todos os benfiquistas que têm sido demasiado descrentes e ansiosos nos últimos anos.

Fazendo o trabalho, como tem que fazer, com rigor e disciplina, com a qualidade que existe e libertando-se de medos e fantasmas, o Benfica tem todas as condições para vencer. Percamos então o medo de falhar e substituamo-lo pelo espírito de conquista - não de um mas de muitos títulos. A vitória do Chelsea na Liga dos Campeões e da Académica na Taça mostrou mais uma vez que não há imbatíveis e que a vontade e a determinação, quando se está convicto do que se está a fazer e do emblema que se representa, são factores decisivos. A ambição do Benfica tem que ser a de estabelecer um domínio a nível interno que lhe permita dar o salto para um patamar europeu, a que só episodicamente temos acedido, quando temos condições para dele fazer parte.

Por fim, o Benfica tem que batalhar sempre pela Verdade Desportiva, assumindo-se como defensor intransigente da Justiça no jogo e nas competições, do que temos amplamente falado em diversos posts.

Se estes princípios forem inculcados nos benfiquistas, a começar pelos jogadores e acabando nos adeptos, afirmando-se sempre o clube pela positiva, sem insultos aos adversários, sem ser contra ninguém mas sempre tendo presente a responsabilidade que acarreta a sua dimensão, o Benfica entrará num novo ciclo de vitórias. Que ele comece já na próxima época e que estejamos daqui a um ano a festejar a "dobradinha" (e já agora também com a Taça da Liga, se possível) são os meus desejos de fim de época.

Cultura de vitória - a diferença entre vencer e perder

No rescaldo do jogo de ontem, Nuno André Coelho, que passou pelo Porto, pelo Sporting e agora está no Braga, dizia na RTP que seria muito difícil o Porto perder a final de ontem, pelo espírito de conquista que se vive naquele clube.
Já tenho aqui abordado esta questão e tenciono voltar a fazê-lo. Se por um lado é um facto indesmentível que o Porto beneficiou nos últimos anos de várias ajudas do sistema do futebol português, não podemos porém, sob pena de não mudarmos de vida e continuarmos a perder, ignorar que falta no Benfica uma cultura de vitória e de conquista.

E isto vem de há vários anos e não tem que ver nem com Jesus, nem com Vieira. Tem que ver com a história e com uma mentalidade que importa primeiro perceber e depois modificar.

Não é nenhuma novidade e tem sido amplamente referido que Pinto da Costa e Pedroto forjaram há 30 anos uma estratégia que passava antes de mais pelos seguintes vetores: ataque ao "centralismo" de Lisboa, promoção de uma "cultura do Norte" de afirmação bairrista, definição de um modelo de jogo e de um jogador "à Porto", ambição e cultura de vitória. Esquecendo por agora as questões de arbitragem e sistema (como qualquer boa estratégia, a do Porto foi implementada a diversos níveis e naturalmente passou pela conquista do poder dos bastidores do futebol, através da Associação de Futebol do Porto e do Conselho de Arbitragem - lideradas por Adriano Pinto e Pinto de Sousa - que com Pinto da Costa fizeram formaram o triunvirato dos três Pintos), há que reconhecer que esta estratégia foi coroada de sucesso e que de um clube perdedor e com pouca dimensão, Pinto da Costa e Pedroto conseguiram fazer um colosso europeu.

A estratégia tinha portanto várias vertentes, desde a identidade (foi até "inventado" o emblema do dragão) à afirmação regional como bandeira de um "povo" supostamente mal tratado, a um modelo de jogo e cultura desportiva de ambição e vitória.

Inversamente, no Benfica, depois dos gloriosos anos 60, atravessou-se, sobretudo a partir da década de 80 um período de descaracterização. Havia o que por vezes se chama na gíria um cansaço competitivo e de vitórias. Instalou-se alguma acomodação, algum comodismo.
Uma geração de jogadores brilhantes chegava ao fim e abriu-se a porta aos jogadores estrangeiros. A cultura de Benfica - a mística - que significava uma raça muito grande, uma grande abnegação, humildade, um grande desportivismo e uma grande  ambição aliadas à confiança de todos em si mesmo e nos companheiros, levaram o Benfica a ser surpreendido por um Porto que não tinha os mesmos valores desportivos (de lealdade, de ética, de respeito pelo adversário) mas um grande espírito competitivo e de conquista.

Passados 30 anos, já seria tempo do Benfica ter criado um antídoto para esta estratégia portista, mas a verdade é que isso não acontece. Tendo o clube vivido em situação de estabilidade e continuidade dirigente nos últimos anos (ao contrário do que se verificou desde Damásio a Vilarinho), e até no plano do treinador, com Jesus a completar 3 épocas no comando da equipa, há então que identificar as causas da continuada falta de sucesso.

Há que perceber por exemplo, porque continua o Benfica a perder na maioria das vezes os jogos decisivos, nomeadamente com o seu rival Porto, por vezes de forma inexplicável.

Fim de festa

Acabou ontem a época e com uma grande surpresa: a Académica venceu a Taça e o Sporting fecha o ano com uma derrota e sem nenhum título.
Não nos devemos comprazer nas derrotas e tristezas alheias, é uma máxima que nos vem à memória. Na verdade, como ontem também me lembrava um amigo, todos temos familiares e amigos que são sportinguistas, que naturalmente ontem terão sentido a "tremenda desilusão" de que Sá Pinto falou. Mais do que isso, como ontem também disse aquele treinador, estão de "de luto", o que é mais uma razão para respeitarmos a sua desgraça.

Mas sendo tudo isso verdade, há porém algumas coisas que convém lembrar.
Em primeiro lugar, recordar que o Sporting não merecia estar na final: nas duas mãos das meias finais o Nacional jogou melhor e só foi eliminado através de um golo já bem para lá da hora em Alvalade e um outro através de um penalty mais do que duvidoso. Em segundo lugar, mesmo depois de apurado, o Sporting poderia (e se calhar deveria) ter sido desclassificado devido às manobras de Paulo Pereira Cristovão (que aliás continuam por explicar em toda a sua extensão). Finalmente, convém recordar que os sportinguistas passaram a época a desmerecer e desvalorizar o Benfica, nomeadamente a sua conquista da Taça da Liga. Logo na altura eu disse e repeti aqui no blog: conquistar títulos não é fácil, todos os títulos são importantes e servem para alimentar o espírito de conquista.
Em anterior artigo caracterizei  o sentimento anti-benfiquista de muitos sportinguistas, que ultrapassa largamente a rivalidade e entra no plano do doentio, como esquizofrénico. Há sportinguistas - e não são poucos - que chegam a desejar a derrota do seu clube se dela resultar prejuízo para o Benfica. Por outras palavras, colocam o anti-benfiquismo (que não encontra explicações na realidade, pois tem sido do Porto a hegemonia quase completa do futebol português das últimas 3 décadas, por diversas vezes através de benefícios do sistema) antes do seu sportinguismo. Para esses e para os que atearam fogo ao Estádio da Luz, bem como para os que, em vez de condenarem terminantemente o ato selvagem e incivilizado, disseram "não se reverem" naqueles atos, dedico a vitória de ontem da Académica. Em relação aos outros sportinguistas, que sobretudo desejam as vitórias do seu clube, digo que temos pena. Acontece.